sábado, 23 de maio de 2026

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Confira o arquivo do Corinthians No site campeões do futebol               .https://www.campeoesdofutebol.com.br/corinthians_capa.html

Sociedade Anônima do Futebol, um modelo de gestão para clubes de futebol criado pela Lei nº 14.193/2021. Também pode se referir a Sistemas Agroflorestais (SAFs), que integram árvores e cultivos agrícolas. Finalmente, SAF é a sigla para Síndrome Antifosfolipídica. 

Sociedade Anônima do Futebol (SAF)

O que é: Modelo de empresa para clubes de futebol, que permite a captação de investimentos, profissionalização da gestão e a separação do futebol de outras atividades do clube. 

Objetivo: Modernizar a administração dos clubes, melhorar a saúde financeira e a transparência. 

Benefícios: Atração de investimentos, gestão mais eficiente e tratamento tributário mais favorável.  Segundo especialistas nos veiculos de imprensa no Brasil.

uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é uma entidade de propriedade privada. Criada pela Lei nº 14.193/2021, a SAF é um modelo especial de gestão que permite que clubes de futebol, que antes eram associações civis sem fins lucrativos, se transformem em empresas. 

Com a transformação, a SAF pode vender ações para investidores privados, que se tornam proprietários da entidade e injetam capital no clube. 

Como funciona a transição para a propriedade privada

Separação de ativos: Quando um clube se torna uma SAF, ele separa a gestão de seu futebol do restante do clube social. A SAF passa a deter os ativos relacionados ao futebol, como o departamento de futebol e os direitos dos jogadores.

Captação de investimentos: A estrutura de sociedade anônima torna o investimento mais seguro e transparente para o capital privado. Empresas, fundos e investidores individuais podem comprar ações da SAF, adquirindo uma participação no negócio.

Profissionalização da gestão: A mudança para o modelo de propriedade privada geralmente traz uma gestão mais profissionalizada e focada em resultados financeiros e esportivos, ao contrário do modelo associativo, que se baseia em mandatos eletivos.

Tratamento de dívidas: A lei da SAF oferece mecanismos para que o clube-empresa renegocie e pague as dívidas do clube original (associação civil) de forma mais organizada. 

Importante: A transição para SAF não significa que a associação civil original desapareça. Em muitos casos, a associação mantém uma participação acionária na SAF, podendo ter direito a voto e participar das decisões, enquanto a propriedade majoritária e a administração são transferidas para o novo investidor.  Segundo especialistas nos veiculos de imprensa no Brasil.

Confira o artigo dos autores Celito Bahiense Barreira 

Graduando em direito pela Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim 

celitobarreira@hotmail.com 

Henrique Nelson Ferreira 

Professor na Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim, Advogado, 

Especialista em Direito da Economia e da Empresa - 

FGV/RJ.hnelsonferreira@gmail.com 

F: SOCIEDADE ANÔNIMA DO FUTEBOL E A LEI N° 14.193/2021 

Celito Bahiense Barreira 

Graduando em direito pela Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim 

celitobarreira@hotmail.com 

Henrique Nelson Ferreira 

Professor na Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim, Advogado, 

Especialista em Direito da Economia e da Empresa - 

FGV/RJ.hnelsonferreira@gmail.com 

RESUMO 

O presente artigo tem como eixo de abordagem a Sociedade Anônima do Futebol 

(SAF) a partir do estudo da Lei n° 14.193, de 6 de agosto de 2021, responsável por 

instituir e regulamentar essa sociedade futebolística dentro desse contexto, o 

principal objetivo é expor acerca do marco legal relacionado à Sociedade Anônima 

do Futebol, principalmente no que tange ao direito empresarial esportivo. Esse 

instituto tem sido interpretado como uma forma de contribuição no que se refere ao 

aspecto administrativo dos clubes de futebol. A pesquisa bibliográfica foi elaborada a 

partir de uma revisão de literatura, com base em artigos publicados nas bases de 

dados e repositórios, embasada por meio da análise documental da Lei n° 

14.193/2021. Finaliza apontando as perspectivas das organizações dos clubes de 

futebol com a regulamentação desta Lei. 

Palavras-Chave: Sociedade Anônima do Futebol. Direito Empresarial Desportivo. Lei 

n° 14.193/2021.  

1 INTRODUÇÃO 

O Brasil é mundialmente conhecido por ser o “país do futebol”. Tal fato deixa 

claro que o esporte faz parte da cultura brasileira e é considerado a paixão nacional.  

Esse orgulho futebolístico surge de forma efetiva em 1950, após o Brasil ter sido 

escolhido para sediar a Copa do Mundo, o maior evento relacionado a essa 

modalidade. Dentro desse contexto, o título conquistado em 1958 também contribuiu 

para que a paixão pelo futebol ficasse ainda mais consolidada entre os brasileiros.  

Nos últimos anos, o futebol no Brasil está centralizado nas mãos de um 

número restrito de clubes. Esses grupos esportivos, por sua vez, contam com 

investimento de patrocinadores, sócios e torcedores, que se tornam responsáveis 

pelas questões financeiras de cunho estrutural, como por exemplo a compra e 

contratação de atletas, pagamento de folha salarial e demais encargos. Ao comparar 

essa realidade brasileira com o cenário europeu, a prática citada é considerada falta 

de “fair play”, pois torna desigual a situação de competitividade enfrentada pelos 

clubes.  

O Fair Play Financeiro (FPF) não é uma ferramenta nova. Segundo El Khatib 

(2020) essa ferramenta surgiu em 2010, quando a União das Associações Europeias 

de Futebol (UEFA) aprovou o Regulamento do Fair Play Financeiro (FPF) em 2010 

como forma de gerir a saúde financeira dos clubes. Posteriormente, houve 

atualização em 2012 e 2015, sempre visando garantir a sustentabilidade financeira 

dos clubes e para isso, conta com um auditor externo independente para investigar 

as demonstrações financeiras dos clubes. As opiniões desses auditores tornaram-se 

fundamentais para a tomada de decisões no gerenciamento dos clubes.  

Também o Brasil, dentro desse diapasão, desde o ano de 1993 o legislador 

busca desenvolver medidas normativas que busquem viabilizar a prática desportiva 

em um sentido mais profissional, de modo que seja adequado às novas tendências 

que emergem pelo o mundo sobre o esporte, principalmente sobre o futebol.  

É nesse contexto de busca por igualdade em relação à situação econômica 

dessas sociedades esportivas que a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) foi 

criada, pelo fato de se tratar de um modo de gerência que permitiu que as 

associações cíveis sem fins lucrativos dedicadas ao desenvolvimento e prática do 

futebol se transformassem em empresas (SANTORO NETO;2021). Assim, em 6 de 

agosto de 2021 foi aprovada a Lei n° 14.193 que passou a instituir a SAF que veio 

dispor sobre as normas de constituição, administração, controle e transparência dos 

meios de financiamento das atividades futebolísticas. De tal modo, o principal 

objetivo deste trabalho é expor acerca do marco legal relacionado da Sociedade 

Anônima do Futebol, principalmente no que diz respeito ao direito empresarial 

desportivo. 

A sociedade futebolística desponta como uma nova possibilidade de minorar 

o problema administrativo e econômico enfrentado pelos clubes nos últimos anos. A 

finalidade da SAF é transformar os clubes constituídos como associações em clube 

empresa, independentemente da situação financeira em que se encontram. 

Assim, para o desenvolvimento do presente artigo, buscou-se como 

metodologia a pesquisa bibliográfica, pautada em artigos e obras que se encontram 

nas bases de dados e nos repositórios. Por tratar-se de um tema que agora começa 

a ser mais debatido no Brasil, principalmente com a regulamentação da Lei n° 

14.193/2021, há poucas publicações em torno desta temática. Assim sendo, o 

estudo pauta-se também na análise documental das legislações e dos estatutos de 

alguns clubes que já vem aderindo ao modelo SAF. Desse modo, tem-se como base 

artigos e estudos publicados que tratam acerca da SAF, assim como a Lei n° 

14.193/2021 que institui esse projeto de gerência e administração dos clubes de 

futebol.  

Por fim, destaca-se que o presente artigo está estruturado em sete tópicos. O 

primeiro é destinado para a introdução e considerações iniciais relacionadas ao eixo 

de abordagem do estudo. Já o segundo tópico fica responsável por descrever a 

realidade vivenciada pelos clubes de futebol e participação e investimento por parte 

do Estado em relação a eles. O terceiro tópico por sua vez, trata da Sociedade 

Anônima do Futebol sob um viés mais conceitual, apresentando também seus 

atributos e características principais. O quarto tópico vem tratar especificamente da 

Lei n° 14.193, de 6 de agosto de 2021, seus principais aspectos e inovações para o 

mundo dos clubes de futebol. Em relação ao quinto tópico, é elucidado sobre a 

constituição da SAF. Já no sexto tópico, é apresentado acerca das ações de Classe 

A, e, por fim, no sétimo tópico são apresentadas as considerações que foram 

possíveis chegar durante a construção desse trabalho.  

2 MOMENTO ATUAL DOS CLUBES E O INCENTIVO DO ESTADO  

Como bem pontua Santoro Neto (2021) a falta de profissionalismo dos 

dirigentes nas gestões dos clubes, no que diz respeito à parte financeira, é o grande 

caos no modelo de governança das agremiações, carente de mudança impactante 

visando buscar equilíbrio. Nesse ínterim, o que é divulgado no presente estudo, são 

os benefícios que, possam vir a surgir com a transformação dos clubes de futebol 

em sociedades empresárias, vez que o modelo associativo tornou-se retrógrado com 

relação à evolução do desporto. 

Toda essa discussão inicial tem a finalidade de elucidar o interesse e 

importância do tema. Assim, além de aliar o tema futebolístico, visto como uma 

prática que faz parte da cultura, também se desenvolve o reconhecimento do Direito 

Desportivo como uma nova e promissora área em relação à atuação jurídica. E, com 

isso, também se esclarece a necessidade de estudar as normativas que dizem 

respeito e são aplicáveis à área, sob um prisma constitucional e também econômico.  

A Constituição Federal da República Federativa do Brasil, promulgada em 

1988, no art. 217 afirma que desenvolvimento do esporte deve ter participação do 

Estado, “a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a 

sua organização e funcionamento” e, além disso, prevê ainda a competência 

residual da justiça comum em relação às ações que disciplinam acerca das 

competições desportivas, conforme parágrafo 1º, as decisões finais serão proferidas 

na forma da lei. Dentro dessa discussão, Santoro Neto (2021) afirma que, ainda 

sobre a luz da Carta Magna, insta apontar um vasto rol de direitos fundamentais, 

notando-se pelo legislador um protecionismo em consonância com art. 5º, e, o art. 

6º, o direito fundamental social compreendem o direito à educação, saúde e o lazer, 

sendo dever do Poder Público praticar políticas públicas visando garantir a toda a 

coletividade.  

Santoro Neto (2021) leciona ainda que a Lei n°9.615/1998, conhecida como 

“Lei Pelé”, visou prover a efetivação das regras constitucionais relacionadas ao 

desporto. Desse modo, o dispositivo legal trouxe em seu texto os objetivos 

discorridos acerca da prática desportiva. Assim, Santoro Neto (2021), em 

consonância com o disposto na Lei n° 9.615/1998, declara que as finalidades do 

exercício desportivo são, o desenvolvimento completo do indivíduo, assim como a 

sua formação em relação ao exercício de sua cidadania e de seu lazer, para que 

haja a integração dos participantes de forma plena na vida social, na promoção 

educacional e de saúde, além da preservação do meio ambiente.  

Nesse ínterim, o Ministério dos Esportes, incorporado ao da Cidadania, em 

2019, destinou seus recursos à prática de esportes profissionais e educacionais, tais 

investimentos são utilizados para a captação de recursos humanos como cientistas e 

professores, com o fim de melhorar o resultado dos atletas em competições. 

(SANTORO NETO, 2021).  

Dessa maneira, o Estado passa a corroborar para o crescimento do desporto 

nacional obedecendo os mandamentos previstos na Constituição Federal, ao investir 

nesse âmbito como um direito fundamental. Para chegar a esse objetivo, Santoro 

Neto (2021) afirma que foi o Programa de Modernização da Gestão e de 

Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (PROFUT), responsáveis para 

proporcionar o crescimento do desporto nacional, apresentando neste contexto 

como mecanismo propulsor de investimentos tanto educacional quanto profissional, 

princípio notado no inciso IX, art. 2º, da Lei nº 9.615 de 1998.    

Por fim, Santoro Neto (2021) destaca ainda que no âmbito federal, a Lei nº 

11.438, de 2006, Lei de Incentivo ao Esporte, trata-se exclusivamente do programa 

de beneficiamento fiscal disponibilizado para àqueles que contribuem em projetos 

ligados ao “esporte educacional, de rendimento e de participação, com dedução em 

imposto de renda devido, à pessoa física ou jurídica que prestarem apoio às 

iniciativas aprovadas pelo Ministério dos Esportes, que analisaria quanto à 

pertinência e viabilidade dos projetos” 

3 DA SOCIEDADE ANÔNIMA DE FUTEBOL  

Ao delinear uma trajetória para apresentar o que é a Sociedade Anônima do 

Futebol, Santoro Neto (2021), leciona que a ideia de criar “clube-empresa” começa a 

ser discutida, no Brasil, no ano de 1993, com a aprovação da lei n° 8.672/1993, 

também conhecida como “Lei Zico”. Esse dispositivo legal abriu caminhos para que 

as associações civis sem fins lucrativos voltadas para a prática do futebol pudessem 

se transformar em sociedades empresárias.  Nesse sentido, o autor destaca ainda 

que foi constatado que a intervenção do Estado nas questões esportivas causava 

um certo afastamento em relação aos investidores do setor privado.  

Nessa premissa, a Lei n° 9.615, aprovada no ano de 1998, trouxe para os 

times de futebol que eram organizados como associações civis sem fins lucrativos a 

obrigação de se transformarem em sociedades empresárias ou contratar uma 

sociedade comercial para a execução administrativa do clube (SANTORO NETO, 

2021). Porém, como destaca Santoro Neto (2021), os dirigentes desportivos da 

época pressionaram tal mandamento legal e isso fez com que a lei sofresse 

alterações substanciais. Assim, no ano de 2000, após essa pressão realizada pelos 

dirigentes dos clubes, foi editada e aprovada a Lei n°9.981, que trouxe a faculdade 

em relação aos clubes desportivos profissionais serem transformados em 

sociedades empresariais.  

E assim, com o passar dos anos, foram realizadas diversas tentativas para 

implementar um modelo empresarial de administração para os clubes desportivos, 

porém, mesmo com todo o empenho, nenhum modelo construído trouxe a devida 

segurança jurídica necessária para que as operações administrativas fossem 

realizadas (SANTORO NETO, 2021). Assim, essas tentativas sem sucesso 

trouxeram um estereótipo de insucesso em relação a tentativa de mercantilização do 

futebol.  

Dentro disso, na busca de formar uma alternativa para o modelo de 

associação dos clubes desportivos, surge a SAF – Sociedade Anônima do Futebol. 

Nesse sentido, Santoro Neto (2021) destaca que a criação desse novo tipo 

societário trouxe um modelo pensado exclusivamente para atender as demandas 

futebolísticas brasileiras. Isso, pois esse novo instituto ofereceu aos clubes novas 

aplicações e ferramentas que colaboram para a arrecadação de recursos no 

mercado, além de ampliar as possibilidades de renegociar dívidas por meio da 

Recuperação Judicial ou Regime Centralizado de Execuções.   

Dentro de toda essa evolução legislativa apresentada anteriormente, torna-se 

necessário conceituar Sociedade Anônima, para isso, Estevam (2021) leciona que é 

um tipo societário com fins de lucro, capital social dividido em ações e, por 

consequência, seus sócios levam o nome de acionistas e a responsabilidade 

adquirida por eles fica limitada ao valor atribuído às ações adquiridas. Nesse 

sentido, em consonância com o autor citado anteriormente, na busca de viabilizar a 

administração de clubes e times de futebol, surge a denominação da “Sociedade 

Anônima Futebolística”, por meio do Projeto de Lei n° 5.516/19. O PL elaborado no 

Senado Federal trouxe a ideia de transformar os atuais clubes associações em 

empresas, ou seja, clubes-empresas.  

Nesse prisma, Maia (2022) expõe ainda que as sociedades se constituem 

com o objetivo de lucro e, juridicamente, possuem uma natureza de direitos e 

obrigações diferenciada, principalmente no que tange ao aspecto tributário. Isso 

ocorre, pois, empresas por conta da natureza jurídica que ocupam pagam mais 

impostos, visto que se voltam para a geração de lucro e receita, que passam a ser 

convertidos em impostos.  

Dentro desse contexto, na busca de apresentar elementos que caracterizam 

esse instituto, a Lei n° 14.193/2021 que é responsável por instituir a SAF e 

regulamentar as demais questões relacionadas, dispõe em seu primeiro artigo:  

Art. 1° Constitui Sociedade Anônima do Futebol a companhia cuja atividade 

principal consiste na prática do futebol, feminino e masculino, em 

competição profissional, sujeita às regras específicas desta Lei e, 

subsidiariamente, às disposições da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 

1976, e da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998 (BRASIL, 2021).  

Nesse sentido, segundo destacado pelo dispositivo legal, para constituir, de 

fato, uma Sociedade Anônima de Futebol, é necessário que os clubes sigam o 

mandamento disposto no caput do artigo. De tal modo, no Brasil, segundo declara 

Estevam (2021), já existem clubes que seguem esse modelo de “clube-empresa”, 

como por exemplo: Red Bull Bragantino, Botafogo de Ribeirão Preto e Grêmio 

Anápolis. Assim, cada um desses clubes estabelece suas próprias diretrizes dentro 

do ramo futebolístico.  

Dentro dessa perspectiva, Estevam (2021) elenca outros atributos e medidas 

que devem ser adotadas pelos clubes ao formarem a SAF. Desse modo, ao se 

tornar uma sociedade anônima, o clube será segmentado em ações que deverão ser 

adquiridas por investidores, tornando-se acionistas do clube. Tais investidores têm a 

mesma margem de responsabilidade dentro do contexto da SAF. Além disso, outra 

característica da Sociedade Anônima do Futebol, é o fato de possuir dois tipos de 

perfil de investidor, sendo eles: o de capital aberto e o de capital fechado. Assim, os 

clubes que possuem capital aberto em sua SAF podem ter suas ações negociadas 

dentro do mercado financeiro, já aqueles em que o capital é fechado não é possível 

essa negociação e por isso as ações ficam retidas na posse dos acionistas 

(ESTEVAM, 2021).  

Nesse sentido, como uma forma de ilustrar a presença da SAF nos clubes de 

futebol brasileiro, é apresentado o quadro 01 que é formado por duas colunas, sendo 

a primeira responsável por informar o nome da agremiação futebolística, e a 

segunda informa a Unidade Federativa na qual se encontra o clube. 

QUADRO 01- Clubes que adotaram o sistema de Sociedade Anônima do Futebol - S.A.F 

Nome do Clube de Futebol 

UF 

Santa Cruz Acre Esporte S.A.F 

Gama Sociedade Anônima de Futebol 

AC 

DF 

Centro Oeste Futebol Clube Sociedade Anônima de Futebol 

GO 

Boston City Futebol Clube Brasil S.A.F 

MG 

A.C Esporte S.A.F 

MG 

América Futebol Clube Sociedade Anônima do Futebol MG 

Cruzeiro Esporte Clube – Sociedade Anônima de Futebol MG 

Itabirito Sociedade Anônima do Futebol MG 

Cuiabá Esporte Clube – Sociedade Anônima do Futebol MT 

Novo Mixto Esporte Clube – Sociedade Anônima de Futebol MT 

Centro Sportivo Paraibano – CSP S.A.F PB 

Flamengo Sport Club de Arcoverde S.A.F PE 

Maringá Futebol Clube S.A.F PR 

Paraná Clube – Sociedade Anônima do Futebol S.A.F PR 

Coritiba Sociedade Anônima do Futebol PR 

Krakatua Futebol – Sociedade Anônima do Futebol PR 

P8 Futebol – Sociedade Anônima de Futebol PR 

S.A.F Botafogo RJ 

Miguel Pereira Esporte Clube – Sociedade Anônima do Futebol RJ 

Vasco S.A.F RJ 

Clube Laguna Sociedade Anônima do Futebol RN 

Clube Futebol com Vida S.A.F RS 

Figueirense Futebol Clube S.A.F SC 

Hercílio Luz Futebol Clube S.A.F SC 

Pinda Futebol Clube Sociedade Anônima de Futebol SP 

Fonte: Elaboração própria  (2022) 

 

         A partir do quadro 1 acima apresentado é possível perceber que muitos times 

de variados estados brasileiros já aderiram a proposta de sociedade anônima e que 

as unidades federativas que possuem maior concentração de clubes S.A.F são 

Minas Gerais e Paraná, ambos com o quantitativo de cinco agremiações 

futebolísticas. Ainda nesse estudo, importa dizer que o Rio de Janeiro possui três 

clubes que contam com essa nova proposta, e os estados de Mato Grosso e Santa 

Catarina, por sua vez, possuem dois clubes neste formato. Os demais estados, 

sendo eles, Acre, Distrito Federal, Goiás, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do 

Norte, Rio Grande e São Paulo, contam apenas com um clube que atende essa 

proposta das Sociedades Anônimas do Futebol.  

  

4 A LEI N° 14.193, DE 6 DE AGOSTO DE 2021 

Tendo em vista as informações estabelecidas anteriormente, esse tópico irá 

abordar a respeito da Lei n° 14.193/2021, que é considerada o marco legal da 

Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Nesse sentido, Santoro Neto (2021) afirma 

que a SAF surge com a discussão proposta pelo Projeto de Lei n° 5.082/2016, de 

autoria do Deputado Federal Otávio Leite, na Câmara dos Deputados. Assim, após 

diversas reuniões e discussões acerca da temática, o projeto deixou de tramitar 

nesta casa. Em 15 de junho de 2021, sob a autoria do Senador Federal Rodrigo 

Pacheco, surge um novo panorama em relação ao assunto, por meio do Projeto de 

Lei n° 5.516/2019 (SANTORO NETO, 2021).  

Dentro dessa premissa, Santoro Neto (2021) destaca que uma das principais 

preocupações em relação a esse novo modelo e que foi até registrado em sede de 

parecer pelo relator do Projeto de Lei, Senador Carlos Portinho, foi em saber a 

opinião dos indivíduos que seriam afetados com a transformação do PL em Lei. 

Nesse sentido, buscou-se ouvir os pareceres e opiniões de advogados dos clubes 

desportivos, advogado de credores e também os magistrados.  

De acordo com o exposto por Santoro Neto (2021), os vetos em relação ao 

dispositivo legal foram realizados no que tange a obrigação de transparência por 

parte dos investidores em relação ao ingresso à sociedade, a isenção de tributação 

no que diz respeito ao imposto de renda dos rendimentos da aplicação de recursos e 

ao regime tributário específico. Em relação a esse último, o autor ainda salienta que 

é importante dizer que ele veio a ser aprovado posteriormente, por conta de pressão 

exercida pelos membros do Congresso Nacional. 

Dentro desse cenário, como é destacado por Santoro Neto (2021), o conceito 

de “clube-empresa” não se pode confundir com a Sociedade Anônima do Futebol, 

quanto ao conteúdo da Lei nº 14.193/21, isto é, a transformação dos clubes em 

sociedades comerciais já é prevista pela lei brasileira desde 1993, tendo atualmente 

previsão pela Lei nº 9.615/98. A SAF, se apresenta como um modelo societário, 

fundado para entidades de prática desportiva com o advento da nova Lei. 

A partir dessas considerações, é necessário iniciar a partir desse ponto um 

estudo preliminar acerca da Lei da SAF. Dentro disso, logo no primeiro artigo do 

dispositivo legal em comento apresenta-se o conceito da Sociedade Anônima de 

Futebol, que é entendida como a companhia em que a principal atividade exercida é 

a prática do futebol em competição profissional, seja na modalidade masculina ou 

feminina (BRASIL, 2021). Além desse conceito, o artigo primeiro ainda dispõe que 

além da Lei n° 14.193/21, a SAF também será regida de maneira subsidiária pelas 

Leis n° 6.404/76 n° 9.615/98. 

Nesse prisma, o parágrafo segundo, do artigo primeiro, da Lei n° 14.193/2021 

trata acerca do objeto social da SAF. Nesse sentido, a Sociedade Anônima do 

Futebol poderá desempenhar as seguintes atividades:  

I - o fomento e o desenvolvimento de atividades relacionadas com a prática 

do futebol, obrigatoriamente nas suas modalidades feminino e masculino;II - a 

formação de atleta profissional de futebol, nas modalidades feminino e 

masculino, e a obtenção de receitas decorrentes da transação dos seus 

direitos desportivos;III - a exploração, sob qualquer forma, dos direitos de 

propriedade intelectual de sua titularidade ou dos quais seja cessionária, 

incluídos os cedidos pelo clube ou pessoa jurídica original que a constituiu;” 

“IV - a exploração de direitos de propriedade intelectual de terceiros, 

relacionados ao futebol; V - a exploração econômica de ativos, inclusive 

imobiliários, sobre os quais detenha direitos;VI - quaisquer outras atividades 

conexas ao futebol e ao patrimônio da Sociedade Anônima do Futebol, 

incluída a organização de espetáculos esportivos, sociais ou culturais;VII - a 

participação em outra sociedade, como sócio ou acionista, no território 

nacional, cujo objeto seja uma ou mais das atividades mencionadas nos 

incisos deste parágrafo, com exceção do inciso II. (BRASIL, 2021) 

Outro ponto de destaque ao tratar dessa legislação é que como disposto no 

art. 1º, §3º, da Lei n° 14.193/2021, a nomenclatura da Sociedade Anônima do 

Futebol terá que conter a expressão “Sociedade Anônima do Futebol” ou “SAF”.  

Nesse sentido, de acordo com o lecionado por Moraes Filho (1960), é 

importante destacar que ao conceito que se refere a sucessão trabalhista é 

presumido como a transferência da titularidade da empresa ou do grupo societário, 

nesse caso os clubes de futebol. Desse modo, com essa transmissão, também são 

repassados os créditos e há a assunção de dívidas pelo sucessor. O autor ainda 

dispõe que no cenário anterior à vigência da reforma trabalhista, as questões 

sucessórias eram disciplinadas por meio de dois dispositivos legais contidos na 

Consolidação das Leis do Trabalho, quais sejam os artigos 10 e 448. Assim, ambas 

as disposições legais prestigiam o fenômeno do direito adquirido, de forma 

independente de qualquer tipo de alteração ocorrida na estrutura jurídica da 

empresa.  

Nesse sentido, a regra disposta na CLT, sempre possuiu ligação direta com a 

preservação dos direitos conquistados no decorrer da relação de emprego, de modo 

que não havia nenhum tipo de interferência para o empregado em relação a 

alteração da forma societária da pessoa jurídica que assumia o papel de 

empregadora. Tal discussão constitui, justamente, o entendimento que consta na 

Orientação Jurisprudencial n° 261 construído pelo Tribunal Superior do Trabalho:  

As obrigações trabalhistas, inclusive as contraídas à época em que os 

empregados trabalhavam para o banco sucedido, são de responsabilidade do 

sucessor, uma vez que a estes foram transferidos os ativos, as agências, os direitos 

e deveres contratuais, caracterizando típica sucessão trabalhista. (BRASIL, 2002).  

Dentro desse raciocínio, Moraes Filho (1960), conclui que a responsabilidade 

integral do sucessor é operada em face, não só das relações contratuais de trabalho 

em curso, mas também em relação aos rescindidos. Desse modo, nas palavras do 

autor: “fica o sucessor inteiramente responsável por todos os direitos adquiridos 

durante a vigência anterior do contrato. Mesmo para os contratos já rescindidos pelo 

antigo empregador, inexistentes no momento do trespasse, fica privativamente 

responsável o adquirente do negócio” (MORAES FILHO, 2021).  

Em síntese, com relação ao pensamento dissertado pelo autor, na prática, é 

como se não houvesse a sucessão do estabelecimento empresarial, por conta disso, 

o novo titular é sub-rogado em todos os direitos, deveres e obrigações deixados por 

seu antecessor.  

Assim, as relações jurídicas, sejam elas passadas ou presentes, continuam a 

permanecer como sempre foram, o mesmo vale em relação aos seus efeitos, todas 

as relações de débitos que foram constituídas antes da cessão são transferidas 

absolutamente ao sucessor. Diante disso, quem assume a posição de “novo 

empresário”, ocupa a posição precedente deixada pelo antecessor e para ele se 

passam todas as questões e fatos inerentes à conclusão e execução de obrigações 

do estabelecimento empresarial.  

Importa ressaltar que a Lei n° 13.467/2017, por seu turno, trouxe diversas 

inovações em seu texto legal, sendo que aqui será tratado acerca de duas principais. 

A primeira diz respeito à inserção do artigo 10-A, que trata de modo exclusivo sobre 

a responsabilidade subsidiária que cabe ao sócio retirante. Já a segunda, por sua 

vez, disposta no artigo 448-A da CLT, trata sobre a responsabilidade do sucessor 

pelas dívidas que são contraídas em momento anterior ao da constituição da 

empresa sucessora. 

5 CONSTITUIÇÃO DA SAF 

No art. 2° da Lei n° 14.193/2021 são previstas três possibilidades para a 

constituição da SAF, sendo elas:  

Art. 2º A Sociedade Anônima do Futebol pode ser constituída: I - pela 

transformação do clube ou pessoa jurídica original em Sociedade Anônima 

do Futebol; II - pela cisão do departamento de futebol do clube ou pessoa 

jurídica original e transferência do seu patrimônio relacionado à atividade 

futebol; III - pela iniciativa de pessoa natural ou jurídica ou de fundo de 

investimento (BRASIL, 2021). 

A partir do estudo do texto legal citado anteriormente, logo no inciso primeiro 

trata-se da formação das sociedades por meio da transformação do clube ou pessoa 

jurídica em Sociedade Anônima de Futebol. Nesse sentido, Santoro Neto (2021) 

dispõe que o clube desportivo deixa de existir por conta da transformação prevista 

no texto legal, com isso há a transferência de todo acervo patrimonial para a nova 

Sociedade que passou a existir.  

Seguindo a análise legal, o segundo inciso evidencia que a Sociedade 

Anônima de Futebol pode ser constituída pela cisão, ou seja, pela divisão do 

departamento de futebol do clube ou pessoa jurídica. Nesses casos, a lei também 

prevê a transferência patrimonial que tem relação com a atividade futebolística.  

Desse modo, Santoro Neto (2021) destaca ainda que no caso em que o agente tem 

a pretensão de manter a associação civil sem fins lucrativos ou a pessoa jurídica, 

deverá fazer opção por essa operação de cisão em face da transformação, no 

momento em que essa deixa de existir para que seja criada uma nova personalidade 

jurídica.  

Dentro dessa discussão, convém dizer que a cisão é a ferramenta adequada 

quando se pretende separar o patrimônio entre a associação sem fins lucrativos ou 

pessoa jurídica das sociedades anônimas. No entanto, Santoro Neto (2021) ressalta 

que a lei traz uma definição em relação a essa operação de obrigatoriedade de 

transferir os ativos para a nova sociedade constituída. Um exemplo dos ativos que 

devem ser repassados são: o direito de exclusividade de participar de competições, 

copas ou torneios nas mesmas condições em que o clube ou pessoa jurídica original 

se encontrava, relações de contratos firmadas com os atletas profissionais de 

futebol, o uso de imagem ou qualquer outro contrato que venha a possuir vínculo 

com a prática futebolística (SANTORO NETO, 2021).  

Para tanto, Santoro Neto (2021) ainda destaca que a Lei da SAF, em seu 

inciso terceiro, do artigo segundo, também prevê a possibilidade das Sociedades 

Anônimas de Futebol serem constituídas por meio da iniciativa de pessoa natural ou 

jurídica ou de fundo de investimento. Ou seja, de acordo com esse dispositivo legal, 

a SAF pode ser constituída “do zero”, não dependendo da existência de associação 

10 

ou de pessoa jurídica anterior. Assim, o clube ou entidade de prática esportiva já é 

criada como Sociedade Anônima do Futebol.  

6 AS AÇÕES DE CLASSE A  

Segundo declara Santoro Neto (2021), a transformação das associações civis 

sem fins lucrativos em sociedades empresariais, é a possibilidade de perda da 

identidade do clube, como nome, cores e escudos. Estes atributos fazem parte da 

história, constituídos ao longo de anos e anos em processo centenário, e fazem 

parte de um acervo que representa efetivamente a identificação entre o torcedor e o 

seu time de coração. Desse modo, o autor supramencionado descreve ainda que na 

intenção de proteger a identidade dos clubes que praticam futebol profissionalmente, 

a Lei 14.193/21, em seu art. 2º, §2º, 3º, 4º e 5º, veio a estabelecer regras para evitar 

que essa violação venha a operar quando uma SAF for constituída, mediante a 

criação de “ações de classe A”, de titularidade do clube ou pessoa jurídica original 

que a constituiu. 

Nesse contexto, voto afirmativo do titular de ações ordinárias de classe A foi a 

hipótese de proteção conferida pela Lei, para deliberar certos temas específicos, 

representando um direito de veto conferido à entidade original, preconizados no §3º, 

do art. 2º (SANTORO NETO,2021). Este modelo de divisão de ações em classes, 

como afirma Santoro Neto (2021) é ferramenta frequente quando das Sociedades 

Anônimas de um modo geral, na edição do Estatuto Social ou quando os acionistas 

buscam acordo para dispor uma não previsibilidade no documento de constituição 

original da Sociedade. 

Dentro desse contexto, Santoro neto (2021) destaca ainda que situações que 

também foram trazidas no cenário que assegurou a proteção da identidade da 

entidade de prática desportiva profissional, proporcionando aos detentores de ações 

de classe A, de forma independente, o valor que elas representem no capital social 

da SAF, podendo vetar por meio de assembleia ou qualquer outro órgão societário 

se a definição tiver como fim a modificação da denominação, alterações dos signos 

identificativos da equipe de futebol profissional, acrescentado brasão, marca, 

símbolos, hino, cores e mudança de sede para outro Município. Para evitar a 

supressão das ações de titularidade do clube ou pessoa jurídica original, ainda, o 

§6º estabelece que qualquer operação que tenha como escopo a alteração no seu 

status quo, incluindo-se a extinção, dependerá de aprovação prévia do próprio titular 

das ações.    

Desse modo, como declara Santoro Neto (2021), na observância de 

assegurar a referida proteção, a Lei criou um sistema de “freios e contrapesos”, 

permitindo ao titular das ações de classe A da Sociedade Anônima do Futebol, 

constituída o poder de decidir a deliberação ou não de questões que poderão ser 

prejudiciais à identificação do torcedor, pelo seu time de coração, visto que se trata 

de uma relação fundamental para o sucesso do “produto” futebol.  

Por fim, como confirma Santoro Neto (2021), a proteção garantida pela Lei se 

transparece como uma forma de sistema de freio e contrapesos, ao permitir que o 

titular da classe A, tanto da Sociedade Anônima do Futebol tem o poder de deliberar 

sobre assuntos que eventualmente possam prejudicar a identificação do torcedor, 

com o “time de coração”, protegendo esta relação que, em última análise, é 

fundamental para o sucesso do futebol enquanto produto”. 

11 

7 CONCLUSÃO 

Por meio do presente estudo, ficou perceptível que o esporte, principalmente 

o futebol, é caracterizado como um produto economicamente explorável dentro de 

um sistema capitalista. Desse modo, os clubes que oferecem resistência a essa 

perspectiva carecem de um pensamento mais racional acerca do desempenho das 

atividades desportivas. Nesse contexto, visto a evolução da comercialização no 

futebol, é impossível pensar na atividade futebolística sem associá-la às grandes 

negociações financeiras dos craques, dos contratos de patrocinadores e negociação 

de direitos de transmissão.  

Dentro dessa discussão, o papel estatal diz respeito a criação de mecanismos 

e ferramentas que viabilizem a expansão econômica dos clubes para que operem de 

forma mais eficaz e dentro da perspectiva da segurança jurídica, fato que atribui 

crédito para as negociações realizadas dentro do mercado futebolístico e também é 

capaz de angariar mais investimentos, principalmente no que diz respeito à iniciativa 

privada.  

É nesse sentido que a Lei n° 14.193/2021 é criada e interpretada como um 

marco legal para o futebol no Brasil, viabilizando a profissionalização dos agentes 

envolvidos na gestão do esporte, facilitar a criação de um mercado para o futebol, 

promover a reeducação financeira e monetária. Todas essas mudanças e inovações 

trazidas por esse dispositivo legal são baseadas nos princípios da governança, 

transparência e emancipação do Estado assistencialista.  

Assim, dentro da lógica de concorrência inserida no modelo capitalista, é 

natural um clube arrecadar mais receita do que outro, isso ocorre por diversos 

fatores, principalmente pela quantidade de adeptos e investidores associados ao 

clube desportivo. No entanto, mesmo com a discrepância que existe entre o número 

de torcedores das equipes, a perspectiva é que com a criação de um novo cenário 

para o mercado do futebol, os investimentos sejam mais efetivos e, por isso, não 

serão realizados apenas por uma parcela mínima de clubes.  

O esperado é que a concorrência entre as equipes sofra uma intensificação, 

principalmente a partir da possibilidade de maiores investimentos dentro do futebol 

no Brasil. Tais contribuições financeiras permitem que o nível das competições 

sejam mais elevados, de modo que a prática futebolística e os eventos que 

acontecem nessa modalidade sejam ainda mais valorizados.  

Desse modo, o presente artigo teve como principal objetivo expor sobre a 

Sociedade Anônima do Futebol e seu marco legal, a Lei n° 14.193, de 6 de agosto 

de 2021, com foco principal no direito empresarial desportivo. Dentro dessa 

discussão, retratar sobre o tema foi de grande valia, visto que essa sociedade 

futebolística é interpretada como uma nova possibilidade de minorar o problema 

administrativo e econômico enfrentado pelos clubes nos últimos anos. Chega-se a 

essa conclusão, pois a finalidade da SAF é transformar os clubes constituídos como 

associações em clube empresa, independentemente da situação financeira em que 

se encontra.  

Ademais, os aspectos metodológicos utilizados na confecção deste trabalho, 

destaca-se que a pesquisa foi construída com base em uma revisão de literatura. 

12 

Desse modo, utilizou-se como base artigos e estudos publicados que tratavam 

acerca da SAF, assim como a Lei n° 14.193/2021 que instituiu esse projeto de 

gerência e administração dos clubes de futebol.  

Assim, é possível concluir que para que o esporte, principalmente o futebol, 

continue no caminho de evolução dentro do espectro político brasileiro é de suma 

importância a atuação estatal para a criação de um novo mercado que seja capaz de 

trazer fortalecimento para o produto futebolístico. Desse modo, a partir dessa nova 

perspectiva mercantil os incentivos se tornam mais atraentes em relação à iniciativa 

privada que vai direcionar seu desempenho em criar mecanismos que maximizem os 

investimentos provenientes de diversos meios, sendo o principal dentre todos os 

outros a monetização da prática do futebol.  

REFERÊNCIAS  

BRASIL. Lei n° 14.193, de 6 de agosto de 2021. Institui a Sociedade Anônima do 

Futebol e dispõe sobre normas de constituição, governança, controle e 

transparência, meios de financiamento da atividade futebolística, tratamento dos 

passivos das entidades de práticas desportivas e regime tributário específico; e 

altera as Leis nºs 9.615, de 24 de março de 1998, e 10.406, de 10 de janeiro de 

2002 (Código Civil). Brasília: Presidência da República [2021]. Disponível em: 

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14193.htm. Acesso em: 

10 jul. 2022.  

BRASIL, Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017.Altera a Consolidação das Leis do 

Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e as 

Leis n º 6.019, de 3 de janeiro de 1974, 8.036, de 11 de maio de 1990, e 8.212, de 

24 de julho de 1991, a fim de adequar a legislação às novas relações de trabalho. 

Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm. 

Acesso em: 09 jul. 2022. 

BRASIL, Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998. Institui normas gerais sobre 

desporto e dá outras providências. Disponível em: 

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9615consol.htm.  Acesso em: 09 jul. 2022.  

BRASIL, Lei no 9.981, de 14 de julho de 2000.Altera dispositivos da Lei no 9.615, 

de 24 de março de 1998, e dá outras providências. Disponível em: 

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9981.htm. Acesso em: 09 jul. 2022.  

BRASIL, Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades 

por Ações. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm. 

Acesso em: 09 jul. 2022.  

ESTEVAM, Nathan de Souza. Sociedade anônima futebolística aplicada aos 

clubes no Brasil. Universidade Evangélica de Goiás, 2021. Disponível em: 

http://repositorio.aee.edu.br/jspui/handle/aee/18278. Acesso em: 09 jul. 2022.  

MAIA, Gustavo Romão. Direito desportivo: o advento das saf (sociedade 

anônima de futebol) e a criação de um modelo de gestão empresarial no 

futebol brasileiro. 2022. Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Disponível em: 

https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/bitstream/123456789/3965/2/TCC%20GUST

 AVO%20ROMA%cc%83O.pdf. Acesso em: 10 jul. 2022.  

13 

MORAES FILHO, Evaristo de. Sucessão nas obrigações e a teoria da empresa. 

vol. 2. Rio de Janeiro: Forense, 1960. 

SANTORO NETO, Giovanni. A sociedade anônima do futebol (SAF) e a 

monetização da paixão. Repositório Universitário da Ânima, 2021. Disponível em: 

https://repositorio.animaeducacao.com.br/handle/ANIMA/18621. Acesso em: 10 jul. 

2022.  

EL KHATIB, Ahmed Sameer. Impacto do Fair Play Financeiro nos honorários de 

auditoria: uma análise dos clubes de futebol. RC&C Revista Contabilidade e 

Controladoria, Curitiba, v. 13, n. 1, p.8-27, jan./abr. 2021. Disponível em: 

https://revistas.ufpr.br/rcc/article/view/73936/43458. Acesso em: 10 jun. 2022. 

Espanhóis. RC&C -Revista Contabilidade e Controladoria, Curitiba, v. 13, n. 1, 

p.8-27 , jan./abr. 2021. Disponível em: 

https://revistas.ufpr.br/rcc/article/view/73936/43458. Acesso em: 10 jun. 2022. O artigo dos autores Celito Bahiense Barreira 

Graduando em direito pela Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim 

celitobarreira@hotmail.com 

Henrique Nelson Ferreira 

Professor na Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim, Advogado, 

Especialista em Direito da Economia e da Empresa - 

FGV/RJ.hnelsonferreira@gmail.com

Uma empresa privada é uma organização comercial de propriedade de indivíduos, acionistas ou investidores privados, que opera fora do controle estatal. O principal objetivo de uma empresa privada é gerar lucro para seus proprietários, contrastando com as empresas públicas (do governo) que visam o bem-estar social. Elas podem ter ações, mas não são negociadas em bolsas de valores. 

Características principais

Propriedade: O capital é detido por pessoas físicas ou jurídicas privadas.

Objetivo: Visa o lucro contínuo para seus donos, sócios ou acionistas.

Controle: A direção está diretamente ligada aos seus proprietários ou acionistas.

Ações: Pode emitir ações, mas estas não são negociadas publicamente em bolsas de valores. Muitas vezes, há restrições na transferência de ações para manter o controle com poucos.

Relação com o estado: Paga impostos ao governo, mas não está sob sua tutela. 

Exemplos

Supermercados, restaurantes e padarias

Aplicativos de entrega como iFood e Rappi

Empresas de tecnologia e serviços

Empresas de varejo e atacado  Segundo a Mestre  e Publicitária Gloria Tenório Negrelos, no  Terceiro Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

Em um clube como o Corinthians. A SAF tem riscos. Mas o alvinegro não mais sobrevive como clube esportivo.

Confira os campeões de todos os campeonatos de futebol no Brasil e no mundo. No Site campeões do futebol.   https://www.campeoesdofutebol.com.br/competicoes.html

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Imagem ; LANCE 










 



 



 





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Fator econômico .

                 

           

O fator econômico é fundamental para a sobrevivência e competitividade dos clubes de futebol, influenciando diretamente o desempenho em campo. A saúde financeira dos times é determinada pela sua capacidade de gerar receitas e gerir despesas de forma eficiente, algo que ainda é um grande desafio para muitos clubes brasileiros, que frequentemente acumulam dívidas significativas. 

Principais fontes de receita

Direitos de transmissão: Representam a maior fonte de renda para a maioria dos clubes brasileiros, superando até mesmo a venda de jogadores. Esses valores vêm de contratos com empresas de comunicação que transmitem os jogos.

Negociação de jogadores: A venda de atletas é crucial para a saúde financeira dos clubes, especialmente os de menor porte. A porcentagem de receita gerada pode variar entre 10% e 30% do faturamento total. O desenvolvimento de novos talentos nas categorias de base é uma estratégia importante para garantir essa receita.

Publicidade e patrocínios: Acordos com patrocinadores e fornecedores de material esportivo geram valores significativos para os clubes.

Receitas de match day: Incluem a bilheteria e a exploração do estádio. Em 2023, o Flamengo liderou as maiores rendas de bilheteria do Campeonato Brasileiro.

Programas de sócio-torcedor: A participação dos torcedores nos programas de sócio-torcedor tem se mostrado fundamental para as finanças dos clubes. Em 2023, a receita com sócios-torcedores da Série A cresceu 72%, com Corinthians, Flamengo, Internacional, Grêmio e Palmeiras sendo os principais arrecadadores. 

Desafios e desafios financeiros

Endividamento: Muitos clubes brasileiros lutam contra altas dívidas, que podem comprometer a estabilidade financeira e a capacidade de investimento. Em 2025, o Corinthians liderou o ranking dos clubes mais endividados do Brasil, seguido por Atlético Mineiro, Cruzeiro, Vasco e São Paulo.

Custo de pessoal: Salários de jogadores e comissão técnica representam uma das maiores despesas dos clubes. Uma má gestão desses custos pode levar a déficits financeiros.

Gestão financeira ineficiente: A falta de organização financeira e a dependência de receitas não recorrentes, como a venda de jogadores, para cobrir custos operacionais recorrentes, é um problema comum. 

Tendências e inovações econômicas

Sociedade Anônima do Futebol (SAF): A criação da SAF permite que os clubes se transformem em empresas, com ações que podem ser adquiridas por investidores. Esse modelo atrai capital externo e pode melhorar a gestão financeira, mas sua eficácia depende da administração.

Diversificação de receitas: Há um crescente esforço para diversificar as fontes de receita, explorando o potencial de marketing digital e novas parcerias comerciais.

Fair play financeiro: A CBF tem trabalhado na implementação de um modelo de fair play financeiro para promover uma gestão mais responsável entre os clubes. Segundo especialistas nos veiculos de imprensa no Brasil.

Confira o artigo dos autores MARKE GEISY DA SILVA DANTAS 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

YURI GOMES PAIVA AZEVEDO 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

CHRISTIANE LARISSA DUARTE DO NASCIMENTO 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte na Universidade de São Paulo.

 Influência dos Fatores Financeiros e Esportivos Sobre o Valor dos Clubes de Futebol 

Brasileiros 

MARKE GEISY DA SILVA DANTAS 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

YURI GOMES PAIVA AZEVEDO 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

CHRISTIANE LARISSA DUARTE DO NASCIMENTO 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

Resumo 

O presente estudo tem como objetivo investigar quais são as variáveis financeiras e esportivas 

que influenciam no valor dos clubes de futebol brasileiros mais valiosos de acordo com a 

pesquisa da BDO RCS (2015), justificando-se pelo aprofundamento em uma esfera dos 

estudos do mercado de futebol até então pouco explorada, que é o valor dos clubes de futebol 

brasileiros, bem como a sua relação com as variáveis financeiras e esportivas. Para investigar 

essa relação, foram coletados dados da BDO RCS (2015), que elenca os clubes de futebol 

mais valiosos no Brasil, bem como das demonstrações contábeis dos clubes futebol no 

período de 2011 a 2014, sendo a amostra da pesquisa composta por 24 times, tendo em vista a 

exclusão de seis clubes que não tinham dados disponíveis ou foram considerados outliers 

através da análise do boxplot. No modelo proposto, o Q de Tobin foi utilizado como proxy 

para o valor dos clubes, sendo utilizada, através do pacote estatístico Gretl 2015®, a regressão 

linear múltipla para tratamento dos dados. Dentre os principais resultados, observa-se que as 

variáveis “ranking CBF”, “grau de endividamento” e “custo/receita” apresentaram-se 

estatisticamente significativos para explicar o valor dos clubes de futebol brasileiros, 

diferentemente das variáveis “retorno sobre ativos”, “primeira divisão” e “liquidez corrente”, 

que não apresentaram-se significantes ao nível de 5%. Dessa forma, percebe-se que os clubes 

que possuem maior pontuação de acordo com a convenção do ranking nacional de clubes, 

bem como que apresentam maiores índices de endividamento e menor relação “custo/receita” 

são mais valorizados no mercado. 

Palavras chave: Valor dos Clubes, Clubes de Futebol Brasileiros, Q de Tobin. 

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1 Introdução 

Considerado como o esporte mais popular do mundo, de acordo com Nicolau (2011), o 

futebol têm-se tornado cada vez mais profissional, tendo em vista o crescimento das receitas 

na comercialização de produtos relacionados aos times nos últimos 20 anos, bem como da 

concessão de direitos de mídia e merchandising, em comparação com décadas anteriores 

(Gerhards & Mutz, 2016). 

Por estarem crescendo mais que outros tipos de negócios nas últimas décadas, conforme 

descrevem Ecer e Boyukaslan (2014), verifica-se que a indústria do futebol vem sofrendo 

mudanças significativas, tendo em vista que as equipes tornaram-se negócios competitivos, 

em que os custos dos clubes, a divulgação na mídia e o número de fãs-consumidores 

cresceram substancialmente, impactando cada vez mais na criação de valor dos clubes de 

futebol (Capasso & Rossi, 2013). 

No tocante à criação de valor, Freeman, Harrison, Wicks, Parmar e De Colle (2010) 

descrevem que os clubes estão sujeitos às mesmas pressões que outras organizações, como 

objetivos relacionados à busca de eficiência e sustentabilidade financeira. Nessa perspectiva, 

Frick (2007) complementa, descrevendo que o valor de um clube de futebol é composto por 

seus ativos tangíveis, como estádios e equipamentos, bem como pelos ativos intangíveis, os 

quais são constituídos principalmente pelos valores individuais dos jogadores de futebol.  

Levando em consideração que os clubes de futebol são companhias semelhantes às 

grandes empresas em relação à estrutura de ativos (Yang & Sonmez, 2005), percebe-se que os 

clubes de futebol no Brasil diferenciam-se de clubes de outros países, tendo em vista que os 

times brasileiros, em sua maioria, são associações sem fins lucrativos, enquanto que no 

mercado internacional, alguns clubes são listados na Bolsa de Valores, conforme evidenciam 

Capasso e Rossi (2013). 

No futebol brasileiro, cada clube possui características particulares que influenciam na 

criação de valor dos mesmos, denominadas pela BDO RCS (2015) como variáveis 

mercadológicas, tendo em vista os diferentes perfis de torcida, desenvolvimentos das receitas, 

marcas e características dos mercados em que estão localizados. No entanto, apesar da 

importância de investigar os fatores que influenciam no valor dos clubes de futebol, percebe

se que os únicos ensaios realizados na área foram os de Scelles, Helleu, Durand e Bonnal 

(2013) e Scelles, Helleu, Durand e Bonnal (2016), que identificaram os determinantes do 

valor dos clubes Europeus. 

Dessa forma, percebe-se que a literatura acerca dos determinantes do valor de clubes é 

mais extensa quando trata-se de participantes da Major League Baseball (MLB), National 

Basketball Association (NBA), National Hockey League (NHL) e National Football League 

(NFL), tendo em vista os estudos realizados por Alexander e Kern (2004), Miller (2007), 

Humphreys e Mondello (2008), Miller (2009) e Ulrich (2011), sendo as primeiras pesquisas 

realizadas nos Estados Unidos, conforme evidenciam Scelles et al. (2016). 

Considerando, então, a incipiência de estudos que investiguem os determinantes do 

valor dos clubes de futebol, principalmente no contexto nacional, bem como pelo desempenho 

econômico, financeiro e esportivo de um clube de futebol gerar impacto em seu valor, o 

presente estudo tem como objetivo investigar quais são as variáveis esportivas e financeiras 

que influenciam significativamente na geração de valor dos clubes mais valiosos do futebol 

brasileiro.  

Nesse sentido, esta análise de valor dos clubes brasileiros de futebol é desenvolvida 

com base em dois grupos de variáveis: as variáveis financeiras e esportivas. Ademais, a BDO 

RCS (2015) enfatiza que o uso de dados financeiros, pesquisas com o torcedor, informações 

de marketing esportivo de cada clube, dados econômicos e sociais dos brasileiros, como os 

hábitos de consumo dos torcedores são variáveis indispensáveis na avaliação das marcas de 

tais clubes.  

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A presente pesquisa justifica-se pelo aprofundamento em uma esfera dos estudos do 

mercado de futebol até então pouco explorada, que é o valor dos clubes de futebol brasileiros, 

bem como a sua relação com as variáveis financeiras e esportivas que influenciam na geração 

de valor. De forma complementar, esta pesquisa contribui com o processo de gestão dos 

clubes de futebol, buscando o entendimento dos aspectos que influenciam este esporte e gera 

a maximização dos resultados financeiros. 

O estudo está estruturado em cinco sessões. Na próxima seção, encontra-se o referencial 

teórico, que aborda aspectos relacionados ao mercado de futebol, como os direcionadores de 

valor dos clubes, além dos estudos recentes relacionados à área. A terceira apresenta a 

metodologia utilizada para a análise de dados. Na quarta tem-se a análise dos resultados 

obtidos, para, em seguida, na quinta parte, apresentar as considerações finais, onde foram 

evidenciadas as constatações do estudo, também apresentando sugestões para futuros 

trabalhos. 

2 Referencial Teórico 

2.1 Direcionadores de Valor dos Clubes de Futebol 

Atualmente, o futebol não é mais visto apenas como um esporte, e sim como uma 

grande indústria de entretenimento capaz de gerar bilhões de dólares em bilheterias, 

patrocínios, na compra e venda de jogadores, entre outras formas de arrecadar recursos 

(Dantas & Boente, 2012). Nessa perspectiva, Silva e Campos (2006) evidenciam que o 

futebol mundial movimenta cerca US$ 250 bilhões por ano, sendo o Brasil responsável por 

aproximadamente 1% desse valor.  

De acordo com uma pesquisa da Forbes (2016a), o Real Madrid foi eleito como o clube 

mais valioso do mundo, pelo quarto ano consecutivo, chegando à US$ 3,65 bi, valor 12% 

maior que no ano passado. A pesquisa ainda destaca que o Barcelona aproxima-se ao Real 

Madrid, com o valor de US$ 3,55 bi, também com crescimento de 12% quando comparado 

com o valor de 2015. Entretanto, apesar de se destacarem como celeiros de craques, os clubes 

brasileiros não alcançam esse nível, fato evidenciado por Tavares (2009), que afirma que a 

maioria dos clubes de futebol brasileiros se tornaram menos capazes de competir com os 

países desenvolvidos, por serem desestruturados e amadores, e pela incapacidade de reter 

grandes talentos por um período suficiente para se montar um time competitivo e conquistar 

títulos.  

Dantas (2013) consolida tal realidade ao afirmar que os aspectos econômicos dos clubes 

brasileiros há tempos atrás não eram explorados, que não havia uma preocupação com a 

gestão dos clubes como nos países da Europa. Silva e Campos (2006) complementam, 

descrevendo que os resultados obtidos no esporte em outros países como EUA, Inglaterra, 

Itália, Espanha e Alemanha sugerem que o Brasil está atrasado em sua gestão profissional. Na 

visão dos autores, o futebol Europeu avançou muito em comparação ao Brasileiro, pois o seu 

governo e os administradores europeus do futebol adiantaram o conceito de profissionalização 

e formularam leis que forneceram maior segurança e estímulo ao torcedor.  

No âmbito brasileiro, segundo pesquisa da Forbes (2016b), o Corinthians é o clube mais 

valioso. Com valor estimado em quase US$ 532,7 milhões, ele é também o clube que mais 

vende seus espaços de patrocínio. O Palmeiras e o Grêmio seguem atrás, avaliados por US$ 

480,1 milhões e US$ 320,9 milhões, respectivamente. Dessa forma, observa-se que os clubes 

brasileiros estão longe de aproveitar todo o seu potencial, se comparado aos clubes mais 

valiosos do mundo citados anteriormente.  

De acordo com Perruci (2006), os clubes que apresentam melhores resultados 

esportivos e financeiros são aqueles que utilizam sistemas de gestão baseados nos princípios 

da administração. Porém, a aplicação de tais modelos não garante que os clubes de futebol 

profissionais brasileiros tenham superioridade técnica-esportiva e financeira em relação aos 

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demais. De forma complementar, os autores evidenciam, no tocante ao aspecto econômico 

dos clubes de futebol, que o seu êxito se deve a vários fatores além das políticas de gestão 

profissional ou o desempenho nos gramados, como o tamanho da sua torcida, pois esta 

influencia todas as suas fontes de receita.  

Dentre os direcionadores relacionados à criação de valor dos clubes de futebol, Zagnoli 

e Radicchi (2010) consideram que os torcedores são de importância central para a criação de 

valor, levando em consideração a presença nos jogos, bem como a aquisição de produtos 

oficiais. Além disso, considera-se que os torcedores também são importantes na criação de 

valor dos clubes, tendo em vista que, além da fidelização no consumo de produtos registrados 

e comparecimento nos jogos, eles atraem novos torcedores.  

Segundo Pereira (2013), sem dúvida é importante estudar e interpretar os torcedores dos 

clubes com a finalidade de desenvolver estratégias que satisfaçam eficientemente as suas 

expectativas, sendo fundamental perceber quais são as suas motivações e quais as variáveis 

que determinam seu perfil. Entretanto, os autores ressaltam também que o envolvimento dos 

adeptos com os seus clubes não é homogêneo, muito menos estático, pelo contrário, é 

resultado de um processo de desenvolvimento da intensidade, do apoio, do conhecimento e da 

identidade, com diferentes antecedentes, manifestações e consequências em cada indivíduo. 

A Copa do Mundo de 2014, na qual o Brasil foi a sede, gerou vários benefícios 

econômicos. De acordo com Domingues, Betarelli e Magalhães (2011), tais benefícios dizem 

respeito, por exemplo, às obras de infraestrutura urbana e a construção de 12 estádios 

espalhados pelo Brasil de alta qualidade. Assim, tal fato incentivou a ida dos torcedores aos 

estádios para prestigiar os jogos de perto.  

Assim, um dos fatores que podem influenciar diretamente no valor dos clubes de 

futebol é a qualidade de seus estádios, confirmando, assim, a perspectiva de Scelles et al. 

(2013) e Scelles et al. (2016), que evidenciam que quanto maior a idade do estádio, menor a 

criação de valor nos clubes europeus. 

Além desse direcionador de valor, destacam-se os atletas, tendo em vista que, segundo 

Rowbottom (2002), o registro dos direitos dos jogadores é considerado um dos principais 

bens dos clubes de futebol. Nessa perspectiva, Dimitropoulos e Koumanakos (2015) 

evidenciam que o investimento em jogadores de futebol, representado pelo ativo intangível 

capital humano, possibilita agregar valor ao clube, otimizando, assim, seu desempenho 

econômico-financeiro. De forma complementar, Scelles et al. (2016) demonstram que o valor 

dos jogadores que atuam nos clubes é significativo para a criação de valor das equipes. 

De forma complementar à criação de valor pelo aumento de público nos estádios e 

campanhas de publicidade, de forma geral, também observa-se que o investimento nos 

jogadores propicia criar valor através da venda de jogadores para o mercado exterior, tendo 

em vista que, de acordo com Magee e Sungden (2002) e Poli (2010), os clubes brasileiros têm 

obtido receitas consideráveis na venda de jogadores devido ao processo de globalização do 

futebol, corroborando, assim, com Capasso e Rossi (2013), que descrevem que uma 

temporada bem sucedida para um clube de futebol está relacionada com fatores como o 

aumento de receitas com títulos, direitos de transmissão e vendas de ingressos. 

Outro fator que também influencia na criação de valor, de acordo com as pesquisas 

empíricas realizadas na área, é o desempenho esportivo em campo, levando em consideração 

os achados de Nicolau (2011), Scelles et al. (2013), Rohde e Breuer (2016) e Scelles et al. 

(2016), tendo em vista a relação entre o desempenho nos jogos e a conquista de títulos, que 

impactam positivamente no aumento de receitas dos clubes. 

Em relação às receitas dos clubes de futebol, que estão relacionadas com a criação de 

valor nos clubes, Baroncelli, Lago e Szymanski (2004) descrevem que as principais são: 

vendas de ingressos, sócio-torcedor, aluguel dos estádios, patrocínios, merchandising e venda 

de jogadores. De forma complementar, Capasso e Rossi (2013) evidenciam que os patrocínios 

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são uma importante fonte de receita para os clubes de futebol, levando em consideração que 

diversas empresas desejam associar suas marcas a uma equipe bem sucedida. Além disso, as 

receitas de transmissão também são consideradas uma importante fonte de receita, 

principalmente com a expansão das transmissões em canais pay-per-view. 

 

2.2 Estudos Recentes 

Levando em consideração que fatores econômicos, financeiros e esportivos dos clubes 

impactam no seu valor, estudos anteriores investigaram os fatores determinantes do valor dos 

clubes de futebol na Europa, bem como de clubes de outros esportes, com base nas ligas 

MLB, NBA, NFL e NHL, conforme demonstra a Tabela 1. 

 

Tabela 1. Estudos recentes na área 

Autores Amostra Principais Resultados 

Alexander e Kern 

(2004) 

Quatro grandes ligas 

americanas (MLB, NBA, 

NFL e NHL), no período 

entre 1991-1997 

A única variável que se apresentou estatisticamente 

significante e com coeficiente positivo para todas as 

ligas foi a “performance esportiva no ano anterior”. A 

“população” se apresentou significativa para a MLB, 

NBA e NHL, enquanto que a variável “novas 

instalações” se demonstrou significativa e também 

com coeficiente positivo para a MLB e NHL. Por fim, 

a “renda” se apresentou significante apenas para a 

NBL. 

Miller (2007) 26 times da MLB no período 

entre 1990-2002 

Os resultados demonstram que as variáveis 

“população”, “performance esportiva no ano”, 

“performance esportiva no ano anterior” apresentaram

se significantes e com coeficientes positivos, enquanto 

que a variável “idade das instalações” apresentou-se 

significativa, mas com coeficiente negativo. 

Humphreys e 

Mondello (2008) 

Quatro grandes ligas 

americanas (MLB, NBA, 

NFL e NHL), no período 

entre 1969-2006 

As variáveis “população”, “propriedade privada” e 

“idade da franquia” apresentaram uma associação 

significativa e positiva com o valor da empresa. No 

entanto, a variável “competição local” demonstrou-se 

significante, mas com coeficiente negativo. 

Miller (2009) 

73 times da NBA, NFL e 

NHL, no período entre 

1991-2005 

As variáveis que se apresentaram estatisticamente 

significantes e com coeficientes positivos foram a 

“renda”, para os times da NBA e NFL, a “performance 

esportiva no ano anterior” para os times da NBA e 

NHL e a “propriedade privada” apenas para a NHL. A 

única variável que se apresentou significativa, porém, 

com coeficiente negativo, foi a “idade das 

instalações”, para os times da NFL. 

Ulrich (2011) 30 times da MLB no período 

entre 2000-2010 

As variáveis “população da área metropolitana”, 

“frequência anual dos torcedores”, “índice de fãs” 

demonstraram-se estatisticamente significativas e com 

coeficientes positivos. Entretanto, a variável “idade do 

estádio” apresentou coeficiente negativo, sugerindo 

que estádios mais antigos impactam negativamente no 

valor dos times. 

Scelles et al. (2013) 

23 times europeus e 105 

times das grandes ligas 

americanas (MLB, NBA, 

NFL e NHL), no período 

entre 2004-2011 

Os fatores determinantes que apresentaram-se 

significativos e com coeficientes positivos para a 

amostra dos times de futebol europeu foram: “tipo de 

propriedade”, “número de torcedores”, “lucro” e 

“performance desportiva”. Já as variáveis “idade das 

instalações” e “competição local” apresentaram-se 

significativas, mas com coeficientes negativos. 

Scelles et al. (2016) 

34 times europeus 

(Alemanha, Espanha, 

Escócia, França, Holanda, 

Inglaterra, Itália e Portugal), 

no período entre 2005-2013 

As variáveis “valor dos jogadores”, “tipo de 

propriedade”, “número de torcedores”, “lucro”, “lucro 

operacional”, “competição local” e “performance 

desportiva” 

apresentaram-se 

estatisticamente 

significativas e com coeficientes positivos. Entretanto, 

as variáveis “idade das instalações” e “população 

local” apresentaram-se significativas, porém, com 

coeficientes negativos. 

Fonte: Elaborado pelos autores 

Com base nos estudos anteriores, percebe-se que a literatura é mais extensa no tocante 

às ligas MLB, NBA, NFL e NHL. No entanto, em relação aos clubes de futebol, o primeiro 

estudo na área foi o de Scelles et al. (2013). Este fato é justificado pelo autor, na perspectiva 

que o valor da empresa, no contexto dos clubes de futebol, só começou a ser investigado 

recentemente, explicando, assim, a não realização de estudos anteriores que verifiquem os 

fatores determinantes do valor dos clubes europeus. De forma complementar, observa-se a 

inexistência de estudos nacionais que investiguem os fatores determinantes do valor dos 

clubes de futebol, bem como de outros esportes. 

3 Procedimentos Metodológicos 

Considerando que este estudo tem como objetivo investigar as variáveis financeiras e 

esportivas dos clubes de futebol, bem como a influência destas sobre o valor dos clubes 

brasileiros mais valiosos, utilizou-se a pesquisa mais atual da BDO RCS (2015), empresa que 

realiza um estudo anual sobre os clubes de futebol brasileiros, no qual é feito uma avaliação 

das marcas dos maiores clubes de futebol do Brasil.  

O ranking conta com 30 marcas avaliadas no estudo de 2015, que são: Corinthians, São 

Paulo, Palmeiras, Santos, Portuguesa, Ponte Preta, Guarani, Flamengo, Vasco da Gama, 

Fluminense, Botafogo, Atlético-PR, Curitiba, Paraná, Sport, Náutico, Santa Cruz, Avaí, 

Figueirense, Criciúma, Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Atlético-MG, Bahia, Vitória, Goiás, 

Atlético GO, Ceará e Fortaleza.  

No entanto, para este estudo, foram coletados os dados de 24 clubes dos 30 contidos na 

classificação da BDO RCS (2015) como os mais valiosos do Brasil, sendo retirados da 

amostra o Fortaleza, Ceará, Atlético Goianiense, Santa Cruz, Guarani e Portuguesa devido à 

indisponibilidade de dados referentes aos seis clubes, entre os anos de 2011 e 2014, período 

analisado neste estudo. Assim, a amostra final é composta por 24 clubes, sendo ela do tipo 

não probabilística, tendo em vista a inacessibilidade a todos os elementos da população.  

O método estatístico de análise utilizado neste trabalho para descrever e prever o 

comportamento das variáveis esportivas e financeiras foi à chamada Regressão Linear 

Múltipla com dados cross sectional, feita no software Gretl 2015®, em que as variáveis foram 

selecionadas pelo critério teórico, isto é, foram introduzidas por que constituem a base teórica 

da pesquisa. Assim, pode-se afirmar que o método de seleção de variáveis utilizado neste 

trabalho foi o chamado “Especificação Confirmatória”, que segundo Corrar, Paulo e Dias 

(2009), as variáveis são inseridas pelo pesquisador conforme deseja de acordo com 

especificação de estudos anteriores e, assim sendo, é preciso especificar o conjunto de 

variáveis explicativas nas mesmas bases dos estudos anteriores.  

A Tabela 2 apresenta as variáveis utilizadas neste estudo, o seu cálculo e a fonte além 

dos sinais esperados para os coeficientes. 

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Tabela 2. Variáveis da pesquisa 

Proxy 

Cálculo/Fonte 

Q de Tobin 

Valor de Mercado dividido pelo Ativo Total 

Sinais 

Esperados 

Estudos 

Anteriores 

Variável 

Dependente 

Liquidez 

Corrente 

Ativo Circulante dividido entre Passivo Circulante - 

Grau de 

Endividamento 

Relação entre o Passivo Total e o Ativo Total 

Dantas, Freitas, 

Costa e Barbosa 

(2017) 

+⁄ - 

Custo/Receita 

Relação entre Custo Operacional e Receita 

Halkos e Tzeremes 

(2013) e Dantas, 

Machado e Macedo 

(2015) 

ROA 

Relação entre Lucro Líquido e Ativo Total 

Lei N° 13.155 

(2015) 

Dummy 

Rebaixamento 

Assume 1 para os clubes rebaixados para divisões 

inferiores do Campeonato Brasileiro 

Dantas (2013) - 

Dummy 1ª 

divisão  

Assume 1 para os clubes da 1ª divisão do Campeonato 

Brasileiro 

Barbosa, Dantas, 

Azevedo e Holanda 

(2017) 

Ranking CBF 

Somatório da pontuação determinada pela CBF de 

acordo com a posição final de cada clube nos 

campeonatos providos pela instituição 

Barros e Rossi 

(2014) 

Fonte: Elaborado pelos autores 

Dantas et al. (2015) 

Ressalta-se que o “Q de Tobin’’ foi definido como variável dependente do modelo de 

regressão por ser considerado proxy para a criação de valor (Megna & Klock, 1993). De 

acordo com Reinhart (1977), o Q de Tobin é definido como a vinculação entre o valor de 

mercado de uma empresa e o valor de reposição de seus ativos físicos, sendo expresso por 

Famá e Barros (2000) pela Equação 1: 

(1) 

Em que o VMA representa o valor de mercado das ações, ou o capital próprio da 

entidade, VMD é o valor de mercado das dívidas, ou o capital de terceiros empregado, e VRA 

é o valor de reposição dos ativos da empresa. Posto isso, o VMA+VMD evidencia o valor de 

mercado total das empresas analisadas.  

Neste trabalho, foi necessário fazer uma adaptação da fórmula do Q de Tobin, em que o 

VMA+VMD é substituído pelos valores dos clubes de Futebol conforme pesquisa da BDO 

RCS (2015), isto é, o valor de mercado dos 24 clubes analisados, visto que, trata-se de clubes 

de futebol e não de sociedades anônimas com ações negociadas em bolsa de valores.  

Dentre as variáveis selecionadas, apontam-se as denominadas desportivas, que foram 

fundamentadas com base em estudos que indicam a relação entre fatores desportivos e a 

geração de valor dos clubes. Já as variáveis financeiras foram selecionadas por representarem 

indicadores financeiros referentes às empresas em geral e por serem informações extraídas 

das demonstrações contábeis dos mesmos. 

O “índice de liquidez corrente” demonstra a razão entre os ativos circulantes e os 

passivos circulantes. Assim, representa a capacidade da empresa em honrar suas obrigações 

financeiras de curto prazo. Tendo em vista que este índice pode evidenciar o potencial de 

crescimento futuro da empresa, pode então afetar o valor de mercado da mesma.  

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Kayo (2002) corrobora com esta perspectiva, afirmando que uma liquidez muito alta 

pode indicar a falta de projetos de investimento, prejudicando, assim, o crescimento futuro da 

empresa e, consequentemente, o valor de mercado da empresa. Dessa forma, essa variável foi 

inserida com base em Dantas et al. (2017), esperando-se que exista uma relação positiva entre 

o índice de liquidez corrente e o “Q de Tobin”, isto é, quanto maior forem os recursos para 

saldar as dívidas de curto prazo, maior será o valor dos clubes. 

Considerando que o “grau de endividamento” é uma proxy que evidencia as 

dificuldades financeiras dos clubes de futebol do país, esta variável foi inserida no modelo 

com base nos estudos de Halkos e Tzeremes (2013) e Dantas et al. (2015), objetivando apurar 

se a geração de valor é influenciada pelo índice de endividamento. Supõe-se nesta pesquisa, 

que haja uma inter-relação negativa ou positiva entre o valor e o grau de endividamento dos 

clubes, em outras palavras, este indicador pode apresentar tanto um coeficiente positivo como 

também negativo.  

Se este indicador for positivo, pode sugerir que os clubes estão com maior 

endividamento por estarem utilizando maiores valores de terceiros na realização de 

investimentos em atletas de melhores qualidades, em suas arenas, na estruturação dos clubes, 

entre as demais atividades operacionais do futebol em geral e assim, fomentar o crescimento 

dos clubes para gerar mais riquezas. Dessa forma, um saldo positivo de endividamento poderá 

retratar a magnitude do investimento operacional mantido pelos clubes para a implementação 

do nível desejado de operações. Entretanto, quanto maior seu resultado, maior é a 

dependência do capital de terceiros e maior será o risco do clube não conseguir pagar seus 

compromissos. 

Todavia, se o grau de endividamento dos clubes for negativo, retrata que o ativo total 

dos clubes está sendo financiado em sua maior parte com o capital próprio, isto é, que a 

dependência financeira de terceiros é pequena, consequentemente, menores são as dívidas 

financeiras destes clubes e menor é o risco de não conseguir honrar com seus compromissos, 

o que pode sinalizar um aumento do lucro dos clubes. 

A variável “Custo/Receita” foi inserida com base na Lei nº 13.155 (2015), que define 

que os custos com folha de pagamento e direitos de imagem de atletas profissionais não 

superem 80% da receita bruta anual das atividades do futebol profissional, representando, 

assim, a relação entre os custos e as receitas dos clubes de futebol brasileiros.  

Espera-se que o coeficiente desta variável seja negativo, porque, quanto maior for seu 

resultado, indica que os custos dos clubes são maiores que as receitas dos mesmos e 

consequentemente o lucro apurado é menor e assim, menor será o valor dos clubes. Dessa 

forma, esta variável pode ser tida como uma espécie de indicador do lucro dos clubes e por 

isso é de suma importância que esta faça parte do modelo de regressão estimado.   

Com base no estudo de Dantas (2013), a variável ROA foi inserida no modelo por 

representar a lucratividade do ativo investido, bem como por demonstrar-se determinante na 

eficiência financeira e esportiva dos clubes de futebol brasileiros. Dessa forma, em relação á 

variável ROA, espera-se que o resultado do mesmo seja positivo, pois indica que os clubes 

obtiveram uma rentabilidade positiva associada à atividade operacional dos mesmos. 

A variável “Rebaixamento em campeonatos nacionais”, segundo Dantas et al. (2015), 

representa, esportivamente falando, o insucesso maior de um clube no campeonato brasileiro, 

foi inserida no modelo com base em Barbosa et al. (2017). Assim, pretendeu-se analisar se há 

alguma relação entre este aspecto esportivo e o valor dos clubes, com o entendimento de que 

o rebaixamento dos clubes provoca uma queda nos seus valores e por isso esta tende a 

influenciar o valor dos clubes negativamente. 

As variáveis “Primeira Divisão” e “Ranking CBF” representam características 

esportivas do futebol. Para estas, espera-se que se apresentem de forma positiva, pois 

certamente com maior sucesso esportivo, isto é, os clubes que permanecem na série “A” e 

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melhor pontuação no Ranking CBF, maior também podem ser as receitas dos clubes e assim, 

pode acarretar em mais valor aos clubes. 

A variável “Primeira Divisão” foi inserida no modelo com base em Barros e Rossi 

(2014), partindo do pressuposto que os clubes da primeira divisão são mais valiosos que os 

das demais divisões, tendo em visa que existe uma redução nas receitas dos clubes quando 

estes são rebaixados. 

A variável “Ranking CBF” foi escolhida com base no estudo de Dantas et al. (2015), 

que representa os principais resultados esportivos dos clubes brasileiros, tendo em vista que o 

Ranking CBF é uma metodologia que atribui pontuações tanto do campeonato brasileiro (em 

todas as séries), como a Copa do Brasil. 

 

4 Análise de Resultados 

4.1 Análise Descritiva 

No que diz respeito à variável que representa o valor dos clubes de Futebol “Q de 

Tobin”, conforme Tabela 3, os clubes Goiás e Flamengo apresentaram-se com os maiores 

valores da amostra, sobretudo o Goiás, pois esteve na frente nos anos de 2011, 2012 e 2014 e 

o Flamengo, no ano de 2013. Já o clube Paraná, em todo o período estudado, isto é, de 2011 a 

2014, apresentou o valor menos expressivo, em outras palavras, foi o clube de menor valor da 

amostra. A média varia entre 0,62 (2012) e 1,05 (2013). Já o desvio-padrão se mantém entre 

0,50 (2012) e 0,78 (2013). 

 

Tabela 3. Estatística Descritiva das variáveis do modelo de Regressão Linear Múltipla 

Variáveis Est. 

Descritiva 2011 2012 2013 2014 

“Q de Tobin’’ 

(R$) 

Média 0,78 0,62 1,05 0,99 

D. Padrão 0,56 0,5 0,78 0,64 

Máximo 2,05 (Goiás) 1,98 (Goiás) 2,63 (Flu) 2,54 (Goiás) 

Mínimo 0,1 (Paraná) 0,1 (Paraná) 0,11 (Paraná) 0,13 (Paraná) 

Custo/Receita 

(%) 

Média 83,53 77,54 85,14 109,92 

D. Padrão 21,1 18,56 17,86 97,2 

Máximo 145,06 (Goiás) 116,84 (Ponte) 136,03 (Figue.) 542,79 (Paraná) 

Mínimo 57,42 (Bota.) 45,85 (Flu) 62,39 (Cricíu.) 41,85 (Goiás) 

Grau de 

Endividamento 

(%) 

Média 122,22 98,79 156,31 149,84 

D. Padrão 105,36 79,69 179,57 167,55 

Máximo 450,13 (Goiás) 396,71 (Goiás) 674,95 (Bahia) 815,88 (Bota) 

Mínimo 17,23 (Sport) 16,55 (Sport) 14,6 (Sport) 37,73 (Cricíu.) 

ROA (%) 

Média -10,62 -0,61 -27,01 -12,7 

D. Padrão 22,22 9,02 83,28 37,51 

Máximo 7,83 (Cricíu.) 22,2 (Atl.-PR) 10,18 (Cricíu.) 60,19 (Goiás) 

Mínimo -93,19 (Goiás) -22,29 (Figue.) -406,62 (Bahia) -158,42 (Bota.) 

Índice de 

Liquidez 

Corrente (R$) 

Média 0,39 0,46 0,33 0,27 

D. Padrão 0,28 0,42 0,3 0,27 

Máximo 1,28 (Atl.-PR) 1,85 (Sport) 1,2 (Cricíu.) 1,19 (Atl.-PR) 

Mínimo 0,01 (Náutico) 0,01 (Ponte) 0,01 (Ponte) 0,01 (Náutico) 

Ranking CBF Média 739,08 783,65 794 659,3 

D. Padrão 289,89 254,61 333,38 252,24 

Máximo 

1240 (Vasco) 

1290 (São Paulo) 1490 (Grêmio) 1280 (Cruzeiro) 

Mínimo 

240 (Cricíu.) 

300 (Atl.-PR) 

289 (Paraná) 

294 (Náutico) 

Fonte: Dados da pesquisa 

Observa-se que os clubes que possuem maior grau de endividamento são o Goiás, nos 

anos de 2011 e 2012, o Bahia, no ano de 2013, e o Botafogo, no ano de 2014. Enquanto os 

que menos utilizam o capital de terceiros são o Sport, durante os anos de 2011, 2012 e 2013, e 

o Criciúma, no ano de 2014. Considerando a média, percebe-se que, no período analisado, o 

nível de endividamento sofreu uma queda de 2011 para 2012, passando de 122,22% para 

98,79%, mas nos anos subsequentes ficou em alta, chegando a 156,31% em 2013.  

Em relação à variável calculada pela razão entre os custos e a receita total dos clubes 

(Custo/Receita), cujo objetivo é medir a eficácia de seus custos, os times que apresentaram os 

maiores resultados foram: Goiás, Ponte Preta, Figueirense e Paraná, nos anos de 2011, 2012, 

2013 e 2014, respectivamente. Todos estes clubes demonstraram resultado maior que 100%, 

no entanto, o Paraná se destacou negativamente, pois apresentou como resultado dessa relação 

542,79%, demonstrando que a capacidade de geração de receitas está muito abaixo dos custos 

incorridos, revelando uma situação financeira não planejada.  

Enquanto o Botafogo, o Fluminense, o Criciúma e o Goiás apresentaram os menores 

resultados a essa relação nos anos de 2011 (57,42%), 2012 (45,85%), 2013 (62,39%) e 2014 

(41,85%), respectivamente. Como tais resultados se mantiveram abaixo de 100%, demonstra 

que tais clubes obtiveram maiores receitas em relação aos custos incorridos em tais anos, com 

média variando entre 77,54% (2012) e 109,92% (2014). 

No tocante ao índice de Liquidez Corrente, os clubes que apresentaram maior 

capacidade em honrar suas obrigações financeiras no curto prazo foram o Atlético-PR, nos 

anos de 2011 e 2014, o Sport, no ano de 2012, e o Criciúma, no ano de 2013. Já os times que 

apresentaram menor valor desse indicador foram o Náutico, nos anos de 2011 e 2014, e a 

Ponte Preta, nos anos de 2012 e 2013. 

Sobre a variável financeira ROA, os clubes que apresentaram maior retorno sobre os 

ativos foram o Criciúma, nos anos de 2011 e 2013, o Atlético-PR, no ano 2012, e o Goiás em 

2014. Já os times com menor retorno foram o Goiás, Figueirense, Bahia e Botafogo, nos anos 

de 2011, 2012, 2013 e 2014 respectivamente.  

É importante destacar que realizou-se um ajustamento dos pois os clubes Santos, no ano 

de 2012 e o Flamengo, no ano de 2014 foram considerados outliers, através do boxplot, as 

quais prejudicam a interpretação do resultado do estudo de relações entre as variáveis 

independentes e a dependente, sendo assim, retirados da amostra.  

Variáveis 

Tabela 4. Variáveis Dicotômicas (Frequência de Valores “1’’) 

Est. Descritiva 

2011 

2012 

2013 

2014 

Primeira Divisão 

Frequência 

17 

16 

19 

19 

Rebaixamento 

Frequência 

Fonte: Dados da peqsuisa 

Em relação a frequência das variáveis Dummies, destaca-se a variável Primeira Divisão, 

que aponta a quantidade de clubes da amostra que se encontraram na série A em cada ano 

analisado (17, 16, 19 e 19 clubes na primeira divisão, para os anos 2011, 2012, 2013 e 2014, 

respectivamente). Quanto a variável Rebaixamento, demonstra que poucos clubes da amostra 

passaram por tal situação, com uma variação de 2, no ano de 2011, passando para 3, no ano de 

2012 e 4 nos anos de 2013 e 2014. 

10 

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4.2 Análises do Modelo de Regressão Múltipla 

Neste estudo, o R2 calculado é de 0,4963, isto demonstra que as sete variáveis 

independentes usadas no modelo explicam 49,63% da variável dependente “Q de Tobin”. 

Visto que o objetivo deste estudo não é de previsão com o modelo de Regressão múltipla e 

sim para investigar se as variáveis explicativas exercem influência sobre o valor dos clubes de 

futebol, então essa medida é considerada satisfatória.  

Foi realizado o Teste F-ANOVA, usado para testar a adequação global do modelo de 

Regressão, o qual permite concluir se há variáveis explicativas no modelo que são 

significantes. Conforme a estatistica do teste, se o valor F estimado pelo modelo for maior o 

valor de F da média de variabilidade explicada, rejeita-se H0, isto é, se a quantia de variação 

explicada pelo modelo de regressão for maior que a variação explicada pela média, o modelo 

de regressão estimado é significativo. Neste estudo, o teste-F atingiu um resultado abaixo de 

0,05, indicando que pelo menos uma variável presente no modelo explica a variabilidade da 

variável “Q de Tobin”. 

Ademais, foi necessário realizar alguns testes para verificar se são atendidos os 

principais pressupostos da Regressão Linear Múltipla. Na Tabela 5 estão demonstrados os 

procedimentos utilizados para a verificação dos pressupostos do modelo dos estimadores de 

Método dos Mínimos Quadrados e validação das inferências. 

Tabela 5. Testes de verificação dos pressupostos do modelo de regressão 

Pressuposto 

Ho 

P-Valor 

Nível de 

Significância 

Resultado 

Teste da Normalidade dos 

Resíduos 

Os resíduos apresentam 

distribuição normal 

0,33657 

5% 

Não Rejeita Ho 

Teste RESET para Especificação 

A especificação é 

adequada 

0,000489692 

5% 

Rejeita Ho 

Teste White para a 

Heteroscedasticidade 

Sem 

heteroscedasticidade 

0,0828145 

5% 

Não Rejeita Ho 

Fonte: Dados da pesquisa 

O resultado do teste de avaliação do pressuposto da distribuição normal dos resíduos 

constata que o p-valor de 0,33657, que corresponde à Sig. maior que α = 0,05, condição para 

aceitar a hipótese nula do teste, isto é, a distribuição da série é tida como normal.  

O teste Ramsey Reset verifica se há problemas de especificação na forma funcional do 

modelo de regressão adotado, isto é, se há funções não lineares de variáveis independentes. 

Através da implementação de um teste de restrição nos coeficientes usando a estatística F para 

verificar H0. Como o resultado do p-valor foi de 0,000489692, que corresponde a Sig.  menor 

que α, rejeita H0, demonstrando que há algum problema com não-linearidades no modelo, ou 

seja, tem-se um modelo tido como mal especificado, pois apresenta variáveis independentes 

insignificantes para explicar a variável dependente “Q de Tobin”.   

Em relação ao processo de avaliação do comportamento dos resíduos, foi realizado o 

teste White com o intuito de examinar a inexistência de heteroscedasticidade, isto é, se a 

variância dos resíduos das variáveis independentes mantém-se constante em toda a regressão. 

Em outras palavras, o efeito da observação de cada variável X é nulo sobre as observações 

seguintes, não existindo dependência dos erros. No caso estudado, o sig. é de 0,0828145, 

portanto, seu coeficiente é significativamente diferente de zero e consequentemente se rejeita 

a H0, isto é, indica que a heteroscedasticidade está solucionada para interferências estatísticas 

(o conjunto dos resíduos referentes a cada observação de X tem variância constante em toda a 

extensão das variáveis independentes). 

Em resumo, no que diz respeito aos testes dos principais pressupostos da Regressão 

Linear Múltipla, constatou-se que apenas o teste Ramsey Reset apontou resultado que implica 

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em especificação inadequada na forma funcional do modelo de regressão adotado, isto porque 

no modelo encontram-se variáveis que não exercem influência significativa sobre a variável 

dependente. Todavia, como esta pesquisa busca identificar as variáveis que influenciam e as 

que não influenciam a variável dependente, tal constatação não invalida o modelo estimado. 

Já o teste da normalidade dos resíduos e o teste White para a Heteroscedasticidade, 

demonstraram p-valores aos testes aplicados satisfatórios para validar o modelo estimado. 

Para diagnosticar tal pressuposto, foi feito o teste chamado VIF (Fator de Inflação da 

Variância), examinando as variâncias, já que estas indicam a relação entre as variáveis. Se 

todos os VIF forem abaixo de 1, não há indícios de multicolinearidade, mas se houver algum 

VIF maior que 1, os preditores são correlacionados, com multicolinearidade aceitável. 

Entretanto, quando o resultado do teste atinge valores maiores que 10,0, isto indica a 

existência de uma multicolinearidade problemática. Assim, nenhuma das variáveis apresentou 

problemas de multicolinearidade. 

Na Tabela 6, com base no resultado do modelo de regressão, verifica-se que as variáveis 

Ranking CBF, relação Custo/Receita e Grau de endividamento, apresentam significância 

estatística ao nível de 5%.  

 

Tabela 6. Resultados do modelo de regressão múltipla 

 Coeficiente Erro Padrão Razão-t P-valor VIF 

Constante 0,207927 0,145332 1,431 0,1561 - 

Ranking CBF 0,000530786 0,000228665 2,321 0,0226 ** 1,760 

Custo/Receita -0,000992751 0,000477310 -2,080 0,0405 ** 1,214 

ROA 0,000590714 0,00189331 0,3120 0,7558 1,992 

Divisão 0,0723027 0,133875 0,5401 0,5905 1,758 

Rebaixamento -0,182133 0,126408 -1,441 0,1533 1,117 

Liquidez Corrente -0,153256 0,109449 -1,400 0,1650 1,179 

Grau de Endividamento 0,00289083 0,000772274 3,743 0,0003 *** 2,023 

*** Significante ao nível de 1%  ** Significante ao nível de 5%. * Significante ao nível de 10%.   

   Fonte: Dados da pesquisa 

 

Neste trabalho, adotou-se o Teste T com o objetivo de atestar quais são os coeficientes 

estatisticamente relevantes das variáveis independentes do modelo no qual se utilizou o nível 

de significância de 5% (α = 0,05). Com base na amostra, verificou-se que, das sete variáveis 

independentes, apenas três apresentaram nível de significância em relação a variável 

dependente. 

Em relação ao fator “Ranking CBF”, seu p-valor (0,0226) é significante ao nível de 5%, 

podendo-se, então, concluir que esta variável independente exerce influência significativa 

sobre o valor dos clubes de futebol. Dessa forma, observa-se que os clubes que possuem 

maior pontuação no Ranking (calculado a partir da Convenção de Pontos da CBF, para 

campeonatos nacionais) conseguem agregar maior valor e obter maiores condições para 

investir no clube como um todo do que os que se encontram com pontuações menos 

expressivas.  

Com base nesse resultado, destaca-se a dependência do valor dos clubes diante do 

resultado esportivo nos campeonatos nacionais. De forma complementar, percebe-se que este 

resultado corrobora com os achados de Dantas et al. (2015), tendo em vista que essa 

apresentou-se com coeficiente positivo para explicar o valor dos clubes.  

A variável “Custo/Receita” também se demonstra relevante para o estudo, com p-valor 

de 0,0405, influenciando, assim, no valor dos clubes de futebol a um grau de confiabilidade 

de 95%. Porém, esta relação entre o custo e a receita, diferentemente da variável “Ranking 

CBF”, apresenta coeficiente negativo, significando que, quanto maior for seu resultado, 

consequentemente, menor será o valor dos clubes de futebol.  

Dessa forma, entende-se que os clubes que obtiveram os resultados maiores nessa 

relação, estão com os custos maiores que as receitas geradas, demonstrando situação 

financeira indesejada, que pode ser minimizada através de possíveis decisões apontadas para 

atingir um maior retorno sem a utilização de mais capital. 

Além das duas citadas, a variável “Grau de endividamento” apresentou-se significativa 

ao nível de 1%, expressando que esta possui poder de influência sobre o valor dos clubes de 

Futebol. Vale ressaltar, como tal indicador apresentou coeficiente positivo, demonstra que os 

clubes mais endividados, possuem maior capacidade de gerar valor. 

Por outro lado, as dummies Primeira Divisão e Rebaixamento em campeonatos 

nacionais, além das variáveis, Liquidez Corrente e ROA, apresentaram um p-valor maior que 

o nível de significância de 5%, não sendo possível fazer nenhum tipo de inferência da relação 

entre essas variáveis e o valor dos clubes analisados. 

5 Considerações Finais 

Esta pesquisa buscou coletar e analisar o valor dos clubes de futebol no Brasil, 

utilizando como base para tal fim a pesquisa da BDO RCS (2015), estudo sobre as marcas 

mais valiosas do futebol brasileiro e aponta possíveis determinantes dos seus valores através 

de um modelo de Regressão Linear Múltipla, para os anos de 2011, 2012, 2013 e 2014. Além 

disso, utilizou-se de estudos anteriores para compor a métrica da análise das variáveis que 

possuem grande potencial para influenciar o valor da marca de cada clube analisado.  

Considerando os fatores que vêm se intensificando ao longo dos anos à respeito do 

cenário do futebol, como a continuidade da ampliação das receitas de cada entidade com 

marketing, estádio, sócios e mídia, o aumento dos valores recebidos dos patrocinadores e 

ampliação do interesse de empresas em se associar aos clubes, a maior participação do 

torcedor nos negócios gerados pelas entidades, as novas arenas com potencial de exploração, 

o crescimento dos programas de sócio torcedor, enfim, a evolução dos clubes brasileiros ao 

longo dos anos, optou-se por investigar o ramo do Futebol.  

Por outro lado, deve-se levar em consideração a dificuldade financeira dos clubes, 

evidenciada principalmente pelo indicador de endividamento e a relação “Custo/Receita”. O 

grau de endividamento expõe o quanto os clubes estão endividados, percebendo-se que, 

conforme o resultado da regressão, os clubes que agregaram mais valor no mercado são os 

mais endividados.  Nessa perspectiva, observou-se que os clubes elevaram seu valor ao passo 

que aumentaram os investimentos em suas atividades operacionais utilizando-se do capital de 

terceiros.  

Dentre os fatores determinantes do valor dos clubes, observou-se que o endividamento 

exerce influência positiva no valor dos clubes. Assim, um maior giro do capital investido com 

recursos de terceiros possibilitará um incremento maior de valor, valorizando a marca dos 

clubes. Partindo do pressuposto de que estes estão conseguindo suprir as necessidades da 

gestão financeira do negócio ao longo do tempo analisado. 

Além disso, a respeito do resultado da relação “custo/receita”, os clubes apresentaram

se em sua maioria com custos maiores do que as receitas atingidas nos anos analisados e 

consequentemente o lucro dos mesmos diminuiu. Assim, a maior parte dos clubes demonstra 

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que a capacidade de geração de receitas esta muito abaixo dos custos incorridas, revelando 

uma situação financeira não planejada. 

Na análise dos resultados da pesquisa foi exposto que os clubes mais valorizados em 

termos de geração de valor são aqueles que conquistam as maiores pontuações na convenção 

do Ranking nacional de clubes, partindo do pressuposto de que a maximização de resultados 

esportivos nacionais está diretamente ligada ao valor de um clube de futebol. 

Apesar das variáveis “ranking CBF”, o “grau de endividamento” e “custo/receita” 

apresentaram-se estatisticamente significativos para explicar o valor dos clubes de futebol, 

percebeu-se que as dummies Primeira Divisão e Rebaixamento em campeonatos nacionais, 

além das variáveis, Liquidez Corrente e ROA, apresentaram um p-valor maior que o nível de 

significância de 5%, não sendo possível fazer nenhum tipo de inferência da relação entre essas 

variáveis e o valor dos clubes analisados.  

Entretanto, apesar de não existir significância não impede de ressaltar o fato de que, os 

clubes, de acordo com a amostra analisada, possuem uma situação indesejável em relação à 

Liquidez Corrente e ao Retorno dos Ativos, variáveis tidas como financeiras, haja vista a 

estatística descritiva dessas variáveis. 

Os resultados desta pesquisa podem ser úteis para novos estudos que tenham como 

objetivo identificar os fatores financeiros e esportivos que influenciem no valor dos clubes de 

futebol do Brasil, que é ainda escassa ao nível nacional, conforme revisão da literatura. Além 

disso, resultados de trabalhos relacionados à valoração dos times podem auxiliar gestores de 

clubes a compreender melhor os elementos que influenciam, seja negativamente ou 

positivamente na geração de valor dos clubes e valorização de suas marcas. 

Como sugestão para estudos futuros, recomenda-se investigar se a quantidade de 

jogadores estrangeiros que atuam nos clubes brasileiros influencia na criação de valor, 

levando em consideração que as equipes cada vez mais têm-se tornado multinacionais, 

conforme evidenciam Gerhards e Mutz (2016). 

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Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

YURI GOMES PAIVA AZEVEDO 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte 

CHRISTIANE LARISSA DUARTE DO NASCIMENTO 

Universidade Federal do Rio Grande do Norte na Universidade de São Paulo.

Fator econômico é crucial nos clubes de futebol.                                                                     É fato que a torcida e muitos analistas compartilham da visão de que gestões ultrapassadas  limitaram o verdadeiro potencial do São Paulo Futebol Clube. O clube possui uma das maiores marcas e torcidas do continente, mas erros administrativos crônicos geraram impactos severos nas últimas décadas.Abaixo estão os principais fatores que explicam esse distanciamento entre o potencial do clube e a realidade entregue:Impactos FinanceirosEndividamento alto: Anos de déficits acumularam uma dívida que hoje consome receitas com juros.Adiantamento de receitas: Gestões anteriores usaram cotas de TV futuras para pagar contas imediatas.Dependência de vendas: O clube virou refém da venda precoce de joias da base para fechar o caixa.Problemas Políticos e EstruturaisEstatuto ultrapassado: O modelo político historicamente blindou o poder nas mãos de conselheiros vitalícios.Falta de profissionalismo: Cargos executivos cruciais já foram ocupados por indicações políticas, não técnicas.Inércia na modernização: O clube demorou a adotar modelos modernos de governança e novos formatos de negócio, como a SAF. Reflexos EsportivosTrocas de técnicos: A falta de convicção da diretoria gerou rupturas constantes de trabalho no futebol.Contratações ruins: Investimentos altos em atletas com baixo retorno técnico inflaram a folha salarial.Perda de hegemonia: O Tricolor viu rivais locais se estruturar antes, abrindo vantagem financeira e de títulos na última década.Atualmente, o clube tenta corrigir o rumo com comitês de credores, reestruturação da dívida e novas fontes de receita (como os naming rights do MorumBIS), mas o peso dos erros passados ainda dita o ritmo do crescimento. O tamanho atual da dívida do clube e o plano de pagamento.Como as reformas estatutárias recentes mudaram a política interna.O impacto financeiro do contrato de naming rights do estádio.Grupos políticos do São Paulo da antiga Coalizão estiveram reunidos na noite da última terça-feira. A conversa marca uma reorganização política no clube e aquece o processo eleitoral. Na nova formação política, o grupo que comanda é o Vanguarda Tricolor, de Harry Massis. O principal articulador da gestão neste início de mandato é Marcelo Pupo, ex-presidente do Conselho e coordenador do grupo. Diversos grupos políticos passaram por uma troca de comando. Belmonte e Nelsinho se afastaram da política e da coordenação do Legião Tricolor. Dedé, ex-diretor do social, se afastou da coordenação do MSP, que passou por um ‘rebranding’ e, sob nova coordenação, passa a se chamar Somos São Paulo. Além destes, o Participação, antigo grupo de Casares, também tem novos coordenadores. Nos bastidores, alguns nomes já começam a ser citados como possíveis candidatos. O nome que já ensaia candidatura e aparece com mais força no momento é o do conselheiro Vinícius Pinotti. Conto todos os detalhes da nova formação política e possíveis candidatos em reportagem no site do UOL.Confira a História e Títulos do São Paulo no Site Campeões do Futebol .https://www.campeoesdofutebol.com.br/hist_saopaulo.html..Confira os campeões de todos os campeonatos de futebol no Brasil e no mundo. No Site campeões do futebol.   https://www.campeoesdofutebol.com.br/competicoes.html

Confira os canais do site campeões do futebol.https://www.campeoesdofutebol.com.br/canais.html

Imagem ;LANCE.







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