quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Conflitos de interesse ?

  

A principal diferença entre empresa pública e empresa privada reside na sua propriedade, objetivo principal e regime jurídico aplicável. 

Empresa Pública

Propriedade: O capital social é integralmente detido pelo Poder Público (União, Estados, Distrito Federal ou Municípios).

Objetivo Principal: Visa atender ao interesse público, prestando serviços à coletividade ou explorando atividades econômicas estratégicas para o Estado. Embora possa buscar eficiência e rentabilidade, o lucro não é a finalidade primordial, mas sim um meio para gerar bem-estar social e investimentos públicos.

Regime Jurídico e Funcionamento:

Possui personalidade jurídica de direito privado, mas sofre derrogações parciais por normas de direito público (regime híbrido).

A criação e extinção são autorizadas por lei específica.

A contratação de funcionários exige a aprovação em concurso público.

Não está sujeita ao regime de falência aplicável às empresas privadas.

Exemplos: Caixa Econômica Federal e Correios. 

Empresa Privada

Propriedade: Pertence a particulares (indivíduos, grupos de investidores ou outras empresas privadas). O público não tem acesso direto à sua propriedade, a menos que seja uma empresa de capital aberto listada na bolsa de valores (que, no contexto brasileiro de direito administrativo, ainda é considerada uma entidade privada ou sociedade de economia mista se houver controle estatal).

Objetivo Principal: O principal objetivo é a geração de lucro e a maximização do retorno financeiro para seus proprietários e acionistas.

Regime Jurídico e Funcionamento:

Opera sob o regime do direito privado em sua totalidade.

É regida pelo Código Civil e legislação comercial pertinente (como a Lei das Sociedades por Ações, se for o caso).

A contratação de funcionários é feita via processo seletivo próprio, regido pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), sem a necessidade de concurso público.

Está sujeita ao regime de recuperação judicial e falência. 

Em resumo, a empresa pública atua com capital e controle estatais visando o interesse coletivo, enquanto a empresa privada atua com capital e controle particulares visando o lucro individual ou dos acionistas. Segundo a Mestra e Publicitária Gloria Tenorio Negrelos, no terceiro período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

Conflitos de interesses são conflitos entre interesses públicos e privados , que possam comprometer o interesse coletivo ou influenciar de maneira imprópria o funcionamento da função pública.

Presidência da República

Casa Civil

Subchefia para Assuntos Jurídicos

sobre o de interesses no exercício de

cargo ou emprego do Poder Executivo federal e

impedirT1entos ao exercício do cargo ou

emprego; e revoga dispositivos da Lei no 9.986, de 18 de

julho de 20W e das Medidas Provisórias nos 2.216-37,

de 31 de agosto de 2001, e 2.225-45, de 4 de setembro

de 2(M.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Fap saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a Lei:

CAPITULO I

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 10 As situações que configuram conflito de interesses envolvendo de cargo ou no

âmbito do Poder Executivo federal, os requisitos e restrições a ocupantes de cargo ou emprego que tenham acesso

a informações privilegiadas, os impedimentos posteriores ao exercício do cargo ou emprego e as competências para

fiscalização, avaliação e prevenção de conflitos de interesses regularn-se nesta Lei.

Art. 20 Submetem-se ao regime desta Lei os ocupantes dos seguintes cargos e empregos:

I - de ministro de Estado;

II - de natureza especial ou equivalentes;

III - de presidente, vice-presidente e diretor, Ou equivalentes, de autarquias, públicas, empresas

públicas Ou sociedades de economia mista; e

IV - do e Assessoramento Superiores - DAS, níveis 6 e 5 ou equivalentes

parágrafo único. Além dos agentes públicos mencionados nos incisos I a IV, sujeitam-se ao nesta Lei

os ocupantes de cargos ou empregos cujo exercício proporcione acesso a informação privilegiada capaz de trazer

vantagem econômica ou financeira para 0 agente público ou para terceiro, conforme definido em regulamento.

Art. 30 Para os fins desta Lei, considera-se:

I - conflito de interesses: a situação gerada confronto entre interesses públicos e privados, que possa

comprometer o interesse coletivo ou influenciar, de maneira imprópria, o desempenho da função pública; e

II - informação privilegiada: a que diz respeito a assuntos sigilosos Ou aquela relevante ao de decisão

no âmbito do Poder Executivo federal que tenha repercussão econômica ou financeira e que não seja de amplo

públiw.

Art. 40 0 ocupante de cargo ou emprego no Executivo f±ral deve agir de a prevenir ou a

possivel conflito de interesses e a resguardar informação privilegiada.

S 10 NO caso de dúvida sobre como prevenir ou situações que configurem conflito de interesses, o

agente púNico deverá consultar a Comissão de Ética Pública, criada no âmbito do Executivo f±ral, ou a

Controladoria-Geral da União, conforme o no parágrafo único do art. 80 desta Lei.

S 20 A ocorrência de wnnito de interesses independe da existência de lesão ao patrimônio público, bem como

do de qualquer vantagem ou ganho pelo agente públiw ou por

CAPÍTULO II

DAS SITUAÇÕES QUE CONFIGURAM CONFLITO DE INTERESSES NO EXERCÍCIO CARGO OU

EMPREGO

Art. 50 Configura de interesses no exercício de cargo ou no âmbito do Poder Executivo

federal:

I - divulgar ou fazer uso de informação privilegiada, em proveito próprio ou de terceiro, obtida em razão das

atividades exercidas;

II - exercer atividade que implique a prestação de serviços ou a manutenção de rela#o de negócio

física ou juridica que tenha interesse em decisão do agente ou de colegiado do qual este participe;

III - direta ou indiretamente, atividade que em razão da sua natureza seja as

do cargo ou emprego, considerando-se como tal, inclusive, a atividade desenvolvida em áreas ou

matérias correlatas;

IV - atuar, ainda que informalmente, como assessor ou intermediário de interesses

privados nos órgãos ou entidades da administração direta ou indireta de qualquer dos Poderes da União, dos

Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

V - praticar ato em beneficio de interesse de jurídica de que participe o agente público, seu cônjuge,

companheiro ou parentes, ou afins, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, e que ser

por ele beneficiada ou influir em seus atos de gestão;

VI - receber presente de quem tenha interesse em decisão do agente públicn ou de colegiado do qual este

participe fora dos limites e condições estabelecidos em regulamento; e

VII - prestar serviços, ainda que eventuais, a empresa cuja atividade seja controlada, fiscalizada ou regulada

pelo ente ao qual o agente público está vinculado.

Parágrafo único. As situações que configuram conflito de interesses neste artigo aplicam-se aos

ocupantes dos cargos ou empregos mencionados no art. 20 ainda que em gozo de licença ou em período de

afastamento

CAPITULO III

DAS SITUAÇÕES QUE CONFIGURAM CONFLITO DE INTERESSES

APOS O EXERCICIO DO CARGO OU EMPREGO

Art. 60 Configura conflito de interesses após o exercício de cargo ou emprego no âmbito do Executivo

I - a qualquer tempo, divulgar ou fazer uso de informação privilegiada obtida em razão das atividades

exercidas; e

II - no período de 6 (seis) meses, contado da data da dispensa, exoneração, destituição, demissão ou

aposentadoria, salvo quando expressamente autorizado, conforme o caso, pela Comissão de Ética ou pela

Controladoria-Geral da União:

a) prestar, direta ou indiretamente, qualquer tipo de serviço a pessoa fisica ou juridica com quem tenha

relacionamento relevante em razão do exercício do cargo ou emprego;

b) aceitar cargo de administrador ou conselheiro ou estabelecer vinculo profissional com pessoa física ou

juridica que desempenhe atividade relacionada à área de competência do cargo ou ocupado;

c) com órgãos ou do Poder Executivo federal contratos de serviço, consultoria,

assessoramento ou similares, vinculados, ainda que indiretamente, ao órgão ou entidade em que tenha

o cargo ou emprego; ou

d) intervir, direta ou indiretamente, em favor de interesse privado órgão ou entidade em que haja

cx:upado ou emprego ou com o qual tenha relacionamento relevante em razão do exercício do

cargo ou

Art. 70 (VETADO).

CAPITULO IV

DA FISCALIZAÇÃO E DAAVALIAÇAO DO CONFLITO DE INTERESSES

Art. 80 Sem prejuízo de suas institucionais, à Comissão de Ética instituída no

âmbito do Poder Executivo federal, e à Controladoria-Geral da União, o caso:

I - estabelecer normas, e mecanismos que objetivem prevenir ou impedir eventual de

interesses;

II - avaliar e fiscalizar a omrrência de situações que de interesses e determinar medidas

para a prevenção ou eliminação do conflito;

III - orientar e dirimir dúvidas e controvérsias da interpretação das normas que regulam o cnnflito de

indusive as estabelecidas nesta Lei;

IV - manifestar-se sobre a existência ou não de conflito de interesses nas consultas a elas submetidas;

V - autorizar o ocupante de cargo ou emprego no âmbito do Poder Executivo federal a exercer atividade

privada, quando verificada a inexistência de conflito de interesses ou sua irrelevância;

VI - dispensar a quem haja ocupado cargo ou emprego no âmbito do Poder Executivo federal de cumprir o

perícxio de impedimento a que se refere 0 inciso II do art. 60 , quando verificada a inexistência de conflito de

interesses ou sua irrelevância;

VII — dispor, em conjunto com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, sobre a comunicação pelos

ocupantes de cargo ou emprego no âmbito do Poder Executivo federal de alterações patrimoniais relevantes,

exercício de atividade privada Ou recebimento de propostas de trabalho, contrato ou negócio no setor privado; e

VIII - fiscalizar a divulgação da agenda de compromissos públicos, conforme prevista no art 11

parágrafo único. A Comissão de Ética Pública atuará nos casos que envolvam os agentes púNicos

mencionados nos incisos I a IV do art. 20 e a Controladoria-Geral da União, nos casos que envolvam os demais

agentes, observado o disposto em regulamento

Art. 90 Os agentes públiM)s mencionados no art. 20 desta Lei, inclusive aqueles que se encontram em gozo de

licença ou ern de afastamento, deverão:

I - enviar à Comissão de Ética Pública ou à Controladoria-Geral da União, conforme o caso, anualmente,

dedaração informações sobre situação patrimonial, societárias, atividades econômicas ou

profissionais e indicação sobre a existência de cônjuge, companheiro ou parente, por consanguinidade ou afinidade,

em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, no exercício de atividades que suscitar wnnito de interesses;

II - comunicar por escrito à Comissão de Ética Pública ou à unidade de humanos do órgão ou

entidade respectivo, conforme o caso, o exercício de atividade privada ou o recebimento de propostas de trabalho

que pretende aceitar, contrato ou negócio no setor privado, ainda que não pelas normas vigentes,

estendendo-se esta obrigação ao a que se refere o inciso II do art. 60

Parágrafo único. As unidades de humanos, ao a de exercicio de atividade

privada ou de de propostas de trabalho, contrato ou no setor privado, deverão informar ao

servidor e à Controladoria-G-eral da União as que suscitem potencial conflito de interesses entre a

atividade e a atividade privada do agente.

CAPITULO V

DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 10. As disposições contidas nos arts. 40 e 50 e no inciso I do art. 60 estendem-se a todos os agentes

públicos no âmbito do Poder Executivo federal.

Art. 11. Os agentes públicos mencionados nos incisos I a IV do art. 20 deverão, ainda, divulgar, diariamente,

meio da rede mundial de computadores - intemet, sua agenda de públiü)S. {Regulamenta)

Art. 12. O agente púNico que praticar os atos previstos nos arts. 50 e 60 desta Lei incorre em improbidade

administrativa, na forma do

quando não caracterizada qualquer das

condutas descritas nos arts. 90 e 10 daquela Lei

Parágrafo único. Sem prejuizo do disposto no caput e da aplicação das demais sar*s cabíveis, fica o

agente público que se encontrar em situação de conflito de interesses sujeito à aplicação da penalidade disciplinar

de demissão, prevista no inçLl.lLdA-aLIZe no

Ou medida

equivalente

Art. 13. O disposto nesta Lei não afasta a aplicabilidade da Lei no 8.112 de 11 de dezembro de Iggo_

especialmente no que se refere à apuração das responsabilidades e possível aplicação de sanção em razão de

prática de ato que configure conflito de interesses ou ato de improbidade nela previstos

Art. 14. (VETADO).

Art. 15. (VETADO).

Brasília, 16 de maio de 2013; 1920 da Independência e 1250 da República

DILMA ROUSSEFF

Miriam Belchior

Jorge Hage Sobrinho

Este texto não o publicado no DOU de 17.5.2013 e retificado em 20.5.2013. Segundo o Site Oficial da Presidencia da Repúbliuca .

Um clube esportivo (ou clube desportivo) é uma associação de pessoas formada com o objetivo de promover, desenvolver e praticar atividades físicas e modalidades esportivas, sejam elas coletivas ou individuais.

Sem fins lucrativos (Terceiro Setor): Tradicionalmente, a maioria dos clubes nasce como uma associação civil privada sem fins lucrativos. O dinheiro arrecadado (por meio de mensalidades de sócios, patrocínios ou incentivos fiscais) deve ser totalmente reinvestido na própria instituição.

Clubes-Empresa (Sociedades Anônimas): Muitas agremiações focadas no esporte de alto rendimento (como grandes times de futebol) migraram para modelos empresariais (como a SAF no Brasil ou as sociedades desportivas em Portugal) para atrair investimentos e gerenciar o departamento profissional com fins lucrativos.

Monoportivos: Dedicam-se exclusivamente a uma única modalidade (ex: um clube focado apenas em futebol, remo ou tênis).

Poliesportivos: Mantêm infraestrutura e equipes de competição para diversos esportes simultaneamente (ex: futebol, basquete, natação, vôlei).

Clubes Sociais e de Lazer: Focados no bem-estar de seus associados. Oferecem piscinas, quadras e academias para a prática esportiva amadora e recreativa, além de eventos sociais, sem necessariamente focar em competições profissionais.

Clubes de Comunidade (CDCs): Modelos em que o poder público cede espaços para associações locais administrarem projetos de esporte, lazer e inclusão social para a população de bairros específicos.

Em termos gerais, o significado de um clube esportivo vai além do esporte em si: ele atua como um espaço de convivência social, formação de cidadania, revelação de talentos (atletas) e construção de identidade cultural para torcedores e praticantes.

Confira a História e Títulos do Vasco .No Site Campeões do futebol .https://www.campeoesdofutebol.com.br/vascorj_historia.html

Não estaria havendo conflito de interesses ?

Imagem do UOL .











quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Roberto Moreno .

  Confira no Site Tudo sobre Fórmula 1        . 2https://www.tudosobreformula1.com.br/c%C3%B3pia-recordes-da-f

 
A  formação de um piloto de Fórmula 1 é um processo longo, altamente competitivo e caro, exigindo anos de dedicação desde a infância. A trajetória tradicional segue uma "escada" de categorias unificadas pela Federação Internacional do Automobilismo (FIA).1. O Início: Karting (Idade: 6 a 15 anos)O kart é a base fundamental de qualquer piloto de Fórmula 1. É onde se aprendem as técnicas essenciais de pilotagem, traçado de pista, ultrapassagens e controle do veículo sob pressão.Nível Local/Nacional: Competições em campeonatos estaduais e nacionais para ganhar experiência.Nível Internacional: Disputar o Campeonato Europeu de Kart ou o Campeonato Mundial de Kart da FIA é crucial para chamar a atenção de olheiros e academias de jovens pilotos de equipes da F1.2. A Transição para os Carros: Fórmulas de Entrada (Idade: 15 a 17 anos)Ao sair do kart, o piloto faz a transição para carros de corrida de verdade (monopostos com asas e aerodinâmica básica).Fórmula 4 (F4): Existem vários campeonatos nacionais certificados pela FIA (como a F4 Italiana, F4 Britânica ou F4 Brasileira). O foco é aprender a dinâmica de um carro de fórmula.Fórmula Regional: Categorias como a FRECA (Formula Regional European Championship by Alpine) servem como um passo intermediário de maior potência antes das categorias globais.3. As Categorias de Suporte Globais (Idade: 16 a 20+ anos)Essas categorias correm nos mesmos finais de semana e pistas da Fórmula 1, servindo como a vitrine máxima para os chefes de equipe.Fórmula 3 (F3): Grid global unificado com cerca de 30 carros idênticos. O piloto precisa se destacar pelo talento puro, já que os equipamentos são iguais.Fórmula 2 (F2): O último degrau antes da F1. Os carros da Fórmula 2 são extremamente velozes, possuem o sistema DRS (asa móvel) e pneus com comportamento similar aos da F1. Vencer ou ser um dos primeiros colocados na F2 é o passaporte principal para o topo.4




CONSTRUÇÃO DE IMAGEM DA FÓRMULA 1 NAS REDES SOCIAIS:
Estudo de caso da modalidade, equipes e seus pilotos.
Vitória Xavier de Medeiros1
Carolina Pedrosa Cardoso Itocazo2
Resumo
Por meio da análise das redes sociais dos pilotos, suas equipes e da própria categoria, este
artigo sugere estudar a importância das redes sociais na indústria da Fórmula 1. Reunindo
dados e materiais publicados na imprensa, iniciamos nossa pesquisa antes mesmo da gestão
da Liberty Media (responsável pelo investimento de conteúdo nas redes sociais). Também
estudamos o piloto Ayrton Senna, que construiu sua imagem de esportista e ídolo em um
período sem o alcance global das redes sociais. Ao final da pesquisa chegamos à conclusão de
que as redes sociais impactam não apenas a modalidade, como a imagem dos pilotos, além de
possibilitar a obtenção de dados a respeito da opinião do público.
Palavras-Chaves: Fórmula 1; Automobilismo; Marketing; Redes Sociais e Liberty Media.
1. Introdução
Este estudo tem como tema a construção de imagem nas redes sociais dos pilotos de
automobilismo, considerando o crescimento acelerado da comunicação nas redes sociais.
Assim como a análise da própria Fórmula 1 e suas equipes.
O desempenho esportivo, claro, geralmente acaba chamando a atenção do público,
sejam eles torcedores ou patrocinadores. Porém, como há casos de atletas ligados na internet
durante horas, dividindo sua rotina e interagindo com seguidores, abre-se espaço para o
engajamento nas redes sociais e aproximação com esse público. Consequentemente, isso pode
despertar o desejo dos usuários de acompanharem todo o conteúdo disponível sobre aquele
piloto, que compartilha sua vida fora das pistas.
Quais os impactos de um atleta que não constrói presença nas redes sociais?
Um estudo3 feito pela consultoria SportsValue — do especialista em marketing esportivo
Amir Sommogi —, em parceria com a Zeeng, apontou que as equipes e pilotos da F1 têm
uma enorme capacidade de engajamento e, consequentemente, de geração de receitas
adicionais pelas redes.
1 Vitória Xavier de Medeiros, Graduanda em Jornalismo pela Universidade São Judas. Contato:
Vihxavierm@gmail.com.
2 Carolina Pedrosa Cardoso Itocazo, Universidade São Judas, professora. Doutoranda em comunicação ECA/USP.
3 Dirigir para Engajar. Disponível em
<https://bigdatasports.media/wp-content/uploads/2021/03/EN-Digital-F1-24-mar-2021-Sports-Value-Zeeng.pdf> Acesso:
abr. 2022.
1
Observando o cenário atual do Brasil, o país conta com mais de 170 milhões de
usuários de redes sociais, segundo uma pesquisa4 feita pelas agências de marketing digital We
Are Social e Hootsuite, em 2022. Ademais, o mesmo estudo, realizado em 20215, apontou que
o Brasil é o terceiro país no mundo que mais utiliza as redes sociais.
Em vista desses dados apresentados, a hipótese deste trabalho aponta que é rentável
para um atleta investir no gerenciamento de sua imagem em suas redes sociais para obter
resultados positivos no crescimento de sua carreira. Os resultados acontecem tanto pelos
retornos financeiros, quanto pela construção de imagem perante o público-alvo:
patrocinadores e torcedores.
Portanto, o objeto escolhido para o estudo de caso desta pesquisa são as redes sociais
das equipes e dos atletas de fórmula 1, e da própria modalidade, que teve um aumento
considerável de público desde que passou a investir na comunicação através das redes sociais
em 2016.
A pesquisa tem como objetivos gerais:
Analisar como a comunicação no esporte mudou com o surgimento das redes sociais;--
Estudar se a utilização das redes sociais é eficaz na construção de imagem;
Verificar os impactos dessa comunicação com o público-alvo: patrocinadores e
torcedores;
Checar se, com o recurso das mídias sociais utilizadas, os pilotos se destacam entre
aqueles que não investem nesse recurso;
Logo, o artigo foca em analisar a importância da construção de imagem nas redes
sociais da Fórmula 1, seus pilotos e equipes, usando o método de pesquisa empírica indutiva,
quantitativa, com análise documental.
2. Metodologia
Para a análise de alcance, engajamento e crescimento nas redes sociais, usamos
ferramentas que informam dados das redes sociais selecionadas, como as notjustanalytics e
gramhir. Também são analisadas matérias publicadas na mídia, que registraram o
comportamento desses pilotos em suas redes sociais e as reações do público perante a ação
deles. Sendo assim, nosso estudo tem como ponto de partida o ano de 2016 — ano em que a
4 “Digital 2022: Global Overview Report”.. Disponível em: >https://wearesocial.com/uk/blog/2022/01/digital-2022/<
Acesso: abr. 2022.
5 “Digital 2021: Global Overview Report”. Disponível em: >https://wearesocial.com/uk/blog/2021/01/digital-2021-uk/<
Acesso: abr. 2022.
2
empresa Liberty Media assumiu a gestão da Fórmula 1 e passou a investir na produção de
conteúdo nas redes sociais.
Analisamos o Instagram, Facebook, Twitter, Youtube, Twitch e Tiktok, devido às
diferentes características de cada plataforma. Os pilotos escolhidos para a nossa análise são
Lewis Hamilton, Max Verstappen, Daniel Ricciardo, Charles Leclerc, Fernando Alonso e
Sérgio Pérez, pois estão entre os pilotos da temporada da Fórmula 1 2022 mais seguidos nas
redes sociais. Assim como as equipes Mercedes-AMG Petronas F1 Team, Red Bull Racing,
Scuderia Ferrari e McLaren Formula 1 Team. Também são estudados Zhou Guanyu, Nicholas
Latifi, Lance Stroll e Kevin Magnussen, pois são os pilotos da temporada 2022 com os
menores números de seguidores nas redes sociais. Por fim, entram no estudo as redes sociais
dos ex-pilotos de Fórmula 1 Nico Rosberg, Felipe Massa, Rubens Barrichello, que mesmo
aposentados na categoria, atualizam com frequência suas redes sociais.
Como base teórica, este artigo abrange conceitos de Andreas Kaplan e Michael
Haenlein (2010), a respeito do conceito de mídias sociais e redes sociais; do jornalista
Rodrigo França (2006), para abordar a relação do piloto Ayrton Senna com o jornalismo
brasileiro. Além do documentário Dirigir para Viver (2019), da Netflix, que apresenta os
bastidores do esporte fórmula 1.
3. Mídias Sociais e Redes Sociais
A história da internet começa no ápice da Guerra Fria,6 com os Estados Unidos
temendo um ataque de seus adversários, a URSS7. Esse conflito originou a ARPA (Advanced
Research Project Agency8), a qual o principal objetivo era desenvolver tecnologias para
superar a URSS. Como produto, foi criado a ARPANET, uma rede que permitia o
compartilhamento de informações entre computadores de variados locais.
Em 1986, essa rede passou a receber a denominação de internet e, anos mais tarde, na
década de 1990, iniciou-se o desenvolvimento da internet da forma como é conhecida hoje. A
Microsoft, juntamente com outras empresas, explorou a internet e desenvolveu navegadores
como: Internet Explorer, Netscape e Mozilla Firefox, permitindo então que usuários de todo o
planeta pudessem se comunicar. Dessa forma, adentramos no momento primordial para o
desenvolvimento do nosso estudo: a criação das mídias sociais e redes sociais, que afetaram
todos os estágios da comunicação.
6 A Guerra Fria foi responsável pela polarização mundial e, entre 1947 e 1991, desencadeou uma série de pequenos
conflitos como resultado da disputa entre EUA e URSS.
7 Chamada de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), era uma nação socialista que surgiu como
resultado direto da Revolução Russa de 1917.
8 “Agência de pesquisas em projetos avançados”, em português.
3
Andreas Kaplan e Michael Haenlein (2010, p. 59) definem mídia social como “parte
de um grupo de aplicações para internet construídas com base nos fundamentos ideológicos e
tecnológicos da WEB 2.0 e que permitem a criação e troca de Conteúdo Gerado pelo Usuário
(CGU).”. Ou seja, as mídias sociais são o ambiente online, em que podemos compartilhar
informações. Tendo como principal objetivo produção, divulgação e compartilhamento de
conteúdo. Essa permite a interação de seu público, porém as relações ficam em segundo
plano. São elas: fórum, blog, podcast, redes sociais, youtube, etc
Já nas redes sociais, podemos definir como plataformas da internet focadas no
relacionamento com outras pessoas, através de um perfil ou compartilhamento de conteúdo. A
proposta é a interação entre as pessoas. São elas: Facebook, Instagram, Twitter, Linkedin, etc.
4. Impactos de uma gestão que ignorou as redes sociais
Na década de 70, as corridas denominadas “Grande Prêmio” começaram a ser
transmitidas ao vivo nas televisões para o mundo todo. Como naquela época a comunicação
por satélite já era uma realidade, as empresas passaram a enxergar a Fórmula 1 como uma
vitrine para expor suas marcas e aos poucos as equipes foram ganhando patrocinadores —
sendo a maioria multinacionais prontas para investimentos.
Contando com inovações na cobertura televisiva, a Fórmula 1 esteve por anos no
pódio de audiência. Entretanto, demorou para driblar os impactos da digitalização do
entretenimento. O antigo sócio da empresa, que explora os direitos comerciais da
modalidade9, Bernie Ecclestone, não se preocupou em investir em redes sociais, como o
Twitter, Facebook ou YouTube, pelo lento retorno financeiro na época. Além disso, a
preocupação maior era proteger o valor dos direitos televisivos, que era a principal fonte de
renda. Sendo que, segundo Barbosa (2013), não há uma oposição entre as mídias, mas uma
complementaridade.
Por conseguinte, a insatisfação do público cresceu, visto que o problema estava tanto
na imagem, como no alcance da modalidade, que não se preocupava com o relacionamento
direto com os fãs. Uma pesquisa10 realizada em 2015 pela GPDA11 com 217.756 pessoas, de
194 países diferentes, revelou que 78% das pessoas acreditavam que a Fórmula 1 deveria
promover melhor a imagem e a reputação mundial da categoria.
9 Formula One Management (FOM).
10 Essa pesquisa não está mais disponível, mas alguns dados podem ser obtidos na matéria “Fãs apontam Senna como
melhor da história e pedem mais emoção na F-1” Disponível em
<http://ge.globo.com/motor/formula-1/noticia/2015/07/fas-apontam-senna-como-melhor-da-historia-e-pedem-mais-emocao-na-f
1.html>. Acesso: abr 2022.
11 Associação de Pilotos da Fórmula 1.
4
Outra conclusão da pesquisa foi que, comparado a 2010, a percepção da categoria
pelos fãs havia piorado. Em 2010, os três principais atributos apontados pelos torcedores para
descrever a categoria eram “tecnológica”, “competitiva” e “empolgante”. Mas, em 2015,
apenas “tecnológica” permaneceu no top 3, acompanhada agora dos adjetivos “cara” e
“chata”. Além disso, 85% afirmaram que a Fórmula 1 precisava “fazer mais para atrair e
manter novos fãs”.
Como tentativa de contornar a situação, a Fórmula 1 procurou envolver o público com
fotos, vídeos, enquetes e outros conteúdos nas redes sociais. Mas isso não chegou perto do
posicionamento que outros esportes passaram a adotar. Esportes americanos impulsionaram a
sua popularidade através do engajamento com os fãs, produzindo vídeos, promoções
patrocinadas, concursos para fãs, campanhas de hashtag, recursos e acessos exclusivos.
Em 2015 a conta oficial da fórmula 1 do Twitter contava com apenas 1,7 milhões de
seguidores, número baixo se levado em consideração que na mesma época a NASCAR12, que
não tinha o mesmo alcance global na televisão, possuía cerca de 2,1 milhões de seguidores.
Os números se tornam ainda mais baixos quando comparados a outros esportes: a NFL13 que
se preocupava em fornecer conteúdo nas plataformas, tinha 14,5 milhões de seguidores e a
NBA14 18,2 milhões. Isso que, naquele ano, o Twitter era a principal rede social dos fãs de
Fórmula 115.
Com o foco voltado somente nos ganhos com os direitos de mídia, eventos e
promoções tradicionais, a decadência bateu a porta da Fórmula 1 em 2016. No mesmo ano, a
modalidade chamou a atenção da empresa Liberty Media.
5. Como a Liberty Media alavancou a audiência
Em 2016, John Malone, sócio do grupo de comunicação de massa americano Liberty
Media, manifestou o interesse em saber mais sobre a Fórmula 1, conhecendo a organização,
contratos ativos com emissoras, promotores, investidores, etc. Tudo isso por um objetivo:
comprar os direitos comerciais.
Naquele ano, o faturamento estava em torno de 1,2 bilhões de dólares, isso sem
explorar plataformas digitais. Logo, Malone enxergou a oportunidade de um ambiente para
explorar a comunicação digital. Em janeiro de 201716 a Liberty Media comprou a empresa
12 Associação automobilística estadunidense que sanciona e controla múltiplos eventos de esporte a motor, em especial
competições de "stock cars".
13 Liga esportiva profissional de futebol americano dos Estados Unidos.
14 Principal liga de basquetebol profissional da América do Norte.
15 Segundo a pesquisa feita pela GPDA.
16 Apesar da compra ter sido concretizada em 2017, a Liberty Media passou a assumir as operações no final de 2016.
5
controladora da Fórmula 1, a Delta Topco, por 301 milhões de dólares e a maior parte da
aquisição de 4,6 bilhões foi financiada com dívida, oferta de ações e debêntures.
Ao assumir as operações em dezembro de 2016 a empresa Liberty Media passou a
tratar a modalidade como um produto de mídia e não mais de esportes. Ecclestone, que era o
diretor executivo dos ex-donos dos direitos comerciais, foi dispensado e, Chase Carey,
executivo veterano do setor de mídia, passou a para conduzir uma nova fase nas pistas e nas
áreas de marketing e comercialização de direitos da categoria.
Para Victor Martins (2016), jornalista especializado em automobilismo da Warm Up17,
citado por Luiz Gustavo (2016)18, a entrada da Liberty Media na Fórmula 1 era a
oportunidade do evento “sair da mesmice” e se tornar mais atrativo para o público jovem,
portanto “Nada mais válido que um grupo de comunicação entenda que não é possível manter
a barreira que a F1 sustenta até hoje nas redes sociais e veja que há receita a ser garimpada
com publicidade e TV”.
Com os fãs tendo outras maneiras de se envolverem com o esporte, além de assistir às
corridas ou irem aos autódromos, a Liberty Media teve um rápido retorno dos seus
investimentos. Em 2018 a Fórmula 1 embolsou 10 milhões de dólares em faturamento, apenas
com o âmbito digital. Em 2016, quando Bernie Ecclestone ainda estava no comando, o
faturamento foi de 6,1 milhões de dólares.
Em 2 anos a Liberty Media conseguiu faturar 65% mais que o conquistado em 2016.
Sendo que esse número representa apenas 0,6% da receita total gerada pela categoria, pois
não inclui ganhos com a F1TV e o e-Sports. Houve um enorme impulso na interação das
redes sociais, com 11,9 milhões de seguidores no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube —
representando um aumento de 54,9% em relação a 2016. Mas os resultados positivos não
foram apenas nas redes sociais, ao impulsionar as redes sociais, plataformas digitais e
disponibilizar conteúdos de vídeos, a Fórmula 1 também elevou sua audiência na televisão.
Ademais, o investimento nas redes sociais também levou ao expressivo crescimento
entre o público mais jovem. Um estudo da empresa The Insights Family19, especializada em
inteligência de mercado, revelou que o número de crianças que são fãs de Fórmula 1 cresceu
17% nos principais mercados europeus. De acordo com a pesquisa, são cerca de 2,85 milhões
17 Agência responsável pelo site Grande Prêmio.
18 Informação obtida em entrevista ao site Meio e Mensagem. Disponível em >
https://www.meioemensagem.com.br/home/marketing/2016/10/04/a-arrancada-do-liberty-media-no-segmento-de-corridas.html<
. Acesso: abr de 2022.
19 The insights family data drives formula 1 to help understand its future fans. Disponível em:
>https://theinsightsfamily.com/news/366< Acesso: Abr. 2022.
6
de crianças a mais se interessando ativamente pela categoria, o que elevou a base de fãs
juvenis da F1 para 20,1 milhões de crianças.
Além das redes sociais, outro fator que contribuiu para o crescimento expansivo de
novos públicos foi o lançamento da série F1: Dirigir Para Viver, na Netflix, que mostrou os
bastidores e as rivalidades entre pilotos e equipes. Além disso, a realização de corridas
virtuais (o Virtual Grand Prix) que ocorreram quando as corridas foram suspensas por conta
da pandemia da Covid-19, também contribuíram. No período, elas também foram
impulsionadas pelas presenças dos pilotos Lando Norris, Charles Leclerc, Alex Albon e
George Russell — todos utilizaram as plataformas Twitch e YouTube para se conectar com os
fãs. Aliás, é importante ressaltar que até 2017, equipes e pilotos não tinham permissão de
publicar vídeos nas redes sociais ou interagir com fãs.
De acordo com o chefe da Red Bull, Christian Horner (2017), citado por Jonathan
Noble (2017)20, “Dar personalidade aos pilotos e dar alguns bastidores só vai incentivar as
pessoas a ligarem a televisão e assistirem às corridas. Eu realmente vejo isso como um
benefício geral para o esporte".
Com a abertura das mídias sociais, os fãs passaram a ter um canal direto de
comunicação com os pilotos e equipes, ou seja, a possibilidade de aproximação do público.
Sob esse ponto, entramos na questão de que a abertura nas mídias é benéfica tanto para os
pilotos, como para as equipes.
6. A construção de imagem do piloto Ayrton Senna
Há 28 anos, no dia 1 de maio de 1994, o Brasil se chocou com o anúncio dado pelo
jornalista Roberto Cabrini, em plantão na "TV Globo", emissora que por muitos anos deteve
os direitos de transmissão da Fórmula 1 no Brasil21. Naquele domingo, o país recebeu a
notícia da morte prematura do piloto Ayrton Senna, que ao longo de sua carreira cativou uma
legião de fãs ao ponto de ser lembrado como "herói" e "ídolo". No dia seguinte ao acidente, os
principais jornais da época publicaram a tragédia em suas capas. "Acidente mata Ayrton
Senna", "Brasil perde Senna" estampou respectivamente a "Folha de S. Paulo" e o "O
Globo". Enquanto o "Estado de S. Paulo" utilizou a seguinte manchete “Morte de Senna abala
País e causa indignação com segurança na F-1".
20 Informação obtida em entrevista ao site motorsport. Disponível em >
https://motorsport.uol.com.br/f1/news/red-bull-tv-nao-deve-temer-liberdade-nas-midias-sociais-879572/879572/<. Acesso: abr
de 2022.
21 Em 2021 o Grupo Bandeirantes de Comunicação anunciou a compra dos direitos de transmissão da Fórmula 1.
7
O então presidente do Brasil, Itamar Franco, decretou luto de três dias, e o velório do
piloto ocorreu dentro da própria Assembleia Legislativa de São Paulo, acompanhado por 241
mil pessoas. O cortejo durou três horas e, estima-se, que um milhão de pessoas foram às ruas
para se despedirem do tricampeão da Fórmula 1.
Toda essa mobilização sobre a morte do atleta mostra a importância que Ayrton teve
na vida de muitos brasileiros. Novas gerações nunca nem chegaram perto de o verem
correndo ao vivo na televisão, mas conhecem o seu nome, assim como pilotos mirins falam
em entrevistas que querem ser como Senna. A construção de sua imagem reflete nos dias
atuais, tanto que, mesmo após anos de sua morte, seu nome é citado em assuntos sobre a
Fórmula 1.
Rodrigo França (2006) relembra em sua dissertação de mestrado que, ainda no início
dos anos 1980 — quando essa prática ainda não era comum — Senna trabalhava com a
assessoria de imprensa “Ayrton Senna Promoções”, que abastecia constantemente as redações
com notícias sobre ele. Dessa forma, França (2006, p. 82) afirma que “Senna, sim, soube
trabalhar com seus feitos para construir sua imagem de esportista e ídolo, algo que rivais
como Piquet, por exemplo, não fizeram”.
Aliás, Ayrton conseguiu se destacar como tricampeão, com as vitórias de 1988, 1990 e
1991, quando o Brasil já contava com os títulos de Emerson Fittipaldi, que ganhou os
mundiais em 1972 e 1974, e de Nelson Piquet, que foi tricampeão com as conquistas de 1981,
1983 e 1987. Ou seja, a legião de fãs de Senna era incomparável a desses pilotos e o título de
tricampeão dele refletiu como se fosse um ineditismo no nosso país — mesmo não sendo.
Praticamente, a mídia foi uma aliada para transformar Senna em um super-herói de
carne e osso. Segundo França (2006, p.77)
Piquet era definido como um personagem de interesse relativamente pequeno para a
mídia, já que celebrava suas vitórias como algo de conquista pessoal- algo bastante
comum em esportes individuais, como tênis e automobilismo. Seu interesse pela F-1
era sobretudo uma forma que gostava de trabalhar e ganhar muito dinheiro, mas não
era dominado pela preocupação de se tornar um ídolo.
Senna sabia que o apoio da mídia seria benéfico para sua carreira e tratou de cultivar
essa relação. Todavia, quando falamos dele, estamos falando de meados dos anos 1980 para
início dos anos 1990 (década marcada pela transição de jornalista do meio impresso para as
redações de televisão). Ou seja, uma realidade cada vez mais distante da nossa, que está
passando por transformações na comunicação em decorrência ao crescimento das redes
sociais.
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Em nossa atual sociedade, Ayrton não contaria apenas com veículos de comunicação,
como jornais e revistas, para construírem sua imagem, pois o piloto também teria que se
atentar com a sua presença nas redes sociais. A pesquisa Digital 2022 — citada anteriormente
em nosso estudo — apontou que, só no Brasil, o número de usuários de mídia social equivale
a 79,9% da população total. Dessa forma, as últimas décadas viram a expansão da web e a
popularização de tecnologias digitais, móveis e em rede. A sociedade está cada vez mais
global, móvel e conectada (PAVLIK, 2014).
7. Covid-19 e a presença dos pilotos e equipes nas redes sociais
Em 11 de março de 2020, a Fórmula 1 preparava-se para o início da temporada, em
Melbourne, na Austrália. Nesta data, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a
situação da Covid-19 oficialmente como uma pandemia e a etapa acabou sendo cancelada,
assim como as corridas da China, Holanda, Mônaco, Azerbaijão, Canadá, França, Singapura,
Japão, Estados Unidos, México e Brasil. Quase todos os países que foram sede das provas
adotaram medidas de restrições para a realização dos grandes prêmios (GP), sendo a principal
a ausência do público.
Segundo o estudo da Sports Value e da Zeeng, as receitas Fórmula 1 bateram US$ 1,1
bilhão (R$ 6,2 bilhões) em 2020, sendo que em 2019 esse número chegou a US$ 2 bilhões
(R$ 11 bilhões). Um recuo de 44% de uma temporada para outra. E as escuderias enfrentaram
um prejuízo de US$ 386 milhões (R$ 2,1 bilhões), frente aos lucros de US$ 17 milhões (R$
95 milhões) em 2019.
Em contrapartida, a Fórmula 1 precisou adaptar uma comunicação voltada para ações
remotas no ambiente digital, como a elaboração de campeonatos virtuais, que na primeira
transmissão ao vivo obteve um pico de 175.008 espectadores no streaming e,
aproximadamente 2.180.58222 visualizações no canal oficial da Fórmula 1 no Youtube. Além
de uma parceria com a empresa Zoom23 (para criar um “Virtual Paddock Club", mostrando os
bastidores aos fãs).
Dessa forma, o engajamento da Fórmula 1 em 2020 cresceu 99% em 2020 em
comparação ao ano anterior. Deixando evidente o valor e potencial das redes sociais para a
modalidade. E, nos três primeiros meses de 2021, as dez24 equipes totalizaram 85 milhões de
seguidores (somando facebook, twitter, instagram e youtube). As equipes mais seguidas
22 Dado obtido no link https://www.youtube.com/watch?v=DYsySLIMOGA&ab_channel=FORMULA1 em maio de 2022.
23empresa responsável pelo app de videochamadas Zoom.
24 Mercedes-AMG Petronas F1 Team, Red Bull Racing, Scuderia Ferrari, McLaren Formula 1 Team, Aston Martin Cognizant F1,
Aston Martin Cognizant F1 Team, Alpha Tauri, Williams Racing, Alfa Romeo Racing Orlen, Hass F1 Team e Alpine F1 Team.
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foram: Mercedes-AMG Petrona F1 Team, Red Bull Racing, Scuderia Ferrari e McLaren
Formula 1 Team, que atingiram sucessivamente 23 Milhões, 19 Milhões, 14 milhões e 14
milhões de seguidores. E, nesse período, as equipes produziram mais de 5 mil postagens e
geraram 57 milhões de interações com os fãs, 80% provenientes do Instagram.
Já os pilotos, somaram 82 milhões de seguidores nas redes sociais, com Lewis
Hamilton alcançando quase a soma dos seguidores da Mercedes e McLaren. Sendo assim os
mais seguidos foram: Lewis Hamilton, com mais de 30 milhões, Daniel Ricciardo, com mais
de 5 milhões, e Max Verstappen, também passando dos 5 milhões.
8. Análise e comparação de dados das redes sociais
Utilizando a plataforma Not Just Analytics25, obtemos os dados que Lewis Hamilton
(28.028.642 seguidores) tem como média o ganho de 21.557 seguidores por dia no Instagram.
Dessa forma, entre os dias 09 de abril e 09 de maio de 2022, o piloto ganhou 433.316
seguidores na rede social. E, entre 2018 e 2022, o período de mais ganho foi em agosto de
2020, com o crescimento de 1.258.866 — mês em que o piloto ganhou o grande prêmio (GP)
da Grã-Bretanha com um dos seus pneus furados na última volta.
Max Verstappen (8.5151.987) tem como média o ganho de 11.169 seguidores por dia.
O período de mais ganho foi quando celebrou sua vitória em Abu Dhabi, que lhe concedeu o
título mundial de Fórmula 1 (738.216 seguidores em dezembro de 2021).
Charles Leclerc (7.271.832 seguidores) tem como média o ganho de 11.863 seguidores
por dia. O período que mais ganhou seguidores foi no mês que venceu a primeira corrida da
temporada (343.402 seguidores em março de 2022).
Daniel Ricciardo (6.901.252 seguidores) tem como média o ganho de 9.620 seguidores
por dia. Quando venceu no circuito de Monza e conquistou a primeira vitória da equipe
McLaren desde 2012, recebeu 160.330 seguidores (setembro de 2021). Mesma corrida do
acidente26 entre Max Verstappen e Lewis Hamilton.
Fernando Alonso (4.234.738 seguidores) tem como média o ganho de 2.796
seguidores por dia. Analisando os gráficos de Alonso, encontramos 2 momentos de pico de
seguidores: agosto de 2021 (52.342 seguidores), quando publicou um anúncio cifrado no
Twitter insinuando “grande notícia”27, e em novembro de 2021 ( 50.420), quando esteve no
pódio após sete anos sem nenhuma vitória.
25 Dados obtidos em maio de 2022.
26 Lewis Hamilton voltou do pit stop e saiu na pista na mesma região em que Max Verstappen estava em alta velocidade. Os
dois, na primeira curva após a reta, entraram lado a lado e bateram.
27 O piloto deixou a Fórmula 1 em 2018, mas retornou em 2021.
10
Sérgio Pérez (3.879.578) tem como média o ganho de 12.605 seguidores por dia, em
novembro de 2021 ganhou 169.086 seguidores após ganhar em seu país natal e ficar no
terceiro pódio seguido.
Quando analisamos os pilotos da temporada com os menores números, chegamos aos
seguintes resultados: Zhou Guanyu (352.347 Seguidores) ganha 1.289 por dia. Em maio de
2022 recebeu 21.501 seguidores após anunciar a venda do mesmo modelo guiado por ele na
temporada. Nicholas Latifi (519.348) ganha 319 seguidores por dia. Em dezembro de 2021
ganhou 34.041 após bater o seu carro na final da Fórmula 1 (essa batida praticamente retirou o
título de Lewis Hamilton). Lance Stroll (758.254) ganha 174 seguidores por dia e em abril de
2021 recebeu 42.224 após ser punido por uma ultrapassagem ilegal. Por fim, o piloto Kevin
Magnussen (818.939) recebe 726 por dia e em março de 2022 ganhou 84.051 após retornar
como piloto titular da equipe Haas.
Enquanto isso, Nico Rosberg que recebe 146 seguidores por dia, tem como total
1.910.654. Esse ex-piloto, campeão mundial de Fórmula 1 em 2016, tem como pico de
ganhos quando revelou que abriu mão de R$ 500 milhões ao deixar a F1 (agosto de 2021
17.431 seguidores). Felipe Massa (1.301.280), que tem como média 150 seguidores por dia,
tem como pico mais recente o ganho de apenas 4.608 seguidores, em julho de 2019. Nesse
mês o ex-piloto de Fórmula 1 esteve presente no podcast TICARACATICAST. Já o ex-piloto
Rubens Barrichello (1.220.056) ganha 577 seguidores por dia e não houve nenhum período de
ganho em potencial.
9. Considerações finais
Tendo em vista o exposto, compreendemos a validação da nossa hipótese sobre a
importância da construção de presença nas redes sociais no universo da Fórmula 1. Em nossa
análise, observamos os impactos da gestão de Bernie Ecclestone — que não se preocupou em
investir em redes sociais —, e como a empresa Liberty Media mudou o cenário da Fórmula 1
tratando a modalidade como um produto de mídia e não apenas de esportes.
Visto a importância da produção de conteúdo em multiplataformas, a presença da
Liberty Media na Fórmula 1 não só elevou os ganhos, como conseguiu segmentar o público
alvo, levando ao expressivo crescimento entre os jovens. Aliás, a própria empresa passou a
incluir as equipes e pilotos nas redes sociais, relevando à indústria o poder de engajamento e
geração de receitas deles. Outro ponto estudado envolve a questão da possibilidade de inovar
ainda mais a comunicação no meio digital, como foi o caso da situação da Covid-19.
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Ademais, em nossa análise e comparação de dados, observamos o pico de crescimento
de seguidores nas redes sociais do pilotos, que revela o comportamento do público alvo em
momentos marcantes no esporte, sejam eles acidentes ou vitórias.
Esse ganho e perda de seguidores também mostra a opinião do público sobre
determinado piloto. Lewis Hamilton pode não está à frente da atual temporada, mas por anos
cativou uma legião de fãs, ou seja, por mais que esteja em 5° lugar, ele ganha cerca de 21.557
seguidores por dia no Instagram. E, quando mostrou o seu potencial como piloto, recebeu
1.258.866 seguidores. Também podemos citar o caso do ex-piloto Nico Rosberg, que mesmo
estando fora das pistas desde 2016, ainda é lembrado pelos torcedores, principalmente quando
relembra seus tempos na Fórmula 1.
O reflexo da reação do público fica ainda mais forte quando analisamos a situação do
piloto Kevin Magnussen (considerado um dos pilotos mais polêmicos da Fórmula), que
voltou para a Fórmula 1 por conta do seu patrocinador: Anders Holch Povlsen28. Além dele,
Lance Stroll, corre na equipe de seu pai e a equipe de Nicholas Latifi recebe dinheiro do pai
do piloto. Apesar de seus investimentos, esses três pilotos estão na lista dos menos seguidos
em suas redes sociais. Seus picos de seguidores não se comparam às situações dos outros
pilotos que estão acima deles, como o caso de Latifi, que foi ovacionado por comentários
acusando ele de ter sido pago pela Red Bull Racing para causar a batida de 2021.
Além disso, o piloto Lance Stroll (2020) declarou notar a sua imagem negativa em
suas redes sociais, “Quando vou bem, silêncio. O ódio desaparece. Aí vou mal e tudo começa
de novo”. Stroll também revelou que a situação existe desde a sua estreia na Williams “Já no
meu primeiro ano, na Williams, as pessoas começavam a me destruir quando eu cometia um
erro” (informação verbal).29
Esse estudo começou com a proposta de estudar a construção de imagem dos pilotos
na Fórmula 1, visto os impactos da construção de imagem do piloto Ayrton Senna. Entretanto,
em nosso percurso, analisamos que a internet impactou principalmente a Fórmula 1, que foi
resgatada pelas inovações da empresa Liberty Media. Além disso, nos deparamos com a
importância da análise de dados no quesito de compreender o posicionamento do público
perante aos acontecimentos no esporte.
Diante aos dados obtidos, enxergamos uma indústria com potencial no mundo digital,
através das redes sociais, filmes e séries, jogos, corridas virtuais, e até mesmo no investimento
de coberturas jornalísticas.
28 O homem mais rico da Dinamarca e dono da grife Jack & Jones.
29 Informação fornecida no podcast In the Pink, da jornalista Natalie Pinkham.
12
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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AUTOMOBILISMO: A importância do marketing esportivo no processo de construção
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(Org.). WebJornalismo: 7 Caraterísticas que marcam a diferença. Covilhã: Livros Lab-COM,
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>https://theinsightsfamily.com/news/366< Acesso: Abril 2022. O artigo das autoras Vitória Xavier de Medeiros1 e Carolina Pedrosa Cardoso Itocazo2.

Uma corrida de Fórmula 1 é dividida em três fases estratégicas, onde o comportamento do carro muda drasticamente devido ao consumo de combustível e ao desgaste dos pneus.

1. O Começo (A Largada e Voltas Iniciais)

O Carro: Está em seu peso máximo (cerca de 900 kg) com 110 kg de combustível no tanque.

Comportamento: O carro fica extremamente pesado, lento nas reações e difícil de frear.

Pneus: Estão frios no primeiro minuto, gerando pouca aderência (grip) e alto risco de travamento de rodas.

Dinâmica: É a fase mais perigosa, com carros muito próximos disputando espaço com reações tardias de frenagem.

2. O Meio (A Fase de Gerenciamento)

O Carro: Perde peso progressivamente à medida que queima combustível (cerca de 1,5 kg a 2 kg por volta).

Comportamento: O equilíbrio melhora e o ritmo de corrida fica constante. O carro se torna mais ágil e previsível.

Pneus: Sofrem degradação térmica e desgaste da borracha. O comportamento muda dependendo da estratégia de paradas nos boxes (pit stops).

Dinâmica: É o momento dos "clones de ritmo", ultrapassagens por estratégia (undercut ou overcut) e gerenciamento de pneus para evitar o superaquecimento.

3. O Fim (As Voltas Finais)

O Carro: Está em seu peso mínimo, quase sem combustível no tanque.

Comportamento: O carro vira um "foguete". Fica extremamente leve, rápido e responsivo, registrando as voltas mais rápidas da prova.

Pneus: Geralmente estão novos (se o piloto fez uma parada recente) ou totalmente desgastados (se tentou ir até o fim sem parar).

Dinâmica: Pilotagem no limite da aderência. Se os pneus estiverem velhos, o carro perde a traseira facilmente e escorrega nas curvas.

Se você quiser entender melhor os bastidores e os regulamentos que moldam essa dinâmica, posso ajudar com mais detalhes:

Como funciona a estratégia de pit stop (undercut e overcut)?

Quais são as regras de combustível da Fórmula 1?

Como os diferentes compostos de pneus (macio, médio e duro) mudam o ritmo?


Um gênio  ou génio  é uma pessoa com grande capacidade mental. Ela pode se manifestar por um intelecto  de primeira grandeza, ou um talento criativo  fora do comum. Na primeira escala de classificação para níveis cognitivos, proposta por Lewis Markson Terman , em 1916, eram classificados como "gênios" as pessoas que obtivessem pontuação acima de 150, e "quase gênio" (near genius) entre 140 e 150, numa padronização com média = 100 e desvio-padrão = 16. Posteriormente, em 1928, essas classificações foram modificadas e passou-se a considerar "gênio" somente quem obtivesse pontuação acima de 180, também numa padronização com média = 100 e desvio-padrão = 16. Para David Weschler , o termo "gênio" poderia ser aplicado a quem obtivesse escore acima de 127, numa padronização com média = 100 e desvio-padrão = 15. Mais tarde, passou a classificar como "gênio" quem obtivesse pontuação acima de 150. Pela classificação mais recente do Stanford Birnet V (2003), o termo gênio é aplicado a quem obtém escore acima de 160, sendo reservado o termo superdotado  para quem obtém pontuação entre 145 e 160.

O termo "gênio" também se aplica a alguém que seja um polimata ou alguém habilidoso em muitas áreas intelectuais. O termo se aplica com precisão a habilidades mentais, mais que físicas, embora seja também usado coloquialmente para indicar a posse de um talento superior em qualquer campo.

Deve-se ter em consideração que é perigoso tomar como referência as pontuações em testes de QI, quando se deseja fazer um diagnóstico razoavelmente correto de genialidade. Há que se levar em consideração que em todos as pontuações, e em todas as medidas, existe uma incerteza inerente, bem como os resultados obtidos nos testes representam a performance alcançada por uma pessoa em determinadas condições, não refletindo necessariamente a capacidade total ou ótima da pessoa em condições ideais. Fatores como sono, cansaço, estresse, desmotivação, ansiedade, entre outros, podem prejudicar os resultados nos testes, bem como fatores como a sorte podem inflacionar resultados em testes de múltipla escolha. E o mais importante: a grande maioria dos testes cognitivos usados em clínicas se baseia em questões demasiado elementares, inadequadas para estimar a capacidade intelectual em níveis muito altos. Isso gera muitas distorções quando se tenta diagnosticar "genialidade" com base num teste de QI. O ganhador do Nobel de Física Richard Feyeman  por exemplo, obteve escore 125 num teste de QI, e foi considerado portador de uma das mentes mais brilhantes do século 20; ao passo que alguns professores medianos de Física frequentemente alcançam escores de 140 a 160, desde que tenham pensamento rápido, já que a rapidez para resolver problemas simples é um quesito para se obter bons resultados em testes de QI tradicionais. Outro exemplo é o campeão mundial de Xadrez Garry Kasaoarov, que obteve escores 123 e 135 em dois testes de QI, sendo que sua genialidade é indiscutível. Fatos como este, quando não são adequadamente analisados, podem colocar em dúvida a validade dos testes de QI e os diagnósticos baseados nos testes.

Por isso, quando se trata do conceito de "gênio", é mais recomendável que o "diagnóstico" seja baseado na produção intelectual.

Há uma fina linha entre genialidade e loucura. Eu apaguei essa linha."


- citado em "Frases Geniais‎" - Página 40, de Paulo BuchsbaumA partir desse tema, também não podemos desconsiderar a citação: "Nem que seja para fazer alfinetes, o entusiasmo é indispensável para sermos bons no nosso ofício."- Ne fit-on que des épingles, il faut être enthousiaste de son métier pour y exceller. - "Observations sur la Sculpture et sur Bouchardon" in: "Oeuvres de Denis Diderot", Volume 4‎ - Página 575, Denis Diderot - A. Belin, 1818é uma citação atribuída a Denis Diderot. Ela destaca a importância do entusiasmo como elemento fundamental para o bom desempenho em qualquer tipo de trabalho.

Em 1973, Kevin Langdon criou os primeiros testes de inteligência sem limite de tempo, e com nível de dificuldade muito mais alto que o dos testes de QI tradicionais. Entre 1982 e 1985, Ronald Hoeflin criou outros três testes difíceis e sem limite de tempo, seguindo a mesma linha. Nas primeiras normatizações, estimava-se que estes testes seriam capazes de medir corretamente o QI até cerca de 190, enquanto os testes de QI tradicionais, como WAIS, Stanford-Binet, Cattell, Raven etc., só podiam medir corretamente até cerca de 135. Em normatizações mais recentes (2003-2006) e mais rigorosas, verificou-se que os testes de Hoeflin possuem um teto de validade perto de 165, sendo questionável a validade dos escores obtidos nos testes de Hoeflin que superem o patamar de 170. No final dos anos 1990 e início do seculo 21  houve um surto de novos testes difíceis, criados por membros de sociedades de alto QI  e atualmente existem dezenas de testes que pretendem medir adequadamente o QI até cerca de 180 ou mais, embora seja discutível se de fato os escores acima de 165 nestes testes são representações adequadas da capacidade intelectual. De qualquer modo, como são testes muito difíceis, complexos e demandam meses ou anos para serem solucionados, isso os torna mais semelhantes aos desafios intelectuais da vida acadêmica e faz com que representem melhor o nível de produção intelectual das pessoas examinadas. Empresas de alta tecnologia  como IBM e Microsoft , desenvolvem seus próprios testes cognitivos para selecionar seus colaboradores, geralmente com nível de dificuldade intermediário entre os testes de QI tradicionais e os testes mais difíceis criados por Langdon, Hoeflin, Lygeros e outros.

Para uma distribuição normal de escores com média 100 e desvio-padrão 16, um QI 180 corresponde a 5 desvios-padrão acima da média. Isso representa um nível de raridade de 1 em 3.500.000. Ou seja, há atualmente no mundo cerca de 2.000 pessoas com Qi neste nível de raridade. Assim, o nível de raridade acaba sendo um parâmetro adequado para atribuir o predicado de "gênio". 

Em Fórmula 1, o "controle de pista" refere-se à capacidade do piloto de manter o carro na trajetória ideal durante a corrida, gerenciando o desgaste dos  pneus e a estabilidade do veículo nas  curvas e retas. Isso envolve técnicas como o ajuste fino da direção, aceleração e frenagem para otimizar o desempenho e evitar saídas de pista ou perda de tempo. 

O gerenciamento dos  pneus é  fundamental para o desempenho  do carro. Pilotos precisam controlar a  temperatura e a pressão dos pneus para melhorar o desempenho em diferentes condições na pista  

O traçado ideal é a trajetória que o piloto deve seguir para ter consistência na  distância percorrida e melhorar  a velocidade nas curvas. É importante ter precisão nas  freadas, principalmente nas saídas nas  curvas para dominar plenamente a corrida

Pilotos e equipes fazem os acertos  nos carros, como a suspensão, a asa traseira e a ajuste  peso, para melhorar  o desempenho e a estabilidade durante a corrida

O gerenciamento da energia do carro, incluindo a aceleração e a frenagem, é fundamental para manter o controle e minimizar o desgaste dos pneus. 

A experiência na  pilotagem desempenha um papel crucial no controle da pista. Pilotos experientes são capazes de antecipar as reações do carro, ajustar suas ações e encontrar o limite da trajetória com muita eficiência 

Carros de F1 modernos possuem sistemas eletrônicos que auxiliam no controle da pista, como sistemas de controle de tração e controle de estabilidade. No entanto, esses sistemas são limitados, e a habilidade do piloto ainda é fundamental. 

Em resumo, o controle de pista em Fórmula 1 é um conjunto de habilidades e técnicas que permitem ao piloto manter o carro sob controle, maximizar o desempenho e evitar erros, garantindo uma corrida bem-sucedida. 

O brasileiro Roberto Pupo Moreno  mostrou ser um piloto completo no  controle de pista.   Além de ser excelente acertador de carros .



Imagem do Site Tudo sobre Formula 1.








terça-feira, 22 de setembro de 2026

Meu querido São Paulo.

 O empobrecimento financeiro do São Paulo Futebol Clube é o resultado de anos de déficits acumulados, antecipações de receitas e aumento de despesas operacionais. Embora o clube tenha registrado faturamento recorde e superávit contábil recente, a asfixia do caixa provocou atrasos graves no pagamento de direitos de imagem de atletas e intermediários.

Ao analisar o passivo total (que inclui obrigações trabalhistas, fiscais, fornecedores e empréstimos de curto e longo prazo), o endividamento real do clube é alarmante:Indicador Financeiro   Situação Atual e Impacto   Passivo Total Exorbitante  O passivo total do clube ultrapassa a marca de R$ 2,4 bilhões, colocando o São Paulo entre as três maiores dívidas do futebol brasileiro.Patrimônio Líquido NegativoO balanço acumulado gerou um Passivo a Descoberto de R$ 536 milhões, o que significa que o clube possui muito mais dívidas do que bens líquidos. Dívida Bancária e de MercadoA dívida líquida financeira flutua acima de R$ 1 bilhão. Rolar esses débitos com as taxas de juros elevadas consome cerca de R$ 140 milhões anuais apenas em despesas financeiras.Obrigações com Agentes    O clube acumula mais de R$ 51 milhões em comissões atrasadas devidas a empresários do futebol por intermediações de atletas.

O sufocamento financeiro parou de ser uma questão de planilhas e passou a afetar o cotidiano do futebol profissional:

Direitos de Imagem Atrasados: O elenco convive com atrasos recorrentes de 3 a 4 meses nos pagamentos de imagem. Atletas titulares expuseram publicamente que as pendências financeiras e as tensões políticas internas sufocam o dia a dia.

Risco de Saídas em Massa: Para evitar desgastes maiores na reta final das competições, os líderes do grupo fizeram um pacto profissional até dezembro. Contudo, há um risco real de debandada de atletas por rescisão contratual se as pendências não forem quitadas até o fim do ano.

Recuo no Mercado: Diante do perigo de perder o controle do vestiário, a diretoria recuou na busca por grandes reforços. O clube prioriza soluções caseiras da base e foca os recursos unicamente em estancar os atrasos. Segundos reportagens nos veiculos de imprensa.


Determinantes da eficiência financeira e esportiva de clubes de futebol brasileiros 

GABRIEL SANTOS CARVALHO 

Universidade Federal de São Carlos 

FLÁVIO LEONEL DE CARVALHO 

Universidade Federal de São Carlos 

Resumo 

A presente pesquisa busca medir a eficiência financeira e esportiva dos clubes de futebol 

brasileiros e identificar fatores determinantes da eficiência. Foram analisados os relatórios 

financeiros de 40 clubes nos anos de 2015 a 2017, período posterior à aprovação do Programa 

de Modernização da Gestão de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (PROFUT). O 

método utilizado para determinar a eficiência financeira e esportiva foi a Análise por Envoltória 

de Dados (DEA), técnica de pesquisa operacional usada para avaliar a eficiência produtiva de 

DMU (decision making units), nesse caso, clubes de futebol, em transformar recursos (inputs) 

em produtos (outputs). Foi utilizando o retorno de escala variável com orientação para o output. 

Os outputs da eficiência financeira e esportiva foram respectivamente a Receita Operacional 

Bruta das equipes e a pontuação no Ranking de Clubes da Confederação Brasileira de Futebol 

(CBF). O input comum em ambas às dimensões foram as despesas totais. Na dimensão 

esportiva, Athlético-PR e Santos mostraram-se os mais eficientes. Na dimensão financeira, o 

Flamengo-RJ apresentou o melhor resultado no período analisado. Para identificar os 

determinantes da eficiência obtida por meio da DEA, utilizou-se o modelo de regressão linear, 

cujas variáveis independentes Endividamento, Tamanho apresentaram significância estatística 

e coeficiente negativo, o que indica que quanto maior e mais endividado o clube, menos 

eficiente. A variável Rentabilidade dos ativos mostrou-se estatisticamente significativa com 

relacionamento positivo com a eficiência. Os resultados da pesquisa indicam que os clubes 

estão altamente endividados, são pouco eficientes financeiramente e que não há relação entre a 

eficiência financeira e esportiva. 

Palavras-chave: Eficiência financeira, eficiência esportiva, clubes de futebol. 

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1 

1 INTRODUÇÃO 

O futebol é uma paixão nacional. Além de atrair milhões de espectadores, nos estádios 

ou na televisão, os lances, as escalações, estratégias e a arbitragem são assuntos de conversas 

recorrentes durante o dia-a-dia das pessoas. Toda essa paixão gera recursos para clubes por 

meio da venda de ingressos, direitos de transmissão, patrocínios e venda de materiais 

esportivos. Para exemplificar a dimensão do esporte, um levantamento anual da empresa de 

auditoria Delloite (2019a) verificou que apenas na temporada 2017/2018 o faturamento dos 20 

maiores clubes da Europa superaram 8,3 bilhões de euros. Além disso, a final do campeonato 

europeu de 2014 foi visto por 380 milhões de pessoas em mais de 200 países (UEFA, 2014).  

Assim como os resultados dos jogos, grandes contratações e polêmicas, casos de 

corrupção e má-administração, são notícias frequentes nos jornais. Recentemente a polícia 

iniciou uma investigação contra a diretoria de um grande clube mineiro por indícios de 

pagamentos suspeitos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro (Moreira & Capelo, 2019). 

Outro exemplo é um levantamento da Folha de São Paulo, que verificou que em 2019, metade 

dos clubes da primeira divisão do campeonato brasileiro atrasaram o pagamento de atletas 

(Gabriel, 2019). 

Diversas ações governamentais buscaram reverter essa situação. Nesse sentido, pode-se 

citar a Lei 8.672/93 (Brasil, 1993), conhecida como Lei Zico; a Lei nº 9.615/98 (Brasil, 1998), 

conhecida como Lei Pelé e, mais recentemente a Lei nº 13.155 de 2015 (Brasil, 2015), que 

consistiu na criação do o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal 

do Futebol Brasileiro (PROFUT). 

A Lei 8.672/93, Lei Zico, buscou legislar sobre a participação do setor privado no 

esporte, estabelecer a justiça desportiva e possibilitar aos clubes transformarem-se em entidades 

comerciais (Rezende & Custódio, 2012; Rezende & Dalmácio, 2015; Silva, Santos, & Cunha, 

2017). Visto que os clubes não aderiram a esse ordenamento jurídico, foi criada em seguida a 

Lei nº 9.615/98, lei Pelé, que determinou um prazo de três anos para o estabelecimento dos 

clubes-empresas, além da extinção do passe. A lei Pelé também definia que os clubes deveriam 

ser transformados em pessoas jurídicas e ter um estatuto (Rezende & Custódio, 2012; Rezende, 

Salgado, Ribeiro, & Dalmácio, 2008). A Lei nº 9.615/98 posteriormente foi alterada pela 

medida provisória nº 79/02 e então convertida na Lei nº 10.672/2003, que retirou a 

obrigatoriedade dos clubes em se tornarem empresas, mas tornou mandatória a divulgação de 

suas demonstrações contábeis (Dantas & Boente, 2012; Silva et al., 2017).  

A última ação com o objetivo de regulamentação do setor foi a Lei nº 13.155 de 2015, 

que estabeleceu a criação do o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade 

Fiscal do Futebol Brasileiro (PROFUT), possibilitando o parcelamento das dívidas tributárias 

e previdenciárias dos clubes, com redução de 70% (setenta por cento) das multas, 40% 

(quarenta por cento) dos juros e 100% (cem por cento) dos encargos legais (Brasil, 2015).  

Com tantas mudanças na gestão do futebol, questiona-se se as novas legislações foram 

efetivas para aumentar a eficiência dos clubes, aumentando o nível profissionalização do 

esporte e otimizando seu desempenho financeiro e esportivo. Aprofunda-se, portanto a 

necessidade de um maior conhecimento das finanças dos principais clubes do país, para medir 

os impactos dessas mudanças na gestão e nos resultados apresentados pelos clubes. Além disso, 

há também o questionamento dos torcedores e dirigentes em saber se os recursos utilizados pelo 

clube estão sendo empregados de forma eficiente.  

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2 

Uma maneira de medir se os resultados apresentados pelos times estão compatíveis com 

os desembolsos realizados é a análise da eficiência. Diferente de simples indicadores 

financeiros, a análise da eficiência permite medir de maneira clara a performance. Listando os 

clubes mais e menos eficientes, é possível investigar quais os fatores que resultam em uma 

maior ou menor eficiência, orientando as ações dos gestores do futebol em áreas de potencial 

melhoria. Além disso, os resultados da pesquisa podem servir de benchmarking, inspirando 

ações aos demais clubes. 

Alguns autores têm estudado a eficiência dos clubes de futebol e seus determinantes, 

(Barros, Assaf, & Sá-Earp, 2010; Dantas, Machado, & Macedo, 2015; Freitas, Flach, & Farias, 

2017), contudo, a implementação e consolidação do PROFUT torna a análise da eficiência 

novamente relevante, visto que as exigências determinadas em lei para participação no 

programa objetivam modernizar a gestão dos clubes, através de princípios de governança e 

responsabilidade fiscal. Assim, o presente artigo busca estudar a eficiência dos clubes, 

verificando quais os clubes tiveram melhor desempenho na transformação de recursos em 

resultados dentro e fora de campo e identificando os fatores determinantes da eficiência. 

Essa pesquisa diferencia-se dos demais pelo período analisado, posterior ao PROFUT, 

de 2015 a 2017, que permite verificar as possíveis mudanças na eficiência média dos clubes 

após a aprovação da legislação. Além disso, há também diferenças metodológicas, baseadas na 

escolha os inputs e variáveis independentes do modelo. 

2 REVISÃO DA LITERATURA 

2.1. 

Contexto Mercado Brasileiro de Futebol 

O futebol é uma das maiores indústrias de entretenimento do mundo (Haas, 2003). 

Apenas na Europa, o mercado futebol movimentou 28,4 bilhões de euros na temporada 

2017/2018 (Deloitte, 2019b). Além da importância econômica, o futebol pode contribuir com 

a convivência pacífica entre os povos, criando canais diplomáticos entre países hostis e 

facilitando a reaproximação entre pessoas de diferentes grupos sociais, religiões e 

nacionalidades. Para defender essa ideia, Hough (2008) cita os campeonatos amistosos 

realizados pelo Santos de Pelé na Nigéria em 1969, que buscavam amenizar as tensões da guerra 

civil que ocorria no país, e que resultaram em um cessar fogo de três dias para que a população 

local pudesse acompanhar os eventos. Outro caso mencionado pelo autor foi a escolha da Coreia 

e Japão como países sede da copa do mundo de 2002, possibilitando uma reaproximação 

política entre duas potências asiáticas rivais há muitos anos. 

Os clubes de futebol brasileiros são em sua maioria entidades sem fins lucrativos 

(Dantas & Boente, 2012; Rezende & Custódio, 2012; Rezende, Facure, & Dalmácio, 2009), o 

que indica que essas organizações não objetivam o lucro, mas sim a otimização do retorno 

social através dos serviços prestados, nesse caso, entretenimento através do espetáculo do 

esporte (Rezende et al., 2009). Contudo, é importante destacar que a continuidade das 

atividades de entidades sem fins lucrativos dependem de resultados financeiros positivos. 

Estudos recentes verificaram que além do resultado dentro de campo, o resultado financeiro 

tem se tornado igualmente importante para os clubes (C. A. P. de Carvalho, Gonçalves, & 

Alcântara, 2003; Rodrigues & Silva, 2006) 

Ao contrário de outras organizações, movidas pela oferta e demanda, o futebol é movido 

pela paixão dos torcedores. Essa paixão dos fãs pelo esporte se traduz em audiência, ingressos, 

publicidade e compra de materiais esportivos, gerando receitas para os clubes. Com os recursos 

obtidos dos fãs, os clubes buscam o melhor desempenho esportivo através de contratações, altos 

salários, investimentos em estrutura e nas categorias de base (Dantas & Boente, 2011).  

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3 

Leoncini (2001) afirma que os clubes de futebol possuem clientes finais, os torcedores, 

que geram receita para o clube na compra de ingressos e merchandising, e clientes 

intermediários, as empresas, que utilizam a mídia gerada pelos campeonatos, clubes e jogadores 

como instrumento de promoção de negócios, marcas e produtos. Os clientes intermediários 

podem ser divididos em intermediador industrial, que busca utilizar o marketing esportivo para 

promoção dos seus produtos através de patrocínios e publicidades estáticas, e intermediador de 

revenda (TV e empresas licenciadas), que adquirem diretos de transmissão, licenciamento de 

produtos e loterias para revenda. 

Em ambos os casos, seja direta ou indiretamente, o público alvo são os torcedores do 

clube, o que os torna fator chave para geração de receita das equipes (Rezende, 2004). Por 

consequência, o sucesso dos clubes depende da minimização dos conflitos com seus torcedores 

(Rezende & Dalmácio, 2015), proporcionando a eles de um bom espetáculo, com alto 

desempenho esportivo, conforto e segurança nos estádios, contratação de grandes jogadores e 

retenção de jovens promissores. 

Freitas et al (2017) afirmam que é incomum clubes irem à falência devido à lealdade 

dos seus clientes (torcedores), que continuam gerando receita mesmo quando insatisfeitos com 

a qualidade do espetáculo. Esse comportamento paradoxal foi o objeto do estudo de Espartel, 

Müller Neto e Pompiano (2009), que verificaram que nem a satisfação ou a confiança no clube 

estão relacionadas com a lealdade dos torcedores, e sim na percepção de valor derivado na 

troca, ou seja, a lealdade é construída caso o torcedor perceba que seu esforço (torcer, 

acompanhar e consumir produtos do clube) traz benefícios suficientes. A pesquisa também 

conclui que o desempenho em campo é o elemento chave para aumentar a percepção de valor 

gerada pelo clube aos seus torcedores. 

Além da geração de receita com os mercados consumidores do espetáculo, existe um 

mercado secundário, movido pela negociação de jogadores entre os clubes (Leoncini & Silva, 

2005; Rezende et al., 2008). Para os clubes desportivos, ao contrário da maioria das 

organizações, os recursos humanos são considerados ativos. Segundo a CPC 04 (Comitê de 

Pronunciamentos Contábeis, 2009) “Ativo é um recurso controlado pela entidade como 

resultado de eventos passados e do qual se espera que resultem futuros benefícios econômicos 

para a entidade”. Em todas as organizações, os funcionários certamente podem gerar benefícios 

futuros, contudo os clubes de futebol em particular possuem o direito de exigir exclusividade, 

reter e negociar o contrato dos funcionários/atletas, o que não acontece em empresas cujos 

colaboradores podem solicitar o desligamento a qualquer momento (Rezende, 2004).  

2.2. 

Deficiências na Gestão do Futebol 

Apensar da grande relevância social, da expressiva movimentação financeira e das 

diversas legislações criadas para regulamentar à atividade desportiva, problemas financeiros 

dos clubes de futebol têm sido noticiados frequentemente nos últimos anos, em casos como 

atrasos nos pagamentos de salários e direitos de imagem de jogadores, disputas judiciais com 

fornecedores, atrasos no pagamento de acordos de compra de atletas e aumento do 

endividamento fiscal e bancário.  

Diversos autores têm analisado o endividamento dos clubes para identificar seus 

determinantes e avaliar o risco na continuidade das operações. Jahara, Mello e Afonso (2016) 

estudaram os indicadores financeiros dos clubes de futebol em 2014. A pesquisa aponta que, de 

20 clubes analisados, apenas um clube (Atlético Paranaense) apresentou liquidez corrente 

suficiente para cumprir com seus compromissos de curto prazo. Na análise da liquidez geral, 

que considera endividamento de longo prazo, nenhum dos clubes possuía recursos suficientes 

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para arcar com os compromissos estabelecidos, visto que no estudo nenhum apresentou o 

indicador de liquidez geral com valor maior que um.  

Dantas, Freitas, Costa, & Barbosa (2017) buscaram identificar a causa do 

endividamento dos clubes com base em indicadores financeiros e também no desempenho em 

campo, partindo da premissa que o desempenho esportivo tem influência no desempenho 

financeiro dos clubes (Barros et al., 2010; Dantas et al., 2015; Haas, 2003; Nascimento, Nossa, 

Bernardes, & Sousa, 2015). A pesquisa verificou times com maior rentabilidade (ROA), 

liquidez corrente e faturamento possuem menores níveis de endividamento. Por outro lado, 

clubes com maior endividamento estão relacionados a um maior índice de despesas sobre o 

ativo, assim como as dummys para os clubes da primeira divisão e para os classificados como 

os 12 maiores do país. 

Brandão (2012) pontua que uma das causas do insucesso financeiro dos clubes está 

associada a gestão não profissional dos clubes, como exemplo pontua as más contratações de 

atletas realizadas por dirigentes, simplesmente por que houve disponibilidade de um atleta no 

mercado, não necessariamente porque o clube precisa de um jogador com aquelas 

características. Essa tese vai de encontro com os estudos de Leoncini (2001), que relata essa 

situação como um exemplo típico de uma decisão tomada com base na emoção ao invés da 

razão, em prol de pressões sociais e interesses políticos. Desse modo, a solução para os 

problemas nos clubes de futebol surgem da busca pela racionalização no uso dos recursos e 

profissionalização da gestão, em outras palavras, de uma gestão mais eficiente.  

2.3. 

Desempenho e a Eficiência Esportiva e Financeira 

A relação entre a eficiência esportiva e financeira tem sido objeto de estudo de diversos 

autores nos últimos anos. Sendo que os autores analisados (Barros et al., 2010; Carvalho, 2015; 

Dantas et al., 2015; Freitas et al., 2017; Haas, 2003; Nascimento et al., 2015; Pereira, Júnior, 

Kronbauer, & Abrantes, 2015; Ribeiro & Lima, 2012), utilizaram  a Análise por Envoltória de 

Dados como método para determinar a eficiência das equipes de futebol.  

Haas (2003) verificou se os salários dos jogadores e treinadores geraram benefícios para 

os clubes nas perspectivas esportiva, medida pelo número de pontos na liga de futebol 

americana (MLS), na perspectiva do entretenimento, calculada pelo número de torcedores nos 

estádios e na perpectiva financeira, avaliada pelo faturamento dos clubes. Além de determinar 

quais os clubes mais eficientes da temporada, Haas concluiu que o sucesso em campo é fator 

fundamental para eficiência no entretenimento dos torcedores e para a geração de receita para 

os clubes. 

No Brasil, Barros et al (2010) estudaram a eficiência de 20 clubes nas temporadas de 

2006 e 2007. Concluiram que o desempenho em campo tem relação direta com a eficiência dos 

clubes, indicando que clubes eficientes apresentam bom desempenho financeiro e esportivo. 

Além disso, rejeitaram a hipotese que o tamanho ou a localização dos clubes tenha impacto na 

eficiência dos times no futebol brasileiro. 

Ribeiro & Lima (2012) estudaram o desempenho dos clubes portugueses de 2002 a 2008 

com base nos salários pagos e a pontuação dos clubes no campeonato nacional, e concluíram 

que os clubes estão gastando mais do que deveriam, visto que a utilização desses recursos não 

está sendo eficiente. Além disso, concluiram que uma maior variação nos salários pagos 

contribui com a eficiência da equipe (Tournament theory). 

Pereira et al (2015) pesquisaram a eficiência esportiva de 20 clubes brasileiros em 2012. 

Os autores verificaram que mesmo clubes mais bem colocados no ranking da CBF foram 

considerados ineficientes, pois utilizaram uma quantidade muito maior de recursos do que 

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deveriam. Por outro lado, a pesquisa também concluiu que os clubes eficientes possuiam maior 

fragilidade financeira, visto que esses clubes apresentaram maior nível de endividamento e 

passivo a descoberto, o que difere dos estudos de Haas (2003) e Barros et al (2010). 

Nascimento et al (2015) fizeram uma análise longitudional da eficiência dos clubes 

brasileiros, medindo seu desempenho de 2006 a 2011, nas dimensões financeira e esportiva. Os 

resutados da pesquisa indicam que há significância na correlação entre os desempenhos 

financeiros e desportivos. Além disso, a pesquisa aponta significância na correlação positiva 

entre o custo do departamento do futebol e o ranking da CBF, possibilitando argumentar que 

maior investimento em salários e contratações possibilita um melhor desempenho desportivo. 

Carvalho (2015) avaliou o desempenho de 15 clubes campeões europeus de 2009 a 

2014. Os insumos escollhidos para a análise foram as despesas gerais e as despesas com pessoal. 

Os produtos gerados foram as receitas gerais, receitas de direitos televisivos, receitas 

comerciais, receitas de jogo e o coeficiente de pontos nos respectivos campeonatos nacionais. 

A pesquisa concluiu que dois terços dos clubes campeões apresentaram eficiência máxima e 

mesmo os demais apresentaram boa eficiência. 

Dantas et al (2015) analisaram a desempenho de 36 clubes brasileiros. Além disso 

utilizaram uma regressão para definir os fatores determinantes da eficiência. O estudo concluiu 

que títulos e a divisão do clube no campeonato brasileiro apresentam relação com o eficiência 

financeira e esportiva, hipótese também confirmada por Freitas et al (2017). Além disso, Dantas 

et al  (2015) verificaram que as variáveis nível de endividamento e passivo a descoberto não 

apresentam significância estatística com o desempenho.  

A relação entre o desempenho financeiro e esportivo também foi estudada por Santos, 

Dani & Hein (2016), que utilizaram o método multicritério para tomada de decisão VIKOR e 

correlação de Kendall para estudar a relação entre a pontuação do ranking da CBF e indicadores 

financeiros de 36 clubes de futebol. Os autores não encontraram significância nessa relação, o 

que indica que o desempenho esportivo pode não ter efeito positivo no desempenho financeiro 

das equipes, visto que diversos clubes brasileiros apresentam boas pontuações no ranking da 

CBF e situações financeiras ruins, o que difere dos estudos de Haas (2003) e Barros et al (2010) 

e Nascimento et al (2015). 

Embora diversos autores tenham estudado a eficiência dos clubes de futebol, poucos 

deles investigaram os fatores determinantes dessa eficiência. Além disso, os autores anteriores 

não mediram de forma separada as eficiências esportiva e financeira, o que poderia identificar 

fatores determinantes para cada dimensão. Por isso, o presente estudo tem como objetivo 

analisar a eficiência dos clubes e identificar os seus determinantes nas perspectivas esportivas 

e financeira separadamente. 

3 METODOLOGIA 

Tendo em vista o objetivo da pesquisa, qual seja, analisar a eficiência e identificar seus 

fatores determinantes, o trabalho será dividido em duas partes. A primeira parte busca a 

determinação da eficiência financeira e esportiva dos clubes de futebol brasileiros, para isso 

será empregada a Análise por Envoltória de Dados. A segunda parte consiste em identificar os 

determinantes da eficiência. Para isso, coletaram-se dados referentes às demonstrações 

contábeis nos sítios das federações e dos clubes. Entretanto, apesar da obrigação legal (Brasil, 

2015), diversos clubes não disponibilizam as demonstrações financeiras nos seus sítios 

eletrônicos ou nos seus sítios das federações. A baixa evidenciação dos clubes de futebol já foi 

constatada por Mayer (2017), que verificou que a disponibilidade das demonstrações e 

qualidade das informações financeiras acompanha o tamanho dos clubes, pois embora grandes 

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clubes tendem a apresentar demonstrações mais completas, clubes de menor porte nem sempre 

divulgam suas demonstrações. 

Partindo do topo do ranking da CBF, foram pesquisados os dados financeiros de um 

total de 80 clubes, dos quais 40 foram selecionados para a pesquisa. A amostra, portanto, é não 

probabilística, pois os dados foram escolhidos de acordo com a sua disponibilidade.  

3.1. 

Análise por Envoltória de Dados 

O método utilizado para determinar a eficiência dos clubes será a Análise por Envoltória 

de Dados. A DEA é uma técnica de pesquisa operacional que permite à determinação da 

eficiência produtiva de uma unidade de tomada de decisão (Decision Making Unit - DMU) na 

transformação de múltiplas entradas (inputs) em saídas (outputs) (Cooper, Seiford, & Zhu, 

2004; Haas, 2003; Mariano, 2012).  

A DEA permite a construção de uma fronteira para separar as DMU eficientes das não 

eficientes. As DMU eficientes, localizadas na fronteira do plano, são aquelas que melhor 

transformam os insumos (inputs) em produtos (outputs). Já as DMU ineficientes estão 

localizadas abaixo da fronteira, e sua eficiência é medida pela distância até as DMU eficientes. 

A Análise por Envoltória de Dados é capaz de encontrar o conjunto de pesos que 

maximiza a eficiência da DMU, permitindo a utilização de diversas variáveis como inputs e 

outputs, sem que seja necessário converter os dados a uma base comum (Mariano, 2012). Essa 

característica torna a DEA indicada para análise de clubes de futebol, pois permite utilizar dados 

financeiros e ou não financeiros, como por exemplo, medidas para o desempenho esportivo e o 

valor das receitas ou despesas dos clubes (Dantas & Boente, 2012). 

A DEA possui diferentes modelos, que variam de acordo com seus pressupostos. Os 

dois principais modelos da DEA são o CRS (Constante Returns to Scale – Retorno constante 

de escala), também conhecido por CCR, em homenagem a Charnes, Cooper e Rhodes (1978), 

que desenvolveram a técnica em 1978. O segundo modelo é o VRS (Variable Return to Scale – VRS), também conhecido por BCC, em homenagem a seus criadores Banker, Charnes e 

Cooper (1984). A diferença entre os dois modelos, como seus nomes indicam, é o tipo de 

retorno de escala (Mariano, 2012; Melo, Boente, Vieira, & Braga, 2005; Nova & Santos, 2008). 

A hipótese de retorno constante considera que os outputs variam de forma constante em todas 

as regiões da fronteira de eficiência, e permite uma avaliação objetiva da eficiência global e 

identificar as fontes de ineficiência (Melo et al., 2005). O retorno variável considera que os 

outputs não variam de forma proporcional aos inputs em todas as regiões da fronteira, havendo 

regiões em que o retorno é crescente, em que os outputs aumentam proporcionalmente mais 

que on inputs, regiões de retorno constante, com outputs proporcionais aos inputs e regiões de 

retorno decrescente, cujos outputs variam proporcionalmente menos que os inputs (Mariano, 

2012).  

Ambos os modelos podem ter orientação para os inputs ou outputs. A orientação para 

os inputs determina, com base nos outputs produzidos, quanto os inputs poderiam ser reduzidos. 

Já o modelo orientado para os outputs busca analisar quanto os outputs poderiam ser 

aumentados com base nos inputs utilizados (Mariano, 2012; Nova & Santos, 2008) 

Na presente pesquisa, o retorno de escala variável foi definido para minimizar o efeito 

da disparidade entre os dados dos clubes devido à diferença de tamanho dos times, a exemplo 

de Barros et al (2010) e Dantas et al (2015). A orientação escolhida foi para o produto (output), 

verificando, portanto, qual o resultado máximo possível para os insumos (inputs) utilizados. 

Revisando a literatura, não foi possível identificar um consenso entre os inputs e outputs 

utilizados pelos diversos autores na análise da eficiência, contudo, em geral, as pesquisas 

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buscam medir a eficiência dos clubes com base no sucesso esportivo e financeiro, o que remete 

aos principais objetivos dos clubes, entretenimento através do esporte e geração de receita para 

assegurar a continuidade das atividades.  

Para medir a eficiência esportiva, o output escolhido foi o ranking de clubes da 

Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que mede o desempenho desportivo dos clubes em 

diversas competições, a exemplo de Nascimento et al (2015) e Dantas et al (2015). O ranking 

da CBF possui um sistema que melhor pontua os clubes nas primeiras divisões do campeonato 

brasileiro, assim como os times com melhor desempenho na Copa do Brasil e competições 

internacionais. Dantas et al (2015) argumentam que o ranking da CBF é uma proxy preferível 

ao aproveitamento dos pontos, justamente por considerar diferente a pontuação das diferentes 

divisões. 

Para medir a eficiência financeira o output escolhido foi a receita operacional gerada 

pelos clubes, com base nos trabalhos de Barros et al (2010), Nascimento et al (2015) e Freitas 

et al (2017). A receita operacional mede a capacidade dos times de atrair recursos, fundamentais 

para manutenção e continuidade das equipes. 

A variável escolhida como insumo para a pesquisa foram as despesas totais, baseada na 

variável utilizada por Pereira et al (2015), composta pela soma de todas as despesas e custos 

necessários à manutenção das atividades do clube. Essa variável foi coletada das informações 

contábeis dos clubes, dada pela subtração da receita líquida pelo superávit/déficit do período, 

do qual se retira o efeito do resultado financeiro. 

3.2. 

Regressão com Dados em Painel 

Para identificar os fatores determinantes da eficiência, será utilizado o modelo de 

regressão com dados em painel. O modelo de regressão permite identificar variáveis que 

possuem alguma relação de significância com as variáveis dependentes (Dantas et al., 2015; 

Freitas et al., 2017) 

As variáveis independentes escolhidas na análise da Eficiência Esportiva foram os 

indicadores financeiros Liquidez Corrente, Rentabilidade, Endividamento e Tamanho. No 

estudo da Eficiência Financeira, adicionam-se aos indicadores financeiros as informações 

qualitativas Passivo a Descoberto, Títulos, Série A, Grandes 12, Promovidos e Rebaixados, 

tratadas como variável binária. As dummys citadas, assim como a variável de endividamento, 

foram escolhidas com base no trabalho de Dantas et al (2015). O Quadro 1 sintetiza as variáveis, 

forma de cálculo e sinal esperado para o coeficiente da regressão.  

Para a variável Títulos, foram considerados os campeonatos Libertadores da América, 

Campeonato Brasileiro (todas as divisões), Copa do Brasil, Sul-americana, Copa do Nordeste 

e todos os Campeonatos Estaduais (primeira divisão). Os 12 Grandes, de acordo com Dantas, 

Machado e Macedo (2015) são: Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, 

Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco. 

Variáveis independentes Cálculo 

Liquidez Corrente (LC) Ativo Circulante / Passivo Circulante 

Sinal 

+ 

Rentabilidade (RA) 

Endividamento (Endiv) Passivo Total / Ativo Total 

Resultado (superávit ou déficit) / Ativo Total 

+ - 

Tamanho (Tam) 

Passivo a descoberto (PD) 1 para clubes com PL negativo, 0 para os demais 

Logaritmo Natural do Ativo Total 

Títulos 

Série A 

+ - 

1 para clubes que conquistaram títulos, 0 para os demais 

+ 

1 para clubes na Série A do campeonato brasileiro, 0 para os demais 

+ 

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8 

Grandes 12 (G12) 

1 para os 12 grandes clubes, 0 para os demais 

1 para clubes promovidos a série superior do Campeonato Brasileiro ou 

classificados para a Copa Libertadores no ano seguinte, 0 caso contrário 

+ 

Promovidos (Prom) 

+ 

Rebaixados (Rebaix) 

1 para clubes rebaixados para a divisão inferior do Campeonato Brasileiro, 0 

caso contrário - 

Quadro 1. Sinal refere-se aos sinais esperados dos coeficientes das variáveis independentes em relação à Eficiência 

Financeira e Eficiência Esportiva que são as variáveis dependentes. Fonte: Elaborado pelo autor. 

Visto que o ranking da CBF, output da dimensão esportiva na DEA, já pontua os clubes 

de acordo com os títulos conquistados e a posição dos clubes nos campeonatos, não faz sentido 

utilizar esses indicadores para identificar os fatores determinantes da eficiência esportiva. As 

equações de cada modelo estão detalhadas abaixo: 

 

 𝐸𝑖,𝑡 = 𝛽0 + 𝛽1𝐿𝐶𝑖,𝑡 + 𝛽2𝑅𝐴𝑖,𝑡 +𝛽3𝐸𝑛𝑑𝑖𝑣𝑖,𝑡 + 𝛽4𝑇𝑎𝑚𝑖,𝑡 + 𝛽5𝑃𝐷𝑖,𝑡 + 𝜖𝑖,𝑡 

 

 𝐹𝑖,𝑡 = 𝛽0 +𝛽1𝐿𝐶𝑖,𝑡 + 𝛽2𝑅𝐴𝑖,𝑡 + 𝛽3𝐸𝑛𝑑𝑖𝑣𝑖,𝑡 + 𝛽4𝑇𝑎𝑚𝑖,𝑡 + 𝛽5𝑃𝐷𝑖,𝑡 + 𝛽6𝑇í𝑡𝑢𝑙𝑜𝑠𝑖,𝑡 + 𝛽7𝑆𝑒𝑟𝑖𝑒𝐴𝑖,𝑡

+𝛽8𝐺12𝑖,𝑡 + 𝛽9𝑃𝑟𝑜𝑚𝑖,𝑡 + 𝛽10𝑅𝑒𝑏𝑎𝑖𝑥𝑖,𝑡 + 𝜖𝑖,𝑡 

(1) 

(2) 

onde EE representa a Eficiência Esportiva; EF representa a Eficiência Financeira; LC trata-se 

da Liquidez Corrente; RA refere-se a rentabilidade do clube medida pela relação entre Resultado 

e Ativo Total; Endiv representa o nível de Endividamento; Tam trata-se do Tamanho, avaliado 

pelo logaritmo natural do Ativo Total; PD representa a variável binária para clubes com Passivo 

a Descoberto; Títulos é uma variável binária que recebe 1 se o clube obteve algum título; Série 

A trata-se da variável binária que recebe 1 se o clube faz parte da série A e zero, caso contrário; 

G12 refere-se aos 12 maiores clubes, conforme Dantas et al (2015); Prom trata-se de dummy 

para times promovidos de divisão/classificados para a libertadores ou não; Rebaix refere-se aos 

times que foram rebaixados de divisão no campeonato brasileiro. 

Para realizar a Análise por Envoltória de Dados foi utilizado o software DEAP versão 

2.1 e para a regressão, o software Stata. 

4 RESULTADOS 

A apresentação dos resultados da presente pesquisa será dividida em três subseções: a 

primeira trata-se da Análise Descritiva. Em seguida será analisada a Eficiência Esportiva e 

Financeira dos clubes, utilizando a Análise por Envoltória de Dados. Por fim, serão 

apresentados os resultados da Regressão com Dados em Painel e significância das variáveis, 

com a finalidade de identificar fatores determinantes da eficiência. 

4.1. 

Análise Descritiva 

Observa-se inicialmente na Tabela 1 o ranking da CBF, determinado pela posição dos 

clubes no Campeonato Brasileiro e desempenho em competições nacionais e internacionais, 

tem seu valor máximo representado por ambos Palmeiras-SP e Cruzeiro-MG em 2017, 

campeões do Campeonato Brasileiro série A de 2016 e da Copa do Brasil de 2017, 

respectivamente, e o valor mínimo no ranking obtido pelo Botafogo-SP em 2015, campeão da 

Série D de 2015. 

A disparidade dos tamanhos dos clubes pode ser percebida por meio da grande variação 

dos dados referentes às Receitas Operacionais, Despesas Operacionais e Ativo Total. O 

Flamengo em 2017, por exemplo, apresentou a maior receita operacional (623 milhões) e maior 

volume de despesas totais (431 milhões) no período analisado, e o Oeste-SP, por sua vez, 

apresentou os valores mínimos para a amostra do período estudado (receitas de despesas 

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próximas de 1 milhão). Observa-se que a média da Receita Operacional Bruta e das Despesas 

Totais é superior a cem milhões de reais.  

 

Tabela 1 – Estatísticas descritivas  

Variável Média Desvio Padrão Mínimo Máximo 

Ranking CBF 7.840,48 4.170,49 653,00 15.288,00 

Receita Operacional Bruta*  119.406 139.407 1.036 623.861 

Despesas Totais* 109.017 116.998 1.099 431.424 

Resultado* 2.383 39.004 -125.198 159.099 

Ativo Total* 248.498 319.237  121 1.351.700 

Rentabilidade sobre os Ativos (RA) -0,1450 0,8493 -8,2400 0,9900 

Liquidez Corrente (LC) 0,4050 0,4649 0,0000 2,9400 

Endividamento 1,8715 2,7899 0,2100 21,5900 

Tamanho (Tam) 18,1730 2,0271 11,7000 21,0200 

Passivo a descoberto (PD) 0,5416 - - - 

Títulos 0,3750 - - - 

Série A 0,5083 - - - 

Grandes 12 (G12) 0,3000 - - - 

Promovidos (Prom) 0,3083 - - - 

Rebaixados (Rebaix) 0,1333 - - - 

Obs.  120    

O símbolo * indica variável apresentada em milhares de reais. As variáveis Passivo a descoberto, Títulos, Serie A, 

Grandes 12, Promovidos e Rebaixados são binárias (dummys) cujo valor é 1 casa afirmativo e 0 caso negativo, o 

valor apresentado como média para essa variável representa o percentual de clubes com a característica analisada. 

Fonte: Elaborado pelo autor. 

 

Observa-se na Tabela 1 que os clubes apresentaram uma rentabilidade sobre os ativos 

(RA) média de -14,5%. O indicador de Liquidez Corrente aponta que os clubes possuem baixo 

nível de solvência, visto que, em média, o passivo circulante é mais que o dobro do ativo 

circulante (liquidez corrente de 0,4050). Dos 40 clubes analisados em 3 anos, totalizando 120 

observações, apenas 11 apresentaram liquidez corrente superior a 1. Resultados semelhantes 

aos encontrados por Jahara et al (2016) que, ao analisar informações financeiras de 20 clubes 

da série A, constataram que apenas 1 dos 20 clubes apresentou capital circulante positivo em 

2014. O Endividamento apresentou, conforme Tabela 1, um valor médio de 1,8715, variando 

de um mínimo de 0,21 para um valor máximo de 21,590. Esse resultado pode ser considerado 

um reflexo do alto volume de dívidas assumidas por esses clubes, e está em conformidade com 

as observações de Brandão (2012) e Dantas et al (2017) que, ao analisar amostras para os anos 

de 2006 a 2010 e 2010 a 2013, respectivamente, também observaram endividamento superior 

ao valor dos ativos. 

A análise do percentual de clubes com Passivo a Descoberto, ou seja, clubes com dívidas 

superiores ao Ativo Total, foi de 54% da amostra analisada. Em organizações convencionais, 

tais níveis de endividamento indicariam um alto risco de descontinuidade das operações, 

contudo, clubes de futebol apresentam capacidade de seguir com as operações apesar disso. 

Para Freitas et al (2017) os clubes dificilmente vão a falência devido a fidelidade de seus 

torcedores, clientes fiéis do espetáculo independente do momento esportivo ou financeiro das 

equipes. Contudo, questiona-se: Como os clubes conseguem obter recursos de terceiros para 

seguir com as operações mesmo apresentando Passivo a Descoberto? Uma possibilidade pode 

ser o oferecimento de receitas futuras como garantia ou a antecipação do recebimento desses 

recursos com a finalidade de alívio temporário da necessidade de caixa. Com base nos níveis 

endividamento dos clubes, pode-se questionar a efetividade das legislações criadas para regular 

 

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as entidades desportivas, em especial o PROFUT, criado justamente com o objetivo de 

modernizar a gestão dos clubes de futebol e estabelecer princípios de responsabilidade fiscal.  

 

4.2. Indicadores da Eficiência 

Com base nos pressupostos abordados na metodologia, utilizamos a Análise por 

Envoltória de Dados para identificar quais clubes da amostra selecionada foram mais e menos 

eficientes nas dimensões esportiva e financeira. O modelo DEA avalia a eficiência relativa das 

equipes definindo qual o máximo de produtos (outputs) que podem ser gerados com base nos 

insumos (inputs) utilizados dentro da amostra estudada. Dessa forma, os clubes considerados 

eficientes, que compõem a fronteira da eficiência, receberam a pontuação 1. Já os clubes 

considerados menos eficientes, localizados abaixo da fronteira, apresentam indicador menor do 

que 1, e o valor indica a distância do time até a fronteira da eficiência, em outras palavras, até 

o nível de outputs objetivo com base nos inputs utilizados. A Tabela 2 apresenta os times 

participantes da amostra e o nível de Eficiência Esportiva e Financeira atribuída a cada um deles 

pela Análise por Envoltória de Dados. Cabe destacar que essa eficiência é comparativa e 

restringe-se a amostra analisada.  

 

Tabela 2 – Eficiência Esportiva e Financeira dos Clubes Brasileiros 

Clube  Eficiência Esportiva   Eficiência Financeira  

2017 2016 2015 Média 2017 2016 2015 Média 

América-MG 0,856 0,825 0,602 0,761 0,650 0,854 0,505 0,670 

Athletico-PR 1,000 1,000 1,000 1,000 0,744 0,798 0,939 0,827 

Atlético-GO 0,903 0,958 0,917 0,926 0,717 0,575 0,466 0,586 

Atlético-MG 0,941 0,952 0,972 0,955 0,706 0,712 0,873 0,764 

Avaí-SC 0,787 0,967 0,631 0,795 0,719 0,464 0,406 0,530 

Bahia-BA 0,571 0,662 0,774 0,669 0,559 0,841 1,000 0,800 

Botafogo-RJ 0,946 0,909 0,882 0,912 1,000 0,686 0,584 0,757 

Botafogo-SP 0,393 0,264 0,115 0,257 0,532 0,544 0,406 0,494 

Bragantino-SP 0,938 1,000 0,798 0,912 0,278 0,615 0,274 0,389 

Brasil-RS 0,652 0,484 0,266 0,467 0,636 0,607 0,379 0,541 

Ceará-CE 0,829 0,956 0,791 0,859 0,724 0,624 0,545 0,631 

Chapecoense-SC 0,835 0,898 0,623 0,785 0,626 0,667 0,589 0,627 

Corinthians-SP 0,921 0,953 1,000 0,958 0,704 0,898 0,811 0,804 

Coritiba-PR 0,735 0,851 0,898 0,828 0,662 0,633 0,543 0,613 

Criciúma-SC 0,793 0,978 0,775 0,849 0,445 0,646 0,352 0,481 

Cruzeiro-MG 1,000 0,964 0,959 0,974 0,741 0,608 0,978 0,776 

Figueirense-SC 0,952 1,000 0,902 0,951 0,347 0,676 0,634 0,552 

Flamengo-RJ 0,837 0,795 0,931 0,854 1,000 1,000 1,000 1,000 

Fluminense-RJ 0,767 0,776 0,954 0,832 0,583 0,632 0,710 0,642 

Fortaleza-CE 0,508 0,635 0,429 0,524 0,626 0,634 0,469 0,576 

Goiás-GO 0,749 0,870 1,000 0,873 0,627 0,786 0,985 0,799 

Grêmio-RS 0,987 1,000 1,000 0,996 0,783 0,802 0,719 0,768 

Guarani-SP 0,419 0,413 0,322 0,385 0,457 0,243 0,401 0,367 

Internacional-RS 0,762 0,879 0,926 0,856 0,555 0,666 0,724 0,648 

Ituano-SP 0,265 0,278 0,227 0,257 0,620 0,552 0,463 0,545 

Joinville-SC 0,711 0,814 0,594 0,706 0,392 0,526 0,585 0,501 

Juventude-RS 0,654 0,673 0,291 0,539 0,745 0,447 0,281 0,491 

Oeste-SP 0,987 1,000 1,000 0,996 0,662 1,000 1,000 0,887 

 

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Palmeiras-SP 1,000 0,979 0,893 0,957 0,812 0,988 1,000 0,933 

Paraná-PR 0,571 0,828 1,000 0,800 0,207 0,471 1,000 0,559 

Paysandu-PA 0,853 0,833 0,804 0,830 0,603 0,692 0,643 0,646 

Ponte Preta-SP 0,879 1,000 0,736 0,872 0,574 0,605 0,573 0,584 

Portuguesa-SP 1,000 1,000 0,410 0,803 1,000 0,472 0,071 0,514 

Santa Cruz-PE 1,000 0,797 0,629 0,809 0,509 0,552 0,406 0,489 

Santos-SP 1,000 1,000 1,000 1,000 0,703 0,812 0,564 0,693 

São Paulo-SP 0,726 0,827 0,912 0,822 0,751 0,784 0,941 0,825 

Sport-PE 0,771 0,726 0,676 0,724 0,591 0,753 0,642 0,662 

Vasco da Gama-RJ 0,686 0,732 0,899 0,772 0,582 0,650 0,729 0,654 

Vila Nova-GO 0,490 0,595 0,474 0,520 0,604 0,506 0,268 0,459 

Vitória-BA 0,618 0,760 0,663 0,680 0,355 0,809 0,509 0,558 

Média 0,782 0,821 0,742 0,782 0,628 0,671 0,624 0,641 

Fonte: Elaborado pelo autor. 

 

Observa-se na dimensão esportiva, sete clubes alcançaram a eficiência máxima em 

2015, oito clubes em 2016 e seis clubes em 2017. Dos 40 clubes analisados na pesquisa, apenas 

Athlético-PR e Santos-SP foram classificados como eficientes nos três anos analisados. 

Destacam-se também o Grêmio-RS, Oeste-SP e a Portuguesa-SP, que foram classificados como 

os clubes de maior eficiência em 2 anos. Foram considerados eficientes em somente um ano o 

Bragantino-SP, Corinthians-SP, Cruzeiro-MG, Figueirense-SC, Goiás-GO, Palmeiras-SP, 

Paraná-PR, Ponte Preta-SP e Santa Cruz-PE. A eficiência média das equipes não apresentou 

evolução, partindo de 0,742 em 2015, chegando a 0,821 em 2016 e caindo a 0,782 em 2017, 

que coincidentemente é também o valor médio da eficiência em todo o período analisado. 

Assim como na pesquisa de Pereira et al (2015), diversos dos clubes melhor avaliados 

no ranking da CBF (output do modelo) foram considerados ineficientes pela modelagem DEA, 

pode-se citar como exemplos disso o Atlético-MG, o Corinthians e o Flamengo. Mesmo clubes 

campeões foram considerados ineficientes, enquanto outros não. O Corinthians-SP foi campeão 

brasileiro de 2015 e considerado eficiente naquele ano, contudo, ao conquistar o mesmo título 

em 2017, não foi considerado eficiente pelo modelo, apresentando inclusive um índice de 

eficiência menor que 2016, ano que não obteve título nenhum. Freitas et al (2017) encontram 

situação semelhante em sua pesquisa, quando em 2012, o campeão brasileiro Fluminense, ficou 

abaixo da fronteira da eficiência. Tendo em vista que o insumo considerado no modelo para 

produzir o produto desempenho em campo, pode-se concluir que esses clubes despenderam 

muitos recursos para obter tal resultado. 

Dos 40 clubes da amostra final, apenas o Flamengo obteve eficiência financeira máxima 

nos três anos estudados. O Flamengo-RJ curiosamente não conquistou nenhum título nacional 

ou internacional nesse período. Também é possível observar que menos clubes ocuparam a 

fronteira na eficiência financeira do que na eficiência esportiva: Apenas 5 clubes em 2015, 2 

clubes em 2016 e 3 clubes em 2017. O Oeste-SP alcançou a fronteira da eficiência duas vezes, 

e Palmeiras-SP, Bahia-BA, Botafogo-RJ, Paraná-PR e Portuguesa-SP uma vez cada. A 

eficiência financeira média foi de 0,641, o que indica que os clubes obtiveram em média apenas 

64,1% das receitas operacionais possíveis com base nos recursos despendidos. Mesmo clubes 

com as maiores receitas foram considerados ineficientes, devido ao montante de despesas 

incorridas para obter essas receitas. São exemplos Corinthians-SP, Grêmio-RS e São Paulo-SP, 

que apesar de apresentarem algumas das maiores receitas, não foram considerados eficientes 

em nenhum dos anos estudados. 

 

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Em ambas as dimensões, esportiva e financeira, a presença de clubes menores como 

Oeste, Paraná, Portuguesa, Bragantino e Santa Cruz é explicada pelo retorno variável de escala, 

que separa as DMU em grupos de acordo com suas escalas e determina a mais eficiente entre 

os grupos, o que é adequado para minimizar a disparidade entre o tamanho dos clubes, mas 

também tende a considerar DMU de escala muito grande ou pequena como eficientes, em 

semelhança as Dantas & Boente (2012) e Dantas et al (2015). 

Em seguida, com o objetivo de verificar se há relação entre as eficiências esportivas e 

financeiras analisou-se a matriz de correlação entre a eficiência calculada pelo DEA para os 

clubes pertencentes à amostra. Observa-se na Tabela 3 que a Correlação de Pearson não aponta 

sinais de correlação entre a eficiência dos clubes nas dimensões esportiva e financeira superior 

a 0,50, com exceção da correlação entre eficiência esportiva de 2015 e financeira de 2016, que 

foi de 0,5686, indicando um nível moderado de correlação, e entre a eficiência financeira e 

esportiva de 2015 com valor de 0,7011, indicado uma forte correlação. Há correlação moderada 

entre as eficiências esportivas de um período com o respectivo ano anterior, o que é esperado, 

visto que o ranking da CBF, output da dimensão esportiva, pontua o desempenho dos clubes 

nos anos anteriores também.  

 

Tabela 3 – Matriz de correlação entre as medidas de eficiência esportiva e financeira 

  

Eficiência 

Esportiva 

2017 

Eficiência 

Esportiva 

2016 

Eficiência 

Esportiva 

2015 

Eficiência 

Financeira 

2017 

Eficiência 

Financeira 

2016 

Eficiência 

Financeira 

2015 

Eficiência Esportiva 2017 1,0000 - - - - - 

Eficiência Esportiva 2016 0,8850*** 1,0000 - - - - 

Eficiência Esportiva 2015 0.6450*** 0,7595*** 1,0000 - - - 

Eficiência Financeira 2017 0,3613** 0,1956 0,0963 1,0000 - - 

Eficiência Financeira 2016 0,4424*** 0,3797** 0,5686*** 0,3087** 1,0000 - 

Eficiência Financeira 2015 0,2285 0,2698** 0,7011*** 0,1049 0,6381*** 1,0000 

Os símbolos ***, ** e * indicam significância de, respectivamente, 1%, 5% e 10%. Fonte: Elaborado pelo autor. 

 

Os resultados apresentados no presente estudo são coerentes com os estudos de Santos 

et al (2016), que não encontraram correlação entre os desempenhos esportivos e financeiros. 

Contudo, esse resultado difere dos estudos de Haas (2003), Barros et al (2010) e Nascimento et 

al (2015), que argumentam que clubes eficientes têm bom desempenho esportivo e financeiro. 

Diferenças entre a amostra e períodos podem justificar a divergência de resultados, assim como 

o uso de diferentes inputs e outputs na determinação da eficiência. 

 

4.3. REGRESSÃO EM PAINEL E SIGNIFICÂNCIA DAS VARIÁVEIS 

Para avaliar os determinantes da eficiência esportiva e financeira, foi aplicada uma 

Regressão com Dados em Painel, com a finalidade de identificar as variáveis independentes 

que apresentam relacionamento com índices de eficiência obtidos pelos clubes na Análise por 

Envoltória de Dados. Em seguida foi aplicado o teste de Hausman para determinar qual o 

modelo (fixo ou aleatório) é mais apropriado. A Tabela 4 sintetiza os resultados obtidos. O teste 

de Hausman aponta que o modelo fixo é mais indicado em ambas as dimensões esportiva e 

financeira.  

 

Tabela 4 – Variáveis determinantes da eficiência 

 Variável independente Eficiência Esportiva 

(FE) 

Eficiência Esportiva 

(RE) 

Eficiência 

Financeira (FE) 

Eficiência 

Financeira (RE) 

Constante 2,1087*** 

(0,4390) 

0,9426***  

(0,2871) 

2,3327*** 

(0,5758) 

1,3935*** 

(0,2888) 

Liquidez Corrente 

(LC) 

Rentabilidade sobre os Ativos 

(RA) -0,0013 

(0,0389) 

0,0017 

(0,0173) -0,0067 

(0,0369) 

0,0444 

(0,0511) 

0,0584 

(0,0381) -0,0010 

(0,0175) 

Endividamento (Endiv) -0,0024** 

(0,0108)  

0,0627*** 

(0,0224) 

0,0507** 

(0,0203) -0,0136 

(0,0092) 

Tamanho (Tam) -0,0694*** 

(0,0236) -0,0140 

(0,0139) -0,0045 

(0,0085) -0,0070 

(0,0150) 

Passivo a descoberto  

(PD) -0,0319 

(0,0414) -0,0926*** 

(0,0309) -0,0478*** 

(0,0158) -0,0082 

(0,0386) 

Títulos (Tit) - -0,0248 

(0,0543) -0,0462 

(0,0381) - 

Série A - 

0,0164 

(0,0375) 

0,0254  

(0,0329) - 

Grandes 12 (G12) - - 

0,0495 

(0,0625) 

0,1257*** 

(0,0445) 

(omitted) 

Promovidos (Prom) - - 

0,2383*** 

(0,0583) -0,0509 

(0,0381) 

Rebaixados (Rebaix) - - -0,0314 

(0,0358) 

0,0620 

(0,0568) 

0,0001 

(0,0489) 

Hausman 

0.0197  

0.0001  

As siglas FE e RE significam respectivamente modelo fixo e modelo aleatório. Erros padrão são mostrados em 

parênteses. As variáveis Passivo a descoberto, Títulos, Serie A, Grandes 12, Promovidos e Rebaixados são binárias 

(dummys) cujo valor é 1 casa afirmativo e 0 caso negativo. Os símbolos ***, ** e * indicam significância de, 

respectivamente, 1%, 5% e 10%. Foram estimados os modelos fixos e aleatórios com dados em painel e, seguindo 

o teste de Hausman, foi escolhida a estimativa dos coeficientes pelo modelo em ambas eficiências esportivas e 

financeiras. Fonte: Elaborado pelo autor. 

No modelo cuja variável dependente foi a eficiência esportiva, as variáveis 

Endividamento e Tamanho apresentaram coeficientes significativos e negativos. O 

relacionamento negativo entre Eficiência Esportiva e Endividamento indica que o 

endividamento causa impacto negativo na eficiência esportiva dos clubes. Uma possível 

explicação para esse resultado pode ser o fato do alto endividamento estar relacionado com 

problemas de gestão dos clubes, o que pode impactar de forma negativa o desempenho dos 

atletas em campo, considerando que esses clubes podem apresentar menos segurança para 

cumprir com os compromissos assumidos. Dantas et al (2015), contudo, ao analisar a mesma 

variável endividamento e eficiência não encontraram relacionamento estatisticamente 

significativo. Cabe destacar que os autores supracitados mediram a eficiência esportiva e 

financeira conjuntamente, o que pode justificar a diferença observada nos resultados. 

Em relação ao tamanho, observou-se um relacionamento negativo e significativo com a 

Eficiência Esportiva. Clubes maiores apresentaram, portanto, menor nível de eficiência 

esportiva. Considerando que esses clubes possuem boas pontuações no ranking da CBF, pode

se concluir que embora apresentem desempenho esportivo relativamente satisfatório, estão 

desembolsando um volume de excessivo de recursos. As variáveis Liquidez Corrente, 

Rentabilidade (RA) e a variável binária representativa do Passivo a Descoberto não foram 

estatisticamente significativas. 

Na análise da Eficiência Financeira, nenhuma das variáveis de desempenho esportivo 

(Títulos, Série A, Promovidos ou Rebaixados) apresentou significância estatística. Isso pode 

indicar que a eficiência financeira pode não estar relacionada ao desempenho em campo. Esse 

resultado, no entanto, diverge dos estudos de Dantas et al (2015) e Freitas et al (2017), cujos 

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14 

estudos identificaram relacionamento entre a eficiência e as variáveis independentes títulos e 

pertencentes à Série A.  

Observa-se no presente estudo as variáveis Rentabilidade sobre os Ativos (RA) e 

Tamanho apresentaram significância na determinação da eficiência financeira. O coeficiente 

positivo significativo para a variável independente RA indica que quanto maior o retorno sobre 

os ativos, mais eficientes financeiramente os clubes são, o que era esperado, considerando que 

a rentabilidade é medida pela relação entre superávit ou déficit e o ativo total e a eficiência 

financeira foi determinada pela relação entre a Receita Operacional Bruta e as despesas totais. 

A variável tamanho, assim como na análise da eficiência esportiva, apresentou relacionamento 

negativo e significativo com a eficiência financeira. Os grandes clubes, ainda que tenham 

grande capacidade de geração de receita, o uso de recursos em excesso torna-os ineficientes. 

Resultado coerente com os achados de Pereira et al (2015), que verificou que clubes mais 

eficientes estão associados a menores valores de ativo não circulante. As variáveis de liquidez 

corrente, endividamento e passivo a descoberto não apresentaram significância com a eficiência 

financeira.  

5 CONCLUSÕES 

A partir dos resultados encontrados na pesquisa, pode-se concluir que embora os clubes 

apresentem movimentação financeira expressiva, os times de futebol possuem graves 

problemas financeiros.  

Observou-se que os clubes brasileiros apresentam indicadores financeiros que apontam 

para uma situação financeira altamente arriscada. Esse fato pode ser confirmando pelo alto nível 

de endividamento dos clubes e pelo fato de 54% dos times analisados na amostra apresentarem 

Patrimônio Líquido negativo. Apesar dessa situação, insustentável para outros tipos de 

organizações, os clubes mantêm suas atividades em operação, uma possível explicação para 

isso seria a fidelidade dos torcedores, clientes desse mercado, mas são necessários estudos mais 

aprofundado em relação a sustentabilidade dessas organizações. 

Na análise da eficiência esportiva, é possível concluir que os clubes apresentam bons 

níveis de eficiência relativa média, próxima a 80%. Das 120 observações analisadas, sendo 40 

clubes em 3 anos, 21 observações alcançaram a fronteira da eficiência esportiva, o que 

corresponde a 17,5% da amostra total. Contudo, mesmo clubes no topo do ranking da CBF, 

podem, pela modelagem empregada, não ser considerados eficientes, com base na relação entre 

inputs consumidos para obter o output desempenho esportivo, medido pelo ranking da CBF. 

Além disso, cabe destacar que essa eficiência é relativa, pois considera somente a eficiência 

comparativa entre os clubes da amostra analisada. Se compararmos os clubes considerados 

eficientes no presente estudo, por exemplo, com clubes de outros países ou ligas esportivas, 

essa análise pode ser diferente.  

Em relação à análise da eficiência financeira, pode-se observar que os clubes 

apresentaram eficiência relativa de 0,641, menor, portanto, que a eficiência esportiva, que foi 

0,782. Além disso, um número menor de clubes atingiram a fronteira da eficiência financeira, 

semente 10 de 120 observações, o que equivale a pouco mais de 8% da amostra. Analisou-se 

também a correlação entre os desempenhos esportivo e financeiro, embora exista correlação 

estatisticamente significativa, a correlação foi superior a 0,5 somente para a eficiência esportiva 

de 2015 e eficiência financeira de 2016 e para a eficiência esportiva e financeira do ano de 

2015.  

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15 

Na identificação dos fatores determinantes da eficiência, foi verificado que o indicador 

de endividamento foi significante com coeficiente negativo, o que indica que altos níveis de 

endividamento podem afetar negativamente a eficiência esportiva. A variável Tamanho 

mostrou-se significativa para ambas às dimensões, esportiva e financeira. No entanto, o 

relacionamento entre tamanho e eficiência foi negativo, indicando que quanto maior o clube, 

menor será sua eficiência, tanto financeira quanto esportiva. A Rentabilidade sobre os Ativos 

(RA) foi significativa e positivamente relacionada com a eficiência financeira.  

Por fim, apesar dos esforços governamentais e a ação de dirigentes, a gestão financeira 

dos clubes de futebol brasileiro ainda pode ser considerada inadequada. Muitos clubes 

brasileiros são deficitários, apresentam alto nível de endividamento e baixa liquidez. Além 

disso, não obtém receitas suficientes para cobrir todos os custos e despesas operacionais. 

Destaca-se o fato de 54% da amostra ser composta por clubes com passivo a descoberta. Esse 

cenário requer ação imediata dos responsáveis pela gestão dos clubes, tendo em vista não 

somente o equilíbrio financeiro, mas também os possíveis impactos para o desempenho dentro 

de campo apontados pela pesquisa. A diversificação das fontes de receita e melhor controle dos 

gastos podem ajudar os clubes a ter mais solidez financeira. Além disso, sugere-se que seja 

implementada alguma política de controle e acompanhamento da gestão dessas entidades.  

O presente estudo contribui para a literatura existente ao analisar de formam separada a 

eficiência esportiva e financeira, além de analisar um período posterior à aprovação e 

implementação do PROFUT, cujo objetivo seria modernizar e estabelecer princípios de 

responsabilidade fiscal nos clubes de futebol brasileiros, retratando a eficiência dos clubes após 

a referida lei.  

Para estudos futuros, recomenda-se o uso de diferentes modelos e variáveis para medir 

a eficiência e os seus fatores determinantes. Uma das possibilidades é analisar se as contratações 

de jogadores, realizadas pelos clubes, resultam em eficiência esportiva e financeira, visto que 

os times despendem montantes significativos nesse mercado. Também são necessários estudos 

mais profundos sobre o endividamento dos clubes, em especial sobre os custos de manutenção 

das dívidas e sobre a continuidade das operações dos clubes com passivo a descoberto. Outra 

sugestão são novos estudos a respeito da relação entre o desempenho esportivo e financeiro, 

dada a divergência de resultados entre os autores. 

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UEFA. (2014). Worldwide reach of the Lisbon final. Recuperado 1 de julho de 2019, de 

UEFA.com 

website: 

http://www.uefa.com/uefachampionsleague/news/newsid=2111684.html . O artigo dos autores GABRIEL SANTOS CARVALHO  e FLÁVIO LEONEL DE CARVALHO na Universidade de São Paulo (USP).

O fator econômico nos clubes de futebol envolve a relação direta entre a gestão financeira, as receitas, os gastos com salários e o desempenho esportivo em campo.

Estudos acadêmicos e relatórios em formato PDF mostram que fatores como despesas com o elenco e receita líquida apresentam forte ligação positiva com o sucesso nos campeonatos.

Principais Fatores Econômicos nos ClubesReceitas de Transmissão e Premiações: Os direitos de TV representam a maior fatia do dinheiro que entra nos clubes brasileiros.Gastos com Pessoal: Investimentos altos em salários de jogadores e comissão técnica costumam trazer melhores resultados esportivos.Endividamento: Dívidas acumuladas e passivos elevados dificultam a saúde financeira e a capacidade de investimento a longo prazo.Eficiência de Gestão: Métodos como a Análise Envoltória de Data (DEA) avaliam como os clubes transformam recursos financeiros em títulos e pontos.

Confira a noticia no UOL .https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2026/09/22/como-sao-paulo-conseguiu-dinheiro-para-pagar-salarios-atrasados-em-carteira.ghtm

Confira a História e Títulos do São Paulo . No Site Campeões do Futebol..https://www.campeoesdofutebol.com.br/hist_saopaulo.html

Pobreza fiuançeira que se reflete em campo.

Imagem do Site Oficial do São Paulo Futebol Clube .






 



 

Pobreza finançeira que se reflete em campo .