quinta-feira, 25 de junho de 2026

Marrocos x Haiti .

 Em Atlanta , nos Estados Unidos , Marrocos venceu o Haiti por 4 a 2 , ontem , pela última rodada da fase de classificação da Copa do Mundo . O time marroquino se classifica em segundo no Grupo C , com os mesmos sete pontos que o Brasil , mas perde para os brasileiros no saldo de gols .                                                Disputando a partida com chances de classificação , o Haiti, segundo o site campeões do futebol , volta a marcar gols em um Mundial desce 1974 .      Em Moonterey ,no México , Marrocos enfrenta o primeiro colocado do Grupo F , que no momento , tem  liderança da Holanda .                                        Tivemos um bom primeiro tempo . Os times jogaram ofensivamente e proporcionaram uma etapa inicial muito agradável . Com saída de jogo em velocidade , toque de bola refinado e finalizações contra o gol adversário . Haja vista que o primeiro tempo terminou em 2 a 2 .                                                No segundo tempo , o time marroquino foi impondo sua melhor qualidade técnica . Os marroquinos trabalharam melhor a saída de bola , tendo maior equilíbrio entre defesa , meio campo e ataque, os marroquinos passaram a ter uma saída de jogo mais sustentada e chegaram a vitória . O time haitiano fez um bom jogo . Mas a maior qualidade técnica do time marroquino prevaleceu . 


A qualidade técnica seria a habilidade técnica em executar os fundamentos do futebol 

A qualidade técnica envolve a capacidade do atleta de realizar movimentos com precisão e eficiência. É a competência individual com a bola e inclui fundamentos como: 

Condução de bola: Habilidade de se movimentar com a posse da bola pelo campo.


Passe: Ações de tocar a bola para um companheiro, variando em distância e trajetória.


Chute/Remate: Ação de finalizar em direção ao gol.


Drible/Finta: Capacidade de enganar e superar adversários com movimentos coordenados.


Recepção/Domínio: Ação de receber e controlar a bola vinda de um passe ou lançamento.


Cabeceio: Uso da cabeça para passar, dominar ou chutar a bola. 

O padrão de jogo é o conjunto de ações coletivas, repetidas e coordenadas que um time de futebol mantenha o mesmo nível por várias partidas . Tendo consistência nos mesmos movimentos .

Comportamentos planejados para atacar (ex: troca de passes, contra-ataques, ultrapassagens) e defender (ex: compactação, marcação por zona).


 Leitura de campo em diferentes fases do jogo.


 Inteligência para melhorar os fundamentos e melhorar a leitura de campo

A qualidade técnica é fundamental para um time vencer  Jogadores com alta qualidade técnica conseguem executar as demandas táticas do treinador com maior eficácia  Por outro lado, um padrão de jogo melhora a qualidade técnica do jogador  criando situações em que os jogadores possam utilizar suas melhores habilidades técnicas com inteligência 
Confira os campeões das competições no Brasil e no mundo . No site campeões do futebol .https://www.campeoesdofutebol.com.br/competicoes.html. Confira os canais do site campeões do futebol .https://www.campeoesdofutebol.com.br/canais.html.Confira o almanaque das Copas do Mundo . No site campeões do futebol .https://www.campeoesdofutebol.com.br/copa_mundo_capa.html.    Imagem do LANCE.



Escócia x Brasil .

 Com um jogo ofensivo eficiente , o Brasil venceu a Escócia por 3 a 0 , ontem em Miami . Na melhor partida da seleção no Mundial  , podemos tirar conclusões .                            O time brasileiro se classifica em primeiro lugar com sete pontos , mesma pontuação de Marrocos , que venceu a Haiti ,mas os brasileiros vencem no saldo de gols . Com dois gols , Vinícius Junior chega a quatro gols nessa Copa , estando entre os protagonistas . Matheus Cunha fez o terceiro . Desde Neymar em 2014 , um jogador brasileiro não chega a quatro gols em um Mundial . O time brasileiro fez um jogo ofensivo eficiente . Com saída em velocidade no meio campo e jogo sustentado no campo defensivo . O adversário nas oitavas de final tem que ser confirmado . O time brasileiro joga na segunda feira em Houston , contra o segundo colocado de um grupo que tem Holanda , Japão e Suécia .          


O jogo ofensivo no futebol é um modelo tático focado na iniciativa de atacar, onde a equipe prioriza o controle da bola, a criação de espaços e a finalização para marcar gols. Ao contrário do que se pensa, um time ofensivo não é necessariamente desprotegido; ele busca desequilibrar o adversário através de princípios estruturais que organizam o ataque. 

Para que um ataque seja eficiente, ele se baseia em conceitos fundamentais que orientam o movimento dos jogadores: 

Amplitude (Largura): Alargar o campo, geralmente usando os corredores laterais, para obrigar a defesa adversária a se abrir e criar espaços internos.


Profundidade: Movimentação em direção à linha de fundo ou à baliza para "empurrar" a defesa rival e aumentar a área de jogo útil.


Penetração: Ações que visam romper as linhas defensivas, seja por passes verticais, infiltrações ou dribles.


Mobilidade: Troca constante de posições e movimentações imprevisíveis para confundir a marcação e gerar novas linhas de passe.


Vigilância Ofensiva: O posicionamento estratégico de jogadores que não estão diretamente na jogada para controlar espaços, evitar contra-ataques e facilitar a recuperação rápida da bola.


Diferentes esquemas táticos podem favorecer o estilo ofensivo, dependendo de como os jogadores ocupam o campo:



Pressão Alta: Uma estratégia agressiva onde a equipe avança suas linhas para tentar recuperar a bola o mais próximo possível do gol adversário.


Transição Ofensiva: O momento crítico em que a equipe recupera a posse e tenta chegar ao gol em poucos segundos (contra-ataque rápido). 


O sucesso de um jogo ofensivo depende da precisão técnica (passes curtos e finalizações certeiras) e da compactação, mantendo os setores próximos para facilitar o apoio mútuo. 

Com um jogo ofensivo bem feito . O time brasileiro mereceu a vitória .


A qualidade técnica seria a  técnica em executar os fundamentos do futebol 

A qualidade técnica envolve a capacidade do atleta de realizar movimentos com precisão e eficiência. É a competência individual com a bola e inclui fundamentos como: 

Condução de bola: Habilidade de se movimentar com a posse da bola pelo campo.


Passe: Ações de tocar a bola para um companheiro, variando em distância e trajetória.


Chute/Remate: Ação de finalizar em direção ao gol.


Drible/Finta: Capacidade de enganar e superar adversários com movimentos coordenados.


Recepção/Domínio: Ação de receber e controlar a bola vinda de um passe ou lançamento.


Cabeceio: Uso da cabeça para passar, dominar ou chutar a bola. 

O padrão de jogo é o conjunto de ações coletivas, repetidas e coordenadas que um time de futebol mantenha o mesmo nível por várias partidas . Tendo consistência nos mesmos movimentos .

Comportamentos planejados para atacar (ex: troca de passes, contra-ataques, ultrapassagens) e defender (ex: compactação, marcação por zona).


 Leitura de campo em diferentes fases do jogo.


 Inteligência para melhorar os fundamentos e melhorar a leitura de campo

A qualidade técnica é fundamental para um time vencer  Jogadores com alta qualidade técnica conseguem executar as demandas táticas do treinador com maior eficácia  Por outro lado, um padrão de jogo melhora a qualidade técnica do jogador  criando situações em que os jogadores possam utilizar suas melhores habilidades técnicas com inteligência 
Confira os campeões das competições no Brasil e no mundo . No site campeões do futebol .https://www.campeoesdofutebol.com.br/competicoes.html. Confira os canais do site campeões do futebol .https://www.campeoesdofutebol.com.br/canais.html.Confira o almanaque das Copas do Mundo . No site campeões do futebol .https://www.campeoesdofutebol.com.br/copa_mundo_capa.html. Imagem do LANCE.

Algo . Fato .

 

                        

O fator econômico é fundamental para a sobrevivência e competitividade dos clubes de futebol, influenciando diretamente o desempenho em campo. A saúde financeira dos times é determinada pela sua capacidade de gerar receitas e gerir despesas de forma eficiente, algo que ainda é um grande desafio para muitos clubes brasileiros, que frequentemente acumulam dívidas significativas. 

Principais fontes de receita

Direitos de transmissão: Representam a maior fonte de renda para a maioria dos clubes brasileiros, superando até mesmo a venda de jogadores. Esses valores vêm de contratos com empresas de comunicação que transmitem os jogos.

Negociação de jogadores: A venda de atletas é crucial para a saúde financeira dos clubes, especialmente os de menor porte. A porcentagem de receita gerada pode variar entre 10% e 30% do faturamento total. O desenvolvimento de novos talentos nas categorias de base é uma estratégia importante para garantir essa receita.

Publicidade e patrocínios: Acordos com patrocinadores e fornecedores de material esportivo geram valores significativos para os clubes.

Receitas de match day: Incluem a bilheteria e a exploração do estádio. Em 2023, o Flamengo liderou as maiores rendas de bilheteria do Campeonato Brasileiro.

Programas de sócio-torcedor: A participação dos torcedores nos programas de sócio-torcedor tem se mostrado fundamental para as finanças dos clubes. Em 2023, a receita com sócios-torcedores da Série A cresceu 72%, com Corinthians, Flamengo, Internacional, Grêmio e Palmeiras sendo os principais arrecadadores. 

Desafios e desafios financeiros

Endividamento: Muitos clubes brasileiros lutam contra altas dívidas, que podem comprometer a estabilidade financeira e a capacidade de investimento. Em 2025, o Corinthians liderou o ranking dos clubes mais endividados do Brasil, seguido por Atlético Mineiro, Cruzeiro, Vasco e São Paulo.

Custo de pessoal: Salários de jogadores e comissão técnica representam uma das maiores despesas dos clubes. Uma má gestão desses custos pode levar a déficits financeiros.

Gestão financeira ineficiente: A falta de organização financeira e a dependência de receitas não recorrentes, como a venda de jogadores, para cobrir custos operacionais recorrentes, é um problema comum. 

Tendências e inovações econômicas

Sociedade Anônima do Futebol (SAF): A criação da SAF permite que os clubes se transformem em empresas, com ações que podem ser adquiridas por investidores. Esse modelo atrai capital externo e pode melhorar a gestão financeira, mas sua eficácia depende da administração.

Diversificação de receitas: Há um crescente esforço para diversificar as fontes de receita, explorando o potencial de marketing digital e novas parcerias comerciais.

Fair play financeiro: A CBF tem trabalhado na implementação de um modelo de fair play financeiro para promover uma gestão mais responsável entre os clubes. Segundo especialistas nos veiculos de imprensa no Brasil.

Confira o artigo dos autores MARKE GEISY DA SILVA DANTAS 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

YURI GOMES PAIVA AZEVEDO 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

CHRISTIANE LARISSA DUARTE DO NASCIMENTO 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte na Universidade de São Paulo.

 Influência dos Fatores Financeiros e Esportivos Sobre o Valor dos Clubes de Futebol 

Brasileiros 

MARKE GEISY DA SILVA DANTAS 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

YURI GOMES PAIVA AZEVEDO 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

CHRISTIANE LARISSA DUARTE DO NASCIMENTO 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

Resumo 

O presente estudo tem como objetivo investigar quais são as variáveis financeiras e esportivas 

que influenciam no valor dos clubes de futebol brasileiros mais valiosos de acordo com a 

pesquisa da BDO RCS (2015), justificando-se pelo aprofundamento em uma esfera dos 

estudos do mercado de futebol até então pouco explorada, que é o valor dos clubes de futebol 

brasileiros, bem como a sua relação com as variáveis financeiras e esportivas. Para investigar 

essa relação, foram coletados dados da BDO RCS (2015), que elenca os clubes de futebol 

mais valiosos no Brasil, bem como das demonstrações contábeis dos clubes futebol no 

período de 2011 a 2014, sendo a amostra da pesquisa composta por 24 times, tendo em vista a 

exclusão de seis clubes que não tinham dados disponíveis ou foram considerados outliers 

através da análise do boxplot. No modelo proposto, o Q de Tobin foi utilizado como proxy 

para o valor dos clubes, sendo utilizada, através do pacote estatístico Gretl 2015®, a regressão 

linear múltipla para tratamento dos dados. Dentre os principais resultados, observa-se que as 

variáveis “ranking CBF”, “grau de endividamento” e “custo/receita” apresentaram-se 

estatisticamente significativos para explicar o valor dos clubes de futebol brasileiros, 

diferentemente das variáveis “retorno sobre ativos”, “primeira divisão” e “liquidez corrente”, 

que não apresentaram-se significantes ao nível de 5%. Dessa forma, percebe-se que os clubes 

que possuem maior pontuação de acordo com a convenção do ranking nacional de clubes, 

bem como que apresentam maiores índices de endividamento e menor relação “custo/receita” 

são mais valorizados no mercado. 

Palavras chave: Valor dos Clubes, Clubes de Futebol Brasileiros, Q de Tobin. 

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1 Introdução 

Considerado como o esporte mais popular do mundo, de acordo com Nicolau (2011), o 

futebol têm-se tornado cada vez mais profissional, tendo em vista o crescimento das receitas 

na comercialização de produtos relacionados aos times nos últimos 20 anos, bem como da 

concessão de direitos de mídia e merchandising, em comparação com décadas anteriores 

(Gerhards & Mutz, 2016). 

Por estarem crescendo mais que outros tipos de negócios nas últimas décadas, conforme 

descrevem Ecer e Boyukaslan (2014), verifica-se que a indústria do futebol vem sofrendo 

mudanças significativas, tendo em vista que as equipes tornaram-se negócios competitivos, 

em que os custos dos clubes, a divulgação na mídia e o número de fãs-consumidores 

cresceram substancialmente, impactando cada vez mais na criação de valor dos clubes de 

futebol (Capasso & Rossi, 2013). 

No tocante à criação de valor, Freeman, Harrison, Wicks, Parmar e De Colle (2010) 

descrevem que os clubes estão sujeitos às mesmas pressões que outras organizações, como 

objetivos relacionados à busca de eficiência e sustentabilidade financeira. Nessa perspectiva, 

Frick (2007) complementa, descrevendo que o valor de um clube de futebol é composto por 

seus ativos tangíveis, como estádios e equipamentos, bem como pelos ativos intangíveis, os 

quais são constituídos principalmente pelos valores individuais dos jogadores de futebol.  

Levando em consideração que os clubes de futebol são companhias semelhantes às 

grandes empresas em relação à estrutura de ativos (Yang & Sonmez, 2005), percebe-se que os 

clubes de futebol no Brasil diferenciam-se de clubes de outros países, tendo em vista que os 

times brasileiros, em sua maioria, são associações sem fins lucrativos, enquanto que no 

mercado internacional, alguns clubes são listados na Bolsa de Valores, conforme evidenciam 

Capasso e Rossi (2013). 

No futebol brasileiro, cada clube possui características particulares que influenciam na 

criação de valor dos mesmos, denominadas pela BDO RCS (2015) como variáveis 

mercadológicas, tendo em vista os diferentes perfis de torcida, desenvolvimentos das receitas, 

marcas e características dos mercados em que estão localizados. No entanto, apesar da 

importância de investigar os fatores que influenciam no valor dos clubes de futebol, percebe

se que os únicos ensaios realizados na área foram os de Scelles, Helleu, Durand e Bonnal 

(2013) e Scelles, Helleu, Durand e Bonnal (2016), que identificaram os determinantes do 

valor dos clubes Europeus. 

Dessa forma, percebe-se que a literatura acerca dos determinantes do valor de clubes é 

mais extensa quando trata-se de participantes da Major League Baseball (MLB), National 

Basketball Association (NBA), National Hockey League (NHL) e National Football League 

(NFL), tendo em vista os estudos realizados por Alexander e Kern (2004), Miller (2007), 

Humphreys e Mondello (2008), Miller (2009) e Ulrich (2011), sendo as primeiras pesquisas 

realizadas nos Estados Unidos, conforme evidenciam Scelles et al. (2016). 

Considerando, então, a incipiência de estudos que investiguem os determinantes do 

valor dos clubes de futebol, principalmente no contexto nacional, bem como pelo desempenho 

econômico, financeiro e esportivo de um clube de futebol gerar impacto em seu valor, o 

presente estudo tem como objetivo investigar quais são as variáveis esportivas e financeiras 

que influenciam significativamente na geração de valor dos clubes mais valiosos do futebol 

brasileiro.  

Nesse sentido, esta análise de valor dos clubes brasileiros de futebol é desenvolvida 

com base em dois grupos de variáveis: as variáveis financeiras e esportivas. Ademais, a BDO 

RCS (2015) enfatiza que o uso de dados financeiros, pesquisas com o torcedor, informações 

de marketing esportivo de cada clube, dados econômicos e sociais dos brasileiros, como os 

hábitos de consumo dos torcedores são variáveis indispensáveis na avaliação das marcas de 

tais clubes.  

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A presente pesquisa justifica-se pelo aprofundamento em uma esfera dos estudos do 

mercado de futebol até então pouco explorada, que é o valor dos clubes de futebol brasileiros, 

bem como a sua relação com as variáveis financeiras e esportivas que influenciam na geração 

de valor. De forma complementar, esta pesquisa contribui com o processo de gestão dos 

clubes de futebol, buscando o entendimento dos aspectos que influenciam este esporte e gera 

a maximização dos resultados financeiros. 

O estudo está estruturado em cinco sessões. Na próxima seção, encontra-se o referencial 

teórico, que aborda aspectos relacionados ao mercado de futebol, como os direcionadores de 

valor dos clubes, além dos estudos recentes relacionados à área. A terceira apresenta a 

metodologia utilizada para a análise de dados. Na quarta tem-se a análise dos resultados 

obtidos, para, em seguida, na quinta parte, apresentar as considerações finais, onde foram 

evidenciadas as constatações do estudo, também apresentando sugestões para futuros 

trabalhos. 

2 Referencial Teórico 

2.1 Direcionadores de Valor dos Clubes de Futebol 

Atualmente, o futebol não é mais visto apenas como um esporte, e sim como uma 

grande indústria de entretenimento capaz de gerar bilhões de dólares em bilheterias, 

patrocínios, na compra e venda de jogadores, entre outras formas de arrecadar recursos 

(Dantas & Boente, 2012). Nessa perspectiva, Silva e Campos (2006) evidenciam que o 

futebol mundial movimenta cerca US$ 250 bilhões por ano, sendo o Brasil responsável por 

aproximadamente 1% desse valor.  

De acordo com uma pesquisa da Forbes (2016a), o Real Madrid foi eleito como o clube 

mais valioso do mundo, pelo quarto ano consecutivo, chegando à US$ 3,65 bi, valor 12% 

maior que no ano passado. A pesquisa ainda destaca que o Barcelona aproxima-se ao Real 

Madrid, com o valor de US$ 3,55 bi, também com crescimento de 12% quando comparado 

com o valor de 2015. Entretanto, apesar de se destacarem como celeiros de craques, os clubes 

brasileiros não alcançam esse nível, fato evidenciado por Tavares (2009), que afirma que a 

maioria dos clubes de futebol brasileiros se tornaram menos capazes de competir com os 

países desenvolvidos, por serem desestruturados e amadores, e pela incapacidade de reter 

grandes talentos por um período suficiente para se montar um time competitivo e conquistar 

títulos.  

Dantas (2013) consolida tal realidade ao afirmar que os aspectos econômicos dos clubes 

brasileiros há tempos atrás não eram explorados, que não havia uma preocupação com a 

gestão dos clubes como nos países da Europa. Silva e Campos (2006) complementam, 

descrevendo que os resultados obtidos no esporte em outros países como EUA, Inglaterra, 

Itália, Espanha e Alemanha sugerem que o Brasil está atrasado em sua gestão profissional. Na 

visão dos autores, o futebol Europeu avançou muito em comparação ao Brasileiro, pois o seu 

governo e os administradores europeus do futebol adiantaram o conceito de profissionalização 

e formularam leis que forneceram maior segurança e estímulo ao torcedor.  

No âmbito brasileiro, segundo pesquisa da Forbes (2016b), o Corinthians é o clube mais 

valioso. Com valor estimado em quase US$ 532,7 milhões, ele é também o clube que mais 

vende seus espaços de patrocínio. O Palmeiras e o Grêmio seguem atrás, avaliados por US$ 

480,1 milhões e US$ 320,9 milhões, respectivamente. Dessa forma, observa-se que os clubes 

brasileiros estão longe de aproveitar todo o seu potencial, se comparado aos clubes mais 

valiosos do mundo citados anteriormente.  

De acordo com Perruci (2006), os clubes que apresentam melhores resultados 

esportivos e financeiros são aqueles que utilizam sistemas de gestão baseados nos princípios 

da administração. Porém, a aplicação de tais modelos não garante que os clubes de futebol 

profissionais brasileiros tenham superioridade técnica-esportiva e financeira em relação aos 

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demais. De forma complementar, os autores evidenciam, no tocante ao aspecto econômico 

dos clubes de futebol, que o seu êxito se deve a vários fatores além das políticas de gestão 

profissional ou o desempenho nos gramados, como o tamanho da sua torcida, pois esta 

influencia todas as suas fontes de receita.  

Dentre os direcionadores relacionados à criação de valor dos clubes de futebol, Zagnoli 

e Radicchi (2010) consideram que os torcedores são de importância central para a criação de 

valor, levando em consideração a presença nos jogos, bem como a aquisição de produtos 

oficiais. Além disso, considera-se que os torcedores também são importantes na criação de 

valor dos clubes, tendo em vista que, além da fidelização no consumo de produtos registrados 

e comparecimento nos jogos, eles atraem novos torcedores.  

Segundo Pereira (2013), sem dúvida é importante estudar e interpretar os torcedores dos 

clubes com a finalidade de desenvolver estratégias que satisfaçam eficientemente as suas 

expectativas, sendo fundamental perceber quais são as suas motivações e quais as variáveis 

que determinam seu perfil. Entretanto, os autores ressaltam também que o envolvimento dos 

adeptos com os seus clubes não é homogêneo, muito menos estático, pelo contrário, é 

resultado de um processo de desenvolvimento da intensidade, do apoio, do conhecimento e da 

identidade, com diferentes antecedentes, manifestações e consequências em cada indivíduo. 

A Copa do Mundo de 2014, na qual o Brasil foi a sede, gerou vários benefícios 

econômicos. De acordo com Domingues, Betarelli e Magalhães (2011), tais benefícios dizem 

respeito, por exemplo, às obras de infraestrutura urbana e a construção de 12 estádios 

espalhados pelo Brasil de alta qualidade. Assim, tal fato incentivou a ida dos torcedores aos 

estádios para prestigiar os jogos de perto.  

Assim, um dos fatores que podem influenciar diretamente no valor dos clubes de 

futebol é a qualidade de seus estádios, confirmando, assim, a perspectiva de Scelles et al. 

(2013) e Scelles et al. (2016), que evidenciam que quanto maior a idade do estádio, menor a 

criação de valor nos clubes europeus. 

Além desse direcionador de valor, destacam-se os atletas, tendo em vista que, segundo 

Rowbottom (2002), o registro dos direitos dos jogadores é considerado um dos principais 

bens dos clubes de futebol. Nessa perspectiva, Dimitropoulos e Koumanakos (2015) 

evidenciam que o investimento em jogadores de futebol, representado pelo ativo intangível 

capital humano, possibilita agregar valor ao clube, otimizando, assim, seu desempenho 

econômico-financeiro. De forma complementar, Scelles et al. (2016) demonstram que o valor 

dos jogadores que atuam nos clubes é significativo para a criação de valor das equipes. 

De forma complementar à criação de valor pelo aumento de público nos estádios e 

campanhas de publicidade, de forma geral, também observa-se que o investimento nos 

jogadores propicia criar valor através da venda de jogadores para o mercado exterior, tendo 

em vista que, de acordo com Magee e Sungden (2002) e Poli (2010), os clubes brasileiros têm 

obtido receitas consideráveis na venda de jogadores devido ao processo de globalização do 

futebol, corroborando, assim, com Capasso e Rossi (2013), que descrevem que uma 

temporada bem sucedida para um clube de futebol está relacionada com fatores como o 

aumento de receitas com títulos, direitos de transmissão e vendas de ingressos. 

Outro fator que também influencia na criação de valor, de acordo com as pesquisas 

empíricas realizadas na área, é o desempenho esportivo em campo, levando em consideração 

os achados de Nicolau (2011), Scelles et al. (2013), Rohde e Breuer (2016) e Scelles et al. 

(2016), tendo em vista a relação entre o desempenho nos jogos e a conquista de títulos, que 

impactam positivamente no aumento de receitas dos clubes. 

Em relação às receitas dos clubes de futebol, que estão relacionadas com a criação de 

valor nos clubes, Baroncelli, Lago e Szymanski (2004) descrevem que as principais são: 

vendas de ingressos, sócio-torcedor, aluguel dos estádios, patrocínios, merchandising e venda 

de jogadores. De forma complementar, Capasso e Rossi (2013) evidenciam que os patrocínios 

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são uma importante fonte de receita para os clubes de futebol, levando em consideração que 

diversas empresas desejam associar suas marcas a uma equipe bem sucedida. Além disso, as 

receitas de transmissão também são consideradas uma importante fonte de receita, 

principalmente com a expansão das transmissões em canais pay-per-view. 

 

2.2 Estudos Recentes 

Levando em consideração que fatores econômicos, financeiros e esportivos dos clubes 

impactam no seu valor, estudos anteriores investigaram os fatores determinantes do valor dos 

clubes de futebol na Europa, bem como de clubes de outros esportes, com base nas ligas 

MLB, NBA, NFL e NHL, conforme demonstra a Tabela 1. 

 

Tabela 1. Estudos recentes na área 

Autores Amostra Principais Resultados 

Alexander e Kern 

(2004) 

Quatro grandes ligas 

americanas (MLB, NBA, 

NFL e NHL), no período 

entre 1991-1997 

A única variável que se apresentou estatisticamente 

significante e com coeficiente positivo para todas as 

ligas foi a “performance esportiva no ano anterior”. A 

“população” se apresentou significativa para a MLB, 

NBA e NHL, enquanto que a variável “novas 

instalações” se demonstrou significativa e também 

com coeficiente positivo para a MLB e NHL. Por fim, 

a “renda” se apresentou significante apenas para a 

NBL. 

Miller (2007) 26 times da MLB no período 

entre 1990-2002 

Os resultados demonstram que as variáveis 

“população”, “performance esportiva no ano”, 

“performance esportiva no ano anterior” apresentaram

se significantes e com coeficientes positivos, enquanto 

que a variável “idade das instalações” apresentou-se 

significativa, mas com coeficiente negativo. 

Humphreys e 

Mondello (2008) 

Quatro grandes ligas 

americanas (MLB, NBA, 

NFL e NHL), no período 

entre 1969-2006 

As variáveis “população”, “propriedade privada” e 

“idade da franquia” apresentaram uma associação 

significativa e positiva com o valor da empresa. No 

entanto, a variável “competição local” demonstrou-se 

significante, mas com coeficiente negativo. 

Miller (2009) 

73 times da NBA, NFL e 

NHL, no período entre 

1991-2005 

As variáveis que se apresentaram estatisticamente 

significantes e com coeficientes positivos foram a 

“renda”, para os times da NBA e NFL, a “performance 

esportiva no ano anterior” para os times da NBA e 

NHL e a “propriedade privada” apenas para a NHL. A 

única variável que se apresentou significativa, porém, 

com coeficiente negativo, foi a “idade das 

instalações”, para os times da NFL. 

Ulrich (2011) 30 times da MLB no período 

entre 2000-2010 

As variáveis “população da área metropolitana”, 

“frequência anual dos torcedores”, “índice de fãs” 

demonstraram-se estatisticamente significativas e com 

coeficientes positivos. Entretanto, a variável “idade do 

estádio” apresentou coeficiente negativo, sugerindo 

que estádios mais antigos impactam negativamente no 

valor dos times. 

Scelles et al. (2013) 

23 times europeus e 105 

times das grandes ligas 

americanas (MLB, NBA, 

NFL e NHL), no período 

entre 2004-2011 

Os fatores determinantes que apresentaram-se 

significativos e com coeficientes positivos para a 

amostra dos times de futebol europeu foram: “tipo de 

propriedade”, “número de torcedores”, “lucro” e 

“performance desportiva”. Já as variáveis “idade das 

instalações” e “competição local” apresentaram-se 

significativas, mas com coeficientes negativos. 

Scelles et al. (2016) 

34 times europeus 

(Alemanha, Espanha, 

Escócia, França, Holanda, 

Inglaterra, Itália e Portugal), 

no período entre 2005-2013 

As variáveis “valor dos jogadores”, “tipo de 

propriedade”, “número de torcedores”, “lucro”, “lucro 

operacional”, “competição local” e “performance 

desportiva” 

apresentaram-se 

estatisticamente 

significativas e com coeficientes positivos. Entretanto, 

as variáveis “idade das instalações” e “população 

local” apresentaram-se significativas, porém, com 

coeficientes negativos. 

Fonte: Elaborado pelos autores 

Com base nos estudos anteriores, percebe-se que a literatura é mais extensa no tocante 

às ligas MLB, NBA, NFL e NHL. No entanto, em relação aos clubes de futebol, o primeiro 

estudo na área foi o de Scelles et al. (2013). Este fato é justificado pelo autor, na perspectiva 

que o valor da empresa, no contexto dos clubes de futebol, só começou a ser investigado 

recentemente, explicando, assim, a não realização de estudos anteriores que verifiquem os 

fatores determinantes do valor dos clubes europeus. De forma complementar, observa-se a 

inexistência de estudos nacionais que investiguem os fatores determinantes do valor dos 

clubes de futebol, bem como de outros esportes. 

3 Procedimentos Metodológicos 

Considerando que este estudo tem como objetivo investigar as variáveis financeiras e 

esportivas dos clubes de futebol, bem como a influência destas sobre o valor dos clubes 

brasileiros mais valiosos, utilizou-se a pesquisa mais atual da BDO RCS (2015), empresa que 

realiza um estudo anual sobre os clubes de futebol brasileiros, no qual é feito uma avaliação 

das marcas dos maiores clubes de futebol do Brasil.  

O ranking conta com 30 marcas avaliadas no estudo de 2015, que são: Corinthians, São 

Paulo, Palmeiras, Santos, Portuguesa, Ponte Preta, Guarani, Flamengo, Vasco da Gama, 

Fluminense, Botafogo, Atlético-PR, Curitiba, Paraná, Sport, Náutico, Santa Cruz, Avaí, 

Figueirense, Criciúma, Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Atlético-MG, Bahia, Vitória, Goiás, 

Atlético GO, Ceará e Fortaleza.  

No entanto, para este estudo, foram coletados os dados de 24 clubes dos 30 contidos na 

classificação da BDO RCS (2015) como os mais valiosos do Brasil, sendo retirados da 

amostra o Fortaleza, Ceará, Atlético Goianiense, Santa Cruz, Guarani e Portuguesa devido à 

indisponibilidade de dados referentes aos seis clubes, entre os anos de 2011 e 2014, período 

analisado neste estudo. Assim, a amostra final é composta por 24 clubes, sendo ela do tipo 

não probabilística, tendo em vista a inacessibilidade a todos os elementos da população.  

O método estatístico de análise utilizado neste trabalho para descrever e prever o 

comportamento das variáveis esportivas e financeiras foi à chamada Regressão Linear 

Múltipla com dados cross sectional, feita no software Gretl 2015®, em que as variáveis foram 

selecionadas pelo critério teórico, isto é, foram introduzidas por que constituem a base teórica 

da pesquisa. Assim, pode-se afirmar que o método de seleção de variáveis utilizado neste 

trabalho foi o chamado “Especificação Confirmatória”, que segundo Corrar, Paulo e Dias 

(2009), as variáveis são inseridas pelo pesquisador conforme deseja de acordo com 

especificação de estudos anteriores e, assim sendo, é preciso especificar o conjunto de 

variáveis explicativas nas mesmas bases dos estudos anteriores.  

A Tabela 2 apresenta as variáveis utilizadas neste estudo, o seu cálculo e a fonte além 

dos sinais esperados para os coeficientes. 

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Tabela 2. Variáveis da pesquisa 

Proxy 

Cálculo/Fonte 

Q de Tobin 

Valor de Mercado dividido pelo Ativo Total 

Sinais 

Esperados 

Estudos 

Anteriores 

Variável 

Dependente 

Liquidez 

Corrente 

Ativo Circulante dividido entre Passivo Circulante - 

Grau de 

Endividamento 

Relação entre o Passivo Total e o Ativo Total 

Dantas, Freitas, 

Costa e Barbosa 

(2017) 

+⁄ - 

Custo/Receita 

Relação entre Custo Operacional e Receita 

Halkos e Tzeremes 

(2013) e Dantas, 

Machado e Macedo 

(2015) 

ROA 

Relação entre Lucro Líquido e Ativo Total 

Lei N° 13.155 

(2015) 

Dummy 

Rebaixamento 

Assume 1 para os clubes rebaixados para divisões 

inferiores do Campeonato Brasileiro 

Dantas (2013) - 

Dummy 1ª 

divisão  

Assume 1 para os clubes da 1ª divisão do Campeonato 

Brasileiro 

Barbosa, Dantas, 

Azevedo e Holanda 

(2017) 

Ranking CBF 

Somatório da pontuação determinada pela CBF de 

acordo com a posição final de cada clube nos 

campeonatos providos pela instituição 

Barros e Rossi 

(2014) 

Fonte: Elaborado pelos autores 

Dantas et al. (2015) 

Ressalta-se que o “Q de Tobin’’ foi definido como variável dependente do modelo de 

regressão por ser considerado proxy para a criação de valor (Megna & Klock, 1993). De 

acordo com Reinhart (1977), o Q de Tobin é definido como a vinculação entre o valor de 

mercado de uma empresa e o valor de reposição de seus ativos físicos, sendo expresso por 

Famá e Barros (2000) pela Equação 1: 

(1) 

Em que o VMA representa o valor de mercado das ações, ou o capital próprio da 

entidade, VMD é o valor de mercado das dívidas, ou o capital de terceiros empregado, e VRA 

é o valor de reposição dos ativos da empresa. Posto isso, o VMA+VMD evidencia o valor de 

mercado total das empresas analisadas.  

Neste trabalho, foi necessário fazer uma adaptação da fórmula do Q de Tobin, em que o 

VMA+VMD é substituído pelos valores dos clubes de Futebol conforme pesquisa da BDO 

RCS (2015), isto é, o valor de mercado dos 24 clubes analisados, visto que, trata-se de clubes 

de futebol e não de sociedades anônimas com ações negociadas em bolsa de valores.  

Dentre as variáveis selecionadas, apontam-se as denominadas desportivas, que foram 

fundamentadas com base em estudos que indicam a relação entre fatores desportivos e a 

geração de valor dos clubes. Já as variáveis financeiras foram selecionadas por representarem 

indicadores financeiros referentes às empresas em geral e por serem informações extraídas 

das demonstrações contábeis dos mesmos. 

O “índice de liquidez corrente” demonstra a razão entre os ativos circulantes e os 

passivos circulantes. Assim, representa a capacidade da empresa em honrar suas obrigações 

financeiras de curto prazo. Tendo em vista que este índice pode evidenciar o potencial de 

crescimento futuro da empresa, pode então afetar o valor de mercado da mesma.  

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Kayo (2002) corrobora com esta perspectiva, afirmando que uma liquidez muito alta 

pode indicar a falta de projetos de investimento, prejudicando, assim, o crescimento futuro da 

empresa e, consequentemente, o valor de mercado da empresa. Dessa forma, essa variável foi 

inserida com base em Dantas et al. (2017), esperando-se que exista uma relação positiva entre 

o índice de liquidez corrente e o “Q de Tobin”, isto é, quanto maior forem os recursos para 

saldar as dívidas de curto prazo, maior será o valor dos clubes. 

Considerando que o “grau de endividamento” é uma proxy que evidencia as 

dificuldades financeiras dos clubes de futebol do país, esta variável foi inserida no modelo 

com base nos estudos de Halkos e Tzeremes (2013) e Dantas et al. (2015), objetivando apurar 

se a geração de valor é influenciada pelo índice de endividamento. Supõe-se nesta pesquisa, 

que haja uma inter-relação negativa ou positiva entre o valor e o grau de endividamento dos 

clubes, em outras palavras, este indicador pode apresentar tanto um coeficiente positivo como 

também negativo.  

Se este indicador for positivo, pode sugerir que os clubes estão com maior 

endividamento por estarem utilizando maiores valores de terceiros na realização de 

investimentos em atletas de melhores qualidades, em suas arenas, na estruturação dos clubes, 

entre as demais atividades operacionais do futebol em geral e assim, fomentar o crescimento 

dos clubes para gerar mais riquezas. Dessa forma, um saldo positivo de endividamento poderá 

retratar a magnitude do investimento operacional mantido pelos clubes para a implementação 

do nível desejado de operações. Entretanto, quanto maior seu resultado, maior é a 

dependência do capital de terceiros e maior será o risco do clube não conseguir pagar seus 

compromissos. 

Todavia, se o grau de endividamento dos clubes for negativo, retrata que o ativo total 

dos clubes está sendo financiado em sua maior parte com o capital próprio, isto é, que a 

dependência financeira de terceiros é pequena, consequentemente, menores são as dívidas 

financeiras destes clubes e menor é o risco de não conseguir honrar com seus compromissos, 

o que pode sinalizar um aumento do lucro dos clubes. 

A variável “Custo/Receita” foi inserida com base na Lei nº 13.155 (2015), que define 

que os custos com folha de pagamento e direitos de imagem de atletas profissionais não 

superem 80% da receita bruta anual das atividades do futebol profissional, representando, 

assim, a relação entre os custos e as receitas dos clubes de futebol brasileiros.  

Espera-se que o coeficiente desta variável seja negativo, porque, quanto maior for seu 

resultado, indica que os custos dos clubes são maiores que as receitas dos mesmos e 

consequentemente o lucro apurado é menor e assim, menor será o valor dos clubes. Dessa 

forma, esta variável pode ser tida como uma espécie de indicador do lucro dos clubes e por 

isso é de suma importância que esta faça parte do modelo de regressão estimado.   

Com base no estudo de Dantas (2013), a variável ROA foi inserida no modelo por 

representar a lucratividade do ativo investido, bem como por demonstrar-se determinante na 

eficiência financeira e esportiva dos clubes de futebol brasileiros. Dessa forma, em relação á 

variável ROA, espera-se que o resultado do mesmo seja positivo, pois indica que os clubes 

obtiveram uma rentabilidade positiva associada à atividade operacional dos mesmos. 

A variável “Rebaixamento em campeonatos nacionais”, segundo Dantas et al. (2015), 

representa, esportivamente falando, o insucesso maior de um clube no campeonato brasileiro, 

foi inserida no modelo com base em Barbosa et al. (2017). Assim, pretendeu-se analisar se há 

alguma relação entre este aspecto esportivo e o valor dos clubes, com o entendimento de que 

o rebaixamento dos clubes provoca uma queda nos seus valores e por isso esta tende a 

influenciar o valor dos clubes negativamente. 

As variáveis “Primeira Divisão” e “Ranking CBF” representam características 

esportivas do futebol. Para estas, espera-se que se apresentem de forma positiva, pois 

certamente com maior sucesso esportivo, isto é, os clubes que permanecem na série “A” e 

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melhor pontuação no Ranking CBF, maior também podem ser as receitas dos clubes e assim, 

pode acarretar em mais valor aos clubes. 

A variável “Primeira Divisão” foi inserida no modelo com base em Barros e Rossi 

(2014), partindo do pressuposto que os clubes da primeira divisão são mais valiosos que os 

das demais divisões, tendo em visa que existe uma redução nas receitas dos clubes quando 

estes são rebaixados. 

A variável “Ranking CBF” foi escolhida com base no estudo de Dantas et al. (2015), 

que representa os principais resultados esportivos dos clubes brasileiros, tendo em vista que o 

Ranking CBF é uma metodologia que atribui pontuações tanto do campeonato brasileiro (em 

todas as séries), como a Copa do Brasil. 

 

4 Análise de Resultados 

4.1 Análise Descritiva 

No que diz respeito à variável que representa o valor dos clubes de Futebol “Q de 

Tobin”, conforme Tabela 3, os clubes Goiás e Flamengo apresentaram-se com os maiores 

valores da amostra, sobretudo o Goiás, pois esteve na frente nos anos de 2011, 2012 e 2014 e 

o Flamengo, no ano de 2013. Já o clube Paraná, em todo o período estudado, isto é, de 2011 a 

2014, apresentou o valor menos expressivo, em outras palavras, foi o clube de menor valor da 

amostra. A média varia entre 0,62 (2012) e 1,05 (2013). Já o desvio-padrão se mantém entre 

0,50 (2012) e 0,78 (2013). 

 

Tabela 3. Estatística Descritiva das variáveis do modelo de Regressão Linear Múltipla 

Variáveis Est. 

Descritiva 2011 2012 2013 2014 

“Q de Tobin’’ 

(R$) 

Média 0,78 0,62 1,05 0,99 

D. Padrão 0,56 0,5 0,78 0,64 

Máximo 2,05 (Goiás) 1,98 (Goiás) 2,63 (Flu) 2,54 (Goiás) 

Mínimo 0,1 (Paraná) 0,1 (Paraná) 0,11 (Paraná) 0,13 (Paraná) 

Custo/Receita 

(%) 

Média 83,53 77,54 85,14 109,92 

D. Padrão 21,1 18,56 17,86 97,2 

Máximo 145,06 (Goiás) 116,84 (Ponte) 136,03 (Figue.) 542,79 (Paraná) 

Mínimo 57,42 (Bota.) 45,85 (Flu) 62,39 (Cricíu.) 41,85 (Goiás) 

Grau de 

Endividamento 

(%) 

Média 122,22 98,79 156,31 149,84 

D. Padrão 105,36 79,69 179,57 167,55 

Máximo 450,13 (Goiás) 396,71 (Goiás) 674,95 (Bahia) 815,88 (Bota) 

Mínimo 17,23 (Sport) 16,55 (Sport) 14,6 (Sport) 37,73 (Cricíu.) 

ROA (%) 

Média -10,62 -0,61 -27,01 -12,7 

D. Padrão 22,22 9,02 83,28 37,51 

Máximo 7,83 (Cricíu.) 22,2 (Atl.-PR) 10,18 (Cricíu.) 60,19 (Goiás) 

Mínimo -93,19 (Goiás) -22,29 (Figue.) -406,62 (Bahia) -158,42 (Bota.) 

Índice de 

Liquidez 

Corrente (R$) 

Média 0,39 0,46 0,33 0,27 

D. Padrão 0,28 0,42 0,3 0,27 

Máximo 1,28 (Atl.-PR) 1,85 (Sport) 1,2 (Cricíu.) 1,19 (Atl.-PR) 

Mínimo 0,01 (Náutico) 0,01 (Ponte) 0,01 (Ponte) 0,01 (Náutico) 

Ranking CBF Média 739,08 783,65 794 659,3 

D. Padrão 289,89 254,61 333,38 252,24 

Máximo 

1240 (Vasco) 

1290 (São Paulo) 1490 (Grêmio) 1280 (Cruzeiro) 

Mínimo 

240 (Cricíu.) 

300 (Atl.-PR) 

289 (Paraná) 

294 (Náutico) 

Fonte: Dados da pesquisa 

Observa-se que os clubes que possuem maior grau de endividamento são o Goiás, nos 

anos de 2011 e 2012, o Bahia, no ano de 2013, e o Botafogo, no ano de 2014. Enquanto os 

que menos utilizam o capital de terceiros são o Sport, durante os anos de 2011, 2012 e 2013, e 

o Criciúma, no ano de 2014. Considerando a média, percebe-se que, no período analisado, o 

nível de endividamento sofreu uma queda de 2011 para 2012, passando de 122,22% para 

98,79%, mas nos anos subsequentes ficou em alta, chegando a 156,31% em 2013.  

Em relação à variável calculada pela razão entre os custos e a receita total dos clubes 

(Custo/Receita), cujo objetivo é medir a eficácia de seus custos, os times que apresentaram os 

maiores resultados foram: Goiás, Ponte Preta, Figueirense e Paraná, nos anos de 2011, 2012, 

2013 e 2014, respectivamente. Todos estes clubes demonstraram resultado maior que 100%, 

no entanto, o Paraná se destacou negativamente, pois apresentou como resultado dessa relação 

542,79%, demonstrando que a capacidade de geração de receitas está muito abaixo dos custos 

incorridos, revelando uma situação financeira não planejada.  

Enquanto o Botafogo, o Fluminense, o Criciúma e o Goiás apresentaram os menores 

resultados a essa relação nos anos de 2011 (57,42%), 2012 (45,85%), 2013 (62,39%) e 2014 

(41,85%), respectivamente. Como tais resultados se mantiveram abaixo de 100%, demonstra 

que tais clubes obtiveram maiores receitas em relação aos custos incorridos em tais anos, com 

média variando entre 77,54% (2012) e 109,92% (2014). 

No tocante ao índice de Liquidez Corrente, os clubes que apresentaram maior 

capacidade em honrar suas obrigações financeiras no curto prazo foram o Atlético-PR, nos 

anos de 2011 e 2014, o Sport, no ano de 2012, e o Criciúma, no ano de 2013. Já os times que 

apresentaram menor valor desse indicador foram o Náutico, nos anos de 2011 e 2014, e a 

Ponte Preta, nos anos de 2012 e 2013. 

Sobre a variável financeira ROA, os clubes que apresentaram maior retorno sobre os 

ativos foram o Criciúma, nos anos de 2011 e 2013, o Atlético-PR, no ano 2012, e o Goiás em 

2014. Já os times com menor retorno foram o Goiás, Figueirense, Bahia e Botafogo, nos anos 

de 2011, 2012, 2013 e 2014 respectivamente.  

É importante destacar que realizou-se um ajustamento dos pois os clubes Santos, no ano 

de 2012 e o Flamengo, no ano de 2014 foram considerados outliers, através do boxplot, as 

quais prejudicam a interpretação do resultado do estudo de relações entre as variáveis 

independentes e a dependente, sendo assim, retirados da amostra.  

Variáveis 

Tabela 4. Variáveis Dicotômicas (Frequência de Valores “1’’) 

Est. Descritiva 

2011 

2012 

2013 

2014 

Primeira Divisão 

Frequência 

17 

16 

19 

19 

Rebaixamento 

Frequência 

Fonte: Dados da peqsuisa 

Em relação a frequência das variáveis Dummies, destaca-se a variável Primeira Divisão, 

que aponta a quantidade de clubes da amostra que se encontraram na série A em cada ano 

analisado (17, 16, 19 e 19 clubes na primeira divisão, para os anos 2011, 2012, 2013 e 2014, 

respectivamente). Quanto a variável Rebaixamento, demonstra que poucos clubes da amostra 

passaram por tal situação, com uma variação de 2, no ano de 2011, passando para 3, no ano de 

2012 e 4 nos anos de 2013 e 2014. 

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4.2 Análises do Modelo de Regressão Múltipla 

Neste estudo, o R2 calculado é de 0,4963, isto demonstra que as sete variáveis 

independentes usadas no modelo explicam 49,63% da variável dependente “Q de Tobin”. 

Visto que o objetivo deste estudo não é de previsão com o modelo de Regressão múltipla e 

sim para investigar se as variáveis explicativas exercem influência sobre o valor dos clubes de 

futebol, então essa medida é considerada satisfatória.  

Foi realizado o Teste F-ANOVA, usado para testar a adequação global do modelo de 

Regressão, o qual permite concluir se há variáveis explicativas no modelo que são 

significantes. Conforme a estatistica do teste, se o valor F estimado pelo modelo for maior o 

valor de F da média de variabilidade explicada, rejeita-se H0, isto é, se a quantia de variação 

explicada pelo modelo de regressão for maior que a variação explicada pela média, o modelo 

de regressão estimado é significativo. Neste estudo, o teste-F atingiu um resultado abaixo de 

0,05, indicando que pelo menos uma variável presente no modelo explica a variabilidade da 

variável “Q de Tobin”. 

Ademais, foi necessário realizar alguns testes para verificar se são atendidos os 

principais pressupostos da Regressão Linear Múltipla. Na Tabela 5 estão demonstrados os 

procedimentos utilizados para a verificação dos pressupostos do modelo dos estimadores de 

Método dos Mínimos Quadrados e validação das inferências. 

Tabela 5. Testes de verificação dos pressupostos do modelo de regressão 

Pressuposto 

Ho 

P-Valor 

Nível de 

Significância 

Resultado 

Teste da Normalidade dos 

Resíduos 

Os resíduos apresentam 

distribuição normal 

0,33657 

5% 

Não Rejeita Ho 

Teste RESET para Especificação 

A especificação é 

adequada 

0,000489692 

5% 

Rejeita Ho 

Teste White para a 

Heteroscedasticidade 

Sem 

heteroscedasticidade 

0,0828145 

5% 

Não Rejeita Ho 

Fonte: Dados da pesquisa 

O resultado do teste de avaliação do pressuposto da distribuição normal dos resíduos 

constata que o p-valor de 0,33657, que corresponde à Sig. maior que α = 0,05, condição para 

aceitar a hipótese nula do teste, isto é, a distribuição da série é tida como normal.  

O teste Ramsey Reset verifica se há problemas de especificação na forma funcional do 

modelo de regressão adotado, isto é, se há funções não lineares de variáveis independentes. 

Através da implementação de um teste de restrição nos coeficientes usando a estatística F para 

verificar H0. Como o resultado do p-valor foi de 0,000489692, que corresponde a Sig.  menor 

que α, rejeita H0, demonstrando que há algum problema com não-linearidades no modelo, ou 

seja, tem-se um modelo tido como mal especificado, pois apresenta variáveis independentes 

insignificantes para explicar a variável dependente “Q de Tobin”.   

Em relação ao processo de avaliação do comportamento dos resíduos, foi realizado o 

teste White com o intuito de examinar a inexistência de heteroscedasticidade, isto é, se a 

variância dos resíduos das variáveis independentes mantém-se constante em toda a regressão. 

Em outras palavras, o efeito da observação de cada variável X é nulo sobre as observações 

seguintes, não existindo dependência dos erros. No caso estudado, o sig. é de 0,0828145, 

portanto, seu coeficiente é significativamente diferente de zero e consequentemente se rejeita 

a H0, isto é, indica que a heteroscedasticidade está solucionada para interferências estatísticas 

(o conjunto dos resíduos referentes a cada observação de X tem variância constante em toda a 

extensão das variáveis independentes). 

Em resumo, no que diz respeito aos testes dos principais pressupostos da Regressão 

Linear Múltipla, constatou-se que apenas o teste Ramsey Reset apontou resultado que implica 

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em especificação inadequada na forma funcional do modelo de regressão adotado, isto porque 

no modelo encontram-se variáveis que não exercem influência significativa sobre a variável 

dependente. Todavia, como esta pesquisa busca identificar as variáveis que influenciam e as 

que não influenciam a variável dependente, tal constatação não invalida o modelo estimado. 

Já o teste da normalidade dos resíduos e o teste White para a Heteroscedasticidade, 

demonstraram p-valores aos testes aplicados satisfatórios para validar o modelo estimado. 

Para diagnosticar tal pressuposto, foi feito o teste chamado VIF (Fator de Inflação da 

Variância), examinando as variâncias, já que estas indicam a relação entre as variáveis. Se 

todos os VIF forem abaixo de 1, não há indícios de multicolinearidade, mas se houver algum 

VIF maior que 1, os preditores são correlacionados, com multicolinearidade aceitável. 

Entretanto, quando o resultado do teste atinge valores maiores que 10,0, isto indica a 

existência de uma multicolinearidade problemática. Assim, nenhuma das variáveis apresentou 

problemas de multicolinearidade. 

Na Tabela 6, com base no resultado do modelo de regressão, verifica-se que as variáveis 

Ranking CBF, relação Custo/Receita e Grau de endividamento, apresentam significância 

estatística ao nível de 5%.  

 

Tabela 6. Resultados do modelo de regressão múltipla 

 Coeficiente Erro Padrão Razão-t P-valor VIF 

Constante 0,207927 0,145332 1,431 0,1561 - 

Ranking CBF 0,000530786 0,000228665 2,321 0,0226 ** 1,760 

Custo/Receita -0,000992751 0,000477310 -2,080 0,0405 ** 1,214 

ROA 0,000590714 0,00189331 0,3120 0,7558 1,992 

Divisão 0,0723027 0,133875 0,5401 0,5905 1,758 

Rebaixamento -0,182133 0,126408 -1,441 0,1533 1,117 

Liquidez Corrente -0,153256 0,109449 -1,400 0,1650 1,179 

Grau de Endividamento 0,00289083 0,000772274 3,743 0,0003 *** 2,023 

*** Significante ao nível de 1%  ** Significante ao nível de 5%. * Significante ao nível de 10%.   

   Fonte: Dados da pesquisa 

 

Neste trabalho, adotou-se o Teste T com o objetivo de atestar quais são os coeficientes 

estatisticamente relevantes das variáveis independentes do modelo no qual se utilizou o nível 

de significância de 5% (α = 0,05). Com base na amostra, verificou-se que, das sete variáveis 

independentes, apenas três apresentaram nível de significância em relação a variável 

dependente. 

Em relação ao fator “Ranking CBF”, seu p-valor (0,0226) é significante ao nível de 5%, 

podendo-se, então, concluir que esta variável independente exerce influência significativa 

sobre o valor dos clubes de futebol. Dessa forma, observa-se que os clubes que possuem 

maior pontuação no Ranking (calculado a partir da Convenção de Pontos da CBF, para 

campeonatos nacionais) conseguem agregar maior valor e obter maiores condições para 

investir no clube como um todo do que os que se encontram com pontuações menos 

expressivas.  

Com base nesse resultado, destaca-se a dependência do valor dos clubes diante do 

resultado esportivo nos campeonatos nacionais. De forma complementar, percebe-se que este 

resultado corrobora com os achados de Dantas et al. (2015), tendo em vista que essa 

apresentou-se com coeficiente positivo para explicar o valor dos clubes.  

A variável “Custo/Receita” também se demonstra relevante para o estudo, com p-valor 

de 0,0405, influenciando, assim, no valor dos clubes de futebol a um grau de confiabilidade 

de 95%. Porém, esta relação entre o custo e a receita, diferentemente da variável “Ranking 

CBF”, apresenta coeficiente negativo, significando que, quanto maior for seu resultado, 

consequentemente, menor será o valor dos clubes de futebol.  

Dessa forma, entende-se que os clubes que obtiveram os resultados maiores nessa 

relação, estão com os custos maiores que as receitas geradas, demonstrando situação 

financeira indesejada, que pode ser minimizada através de possíveis decisões apontadas para 

atingir um maior retorno sem a utilização de mais capital. 

Além das duas citadas, a variável “Grau de endividamento” apresentou-se significativa 

ao nível de 1%, expressando que esta possui poder de influência sobre o valor dos clubes de 

Futebol. Vale ressaltar, como tal indicador apresentou coeficiente positivo, demonstra que os 

clubes mais endividados, possuem maior capacidade de gerar valor. 

Por outro lado, as dummies Primeira Divisão e Rebaixamento em campeonatos 

nacionais, além das variáveis, Liquidez Corrente e ROA, apresentaram um p-valor maior que 

o nível de significância de 5%, não sendo possível fazer nenhum tipo de inferência da relação 

entre essas variáveis e o valor dos clubes analisados. 

5 Considerações Finais 

Esta pesquisa buscou coletar e analisar o valor dos clubes de futebol no Brasil, 

utilizando como base para tal fim a pesquisa da BDO RCS (2015), estudo sobre as marcas 

mais valiosas do futebol brasileiro e aponta possíveis determinantes dos seus valores através 

de um modelo de Regressão Linear Múltipla, para os anos de 2011, 2012, 2013 e 2014. Além 

disso, utilizou-se de estudos anteriores para compor a métrica da análise das variáveis que 

possuem grande potencial para influenciar o valor da marca de cada clube analisado.  

Considerando os fatores que vêm se intensificando ao longo dos anos à respeito do 

cenário do futebol, como a continuidade da ampliação das receitas de cada entidade com 

marketing, estádio, sócios e mídia, o aumento dos valores recebidos dos patrocinadores e 

ampliação do interesse de empresas em se associar aos clubes, a maior participação do 

torcedor nos negócios gerados pelas entidades, as novas arenas com potencial de exploração, 

o crescimento dos programas de sócio torcedor, enfim, a evolução dos clubes brasileiros ao 

longo dos anos, optou-se por investigar o ramo do Futebol.  

Por outro lado, deve-se levar em consideração a dificuldade financeira dos clubes, 

evidenciada principalmente pelo indicador de endividamento e a relação “Custo/Receita”. O 

grau de endividamento expõe o quanto os clubes estão endividados, percebendo-se que, 

conforme o resultado da regressão, os clubes que agregaram mais valor no mercado são os 

mais endividados.  Nessa perspectiva, observou-se que os clubes elevaram seu valor ao passo 

que aumentaram os investimentos em suas atividades operacionais utilizando-se do capital de 

terceiros.  

Dentre os fatores determinantes do valor dos clubes, observou-se que o endividamento 

exerce influência positiva no valor dos clubes. Assim, um maior giro do capital investido com 

recursos de terceiros possibilitará um incremento maior de valor, valorizando a marca dos 

clubes. Partindo do pressuposto de que estes estão conseguindo suprir as necessidades da 

gestão financeira do negócio ao longo do tempo analisado. 

Além disso, a respeito do resultado da relação “custo/receita”, os clubes apresentaram

se em sua maioria com custos maiores do que as receitas atingidas nos anos analisados e 

consequentemente o lucro dos mesmos diminuiu. Assim, a maior parte dos clubes demonstra 

13 

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que a capacidade de geração de receitas esta muito abaixo dos custos incorridas, revelando 

uma situação financeira não planejada. 

Na análise dos resultados da pesquisa foi exposto que os clubes mais valorizados em 

termos de geração de valor são aqueles que conquistam as maiores pontuações na convenção 

do Ranking nacional de clubes, partindo do pressuposto de que a maximização de resultados 

esportivos nacionais está diretamente ligada ao valor de um clube de futebol. 

Apesar das variáveis “ranking CBF”, o “grau de endividamento” e “custo/receita” 

apresentaram-se estatisticamente significativos para explicar o valor dos clubes de futebol, 

percebeu-se que as dummies Primeira Divisão e Rebaixamento em campeonatos nacionais, 

além das variáveis, Liquidez Corrente e ROA, apresentaram um p-valor maior que o nível de 

significância de 5%, não sendo possível fazer nenhum tipo de inferência da relação entre essas 

variáveis e o valor dos clubes analisados.  

Entretanto, apesar de não existir significância não impede de ressaltar o fato de que, os 

clubes, de acordo com a amostra analisada, possuem uma situação indesejável em relação à 

Liquidez Corrente e ao Retorno dos Ativos, variáveis tidas como financeiras, haja vista a 

estatística descritiva dessas variáveis. 

Os resultados desta pesquisa podem ser úteis para novos estudos que tenham como 

objetivo identificar os fatores financeiros e esportivos que influenciem no valor dos clubes de 

futebol do Brasil, que é ainda escassa ao nível nacional, conforme revisão da literatura. Além 

disso, resultados de trabalhos relacionados à valoração dos times podem auxiliar gestores de 

clubes a compreender melhor os elementos que influenciam, seja negativamente ou 

positivamente na geração de valor dos clubes e valorização de suas marcas. 

Como sugestão para estudos futuros, recomenda-se investigar se a quantidade de 

jogadores estrangeiros que atuam nos clubes brasileiros influencia na criação de valor, 

levando em consideração que as equipes cada vez mais têm-se tornado multinacionais, 

conforme evidenciam Gerhards e Mutz (2016). 

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Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

YURI GOMES PAIVA AZEVEDO 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

CHRISTIANE LARISSA DUARTE DO NASCIMENTO 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte na Universidade de São Paulo.

Fator econômico é crucial nos clubes de futebol.

  

A principal diferença entre empresa pública e empresa privada reside na sua propriedade, objetivo principal e regime jurídico aplicável. 

Empresa Pública

Propriedade: O capital social é integralmente detido pelo Poder Público (União, Estados, Distrito Federal ou Municípios).

Objetivo Principal: Visa atender ao interesse público, prestando serviços à coletividade ou explorando atividades econômicas estratégicas para o Estado. Embora possa buscar eficiência e rentabilidade, o lucro não é a finalidade primordial, mas sim um meio para gerar bem-estar social e investimentos públicos.

Regime Jurídico e Funcionamento:

Possui personalidade jurídica de direito privado, mas sofre derrogações parciais por normas de direito público (regime híbrido).

A criação e extinção são autorizadas por lei específica.

A contratação de funcionários exige a aprovação em concurso público.

Não está sujeita ao regime de falência aplicável às empresas privadas.

Exemplos: Caixa Econômica Federal e Correios. 

Empresa Privada

Propriedade: Pertence a particulares (indivíduos, grupos de investidores ou outras empresas privadas). O público não tem acesso direto à sua propriedade, a menos que seja uma empresa de capital aberto listada na bolsa de valores (que, no contexto brasileiro de direito administrativo, ainda é considerada uma entidade privada ou sociedade de economia mista se houver controle estatal).

Objetivo Principal: O principal objetivo é a geração de lucro e a maximização do retorno financeiro para seus proprietários e acionistas.

Regime Jurídico e Funcionamento:

Opera sob o regime do direito privado em sua totalidade.

É regida pelo Código Civil e legislação comercial pertinente (como a Lei das Sociedades por Ações, se for o caso).

A contratação de funcionários é feita via processo seletivo próprio, regido pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), sem a necessidade de concurso público.

Está sujeita ao regime de recuperação judicial e falência. 

Em resumo, a empresa pública atua com capital e controle estatais visando o interesse coletivo, enquanto a empresa privada atua com capital e controle particulares visando o lucro individual ou dos acionistas. Segundo a Mestra e Publicitária Gloria Tenorio Negrelos, no terceiro periodo da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

Confira o artigo dos autores  Cristiana Fortini

 Pós-Doutora (Visiting Scholar com bolsa da Capes) pela George Washington University. Doutora 

em Direito pela UFMG. Professora Adjunta na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

Diretora do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo. Presidente da Comissão de Direito 

Administrativo da OAB/MG.

 Ariane Shermam

 Mestre em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Assessora contratada do 

Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).

Governança pública e combate à 

corrupção: novas perspectivas para 

o controle da Administração Pública 

brasileira

 Cristiana Fortini

 Pós-Doutora (Visiting Scholar com bolsa da Capes) pela George Washington University. Doutora 

em Direito pela UFMG. Professora Adjunta na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

Diretora do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo. Presidente da Comissão de Direito 

Administrativo da OAB/MG.

 Ariane Shermam

 Mestre em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Assessora contratada do 

Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).

 Resumo: O presente trabalho busca examinar de que modo o controle 

interno da Administração Pública brasileira pode ser aprimorado, por 

meio da incorporação de mecanismos e procedimentos de governança, 

originalmente gestados na iniciativa privada, visando combater a corrupção 

pública. Por meio de pesquisa teórica, identificouse a governança como 

instrumento hábil de controle da corrupção, problema premente na agenda 

pública brasileira. Nesse cenário, leis recentes, como a Lei Anticorrupção e 

a Lei das Estatais, e o projeto de nova lei geral de licitações e contratos visam 

implementar mecanismos de aperfeiçoamento da gestão pública e da gestão 

privada, favorecendo a integridade. Conquanto haja avanços, concluise 

que tais medidas precisam ser efetivamente fomentadas e implementadas 

pelos gestores públicos para que produzam os efeitos desejados, dentro de 

um contexto de introjeção de uma cultura de planejamento e probidade.

 Palavras-chave: Administração Pública. Corrupção. Governança. Controle 

interno.

 Sumário: I Introdução – II Governança no setor privado: algumas consi

 derações – III Governança no setor público – IV Governança pública no 

Brasil – V Governança: combate à corrupção e o projeto de nova lei geral 

de licitações e contratos públicos – VI Conclusões – Referências

 I Introdução

 Surgida no setor privado, governança (corporativa) é o nome que se atri

 bui ao modo de gestão das sociedades empresárias, visando controlar os atos e 

evitar possíveis conflitos de interesses entre acionistas majoritários e acionistas 

minoritários ou entre acionistas e gestores. 

Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

28 Cristiana Fortini, Ariane Shermam

 A prevenção e o combate à corrupção de agentes públicos atrai atenção de 

estudiosos espalhados por todo mundo, ainda que os atos considerados corrup

 tos e o maior ou menor repúdio estatal não sejam uniformes. 

A razão é simples: a corrupção corrói o ambiente democrático, contri

 buindo para a eternização de grupos políticos no poder, onera em demasia os 

cofres públicos, desincentiva o surgimento de novos protagonistas no mercado e 

destrói empresas corretas e com elas os empregos gerados.

 A intolerância da sociedade a comportamentos eticamente reprováveis 

pode ultrapassar as barreiras da administração pública, reconhecendose como 

corruptos atos a envolver apenas particulares. Afinal, também são nocivas ações 

omissivas ou comissivas de empregados de empresas privadas que dilaceram o 

patrimônio da entidade, prejudicam terceiros inocentes e criam restrições de 

mercado, ainda que por via oblíqua. Soa lógico condenar não apenas atos que 

envolvam a esfera estatal, mas prevenir e reprimir condutas que maculem o ele

 mento ético, independentemente do local em que isso se revele, razão pela qual 

entendemos que o Brasil um dia haverá de se voltar para o exame e eventual 

tratamento legislativo do que se pode denominar de corrupção privada.

 O UK Bribery Act reflete esse posicionamento, condenando a corrupção 

que pode florescer em ambientes cuja presença privada se faça exclusiva.

 A governança privada e pública tangencia o cenário da corrupção, quer 

se empreste a este último vocábulo maior ou menor abrangência. Pensar em 

mecanismos de contenção do poder, de delimitação de atuação e de garantia dos 

interesses institucionais é também pensar em inibir a corrupção.

 II Governança no setor privado: algumas considerações

 O conceito de governança corporativa foi inicialmente discutido nos 

Estados Unidos da América, a partir da constatação de que os gestores de recur

 sos, patrimônio e interesses de terceiros devem ser monitorados, a fim de evitar 

a concentração suprema de poderes internos e afastar comportamentos danosos 

aos acionistas, a terceiros e à própria sobrevivência da empresa. Posteriormente, 

a Europa começou a discuti lo, tendo instituído, desde 1995, o European Corporate 

Governance Network, a envolver estudiosos e profissionais com vistas a aprimorar 

a governança corporativa. 

Hoje, uma série de países dedicase ao tema, nem sempre o transportando 

para textos legais.

 As diversidades culturais e econômicas e as distintas estruturas jurídicas, 

entretanto, sugerem alterações na abordagem do tema da governança corpora

 tiva. 

Diferentes entidades reclamam distintas formas de governança corpora

 tiva. Assim, entidades com finalidades lucrativas perseguem propósitos estranhos 

aos de entidades do terceiro setor que, por sua vez, também não podem ser tra

 tadas como seres estatais, ainda que públicos os interesses que as movem. Mesmo 

Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

Governança pública e combate à corrupção: novas perspectivas para o controle da Administração Pública brasileira 29

 entre entidades que pautam seu agir perseguindo o lucro, a atuação em determi

 nado setor impõe cuidados especiais, sobretudo considerando a repercussão que 

falhas internas podem provocar. Ilustrase a afirmativa com a alusão ao sistema 

financeiro, cuja crise aciona reações que ultrapassam a esfera das companhias 

atuantes naquele segmento. 

A multiplicidade de tratamentos e de alvos basta para que se possa afirmar 

a inexistência de um modelo unitário aplicável a todas as situações. 

A análise que cada país promove sobre os efeitos de desacertos internos 

também justifica a maior ou menor regulamentação legal e a maior ou menor 

atuação do Poder Judiciário. Assim, a força exógena da Lei não é uniforme, 

como não é idêntico o papel reservado ao Poder Judiciário, embora se perceba 

como importante ponto de convergência a preocupação com direitos de acionis

 tas, a existência de auditorias e o controle da alta direção. 

Problemas vivenciados costumam conduzir a mudanças legislativas. 

Diante de falhas detectadas, estratégias legais são idealizadas e implementadas. 

Nos Estados Unidos, por exemplo, na esteira da aplicação do Foreign Corrupt 

Practices Act, Lei de 1977, destinada a coibir e sancionar práticas de corrupção 

no ambiente corporativo em nível internacional, editouse o chamado Sarbanes

Oxley Act, em 2002, que incrementou os controles sobre as companhias, visou 

reforçar seus mecanismos de compliance e determinou uma abordagem mais 

efetiva e célere de potenciais riscos à probidade.1

 Em que pesem as diferentes abordagens e realidades, reconhecese a 

existência de dois principais sistemas de governança privada: o anglosaxão e o 

nipogermânico,2 que se diferenciam, entre outras razões, pela intensidade da 

separação entre gestão e propriedade e pela maior ou menor pulverização desta 

última nas mãos de acionistas, além de haver distinções no relacionamento com 

os terceiros interessados (stakeholders).3

 A discussão sobre o sistema mais adequado é historicamente rica. 

1  

2  

3  

TILLIPMAN, Jessica. Foreign Corrupt Practices Act Fundamentals. The George Washington University Law 

School, Washington DC, 2008.

 RIBEIRO, Milton Nassau. Aspectos Jurídicos da Governança Corporativa. São Paulo: Quartier Latin, 2007. p. 48.

 Em estudo sobre os sistemas de governança, Ronald J. Gilson assevera: “Some corporate governance systems, 

notably those of the United States and other Anglo Saxon countries, are built on the foundation of a stock 

market-centered capital market. Other systems, like those of Germany and Japan, rest on a bank-centered 

capital market. Some systems are characterized by large groupings of related corporations, like the Japanese 

keiretsu, Korean chaebol, or European holding company structures. Still others are notable for concentrated 

family control of large businesses, including Canada, Italy and, notably, Germany. Management styles also 

differ across national systems. In the United States and France, managerial power is concentrated, by practice 

in the U.S. and with statutory support in France, in an imperial-style American chief executive officer or French 

president directeur generale” (GILSON, Ronald J. Globalizing Corporate Governance: Convergence of Form or 

Function. Columbia Law School, The Center for Law and Economic Studies, May, 2000. p. 2-3).

 Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

30 Cristiana Fortini, Ariane Shermam

 Segundo Klaus,4 uma perspectiva mais econômica prestigia a abordagem 

em que se destacam os interesses dos acionistas, enquanto uma visão condu

 zida pela ciência política e pela sociologia favorece maior preocupação com os 

stakeholders.

 No Brasil, embora o termo “governança corporativa” tenha sido incorpo

 rado apenas em um passado relativamente recente, estudiosos veem a adoção de 

seus princípios e a delimitação de seu conteúdo já na Lei nº 6.404∕1976, conhe

 cida como Lei das Sociedades Anônimas.

 O parágrafo único do art. 116 da citada Lei preconiza que:

 O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia rea

 lizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades 

para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a 

comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e 

atender.

 Embora não seja objetivo deste artigo examinar os pormenores da norma 

legal, verificase que dela sobressaem aspectos importantes do que se concebe 

como governança, como a necessidade de atender aos interesses não só da 

empresa (termo aqui utilizado em sentido amplo), como também dos múltiplos 

stakeholders que com ela travam relação.

 Essa a razão pela qual Milton Nassau Ribeiro entende que:

 É essencial [...] compreender que, em face de tudo o que foi exposto, o art. 116, 

parágrafo único, da lei das sociedades anônimas é o fundamento legal da gover

 nança corporativa não somente por demonstrar em seu conteúdo os interesses a 

ser compatibilizados no exercício do poder de controle na companhia, mas tam

 bém porque determina que essa compatibilização de interesses é um limite a ser 

obedecido por esse sistema de gestão. É, por isso, seu marco interpretativo.5

 Uma das facetas mais importantes da governança é sua ênfase na prevenção 

e não na repressão de condutas desviantes. Daí o destaque dado a procedimentos 

e mecanismos de integridade como gestão de riscos, accountability, transparência, 

instâncias de auditoria, entre outros.

 Todos esses mecanismos e procedimentos perfazem papel instrumental 

na gestão; não são fins em si mesmos, nem podem ser implementados de forma 

isolada, sob o risco de pouca ou nenhuma efetividade. São essas algumas das 

diretrizes do Código Brasileiro de Governança Corporativa da Bovespa, voltado às 

companhias abertas. 

4  

5  

HOPT, Klaus J. Comparative Corporate Governance: The State of the Art and International Regulation. ECGI 

Working Paper Series in Law, January, 2011. p. 30.

 RIBEIRO, Milton Nassau. Aspectos Jurídicos da Governança Corporativa. São Paulo: Quartier Latin, 2007. 

p. 171.

 Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

Governança pública e combate à corrupção: novas perspectivas para o controle da Administração Pública brasileira 31

 No citado código fica clara a importância dos processos e das estruturas 

destinadas ao acompanhamento da integridade∕conformidade nas companhias,6 

o que demonstra que governança não se revela em medidas episódicas ou des

 conexas, mas sim em comprometimento contínuo da gestão com o desígnio de 

aprimoramento e mitigação ou supressão de arestas.

 III Governança no setor público

 No cenário internacional, a Organização para a Cooperação e o Desen

 volvimento Econômico – OCDE, entre outros organismos de natureza semelhante, 

divulga princípios e diretrizes atinentes à governança corporativa, dedicandose, 

também, à governança no setor público. É do tema da governança que cuidam o 

OECD Principles on Corporate Governance, voltado à iniciativa privada, publicado 

pela primeira vez em 1999 e atualizado, mais recentemente, em 2015, e o OECD 

Guidelines on Corporate Governance of State-Owned Enterprises, publicado inicial

 mente em 2005 e atualizado em 2015. 

O OECD Guidelines on Corporate Governance of State-Owned Enterprises ins

 pirou as normas sobre governança presentes na Lei nº 13.303∕2016, conhecida 

como Lei das Estatais brasileiras, em especial no que tange à promoção da inte

 gridade. O Brasil, embora não seja membro da OCDE, participou das discussões 

sobre a revisão do citado documento, que se estrutura em sete pontos princi

 pais: i) justificativas para a propriedade estatal; ii) o papel do Estado enquanto 

proprietário; iii) empresas estatais no mercado; iv) tratamento equitativo de 

acionistas e outros investidores; v) relação com stakeholders e responsabilidade 

social; vi) divulgação e transparência; vii) responsabilidade dos conselhos das 

empresas estatais.7

 A edição das diretrizes sobre governança pública e privada pela OCDE 

está inserida em um contexto mais amplo, que tomou fôlego principalmente a 

partir da década de 1990 do século passado, quando uma conjugação de fatores 

permitiu a organização de esforços e a adoção de diversas iniciativas nos âmbitos 

regional e mundial, destinadas a mitigar a corrupção e a combatêla, especial

 mente no âmbito criminal.8

 Lucas Rocha Furtado, autor que se debruça sobre o tema, relaciona a pro

 fícua atuação da comunidade internacional no campo do combate à corrupção 

a partir do início da década de 90 ao recrudescimento do fenômeno da globa

 lização, que propiciou a livre circulação de capitais e a redução das barreiras 

7  

8  

GRUPO DE TRABALHO INTERAGENTES; COORDENAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA 

CORPORATIVA. Código Brasileiro de Governança Corporativa: Companhias Abertas. IBGC. São Paulo. 2016. 

p. 55.

 FORTINI, Cristiana; SHERMAM, Ariane. Governança corporativa e medidas preventivas contra a corrupção 

na Administração Pública: um enfoque à luz da Lei nº 13.303∕2016. REDAP, 2016. p. 9.

 FURTADO, Lucas Rocha. As raízes da corrupção no Brasil: estudos de caso e lições para o futuro. 1ª ed. 1ª 

reimp. Belo Horizonte: Fórum, 2015. p. 171.

 Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

32 Cristiana Fortini, Ariane Shermam

 impostas à circulação de bens e pessoas ao mesmo tempo em que abriu flancos 

para que grupos criminosos se aproveitassem da variedade dos sistemas jurídicos 

dos diversos países e da falta de cooperação internacional para maximizar seus 

lucros.9 

Nesse cenário, a própria OCDE, antes de publicar os documentos sobre 

governança, já havia editado a Convenção sobre o Combate da Corrupção de 

Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionais, 

de 1997, a qual foi ratificada pelo Brasil por meio do Decreto nº 3.678∕2000. O 

país, na implementação dos dispositivos da Convenção, incorporou ao Código 

Penal tipos penais relativos à corrupção internacional e definiu o que é funcio

 nário público estrangeiro para fins de aplicação da legislação penal, nos termos 

da Lei nº 10.467∕2002.

 O escopo da Convenção sobre o Combate da Corrupção de Funcionários 

Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionais, tido como 

o primeiro acordo multilateral relacionado ao combate do suborno de agen

 tes públicos estrangeiros,10 é amplo, já que visa responsabilizar os corruptores 

e também estabelece mecanismos de verificação do efetivo cumprimento das 

medidas que prevê. 

Por essas e outras razões, a citada Convenção da OCDE apresentaria “van

 tagens práticas” em relação à Convenção das Nações Unidas sobre a Corrupção, 

primeira Convenção de abrangência mundial sobre a corrupção, considerada o 

mais importante marco internacional no controle do fenômeno, nos seguintes 

termos:

 Em primeiro lugar, as regras previstas na Convenção são de adoção obrigatória 

pelos países signatários, diferentemente da Convenção da ONU, em que impor

 tantes questões são de adoção facultativa pelos EstadosMembros. Ademais, o 

processo de monitoramento da implementação das medidas previstas no texto 

da Convenção pelos signatários confere efetividade inequívoca à Convenção da 

OCDE, sistemática esta que não está prevista no âmbito da Convenção das Nações 

Unidas.11

 Outros organismos supranacionais têm se ocupado de editar medidas 

e expedir diretrizes destinadas ao combate da corrupção, cabendo citar, entre 

outros, a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Banco Interamericano 

de Desenvolvimento (BID), esses em nível regional, e o Banco Mundial, o que 

revela a existência de uma agenda mundial de controle da corrupção propiciada 

pela globalização.

 9  

10  

11  

FURTADO, Lucas Rocha. As raízes da corrupção no Brasil: estudos de caso e lições para o futuro. 1ª ed. 1ª 

reimp. Belo Horizonte: Fórum, 2015. p. 384-385.

 MINISTÉRIO DA TRANSPARÊNCIA, FISCALIZAÇÃO E CONTROLE. Convenção da OCDE Contra o Suborno 

Transnacional. Brasília, 2016. 

FURTADO, Lucas Rocha. As raízes da corrupção no Brasil: estudos de caso e lições para o futuro. 1ª ed. 1ª 

reimp. Belo Horizonte: Fórum, 2015. p. 205.

 Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

Governança pública e combate à corrupção: novas perspectivas para o controle da Administração Pública brasileira 33

 O Banco Mundial, por exemplo, assim como a OCDE, possui recomenda

 ções sobre governança no setor público, abrangendo dimensões como controle, 

estruturas organizacionais, processos e accountability. Partindo da premissa de que 

a implementação da governança no setor público apresenta complexidades que 

não estão presentes no setor privado (ex.: a natureza e o tipo de relação estabe

 lecida com os stakeholders ou interessados), as recomendações do Banco Mundial 

buscam assegurar o equilíbrio entre a liberdade de gestão, a accountability e os 

múltiplos e legítimos interesses dos stakeholders.12

 Diante de tais informações e, sabendose que a preocupação com a 

governança não se cinge ao setor privado, qual a abordagem do poder público 

brasileiro sobre o assunto? E de que modo ela se relaciona à agenda de combate 

à corrupção?

 IV Governança pública no Brasil

 No Brasil, o termo governança corporativa desfruta da intimidade dos 

profissionais que militam na seara empresarial.

 Para os que se dedicam ao estudo do direito público ou que atuam profis

 sionalmente na área, a preocupação com mecanismos de controle, com a atuação 

racional e justificada, com a obrigatoriedade da prestação de contas e a pre

 venção de conflito de interesses é associada aos princípios da indisponibilidade 

do interesse público, moralidade, eficiência, impessoalidade, entre outros que 

balizam o agir estatal.

 Um dos trabalhos mais relevantes sobre o estado da governança pública 

no Brasil é o Referencial básico de governança aplicável a órgãos e entidades da admi

nistração pública, publicação do Tribunal de Contas da União (TCU). De acordo 

com esse órgão, “Governança [...] relacionase com processos de comunicação; 

de análise e avaliação; de liderança, tomada de decisão e direção; de controle, 

monitoramento e prestação de contas”.13 Tem como suas finalidades, entre 

outras: gerenciar riscos estratégicos, gerenciar conflitos internos, auditar e ava

 liar o sistema de gestão e controle, promover a accountability e a transparência.

 As observações empíricas, bem como os estudos diagnósticos, demonstram 

que é premente a efetiva adoção de mecanismos e procedimentos de governança 

pela Administração Pública brasileira, de modo a conter em seu nascedouro ou 

mitigar a ocorrência de condutas corruptas.

 12  

13  

WORLD BANK. Governance in the Public Sector: A Governing Body Perspective International. International 

Federation of Accountants, 2001. Disponível em: <http://www1.worldbank.org/publicsector/pe/April2003 

Seminar/Course%20Readings/08.%20Internal%20Control%20and%20Audit/Study_13_Governance.pdf>. 

Acesso em: 17 mar. 2017.

 TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Referencial básico de governança aplicável a órgãos e entidades da 

administração pública. Tribunal de Contas da União, Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão. 

Brasília. 2014. p. 31.

 Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

34 Cristiana Fortini, Ariane Shermam

 Não se pode esquecer que governança pública passa necessariamente pela 

existência e efetividade de controle interno. A Constituição o prevê no art. 70, 

e o retoma no art. 74, fixando o dever de os entes federados, em cada esfera de 

Poder, criar estrutura integrada de controle interno.

 A realidade brasileira não é essa.

 Para além de diversos entes em que o controle interno simplesmente não 

existe, sua posição na estrutura organizacional, por vezes, revela a pouca impor

 tância que lhe dispensa.

 Na governança privada, assim como na governança pública, o destaque 

que se atribui aos órgãos imbuídos de realizar controle e de zelar pela integridade 

diz muito sobre o efetivo comprometimento da pessoa jurídica. Controladorias 

que são meras fatias de outras Secretarias, alocandose o ControladorGeral em 

posição inferior ao do Secretário e, assim, subtraindolhe a hierarquia, não ape

 nas jurídica, mas política não merece ostentar tal denominação. Controladorias 

para as quais não se dispensam verbas, que estão desguarnecidas de equipe 

técnica e/ou comandadas por pessoas que nenhuma qualificação possuem são 

fadadas ao insucesso.

 Na mesma toada, relatório do próprio TCU, feito em 2014, demonstra 

como a Administração Pública pátria, abarcando órgãos e entidades de todas as 

esferas federativas, ainda caminha a passos lentos na implementação de precei

 tos básicos da governança concernentes ao controle (gestão de riscos, controle 

interno, auditoria interna, accountability e transparência),14 o que explica em 

muito a corrupção sistêmica que a assola, conforme percepção geral.15

 Se a Administração não se autoavalia, não gere riscos internos e exter

 nos, não é transparente, enfim, se não mitiga pontos frágeis e promove aspectos 

positivos, certamente grassarão em seu âmbito múltiplos desvios e a integridade 

fenecerá.

 O papel da governança, nesse contexto, é justamente o de disseminar uma 

cultura de planejamento e probidade, para que não se repita o cenário narrado por 

Ricardo Breier, ao tratar do incentivo dado pelo Estado brasileiro à implementa

 ção de programas de integridade na iniciativa privada:

 [...] em postura absolutamente contraditória, o mesmo Estado brasileiro que exige 

legalmente das empresas que pretendam com ele contratar deterem rígidos pro

 gramas internos de controle e integridade, não investe em programas de gestão 

preventiva da corrupção. Pois a realidade é posta: o que existe são leis que visam 

14  

15  

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Relatório de Levantamento TC 020.830/2014-9. Tribunal de Contas da 

União. Brasília. 2015.

 Um dos índices mais difundidos sobre a percepção da corrupção pública é o elaborado pela Transparência 

Internacional, organização internacional não governamental dedicada ao estudo e combate à corrupção. 

Trata-se de medida indireta da corrupção, dadas as dificuldades de mensurar o fenômeno. Em uma 

escala que vai de 0 (“altamente corrupto”) a 100 (“muito limpo”) pontos, o Brasil ocupa em 2016 a 79ª 

posição entre 176 países pesquisados, com 40 pontos, abaixo da média global, que são 43 pontos. O país 

ocupa posição idêntica à da Índia e da China, por exemplo (TRANSPARENCY INTERNATIONAL. Corruption 

Perceptions Index 2016. Berlin, 2016).

 Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

Governança pública e combate à corrupção: novas perspectivas para o controle da Administração Pública brasileira 35

 represar a corrupção e órgãos fiscalizatórios de natureza eminentemente repres

 siva. No Brasil, infelizmente, há a cultura de ‘se chorar o leite derramado’ [...].16

 Com razão o autor. Na toada do “faça o que eu digo e não o que eu faço”, 

o Estado brasileiro descumpre o dever constitucional de implementar sistema 

de controle interno cujas atribuições mesclamse à ideia de governança pública.

 Há, todavia, registros importantes. 

A Lei nº 13.303∕2016, Lei das Estatais, incorpora normas originalmente 

gestadas pela iniciativa privada concernentes à governança, especialmente na 

faceta de promoção da integridade.17 

16  

17  

BREIER, Ricardo. Implementação de Programas de Compliance na Administração Pública é um desafio. 

Conjur, 2016. Disponivel em: <www.conjur.com.br>. Acesso em: 10 fev. 2016. 

Vide, a respeito, o que dispõem os arts. 8º e 9º da Lei nº 13.303∕2016: “Art. 8º As empresas públicas e as 

sociedades de economia mista deverão observar, no mínimo, os seguintes requisitos de transparência: 

I – elaboração de carta anual, subscrita pelos membros do Conselho de Administração, com a explicitação 

dos compromissos de consecução de objetivos de políticas públicas pela empresa pública, pela sociedade de 

economia mista e por suas subsidiárias, em atendimento ao interesse coletivo ou ao imperativo de segurança 

nacional que justificou a autorização para suas respectivas criações, com definição clara dos recursos a 

serem empregados para esse fim, bem como dos impactos econômico-financeiros da consecução desses 

objetivos, mensuráveis por meio de indicadores objetivos; II – adequação de seu estatuto social à autorização 

legislativa de sua criação; III – divulgação tempestiva e atualizada de informações relevantes, em especial as 

relativas a atividades desenvolvidas, estrutura de controle, fatores de risco, dados econômico-financeiros, 

comentários dos administradores sobre o desempenho, políticas e práticas de governança corporativa e 

descrição da composição e da remuneração da administração; IV – elaboração e divulgação de política de 

divulgação de informações, em conformidade com a legislação em vigor e com as melhores práticas; V – 

elaboração de política de distribuição de dividendos, à luz do interesse público que justificou a criação da 

empresa pública ou da sociedade de economia mista; VI – divulgação, em nota explicativa às demonstrações 

f

 inanceiras, dos dados operacionais e financeiros das atividades relacionadas à consecução dos fins de 

interesse coletivo ou de segurança nacional; VII – elaboração e divulgação da política de transações com 

partes relacionadas, em conformidade com os requisitos de competitividade, conformidade, transparência, 

equidade e comutatividade, que deverá ser revista, no mínimo, anualmente e aprovada pelo Conselho de 

Administração; VIII – ampla divulgação, ao público em geral, de carta anual de governança corporativa, que 

consolide em um único documento escrito, em linguagem clara e direta, as informações de que trata o inciso 

III; IX – divulgação anual de relatório integrado ou de sustentabilidade. §1º O interesse público da empresa 

pública e da sociedade de economia mista, respeitadas as razões que motivaram a autorização legislativa, 

manifesta-se por meio do alinhamento entre seus objetivos e aqueles de políticas públicas, na forma 

explicitada na carta anual a que se refere o inciso I do caput. §2º Quaisquer obrigações e responsabilidades 

que a empresa pública e a sociedade de economia mista que explorem atividade econômica assumam 

em condições distintas às de qualquer outra empresa do setor privado em que atuam deverão: I – estar 

claramente definidas em lei ou regulamento, bem como previstas em contrato, convênio ou ajuste celebrado 

com o ente público competente para estabelecê-las, observada a ampla publicidade desses instrumentos; 

II – ter seu custo e suas receitas discriminados e divulgados de forma transparente, inclusive no plano 

contábil. §3º Além das obrigações contidas neste artigo, as sociedades de economia mista com registro 

na Comissão de Valores Mobiliários sujeitam-se ao regime informacional estabelecido por essa autarquia e 

devem divulgar as informações previstas neste artigo na forma fixada em suas normas. §4º Os documentos 

resultantes do cumprimento dos requisitos de transparência constantes dos incisos I a IX do caput deverão 

ser publicamente divulgados na internet de forma permanente e cumulativa. Art. 9º A empresa pública 

e a sociedade de economia mista adotarão regras de estruturas e práticas de gestão de riscos e controle 

interno que abranjam: I – ação dos administradores e empregados, por meio da implementação cotidiana 

de práticas de controle interno; II – área responsável pela verificação de cumprimento de obrigações e 

de gestão de riscos; III – auditoria interna e Comitê de Auditoria Estatutário. §1º Deverá ser elaborado 

e divulgado Código de Conduta e Integridade, que disponha sobre: I – princípios, valores e missão da 

empresa pública e da sociedade de economia mista, bem como orientações sobre a prevenção de conflito 

de interesses e vedação de atos de corrupção e fraude; II – instâncias internas responsáveis pela atualização 

Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

36 Cristiana Fortini, Ariane Shermam

 O Poder Executivo Federal, por meio da Instrução Normativa Conjunta 

CGU∕ MP nº 001, de 10 de maio de 2016, dispôs sobre controles internos, gestão 

de riscos e governança.

 Na Instrução, determinase que:

 Os órgãos e entidades do Poder Executivo federal deverão implementar, manter, 

monitorar e revisar os controles internos da gestão, tendo por base a identifica

 ção, a avaliação e o gerenciamento de riscos que possam impactar a consecução 

dos objetivos estabelecidos pelo Poder Público. Os controles internos da gestão 

se constituem na primeira linha (ou camada) de defesa das organizações públicas 

para propiciar o alcance de seus objetivos. 

A natureza instrumental do controle e da gestão de riscos destinada a 

promover a integridade se destaca, bem como a orientação, também contida no 

referido ato normativo, de adaptação das práticas e mecanismos de governança 

ao porte e complexidade do órgão ou ente que a efetiva, levandose em conta 

ainda as atividades que desenvolvem. 

Essa diretriz se aproxima do que dispõe o Decreto nº 8.420∕2015, que 

regulamenta na esfera federal a Lei nº 12.846∕2013 (Lei Anticorrupção). O 

Decreto, ao prever os parâmetros para avaliação do programa de integridade, 

determina tratamento favorecido para microempresas e empresas de pequeno 

porte, flexibilizando os parâmetros previstos no caput do art. 42, não se exigindo, 

especificamente, o atendimento de seus incisos III, V, IX, X, XIII, XIV e XV.18 

e aplicação do Código de Conduta e Integridade; III – canal de denúncias que possibilite o recebimento 

de denúncias internas e externas relativas ao descumprimento do Código de Conduta e Integridade e das 

demais normas internas de ética e obrigacionais; IV – mecanismos de proteção que impeçam qualquer 

espécie de retaliação a pessoa que utilize o canal de denúncias; V – sanções aplicáveis em caso de violação 

às regras do Código de Conduta e Integridade; VI – previsão de treinamento periódico, no mínimo anual, 

sobre Código de Conduta e Integridade, a empregados e administradores, e sobre a política de gestão 

de riscos, a administradores. §2º A área responsável pela verificação de cumprimento de obrigações e de 

gestão de riscos deverá ser vinculada ao diretor-presidente e liderada por diretor estatutário, devendo o 

estatuto social prever as atribuições da área, bem como estabelecer mecanismos que assegurem atuação 

independente. §3º A auditoria interna deverá: I – ser vinculada ao Conselho de Administração, diretamente 

ou por meio do Comitê de Auditoria Estatutário; II – ser responsável por aferir a adequação do controle 

18  

interno, a efetividade do gerenciamento dos riscos e dos processos de governança e a confiabilidade do 

processo de coleta, mensuração, classificação, acumulação, registro e divulgação de eventos e transações, 

visando ao preparo de demonstrações financeiras. §4º O estatuto social deverá prever, ainda, a possibilidade 

de que a área de compliance se reporte diretamente ao Conselho de Administração em situações em que se 

suspeite do envolvimento do diretor-presidente em irregularidades ou quando este se furtar à obrigação de 

adotar medidas necessárias em relação à situação a ele relatada”.

 Art. 42. Para fins do disposto no §4º do art. 5º, o programa de integridade será avaliado, quanto a sua exis

tência e aplicação, de acordo com os seguintes parâmetros: I – comprometimento da alta direção da pessoa 

jurídica, incluídos os conselhos, evidenciado pelo apoio visível e inequívoco ao programa; II – padrões de 

conduta, código de ética, políticas e procedimentos de integridade, aplicáveis a todos os empregados e 

administradores, independentemente de cargo ou função exercidos; III – padrões de conduta, código de 

ética e políticas de integridade estendidas, quando necessário, a terceiros, tais como, fornecedores, pres

tadores de serviço, agentes intermediários e associados; IV – treinamentos periódicos sobre o programa de 

integridade; V – análise periódica de riscos para realizar adaptações necessárias ao programa de integri

dade; VI – registros contábeis que reflitam de forma completa e precisa as transações da pessoa jurídica; 

VII – controles internos que assegurem a pronta elaboração e confiabilidade de relatórios e demonstrações 

Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

Governança pública e combate à corrupção: novas perspectivas para o controle da Administração Pública brasileira 37

 Vale lembrar que a premência da governança, na faceta da promoção da 

integridade, não se inicia no Brasil com a edição da Lei nº 12.846∕2013 (Lei 

Anticorrupção), ou mais recentemente, com a Lei nº 13.303∕2016 (Lei das 

Estatais).

 Ambos os diplomas legais contêm normas específicas sobre a pro

 moção da integridade, seja no âmbito das pessoas que se relacionam com a 

Administração (Lei Anticorrupção), seja na própria Administração Pública (no 

caso, Administração com personalidade jurídica de direito privado, conforme a 

Lei das Estatais).19

 Porém, antes desses diplomas, a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 

12.527∕2011) e a Lei de Conflito de Interesses (Lei nº 12.813∕2013) já se ocu

 pavam de aspectos específicos da governança, nomeadamente, accountability, 

transparência e normas de condutas incidentes sobre agentes públicos.

 Ambas as Leis, antes mesmo da edição de um diploma específico anti

 corrupção, já visavam implementar na Administração as melhores práticas 

atinentes à transparência pública, com ênfase na transparência ativa e na limi

 tação do sigilo, e à responsabilização de agentes públicos que ocupam posições 

sensíveis na Administração ou que tenham, em razão de seu cargo ou emprego, 

f

 inanceiros da pessoa jurídica; VIII – procedimentos específicos para prevenir fraudes e ilícitos no âmbito 

de processos licitatórios, na execução de contratos administrativos ou em qualquer interação com o setor 

público, ainda que intermediada por terceiros, tal como pagamento de tributos, sujeição a fiscalizações, ou 

obtenção de autorizações, licenças, permissões e certidões; IX – independência, estrutura e autoridade da 

instância interna responsável pela aplicação do programa de integridade e fiscalização de seu cumprimento; 

X – canais de denúncia de irregularidades, abertos e amplamente divulgados a funcionários e terceiros, e 

de mecanismos destinados à proteção de denunciantes de boa-fé; XI – medidas disciplinares em caso de 

violação do programa de integridade; XII – procedimentos que assegurem a pronta interrupção de irregula

ridades ou infrações detectadas e a tempestiva remediação dos danos gerados; XIII – diligências apropriadas 

para contratação e, conforme o caso, supervisão, de terceiros, tais como, fornecedores, prestadores de 

serviço, agentes intermediários e associados; XIV – verificação, durante os processos de fusões, aquisições e 

19  

reestruturações societárias, do cometimento de irregularidades ou ilícitos ou da existência de vulnerabilida

des nas pessoas jurídicas envolvidas; XV – monitoramento contínuo do programa de integridade visando seu 

aperfeiçoamento na prevenção, detecção e combate à ocorrência dos atos lesivos previstos no art. 5º da Lei 

nº 12.846, de 2013; e XVI – transparência da pessoa jurídica quanto a doações para candidatos e partidos 

políticos. §1º Na avaliação dos parâmetros de que trata este artigo, serão considerados o porte e especifi

cidades da pessoa jurídica, tais como: I – a quantidade de funcionários, empregados e colaboradores; II – a 

complexidade da hierarquia interna e a quantidade de departamentos, diretorias ou setores; III – a utilização 

de agentes intermediários como consultores ou representantes comerciais; IV – o setor do mercado em que 

atua; V – os países em que atua, direta ou indiretamente; VI – o grau de interação com o setor público e a 

importância de autorizações, licenças e permissões governamentais em suas operações; VII – a quantidade e 

a localização das pessoas jurídicas que integram o grupo econômico; e VIII – o fato de ser qualificada como 

microempresa ou empresa de pequeno porte. §2º A efetividade do programa de integridade em relação ao 

ato lesivo objeto de apuração será considerada para fins da avaliação de que trata o caput. §3º Na avaliação 

de microempresas e empresas de pequeno porte, serão reduzidas as formalidades dos parâmetros previstos 

neste artigo, não se exigindo, especificamente, os incisos III, V, IX, X, XIII, XIV e XV do caput. §4º Caberá ao 

Ministro de Estado Chefe da Controladoria-Geral da União expedir orientações, normas e procedimentos 

complementares referentes à avaliação do programa de integridade de que trata este Capítulo. §5º A redu

ção dos parâmetros de avaliação para as microempresas e empresas de pequeno porte de que trata o §3º 

poderá ser objeto de regulamentação por ato conjunto do Ministro de Estado Chefe da Secretaria da Micro 

e Pequena Empresa e do Ministro de Estado Chefe da Controladoria-Geral da União. 

Não se descarta que o regramento da Lei Anticorrupção, a princípio, abarca as empresas estatais.

 Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

38 Cristiana Fortini, Ariane Shermam

 acesso a informações privilegiadas, pelo descumprimento de seus deveres legais 

e éticos.20

 Ou seja, embora a Lei Anticorrupção e a Lei das Estatais tenham expres

 samente abordado a integridade, normas precedentes já cuidavam do tema. A 

história brasileira, corroborada pelos acontecimentos mais recentes que envol

 vem desvios públicos, demonstra que a inflação legislativa não induz efetividade.

 Em síntese: não há modelo de governança que se aplique indistintamente 

a toda e qualquer pessoa. O sucesso de iniciativas nesse sentido depende, antes 

de tudo, de autoavaliação e comprometimento sincero das instâncias decisórias 

com o aprimoramento desses mecanismos.

 Respondendo às perguntas formuladas neste tópico: o Poder Público 

brasileiro identificou a governança como caminho possível de enfrentamento à 

corrução. Necessário, ainda, que a Administração abandone a postura predomi

 nantemente reativa, caracterizada pelo agir após a ocorrência do dano, e de fato 

implemente as vias preventivas de combate às condutas corruptas.

 V Governança: combate à corrupção e o projeto de nova lei geral de licitações 

e contratos públicos

 Organismos internacionais, como a Transparência Internacional, apontam 

as licitações e contratações públicas como setores de atuação estatal especial

 mente vulneráveis à corrupção.21

 A informação é alarmante quando se considera a relevância da atuação 

privada em setores socialmente importantes. A expressão government by contracts 

utilizada por pesquisadores norteamericanos fornece a exata dimensão da posi

 ção central atual dos contratos.

 20  

21  

Nos termos da Lei nº 12.813∕2013: “Art. 1º As situações que configuram conflito de interesses envolvendo 

ocupantes de cargo ou emprego no âmbito do Poder Executivo federal, os requisitos e restrições a ocupantes 

de cargo ou emprego que tenham acesso a informações privilegiadas, os impedimentos posteriores ao 

exercício do cargo ou emprego e as competências para fiscalização, avaliação e prevenção de conflitos 

de interesses regulam-se pelo disposto nesta Lei. Art. 2º Submetem-se ao regime desta Lei os ocupantes 

dos seguintes cargos e empregos: I – de ministro de Estado; II – de natureza especial ou equivalentes; 

III – de presidente, vice-presidente e diretor, ou equivalentes, de autarquias, fundações públicas, empresas 

públicas ou sociedades de economia mista; e IV – do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores – DAS, 

níveis 6 e 5 ou equivalentes. Parágrafo único. Além dos agentes públicos mencionados nos incisos I a IV, 

sujeitam-se ao disposto nesta Lei os ocupantes de cargos ou empregos cujo exercício proporcione acesso 

a informação privilegiada capaz de trazer vantagem econômica ou financeira para o agente público ou 

para terceiro, conforme definido em regulamento. Art. 3º Para os fins desta Lei, considera-se: I – conflito de 

interesses: a situação gerada pelo confronto entre interesses públicos e privados, que possa comprometer o 

interesse coletivo ou influenciar, de maneira imprópria, o desempenho da função pública; e II – informação 

privilegiada: a que diz respeito a assuntos sigilosos ou aquela relevante ao processo de decisão no âmbito 

do Poder Executivo federal que tenha repercussão econômica ou financeira e que não seja de amplo 

conhecimento público”. 

FORTINI, Cristiana; MOTTA, Fabrício. Corrupção nas licitações e contratações públicas: sinais de alerta 

segundo a Transparência Internacional. A&C – Revista de Direito Administrativo & Constitucional, Belo 

Horizonte, ano 16, n. 64, p. 93-113, abr./jun. 2016.

 Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

Governança pública e combate à corrupção: novas perspectivas para o controle da Administração Pública brasileira 39

 Jody Freeman e Martha Minow22 apresentam importante reflexão sobre o 

avanço da atuação privada no cenário norteamericano. Após recordarem que a 

Grande Depressão despertou a desilusão com o setor privado e acarretou o cres

 cimento da presença governamental, observam que novo pêndulo caracteriza a 

década de 1970, com a redescoberta de atores privados, nos quais se reconhece 

maior capacidade para promover inovações tecnológicas e a quem se atribui 

atuação mais eficiente. 

Os autores acrescentam que o século XXI tem revelado uma contínua 

aproximação entre o governo e as empresas privadas, as quais passam a assumir 

tarefas sensíveis, tradicionalmente consideradas estatais, destacando o suporte 

militar levado a efeito diante da presença norteamericana no Afeganistão e 

Iraque.

 No Brasil, a situação não é diferente.

 Dentro de um retrospecto que alcança, pelo menos, desde a década de 

1950, com a intensa industrialização do país, foram muitas as políticas que 

buscaram aproximar o Poder Público da iniciativa privada, de modo que esta 

assumisse incumbências de interesse público visando ao desenvolvimento eco

 nômico.

 A partir dos anos 1990, com a edição do Plano Diretor de Reforma do 

Aparelho do Estado pelo Governo Federal, assumiuse com ênfase uma postura 

de maior permeabilidade e incentivo à participação privada na execução de tare

 fas públicas. Nessa esteira é que, menos de uma década depois da edição do 

citado Plano, foi editada a Lei de Parcerias Público-Privadas (Lei nº 11.079∕2004), 

que trouxe nova modelagem para a relação contratual entre Estado e parceiros 

privados, de modo a atrair estes últimos para projetos de interesse público milio

 nários. 

Mais recentemente, com a criação do Programa de Parcerias de 

Investimentos (Lei nº 13.334∕2016), em meio a uma grave crise política e à reces

 são econômica, o Estado brasileiro busca novamente fomentar o investimento 

privado em projetos públicos de infraestrutura, por meio da celebração de con

 tratos, e a promover, nos termos da Lei, outras medidas de desestatização. 

A maior participação privada realça a questão da governança corporativa 

e sugere um olhar atento ao comportamento dos atores privados e das entidades 

estatais contratantes.

 Ao ente estatal contratante interessa a sobrevida da empresa contratada, 

dado que, ainda sob o prisma meramente negocial, o fracasso empresarial per

 turba o cumprimento das obrigações contratuais. Indiferente também não pode 

ser à entidade contratante a atuação falha, negligente ou o descontrole interno 

da instituição privada.

 22  

FREEMAN, Jody; MINOW, Martha. Introduction: Reframing the outsourcing debates. Government by 

contracts: outsourcing and american democracy . Cambridge: Harvard University Press, 2009, p. 7- 9.

 Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

40 Cristiana Fortini, Ariane Shermam

 A governança corporativa, visando proteger os interesses dos acionistas e/

 ou o próprio empreendimento, favorece o interesse público de maneira oblíqua, 

com a preservação de empregos e a movimentação econômica, bem como pro

 tege os interesses públicos envolvidos naquela relação contratual.

 Os esforços internos de cada empresa em disciplinar os comportamen

 tos, inclusive da alta administração, evitando práticas intoleráveis do ponto de 

vista ético e legal, selecionando e treinando adequadamente seus colaboradores 

e adotando padrões objetivos e cuidadosos, na contratação de outras empresas, 

há de resultar de deliberações internas e de fatores exógenos que assim a impul

 sionam, como o incentivo à instituição de programa de integridade pela Lei 

anticorrupção.

 Mas, a preocupação com a ética deve ocupar a agenda pública também. 

Condenar entidades privadas, como prevê a Lei Anticorrupção, é um passo em 

longo caminho a percorrer. O destino final se alcança com a convergência de 

trajetórias, por meio de compartilhado compromisso do setor público e das 

empresas privadas em evitar atitudes eticamente questionáveis.

 A governança pública é ainda mais fundamental, seja para o incremento 

da eficiência, ainda que no papel de fiscal e regulador da ação privada, seja para 

que se coíbam comportamentos públicos em tudo dissonantes da boa prática 

administrativa.

 No Brasil, a Lei Geral de Licitações e Contratos Públicos, atualmente em 

vigor, Lei nº 8.666∕1993, não obstante o detalhamento de procedimentos e a 

rígida disciplina da atuação do gestor público que a particulariza, não foi capaz 

de coibir desvios. 

O projeto de nova lei geral de licitações e contratos públicos (PLS 559∕2013) 

demonstra preocupação com alguns aspectos da governança, na faceta da inte

 gridade. 

O projeto de lei (PLS 559/2013) consolida uma série de regras hoje dis

 persas por vários diplomas legais, atribuindolhe a estatura de comando geral no 

cenário das licitações e contratações públicas. 

A fase interna é especialmente sensível. São reais os riscos de que a contra

 tação pública nasça contaminada por escolhas feitas na preparação. A depender 

das condições do ato convocatório, sabese de antemão quem poderá participar 

da futura licitação e quem já estará afastado. Nos mercados em que é restrito o 

número de atores, poucas definições bastam para reduzir ainda mais a competi

 ção e dirigir o contrato antes mesmo de se conhecerem as propostas.

 Nesse contexto, o projeto propõe a adoção de minutas padronizadas de 

edital e contrato, utilizandose cláusulas uniformes, quando o objeto permitir, 

o que contribuirá para inibir a construção de editais com intuito de favorecer 

determinado particular. Também é de se aplaudir a ideia de se alargar o uso 

do pregão, permitindoo inclusive para obras comuns, modalidade que, com

 paradas às demais, simboliza importante avanço em termos de ampliação da 

competitividade e redução de custos. Louvável, ainda, a pretensão de se criar 

Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

Governança pública e combate à corrupção: novas perspectivas para o controle da Administração Pública brasileira 41

 uma central de compras, realidade já presente em alguns entes e que, igual

 mente, favorece a economia de escala.

 O PLS 559/2013 cogita ainda alterações nas regras sobre formação do 

custo. Em verdade, a Lei nº 8.666/93 hoje não disciplina os mecanismos a serem 

seguidos para se estimar o custo da contratação. Desnecessário dizer que essa 

ausência possibilita distorções também provocadas pela corrupção.

 Coube, observados seus limites, à Instrução Normativa 5, de 27 de junho 

de 2014, editada pela Secretária de Logística e Tecnologia da Informação do 

Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, suprir o vazio, consolidando 

os julgados do Tribunal de Contas da União, pavimentando o caminho a ser 

percorrido pelos agentes públicos a ela submetidos.

 Todavia, o tratamento proposto pelo PLS 559/2013 está longe de satisfa

 tório.

 Prever, por exemplo, que o montante estimado da contratação poderá ser 

calculado com base nos valores de mercado, nos valores pagos pela Administração 

Pública em contratos similares ou na avaliação do custo global da obra, aferida 

mediante orçamento sintético ou metodologia expedita ou paramétrica, é insufi

 ciente. Como se chega à conclusão sobre os valores de mercado? Quais contratos 

podem ser utilizados como parâmetro? Quais cuidados adotar quando da solici

 tação de orçamentos? Essas perguntas exigem mais detalhes.

 Ao contrário de algumas apostas, não se impôs às empresas interessa

 das em participar de certames a demonstração da existência e efetividade de 

programas internos de integridade. Sequer se estabeleceu a possibilidade de 

tratamento favorecido em licitações que envolvam técnica. O fomento à existên

 cia de programas efetivos de compliance há de se fazer não apenas no seio da Lei 

12.846/13, com a promessa de menor reprimenda para os atos de corrupção, 

mas deve constar da Lei de licitações, como condição de habilitação ou ao menos 

se atribuindo alguma dose de vantagem para as empresas eticamente compro

 metidas.

 O PLS 559/2013 também oferece nova proposta para as sanções adminis

 trativas. Claramente preocupado com a discricionariedade administrativa, que 

hoje se percebe na Lei 8.666/93, o projeto estabelece a correlação entre compor

 tamentos e reprimendas.

 A redução da discricionariedade no sensível momento da punição deve 

ser aplaudida, mas é importante investigar com mais vagar se o suposto avanço 

não é esmaecido por construções imperfeitas. Uma leitura inicial indica desleixo 

com a redação, o que pode conduzir a discussões quando da efetiva aplicação 

das sanções.

 Chama atenção o descuido com a gestão e fiscalização dos contratos. A 

alegria de identificar a menção à gestão contratual, uma vez que a atual lei sobre 

isso se cala, esvaise diante da confusão da proposta e porque não se conferiu a 

importância devida aos aspectos relativos à escolha do fiscal, ao momento para 

sua designação, por exemplo.

 Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

42 Cristiana Fortini, Ariane Shermam

 Por fim, a proposta de limitar a atuação dos Tribunais de Contas, per

 mitindolhe suspender cautelarmente, uma única vez, o processo licitatório, 

também deve ser examinada. É fato que os Tribunais de Contas frequentemente 

suspendem de forma cautelar as licitações, sem a necessária rapidez para julgar 

o mérito, provocando problemas de ordem administrativa. Mas se o objetivo 

é evitar paralisações decorrentes das ordens dos TCs, há de se esclarecer que 

o prazo de 30 (trinta) dias de suspensão, mencionado na norma proposta, é o 

tempo para a apreciação pelos órgãos de controle. Resta combinar com os russos.

 Enfim, há avanços, mas ainda não suficientes.

 VI Conclusões

 O Brasil entrou definitivamente no movimento mundial de combate à 

corrupção. Contanto, ainda que a preocupação com o controle da corrupção 

pública no país não seja algo recente, os desafios impostos reclamam a avaliação 

e implementação de novas medidas de eficácia reconhecida.

 É nesse cenário que se situa o crescente incentivo à governança pública, ao 

lado do estímulo à governança privada. Leis recentemente editadas, como a Lei 

Anticorrupção e a Lei das Estatais buscam incorporar, respeitados os diferentes 

vieses (uma se volta à iniciativa privada, a outra, mais especificamente, às 

pessoas de direito privado da Administração que exercem atividade empresarial) 

parâmetros, diretrizes e balizas de governança, com enfoque nos mecanismos 

e procedimentos de promoção da integridade. Conferese, nesse sentido, um 

destaque às medidas de controle interno, à gestão de riscos, à auditoria, à 

accountability e à transparência.

 Reconhecendose o campo das licitações e contratos públicos como espe

 cialmente vulnerável aos desvios de conduta, que minam a confiança e drenam o 

erário público, buscouse analisar se o atual projeto de nova lei geral de licitações 

e contratos contribui para o avanço do combate à corrupção, em uma perspec

 tiva de valorização do planejamento e da gestão proba, ou seja, da governança, 

na faceta de promoção da integridade.

 Se por um lado se reconhecem avanços no projeto, que, em muitos aspec

 tos, se contrapõe à excessiva rigidez – e, também, à paradoxal falta de precisão – da Lei nº 8.666∕93, por outro visualiza-se, por exemplo, o insuficiente tra

 tamento da gestão e da fiscalização dos contratos, que continua a ser um veio 

aberto no que tange ao controle interno.

 Como já dito, a proposta contém avanços, porém eles parecem insuficien

 tes diante da dimensão dos desafios. A governança certamente não é panaceia, 

vez que se trata de mais um instrumento de aprimoramento da gestão, porém 

legisladores e gestores públicos não devem ignorar seu potencial para aperfei

 çoar a gestão pública.

 Int. Públ. – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017

Governança pública e combate à corrupção: novas perspectivas para o controle da Administração Pública brasileira 43

 Governance in the public sector and the fight against corruption: new 

perspectives on the control of the Brazilian Public Administration

 Abstract: The present work seeks to examine how the internal control 

of the Brazilian Public Administration can be improved through the 

incorporation of mechanisms and procedures of governance, originated 

in the private initiative, aiming at the fight against public corruption. 

Through theoretical research, governance was identified as an instrument 

for controlling corruption, a pressing problem in the Brazilian public 

agenda. In this scenario, recent statutes, such as the Anticorruption Law 

and the Stateowned Enterprises Law, and the draft of the new general law 

on bids and contracts aim to implement mechanisms to improve public 

management and private management, to promote integrity. Although 

there are advances, it can be concluded that such measures need to be 

effectively fomented and implemented by public managers so that they 

produce the desired effects, within a context of introjection of a culture of 

planning and probity.

 Keywords: Public Administration. Corruption. Governance. Internal 

control.

 Referências

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2017.

 Informação bibliográfica deste texto, conforme a NBR 6023:2002 da Associação 

Brasileira de Normas Técnicas (ABNT): 

FORTINI, Cristiana; SHERMAM, Ariane. Governança pública e combate à cor

rupção: novas perspectivas para o controle da Administração Pública brasileira. 

Interesse Público – IP, Belo Horizonte, ano 19, n. 102, p. 27-44, mar./abr. 2017. O artigo dos autores  Cristiana Fortini

 Pós-Doutora (Visiting Scholar com bolsa da Capes) pela George Washington University. Doutora 

em Direito pela UFMG. Professora Adjunta na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

Diretora do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo. Presidente da Comissão de Direito 

Administrativo da OAB/MG.

 Ariane Shermam

 Mestre em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Assessora contratada do 

Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).                                                      

E assim 

A principal diferença entre eles está na natureza jurídica, finalidade de lucro e regras de tributação. O modelo tradicional opera como associação civil sem fins lucrativos, enquanto os outros dois funcionam sob a lógica empresarial para atrair investimentos e gerir o esporte profissionalmente. 

Clube Esportivo TradicionalClube-Empresa ComumSociedade Anônima do Futebol (SAF)Natureza JurídicaAssociação Civil sem fins lucrativos.Sociedade Empresária Comum (LTDA ou S/A).Tipo especial de S/A (instituído pela Lei 14.193/21).Objetivo ComercialReinvestimento total; proibido distribuir lucros.Visar e distribuir lucros aos sócios investidores.Captação de recursos e distribuição de dividendos.Regime TributárioIsenções e imunidades fiscais amplas (ex: IRPJ).Tributação comum e pesada de qualquer empresa brasileira.Regime Especial de Tributação (TEF) unificado e vantajoso.Foco de AtuaçãoTodas as modalidades esportivas e sociais.Qualquer atividade esportiva/comercial permitida no contrato.Exclusivo para o futebol profissional e suas propriedades.

1. Clube Esportivo (Modelo Associativo Tradicional)

É o formato histórico da maioria dos grandes clubes no Brasil

Governança: Gerido por um presidente eleito por conselheiros e associados políticos.

Finanças: Depende de receitas de TV, bilheteria, patrocínios e transferência de atletas. Todo o dinheiro arrecadado precisa, obrigatoriamente, ser reinvestido na própria instituição.

Dívidas: O patrimônio do clube responde diretamente pelas dívidas, o que gerou crises financeiras históricas no futebol nacional. 

2. Clube-Empresa (Modelos LTDA ou S/A Tradicionais)

Surgiu como alternativa através da Lei Zico e da Lei Pelé, permitindo que os clubes adotassem formatos corporativos padrão previstos no Código Civil (como Sociedades Limitadas ou Anônimas). 

Entrada de Capital: Permite a venda de cotas ou ações para investidores privados e fundos de investimento.

Desvantagem Histórica: A carga de impostos sob as regras de uma empresa convencional no Brasil era muito agressiva se comparada às isenções do modelo associativo, o que desestimulou a migração em massa no passado. O Red Bull Bragantino operou inicialmente de forma muito similar a este conceito empresarial. 

3. Sociedade Anônima do Futebol (SAF)

Criada especificamente pela Lei nº 14.193/2021 para resolver os gargalos de governança e endividamento dos clubes. Exemplos de sucesso incluem as gestões do  Cruzeiro , Botafogo e Bahia. 

Separação de Ativos: O clube social original transfere seus ativos do futebol (marca, direitos de jogadores, vagas em campeonatos) para a nova empresa (SAF). 

Regras de Dívidas: A SAF não herda os débitos passados diretamente no seu caixa operacional. Ela destina um percentual fixo de suas receitas mensais (geralmente 20%) para pagar os credores do clube associativo de forma ordenada. 

Benefício Fiscal: Pagamento de impostos unificado por meio do Regime de Tributação Específica do Futebol (TEF), tornando o modelo financeiramente viável

Embora o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) tenha surgido como a "salvação" para as dívidas dos clubes brasileiros, diversos casos já enfrentaram graves crises financeiras, disputas judiciais, colapsos de investidores ou rompimentos de contratos

Os principais exemplos de SAFs (ou modelos de clube-empresa anteriores) que enfrentaram sérios problemas ou não deram certo no Brasil são detalhados a seguir:

1. Vasco da Gama e 777 Partners (O maior colapso de controle) 

O Problema: O Vasco vendeu 70% de sua SAF para a empresa americana 777 Partners. Pouco tempo depois, o grupo investidor entrou em um processo de falência global, enfrentando investigações por fraude nos Estados Unidos e na Europa. 

O Desfecho: Diante do risco de calote e da incapacidade financeira da holding, a associação civil do Vasco conseguiu uma liminar na Justiça que afastou a 777 do controle do futebol. O clube retomou as ações e precisou buscar novos parceiros no mercado. 

2. Botafogo e Eagle Holding (Crise orçamentária profunda)

O Problema: Sob o comando do norte-americano John Textor, a SAF do Botafogo obteve ótimos resultados esportivos, mas gerou um endividamento alarmante. Especialistas apontam que a SAF piorou a saúde financeira do clube ao operar com descontrole orçamentário e falta de transparência. 

O Desfecho: O balanço oficial registrou uma dívida acumulada superior a R$ 2 bilhões. O clube sofreu transfer ban da FIFA por falta de pagamentos a outros times (como no caso da transferência do jogador Thiago Almada) e enfrentou atrasos nos direitos de imagem do elenco, forçando o anúncio de planos para colocar a SAF à venda no mercado internacional

3. Cruzeiro e Ronaldo Fenômeno (Rompimento por pressão)

O Problema: Ronaldo comprou o Cruzeiro em um momento crítico e organizou a casa de forma austera, mas a torcida e a diretoria associativa criticavam o teto de investimentos baixos, o que limitava a competitividade do clube. 

O Desfecho: Embora não tenha falido, o projeto original de Ronaldo "não deu certo" a longo prazo em termos de permanência. Sob forte pressão, o ex-jogador vendeu 90% das ações da SAF para o empresário Pedro Lourenço

4. Figueirense e Elephant (O pioneiro que colapsou antes da Lei da SAF)

O Problema: Em 2017, o Figueirense migrou para o modelo de clube-empresa (Ltda.) com a gestora Elephant. O resultado foi desastroso: salários severamente atrasados, falta de suprimentos básicos para as categorias de base e debandada de atletas na Justiça. 

O Desfecho: Em 2019, os jogadores se recusaram a entrar em campo na Série B, gerando um W.O. histórico. O contrato foi rompido na Justiça, deixando o clube afundado em uma crise financeira que o acompanha até hoje

Resumo dos principais gargalos das SAFs no Brasil

Clube 

Parceiro OriginalPrincipal Motivo do Fracasso / CriseSituação AtualVasco777 PartnersInsolvência e processo de falência global do investidor.Controle retomado pelo clube associativo.BotafogoEagle HoldingEndividamento extremo e atrasos salariais crônicos.Ativos à venda no mercado internacional.CruzeiroRonaldo NazárioInsatisfação interna com o baixo nível de investimento.Repassado para um novo comprador nacional.FigueirenseElephantMá gestão extrema, calotes e greve de jogadores.Parceria desfeita após W.O. no campeonato.
 Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é um modelo especial de constituição de empresas voltada para o futebol no Brasil. Em 8 de dezembro de 2018, este molde de sociedade foi inicialmente proposta por conselheiros e beneméritos influentes do Botafogo, e elaborado com a ajuda do clube carioca durante 3 anos, visando melhorar as gestões financeiras e as transparências nos clube esportivos, sendo oficialmente introduzido por meio da Lei nº 14.193 de 6 de agosto de 2021.

Associações sem fins lucrativos no futebol são clubes que buscam recursos financeiros, com o objetivo principal que não seja o seu enriquecimento. As sociedades empresárias, por outro lado, são o instrumento legal mais adequado e disponível na lei brasileira para transferir lucros a seus sócios. A premissa das sociedades empresárias, aliás, é a busca do lucro aos seus associados.

A grande diferença do novo modelo empresarial para os antigos clube-empresas, constituídos nas formas de S/A e LTDA, é que a SAF tem uma tributação mais vantajosa, além de possuir maior transparência, com regras claras de governança e com fiscalização pela CVM, o que deixa o negócio mais interessante e seguro para os investidores.

Outro ponto de diferença da Sociedade Anônima do Futebol para as demais modalidades de empresas diz respeito ao pagamento das dívidas. A SAF tem a obrigação de pagar os credores em até 10 anos. Nos primeiros 6 anos, 70% das dívidas cíveis e trabalhistas precisam ser quitadas, mas é possível renovar por mais 4 anos para concluir os pagamentos. Além disso, há vantagens para que as dívidas sejam negociadas. Segundo os veículos da imprensa esportiva no Brasil.

Osa clubes como Cruzeiro e Botafogo (RJ) e Vasco da Gama , se tornaram SAFS (Sociedade Anônima de Futebol), por que não tinham outro caminho á seguir. Os dois clubes estavam falidos, endividados e sem conseguir pagar suas contas.

Uma SAF ( Sociedade Anônima  de Futebol), é um meio e não necessariamente  o fim. Se os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, se tornarem SAFS ( Sociedade Anônima  de Futebol), iremos ter quatro rebaixados.

Ser uma SAF ( Sociedade Anônima de Futebol), não necessariamente significa que um clube está imune á uma crise econômica. Uma SAF( Sociedade Anomia de Futebol), corre sério risco de quebrar, caso não seja bem administrada.

Contudo, uma SAF reduz a taxa de juros e dividas, aumentando a injeção de recursos. Os clubes esportivos, estão inseridos em um show busness, que transformou o futebol em negócio.

Os clubes esportivos, neste contexto, não sobrevivem sem dinheiro. O balanço financeiro de um clube, está associado com sua capacidade de ganhar troféus.

E é neste contexto, que se encaixa o Vasco .


Confira a notícia na Agência Brasil .https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-06/justica-afasta-presidente-do-vasco-da-administracao-saf.Confira a notícia no LANCE . https://www.lance.com.br/vasco/as-consequencias-do-afastamento-de-pedrinho-da-saf-do-vasco.html. Confira meu artigo .https://leandroliveiraribeiroblo.blogspot.com/2022/12/a-modernizacao-tao-necessaria-nos.html.  Confira a História e Títulos do Vasco da Gama . No Site campeões do futebol .https://www.campeoesdofutebol.com.br/vascorj_historia.html.

Confira os campeões das competições no Brasil e no mundo . No site campeões do futebol .https://www.campeoesdofutebol.com.br/competicoes.html. Confira os canais do site campeões do futebol .https://www.campeoesdofutebol.com.br/canais.html.
Imagem Site Oficial do Vasco da Gama.













 





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