segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Flamengo x Bragantino .

 O Flamengo é mais líder do que nunca no Campeonato Brasileiro . A equipe carioca venceu o Bragantino por 2 a 1, no Maracanã, e abriu  vanategm na liderança do campeonato nacional.

Varela e Pedro fizeram os gols do jogo no Maracanã. Ambos saíram em jogadas de bola aérea. Bruno Henrique (contra) , marcou para o Bragantino.

Pedro foi substituído logo após marcar e ficou irritado. Ele gesticulou enquanto caminhava rumo ao banco, foi aplaudido e cumprimentado pelo técnico Leonardo Jardim.

O Flamengo chegou aos 60 pontos na liderança e abriu três para o Palmeiras. Até o começo dessa rodada, a diferença era de apenas um, mas o Alviverde só empatou com o Grêmio por 0 a 0, na manhã de ontem . Além da pontuação, os rubro negros s têm duas vitórias a mais que os alviverdes  — O  primeiro critério de desempate.

O Bragantino segue com 36 pontos e é o 10º colocado. O Massa Bruta foi ultrapassado pelo Santos, que venceu no sabádo.

Os clubes somente retornam  a campo daqui a duas semanas por causa da Super Data Fifa. O Bragantino encara o Mirassol no dia 7 de outubro, em casa, às 19h30 (de Brasília). No dia seguinte e no mesmo horário, o Flamengo visita o Santos. Os dois jogos são pelo Campeonato Brasileiro .

O Flamengo dominou o primeiro tempo. Os rubro negros tiveram um jogo ofensivo perfeito nos primeiros 45 minutos. Com muita transição ofensiva pelo meio campo e pelos flancos. Os riubro negros somente não golearam nos primeiros 45 minuto;s graças atuação excepcional de Tiago Volpi, que fez grandes defesas na etapa inicial. E os rubro negros foram para o intervalo vencendo por 1 a 0.

O segundo tempo foi mais equilibrado;. O Massa Bruta passou a ser mais ofensivo e equilbrou as ações na etapa final. Os rubro negros já não tinham mais o mesmo dominio da etapa inicial e demorararm á marcar seu segundo gol .Mas o Bragantino não se abateu, diminuiu o placar e pressionou até o final. Mas não conseguiu o empate .

O Bragantino foi ligeiramente superior no segundo tempo. Sendo mais ofensivo na etapa final. Merceia ao menos o empate ontem no Maracanã .

O jogo ofensivo no futebol é um modelo tático focado na iniciativa de atacar, onde a equipe prioriza o controle da bola, a criação de espaços e a finalização para marcar gols. Ao contrário do que se pensa, um time ofensivo não é necessariamente desprotegido; ele busca desequilibrar o adversário através de princípios estruturais que organizam o ataque. 

Para que um ataque seja eficiente, ele se baseia em conceitos fundamentais que orientam o movimento dos jogadores: 

Amplitude (Largura): Alargar o campo, geralmente usando os corredores laterais, para obrigar a defesa adversária a se abrir e criar espaços internos.


Profundidade: Movimentação em direção à linha de fundo ou à baliza para "empurrar" a defesa rival e aumentar a área de jogo útil.


Penetração: Ações que visam romper as linhas defensivas, seja por passes verticais, infiltrações ou dribles.


Mobilidade: Troca constante de posições e movimentações imprevisíveis para confundir a marcação e gerar novas linhas de passe.


Vigilância Ofensiva: O posicionamento estratégico de jogadores que não estão diretamente na jogada para controlar espaços, evitar contra-ataques e facilitar a recuperação rápida da bola.


Diferentes esquemas táticos podem favorecer o estilo ofensivo, dependendo de como os jogadores ocupam o campo:



Pressão Alta: Uma estratégia agressiva onde a equipe avança suas linhas para tentar recuperar a bola o mais próximo possível do gol adversário.


Transição Ofensiva: O momento crítico em que a equipe recupera a posse e tenta chegar ao gol em poucos segundos (contra-ataque rápido). 


O sucesso de um jogo ofensivo depende da precisão técnica (passes curtos e finalizações certeiras) e da compactação, mantendo os setores próximos para facilitar o apoio mútuo. 

A qualidade técnica seria a habiludade técnica em executar os fundamentos do futebol 

A qualidade técnica envolve a capacidade do atleta de realizar movimentos com precisão e eficiência. É a competência individual com a bola e inclui fundamentos como: 

Condução de bola: Habilidade de se movimentar com a posse da bola pelo campo.


Passe: Ações de tocar a bola para um companheiro, variando em distância e trajetória.


Chute/Remate: Ação de finalizar em direção ao gol.


Drible/Finta: Capacidade de enganar e superar adversários com movimentos coordenados.


Recepção/Domínio: Ação de receber e controlar a bola vinda de um passe ou lançamento.


Cabeceio: Uso da cabeça para passar, dominar ou chutar a bola. 

O padrão de jogo é o conjunto de ações coletivas, repetidas e coordenadas que um time de futebol mantenha o mesmo nível por várias partidas . Tendo consistência nos mesmos movimentos .

Comportamentos planejados para atacar (ex: troca de passes, contra-ataques, ultrapassagens) e defender (ex: compactação, marcação por zona).


 Leitura de campo em diferentes fases do jogo.


 Inteligência para melhorar os fundamentos e melhorar a leitura de campo

A qualidade técnica é fundamental para um time vencer  Jogadores com alta qualidade técnica conseguem executar as demandas táticas do treinador com maior eficácia  Por outro lado, um padrão de jogo melhora a qualidade técnica do jogador  criando situações em que os jogadores possam utilizar suas melhores habilidades técnicas com inteligência 

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Imagem do Site 365 Scores. 



Algo.

 O empobrecimento financeiro do Corinthians após a construção da Neo Química Arena (inaugurada em 2014) é amplamente citado por dirigentes e analistas como o principal catalisador da crise financeira estrutural do clube. Embora o estádio seja um sucesso de público e gere receitas brutas altíssimas, a engenharia financeira desenhada para sua construção acabou sufocando o caixa do clube por mais de uma década.

1. Perda de Receita Corrente (O "Efeito Bilheteria Zero")

Durante anos, o Corinthians adotou um modelo em que 100% da arrecadação de bilheteria e eventos da Neo Química Arena era repassada diretamente para o fundo imobiliário que administra o estádio para o pagamento das parcelas do financiamento.

O impacto: Um clube que antes contava com dezenas de milhões de reais anuais vindos do Pacaembu para manter seu futebol passou a ter "receita zero" de ingressos. O faturamento operacional foi severamente reduzido, obrigando o clube a recorrer a empréstimos bancários tradicionais para cobrir despesas cotidianas, gerando uma bola de neve.

 2. A Armadilha dos Juros e a Correção Monetária

O financiamento original contraído junto à Caixa Econômica Federal (via repasse do BNDES) foi de R$ 400 milhões em 2013. No entanto, devido a períodos de inadimplência e à estrutura contratual, o saldo devedor saltou drasticamente.

Com a renegociação concluída no final de 2022, a taxa de correção foi fixada em CDI + 2% ao ano.

Sob o cenário macroeconômico brasileiro de taxas de juros elevadas, o clube paga anualmente cerca de R$ 100 milhões apenas para abater os juros, fazendo com que o saldo principal demore a cair significativamente.

Estimativas de 2026 apontam que o Corinthians já desembolsou perto de R$ 600 milhões (ou mais de R$ 1 bilhão em valores corrigidos), mas o saldo devedor registrado no balanço ainda gira em torno de R$ 630 milhões.

Com as receitas de bilheteria retidas para a Arena e os contratos de naming rights (como o acordo com a Hypera Pharma / Neo Química) também carimbados para pagar o estádio, o clube perdeu capacidade de investimento. Para manter elencos competitivos e pagar impostos, gestões sucessivas acumularam déficits.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS 

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E BIOLÓGICAS 

DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA, TURISMO E HUMANIDADES  

Do espetáculo das arenas de futebol, os efeitos perversos 

de uma paixão na cidade de São Paulo 

Fernando Seike Tamura 

Sorocaba  

2025 

Fernando Seike Tamura 

Do espetáculo das arenas de futebol, os efeitos perversos 

de uma paixão na cidade de São Paulo 

Trabalho de Conclusão de Curso 

apresentado 

ao Departamento de 

Geografia, Turismo e Humanidades da 

Universidade Federal de São Carlos, como 

requisito para obtenção do título de 

Bacharel em Turismo  

Orientadora: Profa. Dra. Vanda Aparecida 

da Silva 

Sorocaba 

2025 

Tamura, Fernando Seike

Do espetáculo das arenas de futebol, os efeitos perversos

de uma paixão na cidade de São Paulo / Fernando Seike

Tamura -- 2025.

68f.

TCC (Graduação) - Universidade Federal de São Carlos,

campus Sorocaba, Sorocaba

Orientador (a): Profa. Dra. Vanda Aparecida da Silva

Banca Examinadora: Prof. Dr. Cesar Alves Ferragi, Prof.

Dr. José Eduardo de Salles Roselino

Bibliografia

1. Modernização do futebol. 2. Mercantilização do

futebol. 3. Gentrificação nos estádios. I. Tamura,

Fernando Seike. II. Título.

Ficha catalográfica desenvolvida pela Secretaria Geral de Informática

(SIn)

DADOS FORNECIDOS PELO AUTOR

Bibliotecário responsável: Maria Aparecida de Lourdes Mariano

CRB/8 6979

Agradecimentos 

Quero agradecer de coração aos meus pais, que se sacrificaram tanto para me 

dar essa chance. Sem o incentivo, apoio e confiança deles, principalmente quando eu 

mesmo duvidava de mim, eu não teria chegado até aqui. Aos meus irmãos, valeu 

demais pela parceria constante e por sempre me mostrarem o que é ser realmente 

irmão. 

À minha orientadora, Profa. Dra. Vanda Aparecida da Silva, meu muito obrigado 

pelo apoio, paciência e por todas as dicas que fizeram meu trabalho ganhar vida. Sem 

ela, esse capítulo da minha vida não teria sido encerrado. 

Ao Prof. Dr. Cesar Alves Ferragi, sou imensamente grato pelo incentivo em 

encontrar meu tema e por estimular a busca por uma pesquisa que realmente me 

motivasse. 

Ao Prof. Dr. José Eduardo de Salles Roselino, agradeço por aceitar fazer parte 

da minha banca e compartilhar essa paixão pelo futebol comigo. 

Aos meus amigos, obrigado por dividirem tantos momentos inesquecíveis e por 

todo o apoio nesses anos. Em especial, um agradecimento especial à Carolina, que 

esteve ao meu lado em todos os momentos, e à Mariana, pela parceria e por todas as 

histórias que vivemos juntos. 

E, por fim, obrigado a todos os professores que passaram pela minha vida. 

Cada um de vocês deixou uma marca especial nessa jornada. 

Resumo 

Este trabalho busca entender como a modernização e mercantilização do futebol tem 

contribuído para a gentrificação dos estádios, impactando a presença e a experiência 

dos torcedores. As transformações estruturais e mercadológicas do esporte tornaram 

o acesso mais elitizado, afastando as camadas populares e enfraquecendo a 

identidade cultural das arquibancadas. A partir de um resgate histórico, o estudo 

reflete sobre como o futebol, que sempre foi do povo, está se tornando um produto de 

luxo, e o que isso significa para a sociedade e para a relação afetiva com o esporte. 

Nas considerações finais, conclui-se que a modernização desenfreada do esporte 

afasta seu principal protagonista, o torcedor, tornando essencial refletir sobre os 

rumos que estamos dando ao futebol. 

Palavras chaves: arenas de futebol; gentrificação; experiência; elitização; São Paulo

SP  

Abstract 

This work aims to understand how the modernization and commodification of football 

has contributed to the gentrification of stadiums, impacting the presence and 

experience of fans. The sport's structural and market transformations have made 

access more elitist, pushing away popular social groups and weakening the cultural 

identity of the stands. Through a historical overview, the study reflects on how football, 

which has always belonged to the people, is becoming a luxury product, and what this 

means for society and the emotional connection with the sport. In the final 

considerations, it is concluded that the rampant modernization of the sport alienates 

its main protagonist, the fan, making it essential to reflect on the direction in which we 

are taking football. 

Key words: football arenas; gentrification; experience; elitization; São Paulo-SP 

LISTA DE SIGLAS 

BBC - Corporação Britânica de Radiodifusão 

CBD - Confederação Brasileira de Desportos 

CBF - Confederação Brasileira de Futebol 

CND - Conselho Nacional de Desportos 

ESPN - Rede de Programação de Entretenimento e Esportes 

FGV - Fundação Getulio Vargas 

FIFA - Federação Internacional de Futebol 

GE - Globo Esporte 

SAF - Sociedade Anônima do Futebol 

UEFA - União das Associações Europeias de Futebol 

Sumário 

1.INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 8 

2. METODOLOGIA .............................................................................................................. 11 

3.HISTÓRIA DO FUTEBOL ................................................................................................. 12 

4.  O FUTEBOL NO BRASIL ................................................................................................ 15 

4.1. TORCIDAS ORGANIZADAS NO ESTADO DE SÃO PAULO................................. 19 

4.2. TRAGÉDIAS DO FUTEBOL .................................................................................. 22 

4.3. MODERNIZAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO .................................................... 27 

5. MEGA EVENTOS, MODERNIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS DOS ESTÁDIOS E OS 

TORCEDORES CONSUMISTAS ......................................................................................... 30 

5.1. GENTRIFICAÇÃO DO FUTEBOL .......................................................................... 43 

5.2. FINANCEIRIZAÇÃO E “SPORTWASHING” NO FUTEBOL ................................... 49 

5.2.1.  A RELAÇÃO ENTRE CUSTO TORCEDOR E A RENDA SALARIAL DOS 

FREQUENTADORES. .................................................................................................. 53 

6.CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 59 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 60 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1.INTRODUÇÃO 

Nick Hornby, em seu livro Febre de Bola (2013), descreve o futebol como uma 

paixão irresistível, algo que nos prende mesmo sabendo de seus possíveis efeitos 

negativos. Eduardo Galeano, em Futebol ao Sol e à Sombra (2010), ao mencionar a 

vitória olímpica do Uruguai, destaca como o futebol tem o poder de elevar pessoas 

comuns a um status histórico e colocar nações no cenário global: “o futebol tirou esse 

pequeno país do anonimato universal”. O futebol é, de fato, um espaço de grandes 

histórias, de heróis improváveis e um microcosmo da sociedade em si.  

Este trabalho nasce dessa conexão afetiva, mas também de uma inquietação: 

como o futebol, que sempre foi um esporte popular, transformou-se ao longo do 

tempo. Para entender isso, mergulharei na história do futebol, desde suas origens até 

sua chegada ao Brasil, onde se tornou muito mais do que um esporte – uma 

verdadeira expressão cultural. O foco principal, porém, será a modernização do futebol 

brasileiro e as consequências que ela traz para seu principal ator: o torcedor. Afinal, o 

que estamos ganhando – e o que estamos perdendo – com arenas modernas, 

ingressos caros e um futebol cada vez mais voltado para o lucro?  

Pierre Bourdieu (1979), em seu livro, A Distinção: crítica social do julgamento, 

define o capital cultural como um conjunto de conhecimentos, habilidades, gostos e 

disposições que uma pessoa adquire ao longo da vida, principalmente por meio da 

família e da educação. O futebol é um exemplo clássico de capital cultural transmitido 

de geração em geração, principalmente no ambiente familiar. Desde cedo, os pais 

influenciam os filhos a torcerem para seus times, criando uma identidade que vai muito 

além do esporte – é uma herança afetiva, uma forma de se conectar com as raízes e 

a história da família. No entanto, essa dinâmica também reflete desigualdades. Ao 

observar os torcedores que frequentam os estádios, é possível perceber como o 

acesso ao esporte está cada vez mais condicionado ao capital econômico e cultural, 

especialmente com a modernização das arenas e o aumento dos preços dos 

ingressos (Santos, 2017). Assim, o futebol, que antes era um espaço de união e 

democratização, hoje também se torna um campo de distinção social, onde nem todos 

têm o mesmo direito de participar.  

Além disso, o direito ao lazer é garantido constitucionalmente no Brasil. 

Conforme o artigo 6º da Constituição Federal (Brasil, 1988), o lazer integra o rol dos 

direitos sociais fundamentais, ao lado de direitos como educação, saúde e moradia. 

Essa proteção não apenas reconhece o lazer como um espaço de descanso e 

recreação, mas também o valoriza como um meio essencial para a promoção da 

cidadania, da inclusão social e do desenvolvimento cultural. Em outras palavras, 

enquanto o futebol – como herança afetiva e capital cultural – pode evidenciar 

desigualdades no acesso devido a barreiras econômicas, o direito ao lazer impõe ao 

Estado a responsabilidade de criar condições para que todos possam participar de 

atividades que promovam a qualidade de vida e a integração social. 

Assim, este trabalho tem como foco os estádios e arenas de futebol na cidade 

de São Paulo, com ênfase no Allianz Parque, casa do Palmeiras1. Como o maior 

centro urbano do Brasil, São Paulo é um cenário privilegiado para observar as 

transformações que vêm impactando o futebol e, principalmente, o modo de torcer. A 

modernização do esporte, com a construção de arenas como o Allianz Parque, trouxe 

mudanças significativas na relação entre os clubes e seus torcedores, refletindo 

dinâmicas sociais e culturais que merecem ser analisadas. Ao estudar esses espaços, 

pretendo compreender como essas transformações podem afetar a experiência do 

torcedor e o que isso revela sobre as desigualdades e distinções no futebol 

contemporâneo. 

Nesta direção, e sob um viés social, o presente trabalho de conclusão de curso 

se dedica em olhar o futebol abordando os efeitos da elitização e da modernização 

que este tem vivido (Santos, 2014). Tal esporte, situado no contexto das atividades de 

massa, foi considerado um esporte popular e acessível até as últimas décadas, porém, 

nos últimos anos, ele passou por transformações que afetaram diretamente a maneira 

pela qual as classes populares participam e são representadas. A elitização do futebol 

refere-se ao aumento das entradas para os espetáculos, à construção de modernos 

palácios esportivos com infraestrutura desenvolvida e ao marketing intensivo. 

1A Sociedade Esportiva Palmeiras foi fundada em 26 de agosto de 1914 como Palestra Itália por 

imigrantes italianos em São Paulo. Atualmente, a presidente do clube é Leila Mejdalani Pereira, que 

iniciou seu primeiro mandato em 15 de dezembro de 2021 e foi reeleita para um segundo mandato 

que começou em 15 de dezembro de 2024. 

10 

Este fenômeno pode levar à exclusão de torcedores de longa data, cujo poder 

de compra é, muitas vezes, menor, e a uma mudança no perfil dos espectadores dos 

estádios. Por outro lado, a modernização do futebol, impulsionada pelo progresso 

tecnológico e pela globalização, trouxe inovações que afetam a experiência dos 

torcedores, tanto nos estádios como fora deles. A transmissão dos jogos em alta 

definição, a utilização das redes sociais para engajamento e a presença de 

patrocinadores internacionais são alguns dos elementos que formam a nova cara do 

futebol moderno.  

Neste sentido, e para compreender este cenário mais recente do futebol, este 

estudo analisa como essas mudanças redefinem o espaço ocupado pelo setor popular 

da sociedade, nos estádios e nas celebrações esportivas. E, ao mesmo tempo, 

procura tratar de alguns elementos que sinalizam para uma mudança na cultura dos 

torcedores, desdobrando-se em novos desafios que os adeptos tradicionais 

enfrentam; assim como, coloca uma indagação que diz respeito ao como o futebol 

pode continuar a ser um elemento de coesão social no meio destas mudanças? 

Compreendendo estes aspectos, esperamos contribuir para um debate mais amplo 

sobre a democratização do acesso ao futebol e o papel deste desse esporte como 

património cultural inestimável. O patrimônio cultural refere-se ao conjunto de bens 

materiais e imateriais que representam a identidade, a memória e a história que foram 

construídas por uma sociedade (Zanirato; Ribeiro, 2006). A manifestação do futebol 

como parte da diversidade cultural do país é essencial para compreender a cultura 

brasileira em sua totalidade.  

Para cumprir o propósito deste trabalho foi feito uma revisão bibliográfica com 

o objetivo de analisar os temas relacionados à história do futebol, o contexto brasileiro, 

a organização das torcidas, os impactos das tragédias, a modernização e 

mercantilização do esporte e os aspectos socioeconômicos e culturais decorrentes de 

sua evolução. De tal modo que pudesse cumprir o objetivo central traçado para a 

pesquisa: o de analisar como a mercantilização do futebol, especialmente por meio da 

construção de estádios modernos, aumento dos preços dos ingressos e oferta de 

experiências premium, tem contribuído para a elitização e gentrificação dos estádios, 

com foco nos impactos sociais, econômicos e culturais dessas transformações para o 

acesso e a experiência dos torcedores. Dos objetivos específicos, buscou-se 

demonstrar de que maneira a mercantilização do futebol está promovendo a elitização 

e gentrificação dos estádios. Analisando como essas mudanças afetam o perfil 

11 

socioeconômico do público, a exclusão de torcedores tradicionais e a transformação 

dos estádios em espaços voltados para consumidores de maior poder aquisitivo. Além 

disso, o estudo explora os impactos culturais dessa transformação, como a possível 

mudança das torcidas e a mercantilização do esporte. 

2. METODOLOGIA  

Assim sendo, para desenvolver esta escrita busquei me orientar por uma 

metodologia exploratória e flexível, realizando uma revisão bibliográfica dirigida à 

definição do tema de estudo; bem como, uma coleta de dados em diferentes fontes. 

Para definição do assunto foi feito um levantamento visando analisar:  

● A trajetória histórica do futebol no Brasil. 

● A organização das torcidas e suas implicações sociais. 

● Os impactos da modernização e mercantilização do futebol. 

● A gentrificação e financeirização no esporte. 

● A relação entre os custos de frequentar estádios e a renda dos torcedores. 

A coleta de dados foi feita em diferentes fontes: 

● Trabalhos acadêmicos: Artigos científicos, livros e dissertações relacionadas 

aos tópicos centrais. 

● Fontes jornalísticas: Matérias publicadas em veículos de comunicação 

reconhecidos que tratem de temas como modernização dos estádios, 

tragédias e o impacto dos megaeventos. 

● Fontes audiovisuais: Documentários, entrevistas e vídeos do YouTube que 

trazem relatos de torcedores, pesquisadores e especialistas. 

O texto, portanto, foi estruturado e organizado em categorias correspondentes aos 

tópicos centrais do trabalho: 

1. História do futebol e contexto brasileiro. 

2. Torcidas organizadas e tragédias. 

3. Modernização e gentrificação. 

4. Financeirização do futebol. 

12 

5. Impactos socioeconômicos no perfil do torcedor. 

A análise dos dados de caráter qualitativa, buscou compreender os impactos 

culturais e sociais do futebol, considerando trabalhos acadêmicos, matérias 

publicadas e entrevistas, documentários produzidos. Tais dados foram, então, 

discutidos à luz das teorias e conceitos abordados na literatura acadêmica, 

priorizando: 

● A relação entre gentrificação, financeirização e a elitização do futebol. 

● O impacto das tragédias e das torcidas organizadas na modernização do 

futebol 

● A transformação do torcedor em consumidor no contexto da modernização 

dos estádios. 

E, por fim, as considerações finais traz um balanço dos achados do trabalho, 

destacando as transformações do futebol no Brasil e seus impactos sociais e 

econômicos, com reflexões sobre os desafios para um futebol mais inclusivo. 

3.HISTÓRIA DO FUTEBOL  

A prática de jogos com bola, precursora do futebol moderno, remonta a diversas 

civilizações antigas, muitas vezes associada a significados ritualísticos e simbólicos. 

Hilário Franco Júnior (2007) destaca, por exemplo, um jogo macabro praticado na 

China durante períodos de guerra, no qual crânios humanos eram chutados para 

ultrapassar estacas de bambu. Nas Américas, por volta de 900 a.C., o tlachtli 

mesoamericano já envolvia disputas com bola, enquanto registros semelhantes 

aparecem na Grécia Antiga e na Florença medieval. Contudo, como ressalta Ferreira 

(2018, p. 10), nessas culturas indígenas e pré-colombianas, o jogo possuía uma 

dimensão ritualística distante da lógica competitiva ocidental: o objetivo não era definir 

vencedores, mas sim promover equilíbrio e conexão com o sagrado, uma prática 

coletiva desprovida da hierarquia entre triunfo e derrota. 

Entretanto, vale destacar que outras civilizações (indígenas e pré

colombianas) ao terem contato com o futebol, antes de o mesmo se 

popularizar e ser apropriado pelos alunos das escolas inglesas, o 

13 

praticavam de forma diferente da qual habitou-se a prática no mundo 

moderno. A essas disputas era inserido o sentido ritualístico do jogo, 

desprovido de qualquer intenção de promover um ganhador e um 

perdedor. O sentido estabelecido nessas partidas era a do equilíbrio, 

completamente diferente da lógica ocidental (Ferreira, 2018, p. 10). 

O futebol como esporte padronizado surgiu no século XIX na Inglaterra, 

inicialmente como um instrumento de formação da elite burguesa. Segundo Franco 

Júnior (2007), a prática era destinada a preparar jovens da aristocracia para liderança, 

desenvolvendo qualidades como disciplina e trabalho em equipe. Embora a 

popularização do esporte não tenha sido um processo intencional, os professores das 

escolas da elite inglesa resistiram ao jogo com bola, considerando-o uma atividade 

truculenta e inadequada para os padrões da burguesia da época. O futebol foi 

incorporado ao ambiente escolar como ferramenta de gestão comportamental, uma 

vez que ocupava os alunos e redirecionava sua agressividade para atividades 

estruturadas, minimizando situações disruptivas. (Proni, 2000) A padronização das 

regras, essencial para sua difusão, ocorreu por meio de iniciativas como as Regras de 

Cambridge (1848) e de Sheffield (1857), culminando na fundação da Football 

Association (FA) em 1863, que unificou normas e estabeleceu bases para o esporte 

moderno (Cayo, 2012). A padronização das regras, essencial para sua difusão, 

ocorreu por meio de iniciativas como as Regras de Cambridge (1848) e de Sheffield 

(1857), culminando na fundação da Football Association (FA) em 1863, que unificou 

normas e estabeleceu bases para o esporte moderno (Cayo, 2012).  

A disseminação do futebol acompanhou a influência geopolítica britânica, 

embora sua adoção não tenha sido homogênea. Países diretamente colonizados pela 

Inglaterra, como Índia e Austrália, mantiveram o esporte em posição marginal, 

enquanto nações latino-americanas o incorporaram de forma mais intensa (Farias, 

2014, p. 34). Na Argentina, o futebol foi introduzido por marinheiros britânicos no 

século XIX, mas permaneceu restrito a comunidades inglesas até a década de 1890, 

quando a primeira federação local ainda exigia o uso exclusivo do idioma inglês em 

reuniões (Franco Júnior, 2007). No Brasil, relatos similares indicam a prática do 

esporte por imigrantes britânicos, antes de sua popularização entre a população local. 

Na Europa, a resistência cultural também se fez presente: na Alemanha, o futebol era 

visto como uma "doença inglesa", associada a valores estrangeiros (Farias, 2014, p. 

14 

35). Apesar disso, a criação da FIFA em 1904 marcou a consolidação do esporte como 

fenômeno global, com regras unificadas e torneios internacionais. 

A disseminação do esporte ocorreu em paralelo ao domínio do capitalismo 

britânico, exercendo uma influência marcante nas esferas socioculturais dos países 

latino-americanos. Curiosamente, países que eram diretamente colonizados pela 

Inglaterra, resistiram à adoção do esporte, e continuam como esporte periférico 

atualmente (Farias, 2014, p.34). Em países da Europa, também houve resistência 

para adoção do esporte, sendo a Alemanha um exemplo marcante, onde o esporte 

era visto como uma “doença inglesa” (Farias, 2014, p.35). Na Argentina, segundo 

Hilário Jr, o futebol foi introduzido por marinheiros britânicos que o praticavam em suas 

horas de lazer. Inicialmente, a prática era exclusiva dos britânicos residentes no país, 

sendo que até a primeira federação argentina fundada em 1893 proibia o uso de 

qualquer língua além do inglês em suas reuniões. No Brasil também há relatos de 

marinheiros britânicos praticando o esporte no país (Franco Júnior, 2007). 

O esporte revelou-se uma ferramenta de coesão social mesmo em cenários de 

guerra. Durante a Primeira Guerra Mundial, soldados aliados e alemães 

protagonizaram a célebre Trégua de Natal de 1914, interrompendo hostilidades para 

jogos improvisados nas trincheiras. Franco Júnior (2007) ressalta que essas partidas 

não apenas aliviavam o estresse do front, mas também humanizavam o inimigo, 

destacando o potencial do futebol como linguagem universal. Além disso, oficiais 

incentivaram a prática entre tropas para fortalecer o espírito de equipe e a disciplina, 

estratégia que se repetiria em conflitos posteriores. 

A ascensão do futebol feminino ocorreu em um contexto paradoxal. Durante a 

Primeira Guerra Mundial, com homens no front, mulheres assumiram funções em 

fábricas e passaram a praticar o esporte como atividade recreativa, inclusive em ligas 

organizadas. Magalhães (2005) destaca que o futebol era incentivado para manter a 

moral das trabalhadoras. Contudo, com o fim da guerra, houve uma reação 

conservadora: associações esportivas, como a FA inglesa, proibiram as mulheres de 

usar estádios, alegando que o esporte "ameaçava a feminilidade" e a estrutura 

familiar. Apenas nas últimas décadas, impulsionadas por movimentos pela igualdade 

de gênero, as mulheres conquistaram espaços significativos no futebol. A criação de 

ligas profissionais, como a Women’s Super League (Inglaterra) e o Campeonato 

15 

Brasileiro Feminino, reflete uma mudança estrutural, ainda que desafios como 

disparidade salarial e visibilidade persistam.  

A trajetória do futebol ilustra dinâmicas políticas, econômicas e culturais de 

cada era. De ritual ancestral a esporte globalizado, sua história entrelaça-se com 

colonialismo, resistências nacionais, conflitos bélicos e lutas por inclusão. Se, no 

século XIX, servia para moldar líderes burgueses, hoje é palco de debates sobre 

diversidade e equidade, demonstrando sua capacidade de adaptar-se e refletir as 

contradições das sociedades que o praticam. 

4.  O FUTEBOL NO BRASIL 

A introdução do futebol no Brasil, embora popularmente atribuída a Charles 

Miller em 1894, possui raízes anteriores. Já em 1878, marinheiros britânicos jogavam 

futebol no Rio de Janeiro, e jovens da Academia Itu de São Luís praticavam esportes 

semelhantes (Franco Júnior, 2007). Essas práticas prévias, somadas à sistematização 

das regras trazidas por Miller, permitiram que o esporte se difundisse rapidamente, 

aproveitando-se de tradições esportivas locais, como a capoeira, e ganhando espaço 

em colégios religiosos. Alunos dessas instituições, ao retornarem a suas cidades, 

disseminaram o futebol, incluindo pessoas de classes populares para formar times — 

um contato inicial que contrastaria com a elitização posterior (Farias, 2014, p. 48).  

A expansão das ferrovias e o movimento dos trabalhadores foram elementos 

decisivos na disseminação do futebol pelo interior do Estado de São Paulo. Com a 

instalação das linhas férreas, houve um intenso fluxo migratório de operários que, 

além de impulsionarem a economia local, transportavam consigo novas práticas 

culturais e esportivas. Essa mobilidade facilitou a propagação do futebol, que se 

transformou em uma forma de lazer e identidade social entre os trabalhadores. Um 

exemplo emblemático dessa influência foi a primeira partida disputada em São Paulo, 

realizada entre a São Paulo Railway e a Companhia de Gás (Ferreira, 2008), 

demonstrando como a infraestrutura ferroviária e o cotidiano dos trabalhadores foram 

fundamentais para a popularização do esporte na região. Essa dinâmica não só́ 

contribuiu para a formação de uma cultura futebolística sólida, mas também para a 

integração social e o fortalecimento dos laços comunitários, marcando o início de uma 

tradição que perdura até os dias atuais. 

16 

Nas primeiras décadas do século XX, o futebol tornou-se um espelho das 

hierarquias sociais. A criação da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), em 

1914, consolidou estruturas que marginalizavam jogadores negros. Clubes como o 

Fluminense exigiam que atletas como Carlos Alberto cobrissem a pele com pó de 

arroz para mascarar sua identidade racial. Em 1921, o presidente Epitácio Pessoa 

proibiu a convocação de negros para a seleção brasileira no Sul-Americano, 

reforçando o racismo institucional. O Vasco da Gama, com um presidente negro eleito 

em 1904, destacou-se ao incluir jogadores afrodescendentes em seu elenco, mas 

enfrentou boicotes de clubes rivais, sendo excluído de competições até 1926 — ano 

em que voltou triunfante com um time majoritariamente negro (Franco Júnior, 2007). 

Esses episódios ilustram a tensão entre a democratização do esporte e as barreiras 

impostas por uma elite branca.  

Meu pai sempre teve dificuldade por ser negro. Entre ele e um branco, 

sempre vão escolher um branco. Tenho lutado bastante por tudo que 

tem acontecido comigo. É desgastante por estar meio sozinho. Já fiz 

tantas denúncias e ninguém é punido, nenhum clube é punido. A cada 

dia, luto por todos que passam por isso. Se fosse só por mim e pela 

família, não sei se continuaria. Mas fui escolhido para defender uma 

causa bem importante e que eu estudo a cada dia para que no futuro 

meu irmão de cinco anos não passe pelo que estou passando (Vinicius 

Júnior, entrevista coletiva)2. 

A Copa de 1958 marcou uma virada simbólica. Com dois gols de Pelé na final 

contra a Suécia, o Brasil não apenas conquistou seu primeiro título mundial, mas 

elevou o jogador negro à condição de ícone global. Sua genialidade transformou a 

imagem do atleta afrodescendente, associando-o ao talento e à excelência esportiva 

(Silva, 2008). No entanto, essa representação carregava ambiguidades: enquanto 

"Pelé" se tornava uma marca comercializada, apropriada por discursos publicitários 

que diluíam conflitos raciais, Edson Arantes do Nascimento, o homem por trás do mito, 

enfrentava contradições. Anúncios exploravam a dualidade Edson/Pelé, ora exaltando 

sua origem humilde, ora reforçando estereótipos, revelando as complexidades raciais 

numa sociedade que celebrava o ídolo, mas perpetuava desigualdades (Silva, 2008, 

p. 48).  

2  EM ENTREVISTA HISTÓRICA, VINI JR SE EMOCIONA E DISPARA: "CADA VEZ SINTO MENOS 

VONTADE DE JOGAR". YouTube, 2023. Disponível em: 

https://www.youtube.com/watch?v=FYOV5vaTwlk. Acesso em: 20 jan. 2025. 

17 

Se Pelé simbolizou uma ruptura, a luta contra o racismo permanece inacabada. 

Na década de 1970, jogadores como Paulo Cezar Lima enfrentaram hostilidades 

veladas, enquanto hoje o jogador brasileiro, Vinícius Jr., estrela do Real Madrid, sofre 

insultos racistas em estádios europeus. Seu ativismo — ao denunciar publicamente 

agressões e cobrar ações de ligas esportivas — ecoa a resistência de pioneiros como 

Fausto dos Santos, nos anos 1920. A persistência dessas violências expõe a falácia 

do mito da democracia racial e revela como o futebol reflete (e reproduz) estruturas 

sociais excludentes. 

A cobertura jornalística dos jogos também impulsionou significativamente a 

popularidade do futebol no Brasil.  

A profissionalização do futebol, uma luta árdua que possibilitou a 

entradas de brasileiros pertencentes às classes mais humildes no 

exercício contínuo do esporte, foi bafejada pela onda da 

industrialização no sentido de permitir algo novo com identidade 

menos subalterna e mais promissora (Pereira, 2020 p.27) 

Um dos nomes mais importantes na cobertura esportiva da década de 1930 foi 

Mário Filho, cuja dedicação ao jornalismo esportivo ajudou a consolidar o futebol como 

uma paixão nacional. Filho não só relatava os jogos, mas também humanizava os 

jogadores e criava narrativas envolventes que cativaram o público. Em 

reconhecimento à sua contribuição inestimável ao esporte, o estádio mais importante 

do país, inaugurado em 1950, foi renomeado em sua homenagem em 1966, após a 

morte do jornalista. O Estádio Jornalista Mário Filho, mais conhecido como Maracanã, 

continua sendo um ícone do futebol brasileiro e mundial.  

Os jornais contribuíram para que os torcedores se aproximassem do 

dia a dia dos jogadores, clubes e seleção. Os periódicos passaram a 

desenvolver um jornalismo mais profissional, com pessoas que 

dedicavam tempo exclusivo à modalidade. Quanto ao broadcasting 

(como se chamava então a radiodifusão), este se tornou na Era Vargas 

o grande veículo de comunicação e entretenimento no Brasil, e seria 

bem usado pelo Estado para exaltar o governo e o 

nacionalismo/patriotismo (Farias, 2014, p.120). 

O processo de profissionalização do esporte no Brasil foi uma jornada que se 

estendeu por décadas. Enquanto clubes da elite permaneciam fiéis ao amadorismo, 

clubes originários das camadas populares pressionavam pela adoção do 

profissionalismo, entrando em disputas não apenas sociais como raciais. O conflito 

entre o profissionalismo e o amadorismo no futebol ficou evidente quando o tratamento 

18 

brutal aos jogadores veio à tona. De acordo com Hilário Franco Jr (2007), apesar do 

contexto nacional de regulamentação dos direitos trabalhistas, os jogadores de futebol 

eram obrigados a atuar durante o período de férias, realizando excursões pela Europa. 

Em muitos casos, eles eram forçados a jogar mesmo estando lesionados, o que 

ressalta a precariedade das condições de trabalho enfrentadas pelos atletas na época. 

Leônidas da Silva, o maior jogador brasileiro na época, foi multado diversas vezes por 

se recusar a seguir as regras da época. O futebol sempre foi encarado pelos 

governantes como um instrumento de propaganda perante o povo.  

A partir de 1965, o Brasil mergulhou em uma ditadura militar que, consciente 

do poder simbólico do futebol, instrumentalizou-o como ferramenta de legitimação 

política e unificação nacional. Segundo Magalhães (2010), o governo autoritário 

encontrou no esporte um meio eficaz para difundir ideais de ordem e patriotismo, 

associando o sucesso da seleção brasileira à imagem de um país próspero e 

disciplinado. A Confederação Brasileira de Desportos (CBD), sob o comando de João 

Havelange (1958-1975), alinhou-se ao regime, adotando uma gestão centralizadora e 

hierárquica que refletia os valores do período. O ápice dessa estratégia ocorreu 

durante a Copa do Mundo de 1970, no México, amplamente explorada pelo presidente 

Emílio Garrastazu Médici como vitrine do "Brasil Grande". A conquista do 

tricampeonato, com uma seleção icônica liderada por Pelé, foi apresentada como 

prova do "milagre econômico" e da eficácia do regime. Paralelamente, a criação da 

Loteria Esportiva (1970) reforçou o vínculo entre Estado e esporte, canalizando 

recursos públicos para projetos de interesse governamental sob o disfarce de 

incentivo ao futebol (Magalhães, 2010).  

Em 1971, o regime militar instituiu o Campeonato Brasileiro, um projeto que 

visava não apenas modernizar o futebol nacional, mas também consolidar o controle 

político sobre as competições. A centralização das decisões na CBD, aliada à 

exclusão de clubes regionais menores, revelava a intenção de alinhar o esporte aos 

interesses do governo, promovendo uma imagem de unidade nacional através do 

futebol. Entretanto, a partir de 1973, o discurso otimista desmoronou junto com o 

"milagre econômico", marcado pela crise do petróleo e o endividamento externo. Esse 

contexto refletiu-se no desempenho medíocre da seleção na Copa de 1974, na 

Alemanha, onde o time, sem o brilho de 1970, terminou em quarto lugar. Para 

19 

Magalhães (2010), a queda esportiva simbolizava a erosão da narrativa autoritária, 

expondo as contradições entre o projeto propagandístico e a realidade 

socioeconômica.  

Com o início da abertura política em 1979, a CBD foi substituída pela 

Confederação Brasileira de Futebol (CBF), marcando uma tentativa de reduzir a 

interferência estatal. O Campeonato Brasileiro passou por reformulações estruturais, 

como a descentralização de vagas e a inclusão de clubes de diversas regiões, 

refletindo um esforço para democratizar o esporte em sintonia com as mudanças no 

cenário político (Magalhães, 2010). No início dos anos 1980, em meio ao clamor pelas 

Diretas Já, o Corinthians tornou-se símbolo de resistência com o movimento 

Democracia Corintiana, liderado por Sócrates, Wladimir e Casagrande. Rompendo 

com a lógica vertical dos clubes, os jogadores instituíram assembleias deliberativas 

onde todos – atletas, comissão técnica e funcionários – tinham igualdade de votos. 

Para Magalhães (2010, p. 78), o movimento "transcendeu o âmbito esportivo, 

tornando-se um microcosmo da luta pela redemocratização". A participação ativa dos 

jogadores em protestos políticos, como os comícios das Diretas Já, evidenciou o papel 

do futebol como espaço de contestação, onde atletas usaram sua visibilidade para 

desafiar o autoritarismo. A Democracia Corintiana ilustra a dualidade do futebol 

brasileiro: se, por um lado, foi instrumentalizado pelo regime militar, por outro, serviu 

como trincheira de emancipação política. Figuras como Sócrates, personificam essa 

contradição, mostrando como o esporte pode oscilar entre a reprodução do poder 

estabelecido e a subversão crítica. O movimento não apenas transformou a gestão 

esportiva, mas também deixou um legado simbólico, inspirando gerações a 

enxergarem o futebol como arena de disputas sociais e políticas. 

4.1. TORCIDAS ORGANIZADAS NO ESTADO DE SÃO PAULO 

O surgimento das torcidas organizadas no Brasil remonta às primeiras décadas 

do século XX, quando grupos informais de torcedores se reuniram para apoiar seus 

clubes, criar cânticos e promover festas em torno do futebol. Contudo, foi a partir da 

década de 1940 que esse fenômeno ganhou contornos institucionais. Segundo 

Cavalcanti, Souza e Capraro (2013), as torcidas uniformizadas emergiram como uma 

resposta à crescente popularização do esporte, marcando a transição de um apoio 

20 

espontâneo para uma organização sistemática. A pioneira Torcida Uniformizada do 

São Paulo, fundada em 1939 (Magalhães, 2010), distanciou-se das estruturas 

contemporâneas, mas estabeleceu um modelo que seria replicado e ressignificado 

nas décadas seguintes. 

Nas últimas décadas, as torcidas organizadas passaram por um processo de 

empresariamento, adotando hierarquias complexas que incluem cargos como 

presidente, tesoureiro e secretário. Essa profissionalização, paradoxalmente, 

aproximou-as de uma lógica corporativa, com gestão de recursos e estratégias de 

marketing, ao mesmo tempo em que mantiveram vínculos identitários profundos com 

os clubes. A associação entre torcidas organizadas e violência consolidou-se nos anos 

1980, contexto marcado pela redemocratização do país e pelo aumento da 

criminalidade urbana. A Mancha Verde (Palmeiras), por exemplo, surgiu em 1986 da 

fusão de três grupos menores, explicitamente orientada para a preparação de 

confrontos com rivais (Cavalcanti; Souza; Capraro, 2013). Esse fenômeno não foi 

isolado: a militarização das torcidas refletiu tanto a escalada de rivalidades clubísticas 

quanto a influência de gangues urbanas, que encontraram nos estádios um espaço 

de disputa territorial e simbólica. 

Nos estádios, as torcidas organizadas desempenham um papel ambíguo. Por 

um lado, são responsáveis por criar o espetáculo festivo que define o futebol brasileiro, 

com bandeirões, tambores e coreografias que transformam as arquibancadas em 

palcos de criatividade coletiva. Por outro, carregam o estigma de serem protagonistas 

de episódios de violência, como invasões de campo e brigas entre facções, que 

frequentemente resultam em tragédias. 

Dados do estudo da Fundação Getúlio Vargas (2015) revelam o perfil 

predominante dos torcedores organizados:  

● Gênero e idade: Majoritariamente homens (91% no RJ; 86% em SP) com até 

40 anos (94% em SP). 

●  Situação conjugal e educação: 77% solteiros no RJ; 62% com ensino médio 

completo em SP.  

● Filiação e custos: 60% dos paulistanos pagam mensalidade às torcidas, mas 

apenas 38% são filiados oficialmente aos clubes. 

21 

● Percepção da violência: 59% dos entrevistados reconhecem que suas próprias 

torcidas são vistas como violentas.  

Esses números expõem uma contradição: o engajamento financeiro e 

emocional com as torcidas não se traduz necessariamente em lealdade institucional 

aos clubes, sugerindo que a identidade grupal supera, em muitos casos, o vínculo 

esportivo puro. 

O viés de violência presente nas torcidas organizadas frequentemente leva a 

investigações e punições por parte da justiça brasileira. Existe uma dualidade no 

sentimento que a sociedade tem em relação a essas torcidas. Por um lado, elas são 

amplamente reconhecidas pelos cantos criativos e por criar um ambiente de estádio 

diferenciado. Por outro lado, a violência associada a essas torcidas não se limita 

apenas aos confrontos entre grupos rivais, mas também envolve agressões a atletas 

e dirigentes que representam suas respectivas equipes.  

Além dos episódios de violência física, há também relatos de vandalismo e 

comportamentos que comprometem a segurança pública e a integridade dos eventos 

esportivos. As autoridades frequentemente têm que intervir, resultando em medidas 

que variam desde proibições de entrada nos estádios até a dissolução de certas 

torcidas organizadas. A dualidade no sentimento em relação às torcidas organizadas 

reflete a complexidade de sua influência no futebol brasileiro. Elas são ao mesmo 

tempo um símbolo da paixão e do compromisso dos torcedores com seus clubes, e 

uma fonte de preocupação devido aos incidentes de violência. 

É inegável que as tensões interclânicas próprias ao mundo do futebol 

são potencializadas pelas torcidas organizadas, mas também é 

verdade que, na Europa e no Brasil, elas funcionam como uma espécie 

de segunda família para muitos de seus membros. A mesma rede de 

solidariedade que transborda para violência leva a rivalidade para 

ações de cunho social e contribui para amenizar a tensão global. 

Solidariedade e rivalidade são sentimentos e comportamentos 

opostos, e, contudo, complementares (Franco Júnior, 2007, p. 200). 

No estado de São Paulo, as torcidas organizadas tradicionais, como Gaviões 

da Fiel (Corinthians), Mancha Verde (Palmeiras), Independente (São Paulo) e Jovem 

(Santos), historicamente dominaram o cenário com sua forte presença nas 

arquibancadas e influência cultural. Contudo, nas últimas décadas, surgiram coletivos 

22 

que contestam não apenas a violência, mas também os valores conservadores 

enraizados nesse universo. O Palmeiras Antifacista, Bloco Tricolor Antifa e o Coringão 

Antifa, tornaram-se um símbolo de resistência política, mobilizando-se contra o 

racismo, a homofobia e a ascensão de discursos autoritários, além de promover ações 

solidárias, como arrecadações para comunidades carentes. No campo da diversidade 

sexual, iniciativas como a PorcoÍris e a VascoLGBTQ+ buscam ocupar espaços em 

um ambiente marcado pela heteronormatividade, promovendo campanhas contra a 

homofobia e distribuindo bandeiras com símbolos do orgulho LGBTQIA+ nos estádios. 

Esses grupos enfrentam resistência tanto de setores conservadores das próprias 

torcidas quanto da falta de apoio institucional dos clubes, que muitas vezes evitam 

confrontar a cultura tóxica. Ainda assim, sua presença crescente reflete uma mudança 

geracional e política, especialmente em São Paulo, onde a densidade urbana e a 

efervescência cultural amplificam debates sobre inclusão. Enquanto as organizadas 

tradicionais mantêm estruturas hierárquicas e, em alguns casos, ligações com a 

violência, esses novos coletivos mostram que as arquibancadas podem ser território 

de reinvenção social, onde o futebol dialoga com lutas por equidade e 

representatividade. 

A dualidade entre fervor e violência nas torcidas organizadas não se resolve 

com soluções simplistas. A criação de coletivos progressistas é um passo essencial 

para sua evolução, exigindo a colaboração entre Estado, clubes, torcedores e 

sociedade. O estádio reflete as contradições do Brasil, e a construção de um ambiente 

seguro e respeitoso depende não apenas de regulamentações, mas de uma 

transformação cultural que canalize a paixão pelo futebol como força motriz de 

mudança social. 

4.2. TRAGÉDIAS DO FUTEBOL 

A violência sempre foi parte ativa do meio futebolístico, na Inglaterra, os 

hooligans3 ingleses marcaram os anos 1970 e 1980 e a violência das torcidas 

organizadas também foram marcantes no Brasil, principalmente nos anos 1980 e 

1990. 

3A cultura popular inglesa denominou os torcedores causadores de distúrbios como hooligans, termo 

que posteriormente seria adotado em âmbito internacional, inclusive no meio acadêmico (Temóteo, 

2015. p.17). 

23 

Em 15 de abril de 1989, um dos eventos mais trágicos da história do futebol 

ocorreu no Estádio de Hillsborough, na Inglaterra, durante o jogo entre Nottingham 

Forest e Liverpool, pela semifinal da Copa da Inglaterra. Naquele dia, 97 torcedores 

perderam a vida ou enfrentaram complicações que os levaram a óbito anos mais tarde. 

O futebol inglês já havia sido marcado por uma tragédia anterior, a de Heisel, na qual 

39 torcedores morreram em confrontos entre as torcidas do Liverpool e da Juventus 

em um jogo pela Copa dos Campeões da Europa. Essa tragédia resultou na proibição 

dos clubes ingleses de participarem de competições europeias por cinco anos, sendo 

o Liverpool, cujos hooligans causaram a tragédia, excluído por um ano adicional. Na 

época, o governo inglês liderado por Margaret Thatcher buscava implementar suas 

ideias neoliberais em diversos aspectos da sociedade, incluindo o futebol (Costa, 

2022). A elitização observada no esporte e a modernização dos estádios são legados 

significativos desse período. 

O "Taylor Report", redigido por Peter Murray Taylor, foi o principal documento 

que fundamentou a modernização do futebol inglês. Nele, o autor analisou as causas 

da tragédia de Hillsborough e concluiu que mudanças na estrutura do futebol eram 

essenciais para prevenir a violência e tragédias. O relatório apontou a falta de 

estrutura no estádio e a falta de preparo policial como os principais responsáveis pela 

tragédia. Apesar de absolver os torcedores naquele dia, houve uma campanha para 

culpabilizar os torcedores do Liverpool (Costa, 2022). 

O jornal britânico "The Sun" publicou em sua capa a manchete "The Truth", 

contendo acusações falsas de que os torcedores teriam furtado, urinado nos corpos 

das vítimas e agredido seguranças e policiais durante a tragédia de Hillsborough. Em 

setembro de 2012, o mesmo jornal lançou uma edição com o título "The Real Truth", 

na qual fez um pedido de desculpas pelas informações falsas anteriormente 

publicadas. O primeiro-ministro da época, David Cameron, dirigiu-se ao parlamento 

inglês para apresentar desculpas públicas pelos erros que ocorreram durante o 

governo de Margaret Thatcher. Até hoje, persiste uma disputa jurídica por parte das 

famílias das vítimas em busca de justiça pelos 97. 

Mais do que um projeto neoliberal capitaneado pelo governo britânico 

de Thatcher sobre uma das paixões nacionais, o pacote de ações que 

mudou a cara do futebol inglês nos últimos 25 ano, notadamente o 

combate aos hooligans e o forte aumento no valor das entradas, foi 

obra dos donos dos clubes que, substituindo a classe trabalhadora e 

os torcedores organizados pela classe média como público das 

24 

arenas, conseguiram auferir lucros cada vez maiores e transformaram 

a Premier League - a primeira divisão do futebol inglês - em um dos 

melhores, se não o melhor campeonato de futebol do mundo (Oliveira, 

2015, p.12). 

Nos anos seguintes à tragédia de Hillsborough, o futebol inglês passou por uma 

profunda reestruturação. Os estádios na Inglaterra passaram por uma significativa 

reformulação, com uma das principais mudanças sendo a substituição dos lugares 

onde os torcedores ficavam em pé pela instalação de assentos em todos os setores. 

Essa transformação impactou profundamente a cultura do futebol no país, uma vez 

que os espaços que antes eram predominantemente ocupados pela classe 

trabalhadora — torcedores que muitas vezes tinham uma conexão mais visceral e 

passional com seus clubes — foram drasticamente reduzidos ou eliminados (Cruz, 

2005). 

Em 1992, os clubes da primeira divisão romperam com a Football League e 

criaram a Premier League com o objetivo de maximizar os lucros oriundos dos direitos 

de transmissão. Segundo reportagem4 do Globo Esporte, a liga anunciou um valor 

recorde de 6,7 bilhões de libras apenas para transmissões domésticas, com a 

possibilidade de ampliar ainda mais os lucros negociando os direitos com veículos 

internacionais. Esse movimento não apenas trouxe mais receita, mas consolidou a 

Premier League como uma das ligas mais competitivas e populares do mundo.  

Enquanto isso, o futebol brasileiro também enfrentava seus desafios, com 

episódios de violência marcantes. Um exemplo emblemático foi a "Batalha Campal" 

ocorrida na final da Copa São Paulo de Juniores de 1995, no estádio do Pacaembu. 

Naquele dia, as torcidas organizadas do Palmeiras (Mancha Verde) e do São Paulo 

(Independente) protagonizaram uma série de confrontos no campo. O Ministério 

Público chegou a pleitear a extinção de ambas as torcidas, resultando na renomeação 

da Mancha Verde para Mancha Alviverde e na reestruturação da Independente, que 

manteve seu nome.  

A violência no futebol não se limitou a eventos pontuais; ela continuou a 

permear o ambiente esportivo ao longo dos anos. Ataques a ônibus de times, brigas 

organizadas por grupos na internet e xingamentos racistas em estádios ao redor do 

4GE. Premier League anuncia valor recorde por direitos de TV: R$ 41,8 bilhões. Globo Esporte, 4 

dez. 2023. Disponível em: https://ge.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol

ingles/noticia/2023/12/04/premier-league-anuncia-valor-recorde-por-direitos-de-tv-r-418-bilhoes.ghtml. 

Acesso em: 24 jan. 2025. 

25 

mundo são exemplos de comportamentos que persistem. Muitos torcedores enxergam 

os estádios como locais onde "tudo é permitido", e atos criminosos são 

frequentemente justificados como manifestações de paixão. A falta de punição efetiva 

por parte do Estado permite que essas atitudes se perpetuem, criando um desafio 

global para o futebol. Diante desse cenário, é essencial analisar não apenas a cultura 

das torcidas organizadas, mas também os mecanismos de prevenção e repressão à 

violência no futebol. É necessário buscar soluções que promovam um ambiente mais 

seguro e respeitoso para todos os amantes do esporte, preservando o que há de 

melhor no futebol e combatendo aquilo que ameaça sua essência. O Estatuto do 

Torcedor (Lei 10.671, de 15 de maio de 2003) foi criado em um período de 

instabilidade no país, após a conclusão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) 

sobre a CBF e a Nike, além do amplamente divulgado incidente de superlotação e 

desabamento no Estádio São Januário (Oliveira, 2014. p.30). 

A leitura do Estatuto do Torcedor demonstra que a segurança dos 

torcedores e a contenção da violência na assistência das práticas 

desportivas é objeto de grande parte dos artigos positivados. Em uma 

análise quantitativa, é possível aferir-se que, dos quarenta e cinco 

artigos presentes na Lei, direta ou indiretamente, envolvem a questão 

de segurança. Ademais, oito dos seus doze capítulos contêm, ao 

menos, alguma referência à segurança (Oliveira, 2015, p.33). 

Apesar disso, o Estatuto do Torcedor não dispõe de mecanismos que protejam 

os torcedores contra a elitização nos estádios, tratando-os como uma figura única, 

sem considerar as significativas diferenças entre eles, como classe social, raça, 

gênero e idade (Castro, 2016, p.117). 

Além do impacto nos estádios, os torcedores desempenham um papel 

significativo na cultura brasileira fora desse ambiente, organizando eventos, 

participando de manifestações públicas e integrando-se às comunidades locais. 

Entretanto, esse panorama positivo não está isento de desafios e controvérsias. Os 

grupos de torcedores organizados enfrentam questões relacionadas à violência e 

comportamento inadequado, levando à implementação de diversas medidas para 

garantir a segurança nos estádios. Em resposta a episódios de conflito, medidas 

rigorosas foram adotadas, principalmente contra as torcidas organizadas.  

Embora alguns textos reconheçam que as torcidas organizadas 

constituam instituições multifacetadas e que, frequentemente, seus 

26 

integrantes são estigmatizados pela mídia e pela opinião pública, são 

comuns os discursos que fundem os torcedores organizados e os 

torcedores violentos numa mesma figura, colocando a violência como 

um elemento consubstancial também aos primeiros. Uma vez que 

essa associação contribui para tirar de cena o torcedor que se envolve 

em ações violentas e que não é filiado à torcida organizada, 

colocando-o na penumbra, pode-se dizer que, de partida, ela é 

dissimuladora. Mas ela também é abusiva, já que a identidade do 

torcedor organizado pacífico é contagiada pela ação violenta de 

alguns torcedores organizados. Em última instância, tal contaminação 

reveste todos os torcedores organizados com a imagem da violência 

e da delinquência (Lopes, 2013 p.60). 

A proibição de torcidas rivais em clássicos paulistas, promovida pelo Ministério 

Público de São Paulo, despertou considerável crítica por parte de torcedores, 

treinadores e especialistas em mídia. Em meio a essas discussões, é interessante 

notar a posição contrária do governo federal, expressa pelo secretário de Futebol e 

Direitos do Torcedor, José Luis Ferrarezi. Em uma reportagem5 da Uol, datada de 11 

de março de 2023, Ferrarezi argumenta firmemente contra a implementação da 

"torcida única", afirmando que tal medida não resolverá os problemas existentes e 

expressando uma posição radical contra essa abordagem. Esse debate evidencia a 

complexidade e a sensibilidade envolvidas na gestão do comportamento dos 

torcedores e na promoção de um ambiente seguro e inclusivo nos estádios brasileiros.  

Recentemente o tema de violência em torcidas organizadas retornou aos 

noticiários com a emboscada de torcedores organizados do Palmeiras aos torcedores 

da organizada do Cruzeiro. A Mancha Alviverde foi proibida de entrar em estádios com 

roupas da organização e a discussão sobre torcida única em jogos de times de 

estados diferentes ganhou força e está sendo discutida entre governantes e 

responsáveis pela segurança pública dos estados. Essa discussão resultou em um 

jogo sem público entre as duas equipes, mesmo que a emboscada tenha acontecido 

em um dia que não houvesse jogo entre as equipes.  

A discussão sobre violência nos estádios continua sendo feita de forma rasa e 

sem olhar a complexidade da situação que é vivida pelos brasileiros. O implemento 

de torcida única e a proibição de entrada nos estádios com vestimentos da torcida 

organizada não resultam em melhorias e só servem para deixar o espetáculo cada 

5MATTOS, Rodrigo. Governo federal se posiciona contra torcida única e banir organizadas. UOL 

Esporte, 11 mar. 2023. Disponível em: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/rodrigo

mattos/2023/03/11/governo-federal-se-posiciona-contra-torcida-unica-e-banimento-de

organizada.htm. Acesso em: 24 jan. 2025. 

27 

vez mais pobre. Definir uma política de segurança pública mais eficaz e mais justa 

com camadas menos abastadas da população é necessário. 

4.3. MODERNIZAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO 

O futebol reflete a sociedade em que está inserido, e com a propagação do 

neoliberalismo no mundo, o esporte também foi profundamente impactado. Segundo 

Ferreira (2018), a partir da década de 1970, a ultra-mercantilização do futebol se 

acentuou, transformando-o significativamente. A busca por lucros se tornou o principal 

motor do esporte, decisões são tomadas de acordo com os interesses comerciais e 

não esportivos ou até éticos.  

A elitização do futebol brasileiro, evidenciada principalmente pelo aumento dos 

ingressos. Ir ao estádio de futebol sempre foi um programa familiar para famílias de 

todas as classes sociais. Pierre Bourdieu (1978) argumenta que as desigualdades 

sociais são perpetuadas de geração em geração por meio da transmissão do capital 

cultural e dos hábitos. Nesse sentido, as elites poderiam ver com desconfiança a 

possibilidade de as camadas mais populares alcançarem o sucesso por meio do 

esporte, o que poderia ameaçar a estrutura estabelecida. Esse contexto de 

profissionalização versus amadorismo, somado à mercantilização e elitização do 

futebol, evidencia como o esporte é um reflexo das tensões e transformações sociais. 

A pressão pela inclusão e democratização do futebol continua a ser uma 

questão relevante, destacando a necessidade de políticas que promovam a equidade 

e a inclusão no esporte, garantindo que ele permaneça um espaço acessível a todos, 

independentemente de sua origem socioeconômica. 

Da mesma forma que o percurso da história nacional, o futebol 

também mudava. Assim como acontecia no país, a demanda por maior 

participação popular aumentava, sendo impossível manter antigos 

privilégios e estruturas. Portanto, a regulamentação e a 

profissionalização do futebol não foram fatos isolados, mas parte da 

polītica trabalhista que marcou o primeiro governo Vargas (Magalhães, 

2012). 

A modernização do esporte no Brasil ocorreu por meio de políticas públicas que 

utilizavam o futebol para legitimar os avanços pretendidos pelo Governo Vargas. O 

Estado brasileiro desempenhou um papel crucial na regulamentação e normatização 

28 

do futebol no país. Desde o período do Estado Novo, em 1941, quando foi 

estabelecido o Conselho Nacional de Desportos (CND), o Estado passou a contar com 

um órgão responsável pela orientação, fiscalização e incentivo à prática desportiva no 

país. Durante o Estado Novo, o futebol foi promovido como uma ferramenta para 

fomentar o sentimento patriótico e promover a harmonia nacional.  

Posteriormente, em 1975, a criação da Lei nº 6.251 abriu caminho para uma 

maior interferência do mercado no futebol brasileiro. Nos anos 1980 e 1990, o futebol 

passou a ser percebido como uma atividade lucrativa, levando o Estado brasileiro a 

buscar normatizar as relações entre o futebol e o mercado, intervindo nos rumos do 

esporte no país.  

A Lei Pelé, promulgada em 1998, introduziu uma nova característica no 

processo de modernização do futebol: a presença mínima do Estado, que deixou de 

atuar como tutor do esporte, permitindo que as regras fossem ditadas exclusivamente 

pelo mercado (Ferreira, 2018). As premissas a serem seguidas tornaram-se a 

eficiência e o lucro, com a relação entre futebol e mercado fundamentada no princípio 

da livre concorrência.  

No Brasil foi instaurado, em 2004, a Comissão Nacional de Prevenção da 

Violência para a Segurança dos Espetáculos Esportivos, conhecida como Comissão 

Paz no Esporte. Com clara e manifesta inspiração no modelo inglês e estruturado a 

partir do conteúdo do Relatório Taylor (Oliveira, 2015 p.15). O objetivo do relatório 

produzido era identificar e propor soluções para os problemas de violência que 

ocorriam no Brasil.  

A manutenção de velhas práticas ao lado de medidas modernizadoras 

fora de lugar acabou impedindo a criação das tais “condições básicas 

de conforto e segurança” previstas pela Comissão Paz no Esporte e 

tiveram efeitos nocivos sobre a cultura torcedora do país e a presença 

de público nos estádios, deixando a taxa de ocupação do Campeonato 

Brasileiro muito abaixo da média mundial, e atrás de países com pouco 

ou nenhuma tradição em futebol (Oliveira, 2015, p.16). 

No Brasil, várias leis foram promulgadas com o objetivo de viabilizar políticas 

públicas para o desenvolvimento do esporte. Entre elas, destaca-se a Lei n. 9.615/98, 

conhecida como Lei Pelé (Brasil, 1998), a Lei n. 9.981/2000 (Brasil, 2000), e a Lei n. 

10.671, de 15 de maio de 2003, também chamada de Estatuto do Torcedor (Brasil, 

2003). Além disso, a Lei n. 10.672, de 15 de maio de 2003, conhecida como Lei da 

29 

Moralização do Futebol (Brasil, 2003), e a Lei n. 11.438, de 29 de dezembro de 2006, 

chamada Lei de Incentivo ao Esporte (Brasil, 2006), foram sancionadas. 

Posteriormente, o Estatuto do Torcedor foi atualizado pela Lei n. 12.299, de 27 de 

julho de 2010 (BRASIL, 2010). Segundo Pereira (2020), são essas leis que permitem 

o que foi definido como “modernidade na gestão dos clubes de futebol” (p.38).  

A Lei Bosman, de 1995, foi um marco importante para o futebol, pois mudou 

radicalmente a maneira como os jogadores se movem entre os clubes. Antes dela, os 

jogadores ficavam presos aos contratos com seus times, e as transferências eram 

dominadas pelos clubes. Tudo isso mudou com a luta de Jean-Marc Bosman, um 

jogador belga que desafiou seu clube, o RFC Liège, para que os atletas tivessem o 

direito de se transferir livremente ao fim de seus contratos, sem a necessidade de 

pagar ao time anterior (Ferreira, 2018). O que Bosman queria, na verdade, era que os 

jogadores fossem tratados como qualquer trabalhador europeu, com a mesma 

liberdade para negociar seu futuro. Sua vitória não apenas deu mais poder aos atletas, 

mas também fez os agentes esportivos ganharem destaque e elevou os salários dos 

jogadores de forma impressionante. 

Aqui no Brasil, a discussão sobre modernizar o futebol está cada vez mais 

presente. A ideia é transformar os estádios, organizar o esporte de maneira mais 

profissional, como uma grande empresa. Muitos acreditam que isso é o que o futebol 

precisa para resolver seus problemas. Mas, ao mesmo tempo, há uma preocupação 

crescente de que essa modernização esteja afastando o futebol de suas raízes. 

Acontece que, ao tornar o esporte cada vez mais acessível apenas para quem tem 

dinheiro, corremos o risco de perder o que ele tem de mais verdadeiro: a sua ligação 

com as pessoas comuns, com as classes populares. Ao focar apenas na parte 

empresarial e elitizada, o futebol pode deixar de ser aquele esporte que todos amam 

e têm acesso, tornando-se um produto consumido apenas pelos mais ricos. Esse 

processo de exclusão das classes populares pode ser uma forma de gentrificação do 

próprio ambiente do futebol — um tema que vou abordar com mais calma em um 

capítulo mais adiante. Porque, no fundo, o que todos queremos é um futebol que 

continue a ser do povo. 

A modernização conservadora, que é conduzida de forma a preservar as 

estruturas do poder estabelecidas, tem sido uma característica das modernizações do 

30 

futebol brasileiro desde sua origem. Isso se dá porque o futebol foi introduzido no 

Brasil por sua elite dirigente, que estava impregnada por valores liberais vindos da 

Europa, mas ainda carregava os valores tradicionais de um passado colonial e 

escravocrata. 

Se o moderno no futebol foi a profissionalização dos atletas, hoje essa 

profissionalização, agora direcionada para os clubes de futebol e seus dirigentes, 

representa um estágio mais avançado da evolução no esporte. É necessário que haja 

um equilíbrio entre a modernização e a preservação das características populares e 

democráticas do esporte. 

A subalternidade do conjunto de dirigentes de clubes é fator crucial 

para a manutenção da hegemonia da “classe dominante”: os 

dirigentes da CBF, que se mantêm no cargo por anos a fio, criando 

uma espécie de “corte aristocrática”, e na negociação com a 

“burguesia” do futebol, que são os dirigentes de clubes e federações, 

que conservam o poder alterando a agenda e normal, sem modificar 

os pilares básicos da administração (Pereira, 2020, p.30). 

De acordo com Pereira (2020), a manutenção dos campeonatos estaduais 

serve como um meio de manter o controle das federações, possibilitando que os 

mesmos dirigentes, muitas vezes envolvidos em escândalos de corrupção no futebol 

brasileiro, se perpetuem no poder.  

5. MEGA EVENTOS, MODERNIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS DOS 

ESTÁDIOS E OS TORCEDORES CONSUMISTAS  

Os megaeventos esportivos, como enfatiza Curi (2013), estão profundamente 

conectados a acontecimentos de alcance global, onde o país ou a cidade anfitriã se 

coloca sob o holofote das influências e tendências internacionais. O principal 

argumento em favor da realização desses eventos de grande porte é o legado positivo 

que supostamente deixam para a localidade. Contudo, esse impacto tem sido alvo de 

intensos debates entre especialistas e jornalistas, que frequentemente questionam se 

o legado prometido se concretiza ou se, na realidade, esses eventos resultam em 

"elefantes brancos" — estruturas subutilizadas ou abandonadas — e em escândalos 

de corrupção associados à construção das instalações necessárias para sediá-los. 

31 

O conceito de arenas multiuso surgiu nos Estados Unidos no final da década 

de 1980, com um modelo voltado para instalações que atendiam tanto a jogos de 

hóquei quanto de basquete, além de campos compartilhados por equipes de beisebol 

e futebol americano (Santos, 2014). Atualmente, os eventos esportivos nos Estados 

Unidos constituem um dos maiores mercados de entretenimento do mundo. Um 

exemplo notável é a realização do Super Bowl, que inclui o famoso show do intervalo, 

frequentemente patrocinado por grandes marcas. 

De olho na possibilidade de sediar os Megaeventos esportivos, como Copa do 

Mundo e Olimpíadas, o Brasil passou por um processo de arenização dos estádios. 

Para o Pan Americano, Copa do Mundo e Olimpíadas foram reformados ou 

construídos 12 estádios no Brasil, além de reformas que aconteceram sem ligação 

com os eventos citados, como o Allianz Parque do Palmeiras. Esse processo de 

arenização ficou conhecido como “Padrão FIFA”. Um país que deseje ser sede de 

uma Copa do Mundo precisa se enquadrar em diversas exigências cobradas pela 

FIFA6. Segundo Junior (2017) a maior reclamação por parte da mídia especializada 

era a respeito da Lei Geral da Copa, aprovada em 05 de junho de 2012. Segundo 

reportagens da época7, a promulgação de tal lei suspendia temporariamente o código 

de defesa do consumidor, o estatuto do idoso e o do torcedor.  

As transformações no gerenciamento e nas condições físicas do Estádio 

Maracanã provocaram impactos significativos em sua história e cultura. A partir da 

década de 1990, com a ascensão do neoliberalismo global e a crescente 

mercantilização do esporte, os preços dos ingressos sofreram uma elevação 

considerável. Esse aumento resultou na exclusão das classes populares, afastando 

uma parte substancial da população do acesso ao estádio. Conforme reportado pelo 

6Com a possível suspensão do CDC (Código do Consumidor) pela FIFA, como ficam os direitos do 

consumidor? InfoMoney. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/com-a

possivel-suspensao-do-cdc-pela-fifa-como-ficam-os-direitos-do-consumidor/. Acesso em: 20 jan. 

2025. 

Copa 2014: cota social de ingressos no lugar da meia-entrada suspende direitos. InfoMoney. 

Disponível em: https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/copa-2014-cota-social-de-ingressos

no-lugar-da-meia-entrada-suspende-direitos/. Acesso em: 20 jan. 2025. 

7Com a possível suspensão do CDC pela FIFA, como ficam os direitos do consumidor? InfoMoney. 

Disponível em: https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/com-a-possivel-suspensao-do-cdc

pela-fifa-como-ficam-os-direitos-do-consumidor/. Acesso em: 20 jan. 2025. 

Copa 2014: cota social de ingressos no lugar da meia-entrada suspende direitos. InfoMoney. 

Disponível em: https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/copa-2014-cota-social-de-ingressos

no-lugar-da-meia-entrada-suspende-direitos/. Acesso em: 20 jan. 2025. 

32 

UOL8, o ingresso para a reabertura do Maracanã, em 2013, custava 30% a mais que 

a média dos ingressos dos jogos do Campeonato Brasileiro no mesmo ano, refletindo 

uma tendência a elitização e restrição ao público tradicional. O Maracanã, que antes 

era um espaço democrático e popular, tornou-se uma arena elitizada e excludente. 

Segundo Teixeira (2017), a questão central não é a modernização dos estádios, que 

sempre foi vista como necessária, mas sim a implementação de um modelo 

estrangeiro sem olhar e adaptar para a realidade vivida no Brasil. 

As reformas para os Jogos Pan-Americanos de 2007 foram as que mais 

impactaram o Estádio Maracanã, nos primeiros 60 anos de sua história. A obra 

resultou no fim da geral, o que alterou significativamente o público presente no 

estádio e contribuiu para a sua elitização. Além disso, a cobertura, que representou 

um gasto de dinheiro público, produziu uma mudança arquitetônica drástica no 

Maracanã, que perdeu quase completamente as suas características originais. 

Essas mudanças resultaram em um distanciamento das classes populares do 

acesso ao estádio, o que gerou uma elitização não natural, mas sim através de um 

projeto de cidade e de estádio que privilegia o torcedor consumidor, buscando 

retirar dos estádios aqueles indivíduos considerados vândalos, notavelmente 

torcedores aficionados e/ou das classes populares nessa concepção elitista. O 

processo de criação desse estádio-cenário com um menor contingente de 

espectadores e foco nas transmissões televisivas, portanto, é marcado pela tensão 

social entre classes econômicas que vivem em constante embate. A geral, antes 

um elemento marcante do estádio foi extinto.  

Como já visto, a elitização ocasiona a exclusão de uma camada social 

apaixonada pelo esporte, e que não é mais capaz de ir frequentemente 

aos estádios. Esta é a consequência central, mas é possível 

desmembrá-la em outros pontos também. Assim, se os telões 

encantam e nos permitem ver no detalhe o lance do jogo, perdemos a 

emoção do radinho de pilha no ouvido enquanto buscávamos enxergar 

em meio à multidão. A cadeira confortável nos tira o calor humano de 

compartilhar, em pé, a vibração de um gol de seu time. Não à toa 

diversas músicas e cânticos de torcida falam da importância da 

arquibancada (Ebling 2014, p.60). 

8Maracanã gasta mais do que planejado e tem ingresso 30% mais caro. UOL. Disponível em: 

https://www.uol.com.br/esporte/futebol/campeonatos/brasileiro/serie-a/ultimas

noticias/2013/09/12/maracana-gasta-mais-do-que-planejado-e-tem-ingresso-30-mais-caro.htm. 

Acesso em: 20 jan. 2025. 

33 

O Allianz Parque, hoje, é muito mais do que apenas um estádio de futebol. Ele 

se tornou um verdadeiro símbolo da modernização dos espaços públicos, 

transformando-se em uma arena multiuso que também é palco de grandes eventos 

culturais. Antigamente, os estádios eram vistos exclusivamente como templos do 

esporte. Hoje, eles passam por uma reinvenção: espaços concebidos para 

experiências musicais únicas. O Allianz Parque, por exemplo, que já recebeu nomes 

como Paul McCartney, Linkin Park e Katy Perry, agora se destaca como um cenário 

pensado para shows espetaculares, transformando cada apresentação em um evento 

inesquecível e reafirmando sua versatilidade e inovação na cidade. Sua construção 

começou em 2011, quando o antigo Palestra Itália, que era a casa do Palmeiras, deu 

lugar a essa nova arena, que mais do que um local, representa um marco na história 

de São Paulo. Hoje, ele não é só um lugar de futebol, mas um ponto de encontro onde 

a cultura se encontra com a paixão pelo esporte. 

O Allianz Parque foi um empreendimento inovador, com todas as 

características de pioneirismo, urdido por aproximações sucessivas 

entre o pensar e as possibilidades que surgiam ao longo do seu 

incremento. Não foi algo que chegou ao Brasil pronto, que se construiu 

baseado em planta de estádios de fora do país, embora, se lastreasse 

nos conceitos do que havia na Europa e Estados Unidos, sobretudo, 

com relação ao conforto e à condição de prover espetáculos não 

esportivos. Não havia paradigmas no Brasil, e partiu-se de uma 

conclusão econômica: só em São Paulo, com certeza, e, talvez Rio de 

Janeiro, a ver, poder-se-ia pensar em um empreendimento do tipo, 

naquele momento, com segurança de rentabilidade para o investidor 

privado (Pereira, 2020, p.102). 

No último ano, antes do fechamento do Palestra Itália para reforma, o Palmeiras 

registrou uma média de 11.234 torcedores por jogo, conforme reportagem da UOL9. 

Após a inauguração do Allianz Parque, a equipe alcançou uma média de 28.908 

espectadores, de acordo com uma matéria do GE10. Essa média, embora 

significativamente superior, foi impactada pela pandemia, que limitou o acesso ao 

9MATTOS, Rodrigo. Média de público do Palmeiras no Brasileiro tem aumento de 163% em 5 anos. 

UOL Esporte, 30 nov. 2015. Disponível em: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas

noticias/2015/11/30/media-de-publico-do-palmeiras-no-brasileiro-tem-aumento-de-163-em-5

anos.htm. Acesso em: 24 jan. 2025. 

10 SOUZA, Lucas. Palmeiras se despede da arena em 2023 com recorde de público e bilheteira. GE. 

3 dez. 2023. Disponível em: 

https://ge.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/2023/12/03/palmeiras-se-despede-da-arena-em

2023-com-recorde-de-publico-e-bilheteira-veja-numeros.ghtml. Acesso em: 24 jan. 2025. 

34 

estádio. Além disso, o GE destacou que a média de arrecadação nesse período foi de 

R$1.753.384,96.  

O aumento no número de torcedores presentes aos jogos está diretamente 

relacionado ao reajuste dos ingressos e à implementação de programas de sócios

torcedores, que incentivam e facilitam a ida ao estádio. No entanto, essa estratégia 

também contribui para o afastamento de torcedores de baixa renda, especialmente 

aqueles que precisam percorrer longas distâncias para comparecer aos jogos em São 

Paulo.  

Os sócios-torcedores se tornaram um ativo que vai além dos ingressos para 

assistir aos jogos. Eles oferecem encontro com jogadores, tour pelos estádios, 

brindes, entre outros benefícios (Mandelli, 2018). Como podemos verificar através das 

múltiplas ofertas de benfeitorias e propostas aos torcedores, cada vez mais, parece 

que no mundo atual é necessário não apenas vender produtos, mas sim vender uma 

experiência que resulte na sua fidelização.  

O Neo-Química Arena, estádio do Corinthians na cidade de São Paulo, foi 

inaugurado em 2014 e foi uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, pode ser um 

exemplo. Dentro do estádio são oferecidos diversos serviços, uma academia, acesso 

à saúde, camarote kids, uma megaloja intitulada Poderoso Timão, um estúdio de 

estética, além do Camarote Fielzone. A arena também foi projetada para receber 

eventos de todos os portes (Azevedo; Marques, 2021). É possível notar que os 

estádios que se tornaram arenas não são apenas mais um templo do futebol, são um 

negócio que movimenta milhões de reais, todos os anos, e que necessita de uma 

estrutura cada vez mais sofisticada e de um elevado custo de manutenção.  

O processo de arenização, no qual se insere a edificação do estádio 

corintiano, transformou estes equipamentos futebolísticos em espaços 

destinados a um público específico, disposto a pagar um alto valor por 

conforto e segurança, com o propósito de consumir o espetáculo jogo 

de futebol. Desse modo, os torcedores que não desejam atuar como 

simples consumidores, aqueles que participam ativamente e 

visualizam o estádio como um local para expressar suas opiniões e 

reivindicações são cada vez mais penalizados, percebidos como 

público que deve ser afastado do estádio (Azevedo; Marques, 2021). 

Vivemos em uma sociedade marcada pelo consumo desenfreado, onde somos 

constantemente bombardeados por propagandas direcionadas. As redes sociais 

desempenham um papel central nesse processo, utilizando dados pessoais para 

35 

mapear preferências e oferecer produtos ou serviços por meio de anúncios altamente 

segmentados. 

Segundo Bauman (2008), o ato de consumir tornou-se algo tão rotineiro que 

muitas vezes passa despercebido no fluxo das atividades diárias. Contudo, o consumo 

é uma prática fundamental da existência humana, presente desde os primórdios da 

humanidade. Desde a caça para obtenção de alimentos até compras realizadas pelo 

celular com entregas no mesmo dia, o consumo evoluiu, mas sua essência permanece 

inalterada. Como afirma Bauman: “Qualquer modalidade de consumo considerada 

típica de um período específico da história pode ser apresentada, sem muito esforço, 

como uma versão ligeiramente modificada de modalidades anteriores” (2008, p. 37). 

Isso demonstra que, apesar das mudanças tecnológicas e culturais, o consumo 

continua a desempenhar um papel estruturante na sociedade.  

O consumo transforma-se em consumismo quando deixa de ser apenas uma 

atividade necessária e passa a desempenhar um papel central na vida, tornando-se 

uma parte vital do convívio social. Nesse contexto, as escolhas de consumo começam 

a guiar as relações interpessoais, aproximando indivíduos que compartilham 

preferências similares no ato de consumir. O consumismo molda a dinâmica social ao 

alinhar interesses e criar conexões baseadas no que se consome, evidenciando o 

impacto cultural e comportamental desse fenômeno (Guerra, 2010, p.55).  

Segundo Bauman (2008, p. 41), “de maneira distinta do consumo, o que é 

basicamente uma característica do ser humano como indivíduo, o consumismo é 

atribuído à sociedade.” O consumismo caracteriza-se por um ciclo infinito: assim que 

uma pessoa adquire o item desejado, ele logo perde o encanto, sendo rapidamente 

substituído por outro. Com o constante bombardeio de novidades e inovações 

tecnológicas, o interesse pelo novo só cresce, criando uma insatisfação permanente 

com as aquisições atuais. Esse ciclo reflete a lógica do consumismo, onde o desejo 

nunca é completamente saciado (Guerra, 2010). Conforme Guerra (2010):  

Essa sociedade que se apresenta como promessa de satisfação dos 

desejos num grau nunca antes visto na história se constitui, no 

entanto, sobre o consumismo e a perpétua insatisfação que o motiva. 

Para sua manutenção, a sociedade de consumo depende de continuar 

a proporcionar grandes sonhos que são continuamente substituídos 

por outros, o que funciona como um moto-contínuo que garante sua 

existência. Esse processo, que conta em sua constituição com a 

36 

transferência de significados culturais para os objetos, como vimos 

anteriormente, pode dar-se de maneiras distintas, seja através da 

desvalorização dos bens de consumo logo após tê-los promovido 

como sonhos, seja pela satisfação de sonhos que inevitavelmente 

levam a outros ainda maiores (Guerra, 2010, p.60). 

Proni (1998) afirma que é possível considerar o consumo relacionado ao 

esporte contemporâneo a partir de três perspectivas interligadas para análise: 

1) a do consumo de bens: os mercados de artigos e equipamentos 

esportivos cresceram com a difusão de práticas esportivas 

amadoras e/ou “informais” (maior acesso à prática de muitas 

modalidades), com a própria expansão da indústria esportiva, com 

a conversão das estrelas do esporte em modelos de saúde, vigo, 

sucesso e realização pessoal, e em razão de um crescente número 

de “não-praticantes” desejar incorporar, através desse consumo, 

um estilo de vida “esportivo”; 

2) a do consumo de serviços: a grande demanda por iniciação ou 

supervisão esportiva e o alto apreço social por um corpo 

modelado, que podem ser constatados na proliferação das 

academias e centros esportivos de uso privado, estão associados 

à oferta de práticas esportivas dirigidas e ao surgimento de novos 

métodos de preparação física (os quais passam a ser vistos como 

investimento pessoal para combater o estresse do trabalho e para 

aumentar as chances de sucesso profissional ou social); e 

3) a do consumo de espetáculos: a cobertura dos eventos esportivos 

pelos meios de comunicação de massa, em especial pelas redes 

de televisão, não só transformou o espetáculo esportivo em uma 

das principais opções de entretenimento, expandindo assim um 

promissor segmento das atividades de lazer, como estimulou o 

desenvolvimento do marketing esportivo e a comercialização das 

competições de alto nível (Proni, 1998, p.80). 

O futebol se enquadra perfeitamente na análise de Proni (1998) sobre o 

consumo associado ao esporte contemporâneo. No âmbito do consumo de bens, os 

clubes de futebol investem constantemente em novas arenas, tecnologias, estratégias 

de marketing e, sobretudo, na aquisição de jogadores para manterem sua 

competitividade e atratividade. No consumo de serviços, a paixão dos torcedores pelo 

futebol alimenta o mercado de produtos e serviços relacionados, desde artigos 

esportivos até experiências exclusivas, como academias associadas a clubes. Já no 

consumo de espetáculos, o futebol destaca-se como um dos principais eventos 

globais, exemplificado pela final da Copa do Mundo entre França e Argentina, que 

37 

atraiu cerca de 1,5 bilhão de espectadores (Goal, 2024)11, evidenciando a relevância 

do esporte como fenômeno cultural e mercadológico.  

Hoje, uma equipe de futebol vai muito além de seu papel tradicional no campo; 

ela se tornou uma marca global a ser explorada e um poderoso motor econômico, 

gerando grandes fluxos financeiros ao redor do mundo. Em matéria publicada pelo GE 

(2024)12, as equipes brasileiras da primeira divisão do país, até o momento da 

reportagem (agosto), movimentaram mais de 2 bilhões de reais em 301 jogadores no 

ano de 2024. Isso demonstra que os investimentos necessários para competir em alto 

nível no mercado brasileiro alcançaram números impressionantes. O futebol é o sonho 

de diversas crianças que nasceram no Brasil, porém poucas delas conseguem chegar 

a atingir o nível de jogadores profissionais e uma pequena parcela serão jogadores 

que jogaram em níveis de grandes equipes europeias, sendo reconhecidos 

mundialmente.  

As transferências de jogadores de futebol foram ficando cada vez mais 

flexíveis e cresceram a partir da legislação, tomando-se como base as 

leis Zico e Lei Pelé, que foram garantindo maiores direitos aos 

jogadores sobre o seu passe e desse modo, os vínculos contratuais 

com os clubes formadores passaram a ficar mais flexíveis (Araujo, 

2017, p.17). 

A cada temporada, fica claro como os clubes europeus estão cada vez mais 

voltados para a juventude, buscando talentos ainda muito novos, com o objetivo de 

finalizar sua formação como jogadores na Europa e prepará-los para o mais alto nível 

do futebol. Exemplos como Endrick e Estevão, do Palmeiras, e Vinícius Júnior e 

Rodrygo, do Flamengo e Santos, mostram como esses clubes estão olhando para o 

futuro. Muitos desses jovens nem completaram 18 anos e já são vendidos, porque os 

clubes sabem que têm um potencial enorme pela frente. Para eles, não se trata 

apenas de ter bons jogadores no time, mas de investir em alguém que, com o tempo, 

pode se tornar uma estrela do futebol mundial. E, claro, há também a questão 

11 GOAL. Super Bowl, Copa do Mundo ou Liga dos Campeões: qual evento tem maior audiência no 

planeta. Goal, 2025. Disponível em: https://www.goal.com/br/not%C3%ADcias/super-bowl-copa-do

mundo-ou-liga-dos-campeoes-qual-evento-tem-maior-audiencia-no-planeta/blte4afd89eb81e1148. 

Acesso em: 20 jan. 2025. 

12 ESPIÃO ESTATÍSTICO. Times da Série A superam a marca de dois bilhões de reais em reforços 

no ano; veja quem mais gastou. Globo Esporte, 29 ago. 2024. Disponível em: 

https://ge.globo.com/espiao-estatistico/noticia/2024/08/29/times-da-serie-a-superam-a-marca-de-dois

bilhoes-de-reais-em-reforcos-no-ano-veja-quem-mais-gastou.ghtml. Acesso em: 20 jan. 2025. 

38 

financeira, porque ao apostar nesses talentos, os clubes sabem que podem colher 

frutos não apenas no campo, mas também no mercado. É uma aposta que envolve 

riscos, mas que, ao mesmo tempo, é uma forma de garantir que, lá na frente, esses 

jovens tragam grandes retornos, tanto para o time quanto para o próprio jogador. No 

fundo, é uma estratégia para olhar o jogo a longo prazo, não só como uma partida, 

mas como uma construção de futuro. 

Em uma matéria publicada pelo GE (2024)13, o Chelsea foi destacado como o 

clube que mais gastou na última década, com impressionantes R$17,2 bilhões em 

contratações. Juntas, as dez primeiras equipes do ranking somaram R$106,3 bilhões 

em investimentos no mesmo período. Esses números revelam a magnitude do aporte 

financeiro necessário para que os clubes se mantenham competitivos no cenário 

global, disputando os principais títulos e atraindo grandes talentos. Vale ressaltar que 

esses valores não incluem os gastos com salários de jogadores e funcionários, nem 

as despesas com a manutenção das infraestruturas de treinamento e estádios, que 

também são essenciais para o funcionamento e crescimento das equipes. As grandes 

equipes de futebol são compostas por jogadores de diferentes países, refletindo um 

fenômeno global.  

Como destaca Rial (2009, p. 4), "o sistema futebolístico aqui, assim como em 

outras áreas, antecipa dinâmicas sociais de globalização". Esse movimento, em que 

talentos de diversas partes do mundo se reúnem em clubes de elite, não só fortalece 

a competitividade das equipes, mas também evidência como o futebol se conecta às 

transformações globais, refletindo as trocas culturais e econômicas que moldam 

nossa sociedade.  É notório que o futebol europeu ainda tem uma grande vantagem 

econômica em relação ao futebol brasileiro.  

Os clubes europeus se consolidaram como marcas globais, com um alcance 

midiático que ultrapassa fronteiras geográficas, graças ao seu enorme poder de 

atração e visibilidade. Esse status proporciona aos jogadores a oportunidade de 

disputar uma das competições mais prestigiadas do mundo: a UEFA Champions 

League. A participação nesta competição, além de ser um marco esportivo, também 

potencializa a projeção da marca do clube e a valorização individual dos atletas, em 

13 GE. "Chelsea é o clube que mais gastou em reforços na última década: R$ 17 bilhões." Globo 

Esporte, 8 set. 2024. Disponível em: https://ge.globo.com/futebol/futebol

internacional/noticia/2024/09/08/chelsea-e-o-clube-que-mais-gastou-em-reforcos-na-ultima-decada-r

17-bilhoes.ghtml. Acesso em: 20 jan. 2025. 

39 

um cenário altamente competitivo e de visibilidade internacional. O alto nível de 

exposição que esses clubes oferecem atrai não apenas investimentos, mas também 

talentos de diferentes partes do mundo, reforçando a dimensão global do futebol. 

Outra vertente do consumismo que podemos observar é a partir dos torcedores 

que, por conta de sua paixão, são induzidos a consumir cada vez mais produtos que 

seu time do coração vende. Hoje em dia as equipes diversificaram muito na oferta de 

produtos para consumo dos torcedores. Vai desde as clássicas camisetas até 

agências de viagens que vendem viagens para o torcedor acompanhar seu time em 

jogos em outros estados ou países. O protagonismo, antes atribuído a paixão dos 

torcedores, vem cedendo espaço para o conforto e o espetáculo, deslocando o foco 

da paixão para o consumo. A espetacularização do esporte tem gerado novas formas 

de expressar o apoio às equipes. Nas arquibancadas dos estádios, observa-se um 

comportamento cada vez mais comum, que envolve tirar fotos, gravar vídeos e, com 

a popularização de aplicativos de vídeos curtos, até mesmo realizar as famosas 

"dancinhas do TikTok"14. Esse fenômeno levanta um novo debate sobre o modo de 

torcer, com torcedores mais tradicionais e apaixonados, que frequentam os estádios 

há anos, rotulando a nova geração como "nutella"15, em uma luta pela preservação 

dos torcedores "raízes" que priorizam o jogo e o apoio incondicional ao seu time. 

É possível constatar que o adepto pode assumir um comportamento 

em relação ao torcer, bem próximo ao ato de consumir qualquer outro 

tipo de lazer e não ser impulsionado fundamentalmente por seu 

ímpeto sentimental com o seu clube preferido. A não conquista de 

uma vitória ou de um título é capaz de fomentar no indivíduo a ideia 

de que foi lesado, que adquiriu um produto defeituoso onde pagou o 

ingresso para adentrar o estádio - por algo que não funciona (Teixeira, 

2017, p 29). 

O filósofo francês Guy Debord, em sua obra A Sociedade do Espetáculo (1967), 

argumenta que, na sociedade contemporânea, as relações sociais e culturais são 

mediadas pelas imagens e pela aparência, afastando as pessoas de uma 

compreensão mais autêntica da realidade e transformando tudo em um produto 

14 As dancinhas do aplicativo de compartilhamento de vídeos Tik Tok são coreografias curtas que são 

gravadas e exibidas, na maioria, por pessoas jovens, no ritmo de alguma música popularmente 

conhecida.  

15 São chamados torcedores “nutella”, os torcedores que preferem o espetáculo e o confronto ao jogo 

e apoiar a equipe. 

40 

consumível. Essa crítica encontra eco no futebol atual, que deixou de ser apenas um 

jogo para se tornar um espetáculo global. A experiência do torcedor ultrapassa o 

simples ato de assistir ao jogo. As modernas arenas são projetadas para atender a 

um consumidor exigente, oferecendo camarotes luxuosos, salas VIP para convidados, 

restaurantes de alto custo e outras comodidades que transformam o esporte em um 

evento de entretenimento. Paralelamente, a cobertura midiática em grandes 

competições desempenha um papel central na espetacularização do futebol. Com o 

apoio de marcas globais, cria-se o imaginário de que consumir esse produto – seja 

por meio de ingressos, transmissões ou merchandising – é imprescindível. 

Debord (1967) descreve o conceito de "monopólio da aparência", no qual 

apenas o que é amplamente visível é valorizado. Esse fenômeno é evidente no futebol 

globalizado, onde competições como a Premier League inglesa dominam a atenção e 

os recursos financeiros, aumentando a desigualdade em relação a ligas menores que 

não conseguem oferecer o mesmo nível de espetáculo. Essa concentração de 

visibilidade e capital reforça a lógica de mercado no esporte. Nesse contexto, o 

torcedor tradicional, antes movido exclusivamente pela paixão, é transformado em um 

consumidor passivo. Influenciado pelo bombardeio de informações e publicidade, ele 

consome produtos como camisetas, transmissões pagas e ingressos caros sem 

questionar o impacto disso na essência do futebol. A mercantilização do esporte altera 

sua natureza, substituindo o "valor emocional" pelo "valor de mercado" e reduzindo a 

relação torcedor-clube a uma transação comercial. 

Segundo o antropólogo Antônio Oswaldo Cruz (2005), o estádio está em um 

processo de transformação, deixando de ser acessível a todos, se voltando para um 

torcedor mais endinheirado. O público antes visto como torcedor, movido pela paixão 

do clube, agora é visto como consumidor de um produto que é o centro de um mercado 

que gera bilhões de lucro ao redor do mundo. Segundo Christopher Gaffney, em uma 

reportagem16 publicada pela apublic.org, em 23 de agosto de 2013, as novas arenas 

alteram o comportamento do torcedor.  

É a domesticação da experiência pública. Você se sente mais em 

casa, mais relax, você senta na cadeira com encosto, com um drink 

na mão e assiste o jogo com uma atitude mais passiva. O torcedor 

16 GAFFNEY, Christopher. As novas arenas alteram o comportamento do torcedor. Apublic.org, 23 

ago. 2013. Disponível em: https://apublic.org. Acesso em: 16 jun. 2024. 

41 

apaixonado que usa ou usava o estádio como lugar de solidariedade 

social, que deixava as frustrações da semana lá no estádio, xingando 

o árbitro, ele não vai ter mais essa escolha, porque não vai poder 

pagar (Gaffney, 2013).  

Mesmo os estádios, que sempre pareceu ser um reduto da democratização do 

acesso, onde todos poderiam ser iguais por 90 minutos, há também o que Curi(2013) 

chama de hierarquização do espaço. As pessoas são divididas de acordo com seu 

poderio econômico.  

Entretanto, temos de insistir em discordar dessa hipótese. O espaço 

dos torcedores é hierarquicamente dividido em setores mais caros, 

mais baratos e setores para os quais apenas convidados têm acesso. 

Os torcedores sabem muito bem onde estão os poderosos e que o 

lugar deles é inalcançável. Ao que parece, os jogos de futebol são ritos 

que reforçam a hierarquia existente ao invés de desafiá-la (Curi, 2013, 

p.71). 

A citação de Bauman (2008) sobre o consumismo e o comportamento do 

consumidor pode ser expandida para refletir a forma como o futebol moderno tem sido 

consumido, especialmente em estádios. O autor aponta que, no contexto do mercado, 

o consumismo se caracteriza pela troca de mercadorias defeituosas ou insatisfatórias 

por algo mais novo e aperfeiçoado, algo que se aplica diretamente à experiência de 

muitos torcedores hoje em dia. Quando um time não atende às expectativas, 

especialmente em termos de vitórias, ele é visto como um "produto defeituoso", em 

vez de ser encarado com a paixão e o comprometimento típicos dos torcedores mais 

tradicionais. O futebol, antes alimentado pela emoção da torcida e pela identificação 

com a equipe, tornou-se cada vez mais associado a um tipo de consumo, onde a 

qualidade do "produto" oferecido (a performance do time) é constantemente avaliada. 

Assim, a relação entre torcedor e clube se transforma: em vez de um vínculo 

afetivo, o que se observa é uma transação que exige resultados constantes, como se 

o time fosse uma mercadoria que deve "entregar" vitórias e performances satisfatórias 

para seu público. Quando esses resultados não são alcançados, surge a insatisfação, 

e o torcedor, agora um consumidor, pode até se sentir lesado, buscando "trocar" seu 

time ou descontentar-se com sua performance. Neste cenário, a paixão histórica pela 

equipe, que antes impulsionava o torcedor a ir ao estádio independentemente dos 

resultados, vai cedendo espaço para uma mentalidade mais utilitária, onde o torcedor, 

42 

como consumidor, espera algo em troca de seu tempo e dinheiro. A experiência no 

estádio, portanto, deixa de ser apenas sobre a vivência da emoção do jogo para se 

tornar uma questão de satisfação com o serviço prestado pela equipe e sua 

administração. O futebol se transforma, então, em mais um produto no mercado, e o 

torcedor, que antes era um apaixonado fiel, se vê cada vez mais como um consumidor 

exigente, que demanda uma "qualidade" que atenda suas expectativas pessoais e 

econômicas. 

O futebol, desde sua popularização, tem desempenhado um papel crucial como 

meio de inclusão social, oferecendo oportunidades para que os jogadores ascendam 

socialmente e proporcionando entretenimento acessível para pessoas de diferentes 

camadas socioeconômicas. No entanto, recentemente, observa-se uma dicotomia 

entre a percepção de elitização do esporte e a fervorosa paixão dos torcedores, o que 

levanta questões fundamentais sobre a natureza do futebol como fenômeno cultural e 

social.  

O jornalista Mauro Cezar Pereira17 destaca a importância da comunidade e da 

identidade compartilhada entre os torcedores, transcendendo barreiras sociais e 

econômicas. Ele ressalta que um dos maiores prazeres para o torcedor está em estar 

no meio de seus pares, compartilhando o mesmo sentimento de paixão pelo time. É 

notável observar que os estádios ao redor do mundo estão se tornando cada vez mais 

silenciosos. O torcedor, que antes desempenhava um papel essencial e vibrante no 

espetáculo esportivo, está se transformando em um consumidor mais passivo. Esse 

fenômeno resulta em um impacto reduzido no ambiente dos estádios, que 

costumavam ser palcos de uma atmosfera vibrante e cheia de energia. Diversos 

fatores contribuem para essa mudança. A evolução das tecnologias de transmissão e 

a crescente oferta de entretenimento esportivo em casa têm mudado a maneira como 

os torcedores interagem com os eventos. As comodidades modernas nos estádios, 

como assentos mais confortáveis e áreas VIP, também alteraram a dinâmica entre os 

fãs e o jogo. Segundo Mascarenhas (2019): 

O processo de reforma dos estádios almeja trocar a figura do 

“torcedor” (emocional, intenso, excitado, agressivo, viril) pelo 

“consumidor”, geralmente de média ou alta renda, mais sereno, que 

17 PEREIRA, Mauro Cesar. Palmeiras, Racing e o direito de torcer, no estádio, nas ruas, onde for. 

YouTube, 31 jan. 2024. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=DMLRS5saUks. Acesso 

em: 1 fev. 2025. 

43 

aporta nos estádios em família, disposto a assistir passiva e 

confortavelmente um “espetáculo” repleto de “astros” midiáticos. O 

torcedor, ao contrário, sofre, grita, reclama, reivindica, ameaça e se 

articula coletivamente com estranhos. Ele quer ser protagonista do 

evento, ao qual contribuiu com sofrido dinheiro e paixão fiel ao seu 

clube. O consumidor, solitário ou imerso em seu pequeno e “fechado” 

grupo, contempla, aplaude, filma e fotografa o cenário. Uma 

experiência sem riscos, sem incertezas, adequada e altamente 

lucrativa para os donos do espetáculo (Mascarenhas, 2019, n.p.). 

Além disso, a comercialização crescente dos eventos esportivos e a 

transformação dos estádios em arenas multifuncionais, onde o esporte é apenas uma 

parte do entretenimento oferecido, têm impactado a experiência do espectador. A 

sensação de comunidade e a paixão coletiva que antes definiam o ambiente nos 

estádios agora são mais raras, com muitos torcedores preferindo a conveniência de 

assistir aos jogos de casa. Embora alguns clubes tenham adotado medidas para 

ampliar o acesso ao estádio, como campanhas de ingressos populares, essa inclusão 

nem sempre se traduz em maior poder de decisão para os torcedores.  

5.1. GENTRIFICAÇÃO DO FUTEBOL 

O conceito de gentrificação foi criado pela socióloga inglesa Ruth Glass(1964), 

inspirada pelas mudanças que testemunhava em Londres. Ruth observou que bairros 

outrora habitados por famílias de baixa renda estava sendo revitalizados, mas essa 

transformação trouxe consigo um efeito colateral doloroso: os moradores originais, 

que tinham suas vidas e histórias profundamente enraizadas nesses lugares, foram 

forçados a se mudar. Novos moradores, geralmente de classes sociais mais altas, 

começaram a ocupar esses espaços, transformando a dinâmica das comunidades 

(Alcântara, 2018). Conforme Alcântara (2018): 

Esses processos de gentrificação têm sido classificados como 

“culturais” ou “socioculturais”, já que formulados com base em 

transformações sofridas pelas grandes metrópoles após o declínio do 

modelo econômico industrial e da ascensão do setor de serviços, 

verificado a partir dos anos 1970 (Alcântara, 2018, p.2). 

Nos últimos anos, os processos de gentrificação urbana e exploração turística 

têm operado de forma concomitante em diversas cidades, transcendendo os limites 

dos espaços tradicionalmente reconhecidos como destinos turísticos. Historicamente 

44 

associados a balneários, cidades serranas ou áreas de significância histórica e 

arquitetônica, esses locais têm sido progressivamente afetados pela crescente 

influência da gentrificação, que resulta na expulsão dos residentes para dar lugar a 

empreendimentos voltados ao turismo e à especulação imobiliária (Santos, 2019). 

Embora o fluxo de visitantes nesses locais não tenha diminuído, a gentrificação tem 

remodelado suas características demográficas e socioeconômicas, transformando 

comunidades locais em hospedagens destinadas aos turistas. É notável a emergência 

de novos destinos que agora integram a rota global do turismo, impulsionados por 

intervenções cada vez mais incisivas, especialmente ao longo das últimas décadas do 

século XX. Essa tendência não apenas amplia o leque de opções para os viajantes, 

mas também marca uma nova fronteira no panorama urbano, conferindo um novo 

protagonismo e legitimando práticas urbanas específicas.  

No contexto do futebol, o fenômeno da gentrificação manifesta-se na exclusão 

de parcelas da população dos espaços nos estádios de futebol devido aos crescentes 

custos associados à participação nesses eventos esportivos (Oliveira, 2019). 

Observa-se uma tendência de aumento significativo nos valores dos ingressos para 

partidas de futebol, o que tem contribuído para a marginalização de determinados 

grupos socioeconômicos e a elitização desses espaços de entretenimento. Esse 

movimento está levando à uniformização do público nos estádios, favorecendo o 

turismo de pessoas que, embora não sejam necessariamente torcedoras do clube, 

apreciam o entretenimento proporcionado pelo esporte.  

No entanto, essa tendência também marginaliza uma certa camada da 

população, tradicionalmente ligada aos clubes, que pode ser excluída devido ao 

aumento dos preços e à comercialização excessiva dos eventos. Como resultado, 

muitos torcedores locais, que historicamente compunham a base dos fãs, podem se 

ver afastados das arquibancadas, transformando a experiência do estádio em um luxo 

acessível apenas a uma parcela mais privilegiada da sociedade.  

Os clubes de futebol frequentemente justificam os aumentos nos preços dos 

ingressos como uma medida necessária para manter a competitividade e a excelência 

das equipes, argumentando que a ampliação da receita é fundamental para sustentar 

as operações e os investimentos exigidos pelo esporte de alto rendimento. Em uma 

entrevista concedida ao portal GE, a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, 

argumentou que o futebol é intrinsecamente elitizado e que os valores dos ingressos 

não são necessariamente exorbitantes. Ela destacou que, apesar da popularidade do 

45 

esporte, o futebol tornou-se elitizado devido aos altos investimentos necessários para 

manter um time competitivo e campeão. Essa perspectiva ressalta a complexidade 

financeira por trás do espetáculo esportivo, onde os custos de operação e contratação 

de talentos muitas vezes requerem investimentos substanciais. O ex-presidente do 

Atlético Mineiro, Alexandre Kalil18, também defendeu os valores altos de ingressos 

comercializados no país. Em suas palavras: 

No mundo inteiro, futebol não é coisa para pobre. Doa a quem doer. 

Ingresso é caro em todo lugar. Torcida dividida e entrada a preço de 

banana estragada só existem no Brasil. O Atlético coloca ingresso a 

20 reais e não lota o estádio. Futebol não é público, não é forma de 

ajuda social (Kalil, 2017). 

No entanto, essa abordagem tem levantado preocupações significativas sobre 

a acessibilidade ao futebol como forma de lazer e entretenimento para toda a 

comunidade, especialmente para aqueles com recursos financeiros limitados. De 

acordo com Moreira (2019), os defensores da modernização dos estádios buscam 

adequar o comportamento dos torcedores brasileiros, aproximando-o do perfil dos 

torcedores europeus, com destaque para os ingleses, que são a principal inspiração 

do modelo de modernização do futebol no Brasil. O ato de torcer também se modificou 

com as novas arenas como evidência Rampazzo: 

Com o ingresso nominal e os assentos marcados a experiência torna

se individualizada, o anonimato some em meio à vigilância das 

câmeras e dos fiscais, e os torcedores à sua volta deixam de ser sua 

companhia para tornarem-se outros indivíduos isolados.  A política do 

all-seated evidencia exatamente isso, a pessoa que está na sua  frente  

não  poderá  levantar-se,  pois,  assim  fazendo,  ela  poderá atrapalhar 

sua experiência obstruindo sua visão; se antes ela era uma aliada no 

ato de torcer, agora ela chega ao ponto de se tornar um incômodo, tal 

qual uma pessoa que fala muito durante uma sessão de cinema 

(Rampazzo, 2021, p.10). 

A gentrificação nos estádios de futebol não se limita apenas à questão dos 

valores dos ingressos, mas também está intrinsecamente ligada a mudanças mais 

amplas no perfil demográfico dos frequentadores desses espaços. À medida que os 

custos aumentam, os estádios tendem a atrair um público mais homogêneo em termos 

18 Alexandre Kalil, o presidente que virou prefeito: “O futebol brasileiro é uma piada”. EL PAÍS. 14 jul. 

2017. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/14/deportes/1500068233_300420.html. 

Acesso em: 1 fev. 2025. 

46 

de classe social, excluindo assim camadas menos privilegiadas da sociedade e 

reduzindo a diversidade e a representatividade nos estádios. É o que observa Pedro 

Oliveira (2015): 

No futebol, a situação não é diferente. Clubes e federações defendem 

que o encarecimento dos ingressos é um imperativo dos novos tempos 

do futebol e que os altos valores seriam a única saída para clubes em 

dificuldades financeiras. Por trás de inúmeras justificativas, no futebol 

ou na gestão pública, escondem-se os reais interesses do aumento do 

preço dos ingressos em estádios ou de aluguéis em bairros centrais: 

excluir os mais pobres dos espaços públicos, trazer classes mais ricas 

para ocuparem o seu lugar com o objetivo de auferir lucros maiores, 

que serão privatizados em detrimento da coletividade (Oliveira, 2015, 

p.40). 

Ainda, e segundo Oliveira (2015), os espaços em jogos considerados "menos 

importantes" permanecem parcialmente vazios, evidenciando os limites de uma 

modernização incompleta. Por um lado, as classes mais altas mostram pouco 

interesse em partidas sem apelo decisivo, em parte devido à ausência de padrões 

adequados de conforto e segurança na experiência de assistir aos jogos no Brasil. Por 

outro, as classes sociais mais baixas enfrentam barreiras financeiras que as afastam 

dos estádios.  

Os arredores dos estádios frequentemente se tornam palco de conflitos e 

disputas envolvendo dirigentes, o poder público e os torcedores. Um exemplo 

marcante disso é mostrado em um vídeo do canal do YouTube Peleja, que aborda 

como as celebrações nos arredores do Allianz Parque, estádio do Palmeiras, foram 

interrompidas por uma ação conjunta de moradores da região, autoridades locais e 

até mesmo da diretoria do clube à época.  

Essa mudança gerou grande insatisfação entre os torcedores, especialmente 

aqueles que não podiam arcar com o alto custo dos ingressos. Para muitos, estar nas 

ruas próximas ao estádio era a única maneira de se conectar com o time, criando um 

senso de pertencimento e comunidade que foi abruptamente retirado. Essa situação 

evidencia como decisões sobre o uso do espaço urbano em torno de arenas 

esportivas podem impactar diretamente a relação dos torcedores com seus clubes e 

seu direito de vivenciar a cultura do futebol. Além disso, reforça o debate sobre a 

elitização do esporte e o acesso às experiências que vão além do jogo em si, como a 

vivência coletiva e a celebração das torcidas. 

47 

Outro aspecto significativo da modernização dos estádios é o aumento notável 

da presença feminina. De acordo com Vilella (2021), a modernização trouxe maior 

sensação de segurança para as mulheres, resultado da instalação de inúmeras 

câmeras nas novas arenas, aliada à evolução do debate sobre misoginia, homofobia 

e racismo em nossa sociedade. No entanto, Vilella (2021) também destaca a 

prevalência da cultura cisnormativa nos estádios, exemplificada pelas "câmeras do 

beijo", muito populares em arenas dos Estados Unidos, que geralmente enfocam 

apenas casais heterossexuais e mostram nos telões apenas mulheres que se 

enquadram nos padrões de beleza impostos pela sociedade atual. Embora a 

diversidade tenha aumentado com a presença cada vez maior de mulheres nos 

estádios, esses espaços ainda permanecem predominantemente ocupados por uma 

elite branca e pela classe média alta (Vilella, 2021). 

No documentário,  Adeus Geral: A Elitização do Futebol Brasileiro, o jornalista 

Juca Kfouri enfatiza que a "geral" – um espaço historicamente democrático e acessível 

à população – foi extinta com a modernização dos estádios. Ele ressalta que essa 

transformação ocorreu sem qualquer consulta ou debate público, desconsiderando se 

essa mudança refletia, de fato, o desejo coletivo (2023, 00:08:13). Ainda no 

documentário, torcedores anônimos manifestam descontentamento com as cadeiras 

instaladas nas novas arenas, afirmando que elas limitam a celebração e a festa 

característica da torcida. Eles defendem a criação de um setor popular, sem cadeiras, 

que permita maior liberdade para a interação e expressão durante os jogos (2023, 

00:14:08).  

O jornalista Mauro Cezar Pereira também contribui para a discussão ao criticar 

os excessos na construção de estádios modernos, como os luxos desnecessários 

presentes no estádio do Corinthians, em Itaquera, que conta com pisos de mármore. 

Ele aponta que esses elementos elevam os custos de construção e manutenção, 

resultando no repasse dessas despesas aos torcedores, o que impacta negativamente 

o acesso popular ao futebol (2023, 00:15:37). 

A redução do acesso a esses espaços pode comprometer não apenas a 

diversidade cultural nos estádios, mas também a conexão mais profunda entre o 

esporte e a comunidade. Contra esse cenário, vozes críticas argumentam em favor de 

estratégias que equilibrem a necessidade de sustentabilidade financeira dos clubes 

com a importância de manter o futebol como um esporte acessível e inclusivo.  

48 

Em outros países, como a Alemanha, a discussão sobre a inclusão de setores 

populares nos estádios está mais avançada, com exemplos como o Signal Iduna Park, 

do Borussia Dortmund, que disponibiliza lugares populares a preços acessíveis. Em 

2023, os estádios Arena Fonte Nova, em Salvador, e Ligga Arena (antiga Arena da 

Baixada), em Curitiba, promoveram mudanças significativas em setores 

tradicionalmente ocupados por torcidas organizadas, visando atender às demandas 

desses grupos e aprimorar a experiência dos torcedores. 

Na Arena Fonte Nova, foram removidos 1.059 assentos do bloco central (116) 

do setor norte inferior, área historicamente ocupada pela Torcida Bamor. Essa 

alteração foi autorizada pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, após reunião 

com o presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, e o presidente da 

Bamor, Half Silva, com o objetivo de reduzir os prejuízos causados por danos às 

cadeiras e atender a uma antiga solicitação da torcida. Para garantir a segurança e o 

conforto dos torcedores, o espaço passou a contar com numeração indicativa e barras 

de proteção (Em cima do lance, 2023). De forma semelhante, o Athletico Paranaense 

iniciou a remoção dos assentos do setor Buenos Aires inferior, tradicionalmente 

ocupado pela torcida organizada Os Fanáticos.  

Essa mudança, iniciada em abril de 2023 e implementada antes da final do 

Campeonato Paranaense, visou atender a um pedido antigo da torcida. Além da 

retirada das cadeiras, o clube anunciou a instalação de vidros para isolar o setor, 

buscando aumentar a segurança e evitar invasões de campo, como as ocorridas 

durante o clássico Atletiba (Um dois esporte, 2023). Embora essas iniciativas 

promovam a oferta de ingressos a preços acessíveis, elas podem, inadvertidamente, 

fomentar um novo processo de gentrificação interna nos estádios. Ao isolar e destinar 

áreas específicas com infraestrutura inferior para torcedores de baixa renda, cria-se 

uma divisão: apenas aqueles que conseguem pagar preços mais elevados terão 

acesso a setores com condições melhores. Essa diferenciação pode contribuir para a 

segregação socioespacial dentro dos estádios, marginalizando os públicos de menor 

poder aquisitivo e reforçando desigualdades na experiência dos torcedores.  

A dinâmica em evolução do cenário esportivo reflete não apenas as mudanças 

nos hábitos dos torcedores, mas também as transformações na indústria do 

entretenimento esportivo. Esse novo panorama impulsiona a reflexão sobre como 

equilibrar a modernização do acompanhamento esportivo com a preservação das 

49 

tradições e do fervor genuíno dos torcedores, garantindo que o esporte continue sendo 

uma experiência autêntica e acessível para todas as gerações. 

5.2. FINANCEIRIZAÇÃO E “SPORTWASHING” NO FUTEBOL 

O economista Luiz Gonzaga Belluzo (1998) afirma que contemporaneidade das 

economias abertas é marcada por um processo de financeirização que redefine as 

relações macroeconômicas tradicionais. Esse fenômeno se manifesta na crescente 

influência dos fluxos de capitais financeiros, que operam de forma intensa e acelerada 

entre mercados nacionais, moedas e diferentes classes de ativos. Em regimes 

cambiais flutuantes ou de variação administrada, as decisões de investimento e 

consumo passam a ser fortemente condicionadas pelas rápidas mudanças nas 

expectativas dos agentes de mercado, evidenciando a predominância dos ativos 

financeiros na configuração do ambiente econômico. Tal dinâmica exige uma nova 

abordagem para a macroeconomia aberta, em que a centralidade do setor financeiro 

é reconhecida como fator determinante das estratégias e políticas econômicas 

contemporâneas. 

Segundo Santos (2014), a primeira experiência de mercantilização do futebol 

foi quando a popularidade do esporte aumentou, atraindo cada vez mais 

espectadores, assim resultando na cobrança dos ingressos para ir aos estádios. Agora 

se criava um evento chamado “jogo de futebol”. 

Segundo Ferreira (2018), dois elementos fundamentais para consumar o 

processo de financeirização do futebol foram: a entrada do brasileiro João Havelange 

no comando da FIFA e o ressurgimento do capital portador de juros, principalmente 

após os anos 1980. João Havelange foi o primeiro não europeu a ocupar o cargo de 

presidente da entidade máxima do futebol. Seu principal objetivo era criar um império 

futebolístico, sendo uma de suas frases mais notáveis: “Vim para vender o produto 

chamado futebol”. Seu período na presidência da FIFA é marcado por diversas 

polêmicas como, segundo uma reportagem da BBC19, a forma agressiva com que 

19 BBC. As polêmicas que marcaram a carreira de João Havelange. BBC Brasil, 3 ago. 2016. 

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-37100616. Acesso em: 18 dez. 2024. 

50 

atuou na campanha presidencial da entidade e escândalos de corrupção envolvendo 

também o presidente da CBF na época, Ricardo Teixeira.  

O advento das transmissões futebolísticas pela televisão representou um 

marco significativo na transformação do esporte em um produto de alto valor 

comercial. A Copa do Mundo de 1970, a primeira a ser transmitida via satélite e em 

cores, desempenhou um papel fundamental na consolidação do futebol como um 

fenômeno global e comercialmente lucrativo (Franco Júnior, 2007).  Este evento não 

apenas ampliou a audiência global do futebol, mas também reforçou sua presença no 

mercado internacional, destacando-se como um dos pilares da cultura esportiva 

contemporânea. A cobertura televisiva em cores permitiu uma experiência visual mais 

envolvente, aumentando o apelo do esporte para espectadores e patrocinadores, e 

contribuindo para a sua popularização e valorização comercial. 

A entrada do capital estrangeiro no futebol brasileiro teve início na década de 

1990, marcando uma nova era de investimentos no esporte. Grupos empresariais 

globais, como a Parmalat, que investiu em clubes como Palmeiras e Juventude, e a 

General Motors, que aportou recursos no Grêmio e no Internacional, são exemplos 

notáveis desse movimento (Guaragna, 2005).  Atualmente, a modernização do futebol 

brasileiro é conduzida pelo Estado, através de leis que abrem a possibilidade para que 

o mercado conduza esse novo processo. No entanto, há uma preocupação de que as 

empresas capitalistas estejam se unindo para impingir uma marca distintiva de 

modernização conservadora em nosso futebol. Se a modernização dos tempos atuais 

no futebol brasileiro é aquela definida por Weber (1905) como a busca pela eficiência, 

que na moderna lógica capitalista, requer também qualidade e resultados, percebe-se 

que ela foi se transmutando durante o tempo.  

Essas empresas identificaram no futebol um mercado influente e promissor 

para a realização de seus investimentos. O influxo de capital estrangeiro transformou 

não apenas a estrutura financeira dos clubes brasileiros, mas também contribuiu para 

a profissionalização e a internacionalização do futebol no país, consolidando-o como 

um setor atrativo para investidores globais. Em um mundo cada vez mais globalizado, 

as marcas veem na paixão gerada pelo futebol uma oportunidade extremamente 

lucrativa para a popularização de seus produtos e serviços.  

Esse processo de transformação e investimento culminou na "financeirização" 

do futebol, exemplificada pela ascensão das Sociedades Anônimas de Futebol 

(SAFs). As SAFs estão revolucionando o modelo tradicional do esporte, que era 

51 

baseado em associações. Luiz Gonzaga Belluzzo20 destaca que, embora a injeção de 

capital privado traga inúmeros benefícios, é crucial preservar a dimensão popular do 

futebol, fundamental para a identidade e a história de cada clube. Portanto, a 

integração de capital privado deve ser equilibrada com a manutenção dos valores e 

tradições que tornam o futebol uma parte essencial da cultura e da comunidade. 

A entrada de investidores privados na gestão dos clubes, por meio de modelos 

como a Sociedade Anônima de Futebol (SAF), também tem sido apontada como um 

fator que contribui para a elitização do futebol. Ao priorizar o lucro e a rentabilidade 

financeira, esses investidores muitas vezes tomam decisões que estão em desacordo 

com os interesses dos torcedores e da comunidade local. Em matéria publicada pelo 

brasildefatomg.com.br21 em 08 de novembro de 2023, André Quintão diz:   

O que dá para relacionar a SAF com o aumento do ingresso são 

questões que também discutimos sobre a privatização de empresas 

estatais. Com a SAF, existe uma promessa de uma gestão empresarial 

profissional que vai trazer benefícios para os torcedores e para a 

população em geral. Porém, a partir do momento que alguém compra 

o time, os donos têm que retirar do lucro do clube para recuperar o 

dinheiro investido (Quintão, 2023). 

Atualmente, América Mineiro, Atlético Mineiro, Bahia, Botafogo, Coritiba, 

Cruzeiro, Cuiabá e Vasco da Gama são os clubes brasileiros que implementaram o 

modelo de Sociedade Anônima de Futebol (SAF). Esse modelo tem gerado debates 

tanto entre os torcedores quanto entre especialistas sobre o futuro das SAFs no Brasil.  

Existem, essencialmente, dois tipos de investidores relevantes para discussão 

nas SAFs: os torcedores do clube que possuem grandes fortunas e desejam investir 

em suas equipes de coração, e os grandes conglomerados internacionais que operam 

em diversos continentes. No Brasil, há dois modelos de Sociedade Anônima do 

Futebol (SAF) em vigor, sendo o da Red Bull um dos mais discutidos. A empresa, que 

possui clubes em diversas partes do mundo, adquiriu no Brasil um time tradicional do 

interior de São Paulo, reformulando completamente sua identidade visual e estrutura. 

Na Alemanha, o caso do Red Bull Leipzig também é alvo de críticas por parte de 

20 FUTEBOTECO. TOMANDO UMA COM... BELLUZZO #94. YouTube, 31 jan. 2024. Disponível em: 

https://www.youtube.com/watch?v=SJtvGdLTsg0. Acesso em: 1 fev. 2025. 

21 André Quintão, "Como a Arena MRV e a SAF estão deixando o Galo longe da massa", Brasil de 

Fato MG, 8 nov. 2023. Disponível em: https://www.brasildefatomg.com.br/2023/11/08/como-a-arena

mrv-e-a-saf-estao-deixando-o-galo-longe-da-massa. Acesso em: 31 jan. 2025. 

52 

torcedores de outros clubes da liga. Isso ocorre devido à regra do "50+1", que exige 

que a associação do clube seja proprietária total ou majoritária da equipe de futebol, 

preservando o controle dos torcedores sobre as decisões do clube 

Outro exemplo proeminente é o City Football Group, que controla 13 clubes em 

vários países. Este grupo é controlado pelo sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, 

membro da família real de Abu Dhabi, e é conhecido por sua abordagem estratégica 

de investimentos em futebol, visando tanto o desenvolvimento esportivo quanto a 

expansão de sua marca globalmente. Além de ampliar sua visibilidade global, um 

aspecto crucial da expansão de grandes conglomerados internacionais é o fenômeno 

do “sportwashing”. Esse conceito se origina do “greenwashing”, no qual empresas 

adotam práticas ambientais superficiais para melhorar sua imagem pública e obter 

vantagens comerciais (Sá, 2023). O “sportwashing” funciona de maneira semelhante, 

utilizando investimentos em esportes para desviar a atenção de práticas e políticas 

controversas dos investidores. 

O caso mais ilustrativo de “sportwashing” é a estratégia adotada pela 

monarquia absolutista da Arábia Saudita. O governo saudita tem investido 

substancialmente na modernização e expansão da infraestrutura esportiva, incluindo 

a construção de estádios de última geração e centros de treinamento. Além disso, o 

regime saudita lançou um ambicioso plano de investimento em clubes de futebol, que 

inclui a aquisição de estrelas globalmente reconhecidas e a promoção de eventos 

esportivos de alto perfil, como a Copa do Mundo de 2030 que já foi anunciada no país. 

Esse esforço tem um objetivo claro: desviar o foco das críticas internacionais 

sobre as reiteradas denúncias de violações dos direitos humanos na Arábia Saudita. 

Organizações não governamentais e grupos de direitos humanos frequentemente 

apontam para a repressão política, a falta de liberdade de expressão e outras práticas 

autoritárias que ocorrem no país. Ao investir pesadamente em esportes e atrair a 

atenção para o espetáculo esportivo, o governo saudita tenta projetar uma imagem de 

modernidade e dinamismo, minimizando assim a visibilidade das suas questões 

internas problemáticas. É fundamental compreender que, no caso da Arábia Saudita, 

a anuência do Ocidente desempenha um papel crucial. O país é um importante 

parceiro comercial dos Estados Unidos e, por isso, não está sujeito às mesmas regras 

ou pressões enfrentadas por outros países com regimes absolutistas. Essa relação 

53 

evidencia como interesses econômicos e geopolíticos podem influenciar a forma como 

determinadas nações são tratadas no cenário internacional. 

Esse uso estratégico dos esportes como uma ferramenta de marketing político 

não é exclusivo da Arábia Saudita. Outras nações e entidades também têm adotado 

práticas semelhantes, investindo em eventos esportivos e clubes para melhorar sua 

imagem global e influenciar a percepção pública. O “sportwashing” evidencia a 

crescente intersecção entre esportes e política, revelando como o poder financeiro 

pode ser empregado para moldar a percepção internacional e desviar a atenção de 

questões éticas e direitos humanos. 

Essa dualidade de investidores levanta questões importantes sobre o controle 

e a identidade dos clubes. Enquanto alguns veem a entrada de grandes 

conglomerados como uma oportunidade para modernização e crescimento 

econômico, outros expressam preocupações sobre a perda de identidade e autonomia 

dos clubes tradicionais. Além disso, a eficácia do modelo SAF em trazer benefícios 

sustentáveis a longo prazo para os clubes brasileiros ainda está em avaliação, com a 

comunidade futebolística atenta aos resultados que esses investimentos trarão tanto 

dentro quanto fora dos campos.  

A busca desenfreada pelo lucro está alimentando um debate entre jogadores e 

dirigentes sobre o calendário do futebol. As federações têm criado cada vez mais 

competições visando aumentar seus ganhos, muitas vezes sem priorizar o bem-estar 

dos atletas. O exemplo mais recente é o novo Mundial de Clubes, organizado pela 

FIFA, que será disputado pela primeira vez em 2025. A preocupação dos jogadores 

com a redução do tempo de férias e o aumento significativo no número de jogos vem 

crescendo. Rodrigo, jogador do Manchester City, chegou a declarar que uma greve 

dos atletas pode se tornar inevitável. No entanto, o tema é complexo, pois para uma 

greve acontecer, seria necessário o alinhamento de todos os jogadores profissionais, 

e apenas uma pequena parcela desses atletas, que recebem salários milionários, 

estaria disposta a enfrentar as federações. 

5.2.1.  A RELAÇÃO ENTRE CUSTO TORCEDOR E A RENDA SALARIAL 

DOS FREQUENTADORES.  

54 

Conforme dados divulgados pela CBF (2023), o Campeonato Brasileiro de 2023 

alcançou a maior média de público em sua história, registrando 26.524 pagantes por 

jogo. Esse feito superou o recorde anterior de 22.953 pagantes, estabelecido na 

edição de 1983. No entanto, esse sucesso aparente levanta um dilema significativo: a 

lotação dos estádios versus a marginalização do público de baixa renda. O aumento 

de público pode ser atribuído, em grande parte, às políticas adotadas pelos clubes 

para atrair os torcedores aos estádios. Um exemplo notável é o programa de sócio

torcedor, que, mediante uma contribuição mensal, garante aos torcedores acesso às 

partidas mais importantes da temporada. A pesquisa da Pluri Consultoria, destaca um 

aumento de 300% no preço médio dos ingressos mais baratos no Campeonato 

Brasileiro em uma década, contrastando fortemente com a taxa de inflação de 90% 

no mesmo período.  

De acordo com uma reportagem22 do Exame, de novembro de 2023, Palmeiras 

e Internacional lideram em número de sócios-torcedores ativos. Além disso, um estudo 

conduzido pela Pluri revela que o Campeonato Brasileiro é uma das principais 

competições de futebol do mundo, em termos de público e valor de mercado dos 

clubes participantes. O torneio brasileiro é o quinto em média de torcedores 

globalmente, sendo superado apenas pelas ligas alemã, inglesa, espanhola e italiana. 

Entre os anos de 2021 e 2022, o Campeonato Brasileiro ocupa a sexta posição em 

termos de aumento de média de público em escala global.  

Outra análise da Pluri, datada de 23 de novembro de 2023, classifica o 

Campeonato Brasileiro como o sétimo campeonato nacional mais valioso do mundo, 

com base no valor de mercado dos elencos dos clubes participantes. Neste ranking, 

a Premier League inglesa destaca-se em primeiro lugar, seguida pela LaLiga 

espanhola, evidenciando os esforços da Inglaterra em globalizar sua liga e atrair 

investimentos e público internacional. No cenário nacional, o Flamengo lidera a média 

de renda dos clubes brasileiros, com uma média de R$3.660.798 por partida, seguido 

por São Paulo (R$2.514.772) e Palmeiras (R$2.416.475). Notavelmente, o Palmeiras, 

apesar de ocupar a quinta posição em média de público, figura entre os três primeiros 

em relação à renda média. Além disso, Flamengo e São Paulo lideram a categoria de 

22 SANTOS, Mariana. Adversários deste sábado, Palmeiras e Internacional lideram ranking de sócios 

no Brasil. Exame, 11 nov. 2023. Disponível em: https://exame.com/esporte/adversarios-deste-sabado

palmeiras-e-internacional-lideram-ranking-de-socios-no-brasil/?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 

24 jan. 2025. 

55 

público médio em 2023. Uma matéria do GE23 analisou as rendas de público dos 

clubes da Série A do Campeonato Brasileiro de 2024, destacando um dado 

interessante sobre o Palmeiras. Apesar de possuir apenas a oitava maior média de 

público da competição, o clube alcançou a terceira maior renda bruta total, ficando 

atrás de Flamengo e Corinthians.  

O ticket médio do Palmeiras foi de R$83,91, significativamente superior ao de 

São Paulo (R$65,49) e Corinthians (R$57,32). O Flamengo liderou tanto em público 

quanto em renda, com uma renda bruta total de R$ 59.579.266 em 19 jogos, 

resultando em uma média de R$3.135.751 por partida. Já o Palmeiras registrou uma 

renda total de R$ 49.509.851 em 19 jogos, com média de R$ 2.605.782 por partida. 

O Corinthians acumulou R$ 48.476.460 em renda bruta total, também em 19 jogos, 

com média de R$ 2.551.393 por jogo. Esses dados evidenciam a relevância do ticket 

médio na geração de receitas, demonstrando que, mesmo com uma média de público 

inferior, o Palmeiras conseguiu alcançar uma renda significativa devido ao valor mais 

elevado dos ingressos.  

Na final da Copa do Brasil, de 2024, entre Flamengo e São Paulo, a equipe 

carioca gerou controvérsia ao vender ingressos para a torcida visitante por R$700,00. 

Essa prática provocou uma reação contundente de Vitor Birner, jornalista e 

comentarista da ESPN, que em um vídeo publicado no canal do YouTube24 da 

emissora afirmou que "estão assassinando o futebol". Birner criticou duramente o alto 

preço dos ingressos, apontando que tal estratégia contribui para afastar o torcedor de 

classe média e baixa dos estádios, tornando o esporte menos acessível à população 

em geral. O jornalista também levantou um ponto importante sobre o modelo de clubes 

associativos no Brasil, que, embora sejam sem fins lucrativos, deveriam ter uma 

responsabilidade maior em devolver algo à sociedade.  

Os clubes, ao adotarem esse modelo, recebem benefícios fiscais e uma série 

de vantagens por não visarem lucro, mas, segundo Birner, estão deixando de cumprir 

sua missão social ao adotar práticas que elitizam o futebol, afastando o público 

tradicional e popular. Ao cobrar preços exorbitantes pelos ingressos, especialmente 

23 "Flamengo lidera média de público do Brasileiro; Corinthians, São Paulo, Bahia e Atlético-MG no 

top 5", GE, 5 jul. 2024. Disponível em: https://ge.globo.com/ba/futebol/brasileirao-serie

a/noticia/2024/07/05/flamengo-lidera-media-de-publico-do-brasileiro-corinthians-sao-paulo-bahia-e

atletico-mg-no-top-5.ghtml. Acesso em: 31 jan. 2025. 

24 BIRNER, Vitor. Estão assassinando o futebol? 2024. Canal ESPN Brasil. Disponível em: 

https://www.youtube.com/watch?v=jKXYZ8MRgrU&t=201s. Acesso em: 31 jan. 2025. 

56 

para jogos de grande porte como a final da Copa do Brasil, os clubes acabam 

excluindo uma parcela significativa de seus torcedores, o que vai contra o espírito 

inclusivo e acessível que deveria ser uma das marcas do esporte. Além disso, a crítica 

de Birner está alinhada com um movimento crescente de debate sobre a 

"gentrificação" do futebol.  

A venda de ingressos a preços tão altos, especialmente para as torcidas 

visitantes, não só compromete a popularidade do esporte como também desconsidera 

o impacto cultural e social do futebol nas comunidades. Como clubes associativos, 

que têm vínculos estreitos com suas respectivas cidades e torcidas, a 

responsabilidade social deveria ser um pilar fundamental de suas ações, incluindo a 

oferta de ingressos acessíveis que permitam a todos os torcedores, 

independentemente de sua classe social, assistir e viver a emoção dos jogos. Além 

disso, a mídia e as transmissões televisivas têm desempenhado um papel importante 

na elitização, com a preferência por horários de jogos que atendam melhor aos 

interesses comerciais e televisivos, muitas vezes negligenciando as necessidades e 

a disponibilidade dos torcedores comuns. 

Esses dados refletem não apenas a popularidade do futebol brasileiro entre os 

torcedores locais, mas também sua relevância no cenário internacional, 

demonstrando o potencial do Campeonato Brasileiro como um dos principais eventos 

esportivos do mundo.  

Uma análise mais aprofundada sobre esses dados revelaria aspectos 

específicos relacionados à política de preços, ao desempenho dos times e ao 

comportamento do público, fornecendo insights valiosos sobre a dinâmica econômica 

no cenário do futebol brasileiro. Essas observações sublinham a importância de 

políticas inclusivas para garantir que o futebol permaneça acessível a todas as 

camadas sociais, enquanto se busca maximizar receitas e expandir a presença global 

do esporte. Segundo dados da Pluri Consultoria de 2023, 

Palmeiras, Grêmio e Flamengo são os únicos clubes da Série A a 

figurarem entre os dez maiores valores de ticket médio dentre todas 

as equipes analisadas ao longo da temporada de 2023. – O Palmeiras 

se destaca como o clube da Série A com o valor mais alto, mantendo 

a posição desde junho, ocupando o quinto lugar no ranking geral. Com 

25 jogos disputados em casa, o time paulista ostenta um ticket médio 

de R$78,43. – Na sequência do ranking está o Grêmio, que 

ultrapassou o Flamengo e agora ocupa a nona posição no geral. O 

clube gaúcho, após 18 partidas como mandante, possui um ticket 

57 

médio avaliado em R$68,82. – O Flamengo, último entre os três times 

da Série A no Top 10, fecha a lista. Com 25 jogos realizados em casa, 

o rubro-negro apresenta até o momento um ticket médio de R$66,16 

(Pluri, 2023). 

De acordo com dados do Seade25, a renda média da população da cidade de 

São Paulo é de R$5.449,00. Observa-se, no entanto, um aumento de 6,8% no número 

de pessoas cadastradas no Cadúnico na cidade de São Paulo26. Atualmente, 1,9 

milhões de pessoas utilizam os benefícios fornecidos pelo governo, como o Bolsa 

Família, sendo que 800 mil dessas pessoas vivem em situação de extrema pobreza, 

com uma renda inferior a R$218,00 por mês. 

Segundo o Mapa da Desigualdade 2023, realizado pela Rede Nossa São 

Paulo, a desigualdade social na cidade é alarmante. No bairro Jardim Paulista, a 

expectativa de vida é de 59 anos, enquanto no Itaim Bibi, ela sobe para 82 anos. Esses 

dados destacam a profunda disparidade socioeconômica existente na capital paulista. 

As regiões onde se localizam o Allianz Parque e o Morumbi concentram uma 

infraestrutura mais desenvolvida e índices econômicos elevados, enquanto a Neo

Química Arena está situada em uma área marcada por desafios socioeconômicos. 

Esses espaços revelam as profundas desigualdades e transformações urbanas que a 

cidade de São Paulo vive. Nos bairros onde estão localizados o Morumbi e o Allianz 

Parque, já se observa uma infraestrutura robusta que reflete altos índices econômicos 

entre as pessoas que frequentam e moram por lá.  

Em contraste, a NeoQuímica Arena está situada em uma região que ainda 

enfrenta desafios estruturais antigos. Essa diferença vai além dos números e índices; 

ela toca a vida de pessoas e comunidades inteiras. Quando um estádio moderno surge 

em uma região já consolidada e com alto poder aquisitivo, as desigualdades existentes 

tendem a se aprofundar. Por outro lado, quando esse mesmo investimento acontece 

em áreas com desafios históricos, ele pode trazer uma esperança de renovação e 

atrair novos recursos. No entanto, essa mudança também carrega o risco da 

25 SEADE. Renda média da população de São Paulo. Disponível em: 

https://trabalho.seade.gov.br/wp-content/uploads/2024/07/Seade-Trabalho-renda-desigualdade-renda

domiciliar-trabalho-estado-sao-paulo-2023-.pdf. Acesso em: 31 jan. 2025. 

26 MINISTÉRIO DA CIDADANIA. Número de famílias cadastradas no CadÚnico. G1. 31 jan. 2024. 

Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2024/01/31/no-de-familias-em-situacao-de

pobreza-na-cidade-de-sp-inscritas-no-cadunico-sobe-68percent-em-2023-diz-ministerio.ghtml. Acesso 

em: 31 jan. 2025. 

58 

gentrificação, um processo pelo qual os moradores de longa data, que não conseguem 

mais arcar com o custo crescente de viver na região, são gradualmente substituídos 

por pessoas com maior poder econômico, fazendo com que o bairro perca sua 

identidade e as histórias que o definem. 

Além disso, a diferença salarial entre brancos e negros é outro importante 

faceta dessa desigualdade. De acordo com o IBGE27, em 2021, uma pessoa branca 

ganhava, em média, 75,7% a mais do que uma pessoa negra. Essas disparidades 

refletem-se também nos estádios de futebol em São Paulo e em todo o Brasil. 

Atualmente, é possível perceber um processo de embranquecimento e elitização dos 

frequentadores dos estádios. O aumento dos preços dos ingressos e a criação de 

programas de sócio-torcedor, que frequentemente exigem contribuições mensais 

significativas, contribuem para essa exclusão social. Esse fenômeno de elitização e 

exclusão econômica não apenas altera a demografia dos torcedores presentes nos 

jogos, mas também afeta a atmosfera e a cultura dos eventos esportivos. Torcedores 

de baixa renda, que historicamente constituíram a base apaixonada e vibrante do 

apoio aos clubes, estão cada vez mais afastados dos estádios.  

Essa exclusão tem implicações mais amplas para a sociedade. A presença 

diversificada nos estádios de futebol sempre foi um microcosmo da sociedade 

brasileira, refletindo suas complexidades e desigualdades. À medida que os estádios 

se tornam espaços mais elitizados, perde-se uma importante arena de convivência e 

interação social entre diferentes classes e raças. Em resumo, os dados destacam não 

apenas as disparidades econômicas e sociais de São Paulo, mas também como essas 

desigualdades se manifestam em espaços culturais significativos como os estádios de 

futebol. A crescente elitização dos estádios representa uma perda significativa para a 

cultura esportiva e para a sociedade.   

Esses desenvolvimentos destacam a necessidade de políticas inclusivas que 

garantam o acesso ao esporte para todas as camadas sociais, preservando ao mesmo 

tempo a rica cultura futebolística do Brasil. A abordagem equilibrada entre a 

27 IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - PNAD Contínua - 2021. Disponível 

em: https://www.infomoney.com.br/carreira/renda-media-de-trabalhador-branco-e-757-maior-do-que

de-pretos-diz-ibge/. Acesso em: 31 jan. 2025. 

59 

modernização do esporte e a manutenção de sua acessibilidade é crucial para que o 

futebol continue a ser uma fonte de orgulho e união para a sociedade brasileira. 

6.CONSIDERAÇÕES FINAIS  

O futebol brasileiro, em sua essência, é um espelho das contradições e 

potencialidades de um país marcado por desigualdades, mas também por uma 

capacidade criativa de resistência. Ao analisar fenômenos como a gentrificação dos 

estádios e a transformação do torcedor em consumidor, este trabalho evidenciou que 

o esporte, longe de ser um mero entretenimento, reflete disputas de poder, projetos 

econômicos excludentes e a luta pela preservação de identidades culturais. O Allianz 

Parque, assim como a Arena Corinthians, simboliza essa encruzilhada: enquanto se 

apresenta como ícone da modernidade, seu modelo de gestão e urbanização reforça 

dinâmicas de exclusão e esvaziamento simbólico.  

A gentrificação associada a esses empreendimentos não se limita à esfera 

urbanística. Ela opera como um mecanismo de controle social, substituindo histórias 

coletivas por narrativas de consumo. O Allianz Parque, inserido em uma região já 

valorizada de São Paulo, acelerou processos de especulação imobiliária e segregou 

ainda mais o acesso ao futebol, privilegiando um público de alto poder aquisitivo. A 

arquitetura imponente do estádio, aliada à oferta de serviços premium, transformou o 

ato de torcer em uma experiência fragmentada, onde a lealdade ao clube é mediada 

por transações financeiras. Essa lógica, amplificada pelas SAFs e por parcerias 

público-privadas opacas, revela uma tensão irreconciliável entre o futebol como 

negócio e o futebol como patrimônio afetivo. 

A ascensão do torcedor-consumidor, por sua vez, não é um fenômeno isolado: 

está vinculada à espetacularização midiática e à financeirização do esporte. 

Plataformas digitais e contratos bilionários com patrocinadores priorizam audiências 

globais em detrimento das bases locais, esvaziando o sentido comunitário das 

torcidas. No Allianz Parque, a regulamentação de bandeiras, a restrição a cânticos e 

a priorização de eventos corporativos ilustram como a "segurança" e o "conforto" são 

discursos que mascaram a domesticação da paixão popular. A violência nos estádios, 

frequentemente atribuída às torcidas organizadas, é sintoma de um mal maior: a 

frustração de quem se vê excluído do esporte que ajudou a construir. 

60 

Contudo, a resistência persiste. Movimentos contra a modernidade futebolística 

demonstram que a sociedade civil não aceita passivamente a mercantilização do 

futebol. O caso do Allianz Parque, com suas contradições entre modernidade e 

tradição, evidencia que mesmo em estádios elitizados a cultura popular encontra 

brechas: seja nas críticas das torcidas organizadas, seja nas manifestações artísticas 

das periferias que mantêm viva a relação afetiva com o clube. O futebol feminino, por 

sua vez, surge como um contraponto à lógica do lucro imediato, mostrando que 

investimentos em formação e visibilidade podem resgatar o esporte como ferramenta 

de transformação social. As propostas apresentadas neste trabalho — como a 

regulamentação das SAFs, a democratização da gestão e a criação de políticas 

públicas que incluam clubes às comunidades — não são utópicas. Elas partem do 

reconhecimento de que o futebol só permanecerá relevante se for capaz de equilibrar 

viabilidade econômica e responsabilidade social. O exemplo alemão dos clubes 50+1 

prova que é possível conciliar investimento privado com controle popular, evitando 

que estádios se tornem “shoppings de luxo” desconectados de suas raízes. Por fim, 

este estudo reafirma que o futebol brasileiro não precisa negar sua complexidade para 

ser moderno. Sua força está justamente na capacidade de sintetizar tradição e 

inovação, desde que as mudanças não apaguem as vozes das arquibancadas.  

Como alertou Nelson Rodrigues, perder a essência romântica do futebol é 

apagar parte da alma brasileira. Cabe às novas gerações garantirem que o esporte 

não seja refém de algoritmos ou contratos bilionários, mas continue a ser um espaço 

onde, mesmo nas adversidades, a bola role livre — não apenas como produto, mas 

como promessa de um país mais justo. O apito final ainda não soou. Resta saber se 

o futebol será salvo por quem o ama ou perdido por quem o explora. A resposta está 

em nossas escolhas. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

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canal Adeus Geral. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=9dzo-pgoKLw. 

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Antropologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, Departamento de Antropologia. 

Disponível em: http://ea.fflch.usp.br/conceito/gentrificacao. ISSN: 2676-038X. 

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jogadores de futebol no Brasil no período de 2013 a 2014. 2017. Dissertação 

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Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/62692. Acesso em: 31 jan. 2025. 

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Horizonte, v. 6, n. 3, p.48-69, set.-dez. 2021. eISSN: 2526-4494. DOI: 10.35699/2526

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BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em 

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Universidade de São Paulo, 1979. 

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Pobreza finançeira se reflete em um elenco muito fraco.

Confira a noticia no UOL     .https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2026/09/21/bastidores-memphis-e-capitaes-interromperam-papo-sobre-demissao-de-diniz.ghtm

 

Confira os arquivos do Corinthians. No site campeões do futebol .    .https://www.campeoesdofutebol.com.br/corinthians_capa.html.

Imagem do Site Oficial do Corinthians.