A seleção brasileira venceu a Croácia por 3 a 1, hoje, no último amistoso antes da convocação final para a Copa do Mundo, com gols de Danilo, Igor Thiago e Martinelli. O jogo foi no Camping World Stadium, em Orlando, nos Estados Unidos.
Se teve alguém que aproveitou a oportunidade foi o meio-campista Danilo, que não só fez o gol do Brasil, mas pela atuação como um todo em um setor que precisa de soluções - e gera dúvidas - para o técnico Carlo Ancelotti.
Danilo se credencia para a Copa em uma posição que tem Casemiro e Bruno Guimarães como titulares, na teoria. Mas a lesão do segundo abriu o caminho para o teste que colocou o jogador do Botafogo bem na fita com o treinador da seleção nesta data Fifa.
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Igor Thiago, de pênalti, também balançou as redes e fez, no segundo jogo, o primeiro gol pela seleção brasileira, amenizando o susto do gol de empate da Croácia, com Majer, dois minutos antes.
Apesar dos poucos minutos, Endrick teve participação ativa em dois gols — sofreu o pênalti do segundo e deu assistência para o terceiro. Mostrou que pode ser decisivo.
A vitória sobre a Croácia também melhora o clima em relação à seleção, já que a equipe ficou devendo na derrota para a França
A convocação final para a Copa do Mundo será em 18 de maio. Depois, o Brasil fará amistosos contra o Panamá, em 31 de maio, no Maracanã, e Egito, em 6 de junho, já nos Estados Unidos.
Quais os principais testes
As lesões de sete jogadores que seriam titulares fizeram Ancelotti mudar os planos para a data Fifa. Mais uma vez, a seleção foi a campo bem modificada, na reta final dos testes para a Copa.
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O time conseguiu ficar mais com a bola e desde o início buscou a iniciativa do jogo.
Alguns nomes da escalação inicial despertaram atenção especial. Como o zagueiro Ibañez iria na lateral direita? Danilo daria conta como segundo volante? Luiz Henrique seria tão avassalador ao jogar como titular, assim como foi quando saiu do banco em jogos passados?
O combo geral foi muito positivo para a seleção brasileira. Todos os três fizeram um bom jogo, dentro da proposta à mesa para cada um.
O goleiro croata de novo pelo caminho
Mas antes de comemorar, era preciso superar um "trauma" da Copa 2022: o goleiro da Croácia.
Dominik Livakovic é daqueles que faz o torcedor pensar: "Esse sujeito vira o Neuer quando joga contra nós". O carrasco dos pênaltis da Copa passada fez três defesas dificílimas no primeiro tempo.
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O próprio Danilo foi quem obrigou a primeira defesa absurda do jogo. Depois, Livakovic parou João Pedro cara a cara. A terceira parada foi em um chute de Matheus Cunha.
O copo meio cheio? O Brasil estava criando chances e o jogo estava fluindo.
Até que em um dos movimentos de Matheus Cunha como meia foi achar Vini Jr em velocidade pela ponta. Aí, o novo camisa 10 da seleção parecia que estava no Real Madrid. Deixou três marcadores para trás e serviu Danilo no meio da área. Não teve Livakovic que parasse a chapada certeira, já aos 46 minutos do primeiro tempo.
O único susto que o Brasil passou na etapa inicial foi uma cabeçada de Vuskovic, espalmada por Bento.
Gabriel Martinelli comemora o terceiro gol do Brasil contra a CroáciaImagem: Rich Storry/Getty Images
A chuva de modificações
Como a CBF e a Federação Croata fizeram um acordo para que o jogo tivesse até oito substituições para cada lado, o festival de trocas começou aos 14 minutos do segundo tempo. Até ali, o início da etapa final estava mais morno, com jogo equilibrado.
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A Croácia fez três - e uma delas foi a saída de Modric. Foi para o banco aplaudido pelos torcedores brasileiros, ampla maioria na arquibancada.
No Brasil, Ancelotti lançou o já convocado Danilo na lateral direita, substituindo Ibañez. Foi um jogo seguro, como ele prometeu, sem estripulias no ataque.
Outra troca tem grande chance de acontecer na Copa: Fabinho no lugar de Casemiro. O volante da seleção levou amarelo nos dois amistosos. Estaria suspenso na próxima rodada se fossem jogos do Mundial.
Com 22 minutos, mais mudanças, agora no ataque. Vini Jr deu lugar a Martinelli. João Pedro, a Igor Thiago.
A marcação da Croácia ficou mais adiantada. O Brasil teve mais dificuldade de sair para o ataque.
Aos 30 minutos, mais uma leva de novidades: o lateral-esquerdo Kaiki Bruno, Andrey Santos, Rayan e Endrick foram a camp
Uma seleção nova. Com tantas trocas, o aspecto coletivo ficou em segundo plano. Era mais para ver como individualmente os vestibulandos de Ancelotti iriam se sair.
A seleção carece de solução ofensiva . Ainda erra passes no meio campo . Embora domine bem o jogo centrado . Que se baseia no domínio do meio campo para controlar ações, ofensivas e defensivas .
O conhecimento tático no futebol é a capacidade de um jogador ou equipe de tomar decisões inteligentes e eficazes durante o jogo, com ou sem a posse de bola. Esse entendimento vai além da habilidade técnica individual, envolvendo a coordenação e a estratégia coletiva.
Ele se manifesta em dois níveis principais:
Tático declarativo: O conhecimento teórico sobre o que fazer em diferentes situações do jogo.
Tático processual: A capacidade de aplicar esse conhecimento de forma prática e instintiva em tempo real.
Principais componentes táticos
Fases do jogo
A tática se aplica em todas as fases de uma partida:
Organização ofensiva: Quando a equipe tem a posse de bola e busca atacar de forma organizada, ocupando espaços e criando oportunidades.
Transição ofensiva: O momento de recuperação da posse da bola e a rápida mudança de postura defensiva para a ofensiva.
Organização defensiva: Quando a equipe não tem a posse da bola e se posiciona para defender, impedindo as ações do adversário.
Transição defensiva: A reação da equipe no momento em que perde a posse da bola, buscando se reorganizar rapidamente para defender.
Bolas paradas: Jogadas específicas (escanteios, faltas) que envolvem estratégias planejadas para ataque e defesa.
Princípios táticos fundamentais
Para cada fase do jogo, existem princípios que orientam o comportamento da equipe:
Princípios ofensivos:
Penetração: Buscar a profundidade e a infiltração na defesa adversária.
Espaço: Criar e explorar espaços livres para receber a bola.
Cobertura ofensiva: Oferecer suporte ao companheiro que tem a bola.
Mobilidade: Movimentação constante para confundir a marcação.
Unidade ofensiva: Atuar em conjunto para atacar.
Princípios defensivos:
Contenção: Ação do jogador mais próximo da bola para atrasar o avanço adversário.
Cobertura defensiva: Apoiar o companheiro que faz a contenção.
Equilíbrio: Distribuir os jogadores para proteger a área do gol.
Concentração: Fechar espaços no centro do campo, onde há mais perigo.
Sistemas e esquemas táticos
Os esquemas táticos, representados por números (ex: 4-4-2, 4-3-3), são a forma como o treinador organiza a equipe em campo. Eles definem o posicionamento inicial e as funções dos jogadores, mas são adaptáveis e podem variar durante a partida.
O fator económico nos clubes de futebol engloba diversas fontes de receita, como direitos de transmissão (TV), patrocínios, vendas de jogadores, e receitas de bilheteira, que financiam as operações e o investimento desportivo, gerando um impacto económico significativo na sociedade, incluindo o emprego e a contribuição para o PIB. Contudo, o setor enfrenta desafios financeiros, como altos níveis de endividamento, e problemas como a sonegação de impostos e a má gestão de receitas, que podem levar a dificuldades financeiras e a um impacto negativo na economia do esporte.
Fontes de Receita
Direitos de Transmissão (TV):
A principal fonte de receita da maioria dos clubes, proveniente da venda dos direitos de transmissão de jogos e premiações por desempenho em competições.
Patrocínios e Publicidade:
Contratos com empresas de patrocínio e publicidade que rendem valores significativos aos clubes, como o patrocínio do Palmeiras com a Sportingbet, mencionado na Poder360.
Venda de Jogadores:
Transações milionárias de jogadores entre clubes geram uma receita expressiva para os clubes.
Receitas de Bilheteira:
Dinheiro arrecadado com a venda de ingressos para os jogos, que é uma receita relevante, embora não seja a maior do mercado.
Ações de Marketing:
Venda de produtos licenciados, merchandising e outras ações de marketing também geram receita para os clubes.
Défices e Endividamento
Muitos clubes brasileiros enfrentam altos níveis de endividamento, com dívidas fiscais significativas, muitas vezes motivadas pela apropriação indébita de valores destinados aos impostos.
A má gestão financeira e a falta de recolhimento dos impostos sobre os salários dos atletas são causas importantes de endividamento e problemas fiscais.
Impacto Económico Geral
O futebol é um grande negócio que movimenta bilhões globalmente, atraindo a atenção de diversos estudos acadêmicos.
Representa uma parcela significativa da economia de países como o Brasil, contribuindo para o Produto Interno Bruto (PIB) e sendo uma importante fonte de emprego.
O setor de transferências e a atração de turistas pelo esporte também impulsionam as economias locais. Segundo especialistas nos veiculos de imprensa no Brasil.
Exemplos no Brasil
Clubes como Corinthians, Atlético Mineiro, Cruzeiro, e Vasco da Gama figuram entre os mais endividados do Brasil, de acordo com a CNN Brasil.
O Flamengo foi o clube com maior receita em 2024, segundo a Sports Value.
O financiamento dos clubes na Europa assenta principalmente na receita de receitas geradas através de direitos de transmissão, patrocínios, venda de bilhetes e merchandising, complementado por investimentos de acionistas e proprietários. O sistema é regulado pela UEFA, que impõe o seu modelo de Fair Play Financeiro (FPF) para garantir a sustentabilidade financeira dos clubes, limitando o endividamento e os prejuízos, com a recente implementação da regra de custos com o plantel, que restringe gastos com salários, transferências e agentes a 70% das receitas a partir da época 2025/26.
Principais fontes de financiamento:
Receitas comerciais:
Venda de direitos televisivos, acordos de patrocínio, merchandising e bilhética.
Investimento de proprietários e acionistas:
Capital injetado pelos donos dos clubes para cobrir défices ou financiar investimentos em infraestruturas.
Pagamentos de solidariedade da UEFA:
Uma percentagem das receitas da UEFA é redistribuída para clubes que não participam nas suas competições, destinados a programas de desenvolvimento juvenil ou comunitário.
Regulação e controlo:
Fair Play Financeiro (FPF):
Conjunto de regras da UEFA para garantir a saúde financeira dos clubes.
Os clubes não podem gastar mais do que arrecadam nem acumular dívidas insustentáveis.
Existem limites para os prejuízos acumulados ao longo de um período de três anos.
Desde a época 2025/26, os clubes estão limitados a gastar 70% das suas receitas em salários, transferências e honorários de agentes.
O não cumprimento das regras pode resultar em sanções financeiras e medidas desportivas, como a exclusão de competições.
Impacto do FPF:
Promove a sustentabilidade: Ajuda a criar clubes financeiramente saudáveis a longo prazo, capazes de honrar os seus compromissos.
Evita a acumulação de dívidas: Controla a dívida e a dependência de gastos excessivos.
Melhora a equidade: Cria um ambiente mais equilibrado, impedindo que clubes mais ricos simplesmente gastem mais para ter sucesso. Segundo especialistas nos veiculos de imprensa no Brasil. Confira abaixo a dissertação do Site BP Money
European Journal of Applied Business Management, 9(4), 2023, pp. 53-70
ISSN 2183-5594
Research Paper
O impacto do desempenho desportivo e financeiro dos clubes de futebol
europeus no preço das suas ações
The impact of the sports and financial performance of European
football clubs on their share prices
Submitted in 15 th, November 2023
Accepted in 13 th, December 2023
Evaluated by a double-blind review system
LUÍS FERNANDES1*
LUÍS COSTA2*
RESUMO
Objetivo: A presente investigação tem como objetivo a análise das ações dos clubes de
futebol europeus cotados em bolsa de valores.
Desenho/metodologia/abordagem: Este trabalho examina de modo empírico a relação
entre indicadores de desempenho desportivo e de desempenho financeiro e a
determinação do preço de mercado de um conjunto de 9 clubes de futebol europeus, no
período entre 2016 e 2022. A metodologia empírica selecionada foi a de dados em painel.
Resultados: Os resultados indicam que o desempenho desportivo dos clubes de futebol
desempenha um papel crucial na determinação dos preços de mercado das suas ações.
Adicionalmente, as variáveis de desempenho financeiro tais como a dimensão, o
endividamento e a rendibilidade líquida das vendas também exercem uma influência
estatisticamente significativa na determinação do preço das ações dos clubes de futebol
europeus.
Originalidade/valor: Este trabalho pretende contribuir para o desenvolvimento da
literatura que aborda os fatores determinantes do preço das ações dos clubes de futebol
negociados no mercado de capitais e pode ser uma ferramenta muito útil para os
potenciais investidores de clubes de futebol.
Palavras-Chave: Preço das ações, clubes de futebol, desempenho desportivo,
desempenho financeiro, rácio de solvabilidade.
1 ISCTE, Portugal. E-mail: ljfss@iscte-iul.pt
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2* Corresponding autor. Universidade de Aveiro. E-mail: miguelveloso-7@hotmail.com
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ABSTRACT
Purpose: The aim of this research is to analyse the shares of European football clubs
listed on the stock exchange.
Methodology: This paper empirically examines the relationship between sports
performance and financial performance indicators and the determination of the market
price of a group of 9 European football clubs between 2016 and 2022. The empirical
methodology selected was panel data.
Findings: The results indicate that the sports performance of football clubs plays a crucial
role in determining the market prices of their shares. In addition, financial performance
variables such as size, indebtedness and net return on sales also have a statistically
significant influence on determining the share price of European football clubs.
Originality: This work aims to contribute to the development of the literature on the
determinants of the share price of football clubs traded on the capital market and can be
a very useful tool for potential investors in football clubs.
Keywords: Share price, football clubs, sports performance, financial performance,
solvency ratio.
1. Introdução
O futebol profissional deu os seus primeiros passos na Inglaterra durante a revolução
industrial, quando as pessoas começaram a ter mais dinheiro e tempo de lazer suficiente
para assistirem aos jogos (Gerrard, 1999). Trata-se de um dos desportos mais populares
em todo o mundo e que tem a capacidade de interligar as pessoas, independentemente da
sua cultura, religião, preferência política ou estrato socioeconómico (Ahtiainen, 2018).
O futebol é simultaneamente um desporto e uma indústria que mudou de forma
considerável nos últimos anos, sendo que para além do espetáculo desportivo e da paixão
que gera entre os adeptos, tem vindo a movimentar uma quantidade crescente de recursos
financeiros (Findikçi & Tapsin, 2015). Desta forma, o aumento da profissionalização dos
clubes de futebol fez com que muitos deles passassem a ser empresas cotadas com as suas
ações admitidas em negociação na bolsa de valores. Este facto fez com que eles passassem
a ser avaliados em duas dimensões: i) desempenho desportivo e ii) desempenho financeiro
(Duque & Ferreira, 2005).
Estas mudanças estruturais criaram uma forma diferente de compreender o futebol, tanto
para os adeptos como para os gestores e acionistas dos clubes. Por um lado, os adeptos
precisam de ter uma perceção mais realista da responsabilidade financeira e da gestão.
Por outro lado, os acionistas e gestores precisam de descobrir a fórmula para equilibrar
um bom desempenho desportivo e um bom desempenho financeiro (Urdaneta-Camacho
et al., 2022). A literatura sobre o desempenho dos clubes de futebol parece sugerir que
para garantir a viabilidade a médio e longo prazo dos clubes, estes devem ser geridos de
modo profissional e eficiente e devem tentar alcançar o alinhamento necessário entre os
resultados desportivos e os resultados financeiros (Abbas, 2022).
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Plumley et al. (2017) indicam que os clubes de futebol cotados não apresentam uma
conduta diferente das outras empresas cotadas, na medida em que a maioria das
estratégias concebidas e implementadas pela sua gestão, tanto a curto como a longo prazo,
visam maximizar o preço das suas ações. Johnson e Soenen (2003) indicam que os preços
das ações são o principal indicador quando se pretende analisar o desempenho de uma
empresa.
Neste contexto, é importante estudar as variáveis que influenciam o preço das ações dos
clubes de futebol na bolsa de valores. A análise dessas variáveis pode ajudar a gestão dos
clubes a identificar pontos de melhoria e a tomar decisões estratégicas de modo a
maximizarem os seus resultados. Além disso, esta investigação pode ajudar investidores
e analistas presentes no mercado a tomarem decisões informadas sobre a compra ou venda
de ações de clubes de futebol.
A análise do preço das ações dos clubes de futebol ainda não foi completamente explorada
pela literatura. Nessa medida, este estudo tem como objetivo investigar a influência do
desempenho desportivo dos clubes europeus de futebol cotados no preço das suas ações.
Adicionalmente, esta investigação tem também como objetivo completar a literatura
quanto à análise entre o desempenho financeiro dos clubes europeus e o preço das suas
ações. O estudo analisa 9 ações de clubes europeus durante o período entre 2016 e 2022
e é utilizada a metodologia de dados em painel.
Este trabalho pretende contribuir para a literatura a vários níveis. Em primeiro lugar, a
relevância deste estudo cifra-se no facto de existir um número muito reduzido de estudos
que combinam indicadores desportivos e indicadores financeiros na determinação do
preço das ações dos clubes de futebol. De igual modo, existe ainda um número ainda mais
reduzido de estudos que utilizam a metodologia de dados em painel, pelo que este trabalho
enriquece a literatura a esse nível. Em segundo lugar, a taxa de câmbio pode ter um
impacto significativo nas decisões de investimento em ações, com consequência no seu
preço (Wu, 2000). Desta forma, e ao contrário de todos os estudos que foram realizados
até então, este estudo irá desconsiderar as ações que não foram transacionadas em Euros.
Esta abordagem foi aplicada por Costa (2022a) e Costa (2022b) nos seus estudos para
empresas não financeiras europeias. Este estudo permite a inclusão e análise de clubes
que têm sido pouco estudados nesta literatura, como por exemplo o clube Sporting Clube
de Braga, no caso português. Este trabalho também é diferente dos demais porque utiliza
um indicador de endividamento que nunca foi utilizado nos estudos sobre clubes de
futebol. Trata-se do rácio de solvabilidade, que é obtido através do rácio entre o capital
próprio e o passivo dos clubes e foi um indicador utilizado por Ribeiro e Quesado (2017).
Por fim, este trabalho também é pioneiro no sentido em que considera o período desde
que a tecnologia do videoárbitro começou a ser utilizada na Europa. A utilização desta
tecnologia na Europa teve início em agosto de 2016, num jogo amigável entre a seleção
italiana e a seleção francesa e, desde então, o seu uso foi gradualmente expandido para
todas as outras ligas e competições europeias sendo reconhecida a sua utilidade para a
verdade desportiva (Spitz et al., 2021).
Este trabalho está organizado da seguinte forma: a secção 2 faz uma breve revisão da
literatura sobre as variáveis que influenciam o preço das ações dos clubes de futebol.
Posteriormente, a secção 3 descreve os dados e a metodologia a utilizar na estimação do
modelo. A secção 4 discute os resultados empíricos. Por último, são apresentadas as
principais conclusões deste trabalho.
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2. Revisão de Literatura e Hipóteses
2.1 Enquadramento
Os clubes de futebol profissionais são organizações desportivas que participam em
competições profissionais e possuem jogadores que são pagos para jogar em competições
profissionais (Kringstad et al., 2018). Estes clubes podem ter outro tipo de modalidades
e podem obter rendimentos financeiros de várias formas. Neste sentido, é importante
realçar que as vendas de bilhetes representam uma parte significativa das suas receitas,
especialmente para aqueles que possuem estádios próprios. Os preços dos ingressos
podem variar de acordo com a liga, a equipa e o jogo específico. Outra importante fonte
de receitas para estes clubes são os direitos de transmissão, especialmente para aqueles
que participam nas principais ligas e competições europeias. As transmissões dos jogos
podem ser vendidas para canais de televisão locais e internacionais, com valores que
variam de acordo com a dimensão da audiência e o interesse na liga ou competição em
questão (Schreyer & Ansari, 2022).
Zoccali (2011) indicam que para além das vendas de bilhetes e dos direitos de
transmissão, os clubes de futebol podem também obter receitas através dos patrocínios,
da venda de jogadores, do merchandising e do aluguer dos seus espaços para os mais
variados tipos de eventos. Contudo, a literatura sugere que a afluência dos adeptos e
simpatizantes aos estádios está positivamente correlacionada com todas as outras fontes
de rendimento (Késenne, 2014).
O desempenho desportivo dos clubes possui um papel fundamental nos seus resultados
financeiros, uma vez que os bons desempenhos em campo geralmente desencadeiam um
aumento das receitas dos clubes nas fontes de rendimento mencionadas. Além disso, um
forte desempenho desportivo ao longo da temporada provavelmente garantirá o título da
liga nacional ou, pelo menos, um lugar nas primeiras posições da tabela. Isto permitirá
não só receber o prémio pelo título da liga, mas também garantir uma verba financeira
pelo acesso às competições europeias do próximo ano, quer da UEFA Europa League
quer da UEFA Champions League (Ahtiainen, 2018).
As ações dos clubes de futebol são instrumentos financeiros que representam uma parte
do capital social das sociedades anónimas desportivas (Maci et al., 2020). Numa fase
inicial, os clubes emitem ações no mercado primário geralmente com auxílio de um
intermediário financeiro. Este procedimento tem como finalidade captar recursos
financeiros sob a forma de capital de risco. Depois da sua emissão, estes ativos tendem a
ser negociados no mercado secundário mais precisamente nas bolsas de valores, sendo
que o seu preço evolui segundo as forças da procura e da oferta (Prigge & Tegtmeier,
2019; Pinho et al., 2019). Os acionistas têm somente duas formas de remuneração nos
investimentos em ações, que são os dividendos e os ganhos de capital (Prigge &
Tegtmeier, 2019). Os dividendos são uma parte dos lucros das empresas que são
distribuídos aos seus acionistas (Neves et al., 2020). Já os ganhos de capital acontecem
quando o preço de venda da ação é superior ao seu preço de compra (Pinho et al., 2019).
Nos mercados financeiros e mais precisamente na formação dos preços das ações
coabitam as expectativas de curto prazo e as expectativas de longo prazo dos investidores.
Estas expectativas são sequência do processo de tomada de decisão que, muitas das vezes,
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não são totalmente racionais (Costa 2022a). A literatura indica que os investidores em
ações podem ter uma conduta muito distinta entre si. Por um lado, existem investidores
que têm um interesse meramente financeiro, ou seja, são investidores que têm muito
pouco ou nenhum interesse no negócio específico da empresa na qual investem e que só
procuram obter o máximo de retorno possível, seja via dividendos seja via ganhos de
capital (Prigge & Tegtmeier, 2019). Por outro lado, existem investidores que colocam em
segundo plano o desempenho financeiro sendo que esta estratégia de investimento está
muito presente no caso dos clubes de futebol (Morrow, 2013). Alguns investidores
decidem investir em ações de clubes de futebol por razões extra financeiras mais voltadas
para os benefícios sociais ou para satisfazer as suas próprias necessidades pessoais
(Buchholz & Lopatta, 2017). Samagaio et al. (2009) relembram Fama (1970) e indicam
que num mercado de ações regulamentado, para ser considerado eficiente, o preço das
ações negociadas deverá refletir todas as informações disponíveis relevantes sobre os
emitentes. Assim, se o preço das ações refletir toda a informação relevante, espera-se que
os preços das ações só mudem quando forem conhecidas novas informações sobre os
clubes de futebol.
Demir e Danis (2011) estudaram a relação entre os preços das ações dos clubes de futebol
da Turquia tendo em consideração os resultados dos jogos, o seu local (em casa ou fora)
e o tipo de competição (nacional ou internacional). As conclusões do estudo indicam que
as vitórias causam um efeito positivo no preço das ações, enquanto que os empates e as
derrotas um efeito negativo. Adicionalmente, os resultados indicam que uma vitória numa
competição europeia não influencia o retorno das ações dos clubes e que o efeito de uma
vitória no campeonato nacional é expressivamente maior do que um efeito de uma vitória
numa competição europeia.
Neste sentido, a literatura sugere que as ações dos clubes de futebol são influenciadas
pelo desempenho desportivo dos clubes e pelo seu desempenho financeiro (Abbas, 2022).
De seguida são apresentados estudos que se debruçaram sobre o desempenho desportivo
no preço das ações dos clubes. Posteriormente são apresentados estudos que se debruçam
sobre o impacto que o desempenho financeiro exerce no preço das ações dos clubes.
2.2 Estudos que abordaram o desempenho desportivo no preço das ações dos clubes de
futebol
Vários estudos têm analisado o impacto que o desempenho desportivo exerce no preço
das ações, sendo que da revisão da literatura de futebol realizada, um dos estudos que se
considera pioneiro nesta área é o de Renneboog e Vanbrabant (2000). Estes autores
pretendiam saber se os preços das ações dos clubes de futebol cotados na bolsa de valores
de Londres e no mercado de investimentos alternativos eram influenciados pelo
desempenho desportivo semanal de dezassete equipas de futebol que competiam na
Premier League. Durante o período de estudo, entre 1995 e 1998, e tendo em conta uma
amostra de 840 jogos, foi descoberto que uma magnitude de retorno anormal positivo
seguido de uma vitória é menor do que o retorno anormal negativo depois de uma derrota.
Na investigação financeira sobre clubes de futebol, destaca-se também o estudo de Ashton
et al. (2003) que retrata a forte relação dos resultados em competições internacionais e os
retornos do mercado de ações. Este estudo afirma que bons desempenhos desportivos da
equipa de futebol são seguidos de bons retornos de ações. Sendo que o contrário também
se verifica, isto é, maus desempenhos desportivos de um clube são seguidos de maus
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retornos das ações no mercado. Adicionalmente, uma caraterística que se salienta desta
relação é a influência dos jogos. Na verdade, quanto mais importantes são os jogos, como
por exemplo, jogos do campeonato, maiores os movimentos no preço das ações, tendo
como ponto de comparação os jogos menos importantes, como por exemplo, os jogos
amigáveis.
Bernile e Lyandres (2011) examinaram se o desempenho desportivo dos clubes europeus
cotados em bolsa afeta o preço das suas ações. Os resultados sugerem que os
desempenhos desportivos são determinantes do comportamento do preço das ações dos
clubes, sendo que as vitórias muitas vezes levam a uma variação positiva no preço das
ações, enquanto que um empate ou uma derrota tem o efeito oposto.
O objetivo do estudo de Findikçi e Tapsin (2015) era investigar a relação entre os
resultados desportivos e o preço das ações das sociedades anónimas desportivas
pertencentes aos clubes de futebol que eram negociadas na Bolsa de Valores de Istambul.
A amostra foi constituída pelos clubes Besiktaş, Galatasaray, Fenerbahçe e Trabzonspor
e foram utilizados como indicadores desportivos, os resultados dos jogos bem como a
diferença entre o número de golos marcados e sofridos em cada jogo. Adicionalmente,
foram incluídos no modelo os índices bolsistas Istanbul Stock Exchange 100 (BIST 100)
e o BIST Sports Index, entre 2010 e 2015, sendo utilizada a metodologia de análise de
dados em painel. Os resultados sugerem que as vitórias e o comportamento dos índices
bolsistas exercem um efeito positivo e estatisticamente significativo no preço das ações
dos clubes. Por outro lado, os empates e as derrotas, exercem uma influência negativa e
estatisticamente significativa no preço das ações.
Mais recentemente, existe uma maior consciência acerca do impacto que a análise
financeira pode ter na previsão dos preços das ações. Neste sentido, os estudos mais
recentes têm feito uma análise conjunta onde são incluídos indicadores desportivos e
indicadores financeiros na determinação do preço das ações dos clubes de futebol.
Noonan e Silicaro (2019) tinham como objetivo investigar os fatores críticos de sucesso
para os investidores de clubes de futebol. Para tal analisaram 23 clubes de futebol
europeus cotados entre os anos de 2009 e 2019, estudando a relação entre o rácio market
to book e seis variáveis explicativas nomeadamente as vendas, a rendibilidade líquida das
vendas, o rácio de liquidez geral, o rácio de endividamento, a posição no campeonato e o
desempenho na UEFA Champions League. Um dos principais resultados do artigo sugere
que a redução do endividamento tem um efeito positivo no preço das ações dos clubes.
Um resultado surpreendente é que a rendibilidade medida através da rendibilidade líquida
das vendas exerce um impacto negativo e estatisticamente significativo no preço das
ações dos clubes de futebol.
Maci et al. (2020) no seu estudo investigaram os impactos do desempenho desportivo e
financeiro dos clubes de futebol no preço das suas ações. A amostra abrangeu todas as
empresas europeias de futebol cotadas na Bolsa de Valores durante o período de 2012
2017. O processo de formação do preço das ações das empresas de futebol cotadas foi
investigado através de um modelo econométrico que incluiu como variáveis
independentes o histórico dos clubes nas competições da UEFA, o valor das vendas, o
valor do ativo, o endividamento, o retorno sobre o capital próprio, o índice de
diversificação das receitas e o resultado líquido. Os testes realizados ao modelo indicaram
que o modelo de regressão de efeitos fixos com erros padrão robustos é o mais adequado.
Os resultados sugerem que existe uma causalidade positiva e estatisticamente
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significativa entre os resultados desportivos e o preço das ações. Os indicadores
financeiros dos clubes como a dimensão, o retorno sobre o capital próprio e o resultado
líquido também apresentam uma influência positiva e estatisticamente significativa no
preço das ações. Os autores sugerem que os gestores dos clubes de futebol devem ter
simultaneamente atenção aos resultados desportivos e ao desempenho financeiro.
Prayoga et al. (2022) no seu estudo analisaram o efeito do desempenho desportivo e do
desempenho financeiro no preço dos clubes de futebol europeus. A variável dependente
utilizada foi o preço das ações na data de reporte dos clubes, sendo a moeda Euro utilizada
para uniformizar a base de dados. Os clubes de futebol que não eram transacionados em
Euros foram convertidos para a moeda de acordo com a taxa de câmbio no dia em questão.
Os dados da pesquisa incidiram sobre o período compreendido entre o ano de 2016 e 2021
e a metodologia utilizada foi a de regressão linear simples. Os resultados empíricos
mostram que o desempenho desportivo tem um efeito positivo e estatisticamente
significativo no preço das ações dos clubes de futebol. De igual modo, o rácio de liquidez
geral tem um efeito positivo e estatisticamente significativo no preço das ações dos clubes
de futebol. O rácio de endividamento tem um efeito negativo e estatisticamente
significativo no preço das ações dos clubes de futebol. Por último, a rendibilidade líquida
das vendas não apresentou um efeito significativo no preço das ações dos clubes.
Abbas (2022) procurou determinar se existe uma relação entre o desempenho desportivo
e o desempenho financeiro no preço das ações da Juventus, Borussia Dortmund e Lyon.
Para tal reuniu uma amostra com dados trimestrais entre 2007 e 2016 e utilizou a
metodologia de dados em painel. O desempenho desportivo foi representado através da
diferença entre golos marcados e sofridos e através da percentagem de vitórias face ao
total de jogos realizados. Por outro lado, o desempenho financeiro foi representado pelo
rácio de liquidez geral, rácio de endividamento e pelo resultado líquido por ação. Os
resultados sugerem que os indicadores financeiros são mais importantes na determinação
do preço das ações do que os resultados desportivos, sendo que o rácio de liquidez geral
e o resultado líquido exercem um efeito positivo e estatisticamente significativo. Por outro
lado, o rácio de endividamento apresenta um valor negativo e estatisticamente
significativo na determinação do preço das ações. A percentagem de vitórias apresenta
um efeito positivo, mas com um nível de significância estatística de apenas 10%.
Face ao exposto, propomos a primeira hipótese de investigação:
H1: Existe uma causalidade positiva entre o desempenho desportivo e o preço das ações
dos clubes de futebol europeus cotados em bolsa.
2.3 Estudos que abordaram o desempenho financeiro no preço das ações dos clubes de
futebol
A literatura refere que a dimensão das empresas é um dos principais determinantes do
desempenho de qualquer ação (Olaoye et al., 2016). Um clube de maior dimensão tem
geralmente uma maior experiência acumulada por parte dos seus gestores, é mais
propenso a registar aumentos de produtividade e a exibir um nível inferior de risco para
os acionistas. De igual modo, a dimensão fornece a informação para os investidores de
que o clube pode gerir bem as suas atividades de negócio (Ha & Minh, 2020; Pertiwi &
Wiagustini, 2020). Face ao exposto, propomos a segunda hipótese de investigação:
59
European Journal of Applied Business Management, 9(4), 2023, pp. 53-70
ISSN 2183-5594
H2: Existe uma causalidade positiva entre a dimensão e o preço das ações dos clubes de
futebol.
Costa (2022a) indica que é relevante neste tipo de estudo monitorizar o indicador de
liquidez dos clubes com vista a certificar a sua estabilidade de curto prazo. Noonan e
Silicaro (2019) indicam que o risco dos clubes pode aumentar se os seus passivos de curto
prazo aumentarem, uma vez que isso irá pressionar a sua capacidade para cumprir com
as suas obrigações financeiras a curto prazo. Estas dificuldades poderão levar os clubes a
aumentarem a sua dívida, o que poderá restringir a capacidade de crescimento dos
mesmos no longo prazo, com consequências negativas no seu preço de mercado. Face ao
exposto, propomos a terceira hipótese de investigação:
H3: Existe uma causalidade positiva entre a liquidez e o preço das ações dos clubes de
futebol.
Apesar de a indústria europeia do futebol ter sido encarada como fortemente
regulamentada e organizada, os clubes e ligas de futebol europeus têm-se caracterizado
por uma instabilidade financeira crónica derivada, em parte, da priorização dos resultados
desportivos em detrimento dos financeiros (Urdaneta-Camacho et al., 2022).
Com a intenção de melhorar a saúde financeira dos clubes, os órgãos dirigentes das
comissões decidiram estabelecer medidas para o seu controlo financeiro (Dimitropoulos,
2011). Estes regulamentos tentam evitar possíveis adulterações no resultado das
competições devido a uma diferença entre as despesas de algumas equipas e as receitas
que geram. Assim, em 2010, a UEFA adotou o regulamento conhecido como "financial
fair play (FFP)", que monitoriza a informação financeira publicada nas contas anuais dos
clubes que participam nas competições europeias e impõe limites às dívidas, despesas e
responsabilidades. Desde então os clubes que se desviam da disciplina financeira exigida
pela UEFA estão sujeitos a sanções que podem mesmo resultar na sua exclusão das
competições europeias. Contudo e tal como refere Dimitropoulos et al. (2016), a
introdução do FFP é um elemento que pode levar à introdução de práticas contabilísticas
criativas por parte dos clubes para acomodar a informação financeira apresentada nas suas
demonstrações financeiras aos requisitos da UEFA. Contudo, a literatura parece unânime
a referir que a introdução do FFP levou a melhorias significativas da situação financeira
dos clubes nos últimos anos (Calahorro-López et al. 2022; Ahtiainen & Jarva, 2022).
Para Costa et al. (2022a), é importante analisar o endividamento de cada empresa de modo
a aferir a sua robustez ao nível do capital, sendo que uma empresa será mais endividada
quanto maior for a percentagem de capital alheio face ao seu capital próprio.
Face ao exposto, propomos a quarta hipótese de investigação:
H4: Existe uma causalidade negativa entre o endividamento e o preço das ações dos
clubes de futebol.
O aumento das receitas pode não se traduzir necessariamente num aumento dos resultados
líquidos por causa do aumento dos gastos, e, por isso, é muito importante estar atento à
rendibilidade líquida das vendas. Quando um clube gera uma maior rendibilidade líquida
das vendas, mostra aos investidores que tem uma grande eficiência na gestão dos seus
custos e, por isso, consegue converter uma maior percentagem das vendas em resultado
líquido (Fernandes et al., 2019). Neste sentido propomos a quinta hipótese de
investigação: European Journal of Applied Business Management, 9(4), 2023, pp. 53-70
ISSN 2183-5594
H5: Existe uma causalidade positiva entre a rendibilidade líquida das vendas e o preço
das ações dos clubes de futebol.
3. Dados, Variáveis, Metodologia
3.1 Amostra
Este trabalho incidiu no período compreendido entre o ano de 2016 e 2022. Tal como fora
realizado no estudo de Prayoga et al. (2022), o valor das cotações das ações foi obtido
junto do site investing. Por outro lado, os dados financeiros dos clubes de futebol foram
provenientes dos seus relatórios e contas anuais e os resultados financeiros foram
extraídos do site zerozero. Tal como fora referido na introdução deste trabalho, e tendo
por base os estudos de Costa (2022a) e Costa (2022b) apenas foram introduzidas na
amostra os clubes de futebol com ações que são negociadas em Euros.
A Tabela 1 exibe os nove clubes europeus que fazem parte da amostra final.
Tabela 1 - Lista dos clubes que constituem a amostra
Ajax
Braga
Dortmund
FC Porto
Juventus
Lazio
Lyon
SL Benfica
Sporting CP
Fonte: Elaboração própria
De seguida, a tabela 2 identifica as variáveis usadas nesta investigação bem como a sua
fórmula de cálculo.
Tabela 2: Variáveis utilizadas na análise
Dimensão
Indicador
Abreviatura
Fórmula
Variável
dependente -
Valor da
cotação
dos
clubes no dia
30 de junho do
ano t
Cot
ln(Pt)
61
European Journal of Applied Business Management, 9(4), 2023, pp. 53-70
ISSN 2183-5594
Desempenho
desportivo - Percentagem
de vitórias no
campeonato
nacional
Vit
º 𝑑𝑒 𝑣𝑖𝑡ó𝑟𝑖𝑎𝑠 𝑛𝑜 𝑐𝑎𝑚𝑝𝑒𝑜𝑛𝑎𝑡𝑜
𝑁º 𝑑𝑒 𝑗𝑜𝑔𝑜𝑠
Dimensão -
Valor do
Ativo
Tam
Logaritmo natural do ativo
Liquidez -
Rácio
de
liquidez geral
LG
𝑡𝑖𝑣𝑜 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒
𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒
Endividamento -
Rácio
de
Solvabilidade
Sol
𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑝𝑟ó𝑝𝑟𝑖𝑜
𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜
Rendibilidade -
Rendibilidade
líquida
das
vendas
RLV
𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜 𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜
𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠
Fonte: Elaboração própria
3.2 Metodologia
Tal como recomendam Anwaar (2016), Findikçi e Tapsin (2015), Maci et al. (2020),
Costa et al. (2021), Pessoa et al. (2021) e Abbas (2022), a metodologia mais adequada
para este estudo empírico é a de dados em painel, pelo que de seguida é exposto o modelo
O futebol brasileiro atravessou 2025 vivendo um paradoxo raro: nunca os clubes fizeram tanto dinheiro, mas também nunca o debate sobre sustentabilidade financeira esteve tão presente. Segundo levantamento da Sports Value, os 30 principais clubes do País somaram R$ 11,6 bilhões em receitas totais, considerando direitos de transmissão, patrocínios, bilheteria e venda de atletas. Segundo o site BP Money .
Na liderança desse movimento estão clubes que conseguiram transformar torcida, marca e desempenho esportivo em caixa. No entanto, como alerta Amir Somoggi, fundador da consultoria, faturar mais não significa, necessariamente, estar financeiramente saudável. Segundo o Site BP Money .
“Estamos gerando mais dinheiro, mas gastando ainda mais. Muitos clubes crescem em receita e, ao mesmo tempo, ampliam seus prejuízos”, afirmou Somoggi em entrevista ao BP Money Entrevista. Segundo o Site BP Money .
Clubes com o maior faturamento em 2025
Posição
Clube
Receita estimada em 2025
1º
Flamengo
R$ 2,1 bilhão
2º
Palmeiras
~R$ 1,3 bilhão
3º
Corinthians
~R$ 1,1 bilhão
4º
São Paulo
~R$ 800 milhões
5º
Botafogo
~R$ 720 milhões
6º
Fluminense
~R$ 700 milhões
7º
Atlético-MG
~R$ 674 milhões
8º
Internacional
~R$ 600 milhões
9º
Athletico-PR
~R$ 573 milhões
10º
Grêmio
~R$ 509 milhões
Fonte: Sports Value
Flamengo e Palmeiras operam em outro patamar financeiro
No topo do ranking de receitas aparece Flamengo, com faturamento próximo de R$ 2,07 bilhão em 2025. O clube carioca mantém a liderança sustentado pela força de sua marca e pelo tamanho da torcida, enquanto o segundo lugar no ranking o Palmeiras com um faturamento de R$ 1,3 bilhão, o clube se destaca pela capacidade de ampliar receitas recorrentes, mesmo com uma base de torcedores menor. Segundo o Site BP Money .
“O Flamengo tem uma marca muito forte, mas o Palmeiras conseguiu estruturar melhor suas receitas de marca nos últimos anos. Isso explica por que os dois estão isolados no topo”, explicou Somoggi. Segundo o Site BP Money .
Apesar da vantagem, o especialista aponta um limite estrutural: a ausência de um estádio próprio ainda impede o Flamengo de capturar todo o potencial econômico do seu ativo esportivo. Segundo o Site BP Money .
Corinthians: alto faturamento, crise estrutural
Mesmo figurando entre os clubes de maior faturamento em 2025, o Corinthians simboliza o maior dilema do futebol brasileiro. O clube paulista superou R$ 1 bilhão em receitas, mas convive com um nível de endividamento que compromete qualquer avanço estrutural. Segundo o Site BP Money .
“O Corinthians tem renda extraordinária, mas ela não fecha a conta. É um caso extremo de desequilíbrio financeiro”, afirmou Somoggi. Segundo o Site BP Money .
Segundo o especialista, o clube vive uma bola de neve financeira, marcada por juros elevados, dívidas trabalhistas e bancárias. Na avaliação dele, sem uma ruptura profunda no modelo de gestão, o caminho tende a ser inevitável. Segundo o Site BP Money .
“Na minha opinião, o Corinthians vai ter que virar SAF. Não vejo outro caminho no curto prazo”, disse. Segundo o Site BP Money .
SAFs impulsionam receitas, mas elevam gastos
A consolidação das SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol) foi um dos principais vetores de crescimento das receitas em 2025. Clubes segundo o Site MO como Botafogo, Cruzeiro e Bahia registraram avanços expressivos após a entrada de investidores segundo o Site BP Money .
“O Botafogo e o Cruzeiro cresceram muito desde que viraram SAF. Isso é inegável”, afirmou Somoggi. Segundo o Site BP Money .
No entanto, o modelo também trouxe novos riscos. Segundo ele, muitos clubes passaram a gastar acima do que a própria arrecadação permite, impulsionados pela pressão esportiva. Segundo o Site BP Money.
“As SAFs pressionam economicamente os outros clubes. Quem não é SAF passa a gastar mais para não ficar para trás”, explicou. Segundo o Site BP Money .
O fenômeno, segundo Somoggi, não é exclusivo do Brasil e já ocorreu em ligas europeias, quando clubes controlados por grandes investidores elevaram o nível de gastos de todo o mercado. Segundo o Site BP Money .
Venda de atletas segue como pilar do caixa
Mesmo com o avanço de patrocínios e matchday, a venda de jogadores continua sendo essencial para o equilíbrio financeiro dos clubes brasileiros. Em 2024, as transferências renderam mais de R$ 3 bilhões, valor que se manteve elevado em 2025. Segundo o Site BP Money
“Existe uma ultra dependência da venda de atletas. Hoje, não tem como viver sem isso”, afirmou Somoggi. Segundo o Site BP Money .
Segundo ele, o problema é estrutural: o futebol brasileiro ainda não consegue gerar receitas suficientes com TV e marca para abrir mão desse modelo. Segundo o Site BP Money .
Falta de liga trava expansão do futebol brasileiro
Apesar do crescimento das receitas, o especialista aponta que o futebol brasileiro segue limitado pela ausência de uma liga única e profissional, capaz de organizar direitos comerciais, arbitragem, marketing e expansão internacional. Segundo o Site BP Money
“Nossa maior falha é a falta de organização e ambição global”, resumiu. Segundo o Site BP Money.
Para Somoggi, o Brasil segue como um dos maiores mercados potenciais do futebol mundial, mas ainda subexplorado em termos de marca, marketing e internacionalização. Segundo o Site BP Money .
Muito dinheiro em jogo, mas o desafio é o futuro
O retrato de 2025 mostra um futebol brasileiro mais rico, mais complexo e mais pressionado. Clubes faturam como nunca, mas enfrentam decisões estratégicas que definirão seu futuro. Segundo o Site BP Money
Entre SAFs, dívidas bilionárias e a busca por novos modelos de negócio, o consenso entre especialistas é claro: o dinheiro chegou, mas a profissionalização plena ainda é o próximo grande jogo a ser vencido . Segundo o Site BP Money