sábado, 22 de agosto de 2026

Não se escapa .

 


Confira a reportagem no UOL                     
https://www.uol.com.br/esporte/colunas/danilo-lavieri/2026/08/21/city-sinaliza-com-r-210-milhoes-e-palmeiras-ja-admite-transferencia.htm.
 O poder pode ter origens econômicas, ideológicas ou políticas. A política opera sobre as esferas econômica e ideológica, buscando exercer influência sobre a sociedade como um todo. 

O poder exercido através da política pode ser visto como legítimo quando há o consentimento das pessoas ou ilegítimo quando a força é usada sem concordância. 

Em resumo, a política sem o poder não se realiza, pois o poder é o instrumento central para a organização e gestão da vida em sociedade, garantindo que um grupo ou indivíduo tenha a capacidade de impor ou influenciar as ações de outros. . Segundo o Sociólgo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Periodo da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

Confira a dissertação do autor MANUEL FONTAINE CAMPOS

Natureza, origem e exercício do poder político 

MANUEL FONTAINE CAMPOS

 1 – A natureza do poder político. 

Falar sobre a natureza do poder político, implica tentar definir o que é 

o poder e, seguidamente, em que consiste o poder político.  

O poder é um daqueles conceitos de fácil compreensão mas de defini

ção complexa. Talvez por isso, foi, ao longo dos tempos, objecto das definições 

mais diversas. NORBERTO BOBBIO (1989: 232) distingue definições substan

cialistas, subjectivistas e relacionais do poder1, consoante o mesmo seja 

identificado com uma coisa que se usa para adquirir outros bens2, com a 

capacidade de um sujeito alcançar certos efeitos, ou com uma relação entre 

dois sujeitos que implica a possibilidade de um deles obter do outro um com

portamento determinado3.  

Uma definição mista, subjectiva e relacional, de poder social, é a de 

RUTH ZIMMERLING (2005: 141) que o define como «a capacidade de obter 

resultados desejados fazendo com que os outros se comportem como quere

mos»4. Como o poder político é subcategoria do poder social, essa definição é 

adequada à sua explicitação, embora seja igualmente aplicável a outras sub

categorias como as de poder económico e poder ideológico. O poder económico 

Escola de Direito do Porto da Universidade Católica Portuguesa. Comunicação 

apresentada no Curso de Ética e Política organizado pela Fundação Spes e que 

decorreu em Lisboa em 19 e 21 de Janeiro de 2009. 

1Naturalmente, são possíveis outras classificações. RUTH ZIMMERLING (2005: 33

74), por exemplo, distingue definições sociológicas, filosóficas e económicas do con

ceito de poder. 

2Assim, em 1651, THOMAS HOBBES define «o PODER de um homem» como «os 

meios que tem no presente para obter qualquer Bem aparente no futuro» – THOMAS 

HOBBES (1996: 62). 

3Veja-se a definição de poder de ROBERT DAHL, como «relação entre actores, no 

qual um induz os outros a agirem de um modo que de outra forma não agiriam» – 

apud NORBERTO BOBBIO (1989: 232). 

4Já MAX WEBER havia proposto uma definição mista de poder como «a capacidade 

de impor a sua própria vontade numa relação social, mesmo contra resistência» - 

apud RUTH ZIMMERLING (2005: 31). Sobre a definição de poder, cf., ainda, LUCAS 

PIRES (1998: 40).  

derivaria, numa perspectiva substancialista, da posse da riqueza. O poder 

ideológico, da detenção do saber. O poder político, como veremos, do uso da 

força5.  

É possível distinguir-se o poder social da influência social. Esta con

siste na «capacidade de afectar as crenças de outros, i. e., o seu conhecimen

to ou as suas opiniões sobre o que existe ou deveria existir»6. Assim, esta 

influência pode ser caracterizada como ideológica (científica, religiosa, lite

rária…). É claro que a existência de influência pode redundar, sobretudo se 

houver consciência da mesma pelo sujeito que influencia, em poder social. 

Será, então, poder ideológico. 

O poder político consiste, originariamente, na possibilidade de impor 

pela força, aos indivíduos membros de um grupo social (da cidade, ou polis), 

a adopção de um determinado comportamento. Quando, na passagem da 

Idade Média para a Idade Moderna, esse poder passou a ser exercido com 

exclusividade (monopólio da coerção legítima - WEBER), dando origem ao 

surgimento do Estado, recebeu o nome de soberania7. Na teoria geral do 

Estado, apesar de críticas diversas8, tende a aceitar-se que o Estado só exis

te quando estão reunidos três elementos: um povo, um território e um poder 

político soberano. O poder é soberano, na definição de JEAN BODIN, quando ésupremo a nível interno e independente a nível externo. 

O exercício da força física consiste, porém, numa ultima ratio, sendo 

primeiro utilizados outros meios: persuasão (propaganda), oferta de incenti

vos, ameaça de sanções… Deste modo, não ocorre frequentemente, para a 

maioria dos cidadãos de um Estado moderno, confrontarem-se com o exercí

cio efectivo da força física por parte do Estado. Tal pode ocorrer se esse cida

dão for detido, se os seus bens forem executados e retirados à força da sua 

5Cf. NORBERTO BOBBIO (1989: 236). 

6RUTH ZIMMERLING (2005: 141). 

7Caracterizando o poder político como o direito exclusivo de uso da força num 

determinado território, cf. NORBERTO BOBBIO (1989: 234-235). Para uma aproxima

ção sintética ao conceito de Estado, cf. GOMES CANOTILHO (2002: 89-91).  

8Quanto a estas, cf. PAULO RANGEL (2002). 

posse, etc.9. Apesar de tudo, a possibilidade de exercício da força física confe

re credibilidade à actuação do poder público e, portanto, contribui decisiva

mente para a sua eficácia10. De realçar ainda que, como se vê, o Estado usa 

igualmente o poder económico e o poder ideológico, para além do poder espe

cificamente político. 

Na intersecção entre o poder ideológico e o poder político encontra-se o 

poder jurídico. A evolução histórica implicou, pelo menos no mundo ociden

tal, que a soberania tivesse uma expressão jurídica: a possibilidade de adop

tar actos jurídicos de autoridade. Trata-se de declarações que produzem uma 

transformação na esfera jurídica dos destinatários (designadamente nos 

seus direitos e obrigações) sem necessidade do seu consentimento11. O Direi

to, na verdade, passa a ser usado como instrumento de exercício do poder 

político. Por outro lado, o Direito continha a virtualidade, que veio a ser 

aproveitada no seguimento das revoluções liberais, de impor limites ao exer

cício do poder. 

O poder político é, assim, um poder exercido sobre os elementos de um 

grupo social, implicando a possibilidade de manipulação da sua esfera jurí

dica, bem como de execução pela força das obrigações assim impostas, de 

forma a condicionar o comportamento desses indivíduos e, portanto, produ

zir resultados desejados pelos titulares do poder12. 

9Com exemplos impressivos do exercício da força sobre os indivíduos sujeitos ao 

poder de um Estado, cf. FREITAS DO AMARAL (1983: 1134-1136). 

10 Cf. REINHOLD ZIPPELIUS (1997: 68-69). 

11 Podem estar em causa normas ou actos não normativos. As normas jurídicas con

jugam as características da generalidade (os destinatários são definidos por recurso 

a categorias amplas) e abstracção (destina-se a regular situações futuras típicas). 

Os actos não normativos podem ser individuais, concretos, ou ambos. 

12 O poder político, desta forma, encontra-se na conjugação de um poder jurídico 

com um poder social fáctico. Neste sentido, REINHOLD ZIPPELIUS (1997: 10-12 e 63) 

considera que o Direito e o Estado «fazem parte um do outro como as duas faces de 

uma medalha». No mesmo sentido, discutindo a relação entre o Estado e o Direito, 

cf. FREITAS DO AMARAL (1983: 1143-1146). ZIMMERLING (2005: 254-260, 266) verifi

ca três pontos de contacto particularmente relevantes entre o poder jurídico e o 

poder social fáctico: (i) por um lado, o objectivo do poder jurídico é o de condicionar 

(restringir) o exercício dos poderes sociais privados e, para tal, precisa de se tradu

zir num efectivo poder social público; (ii) por outro lado, a fundamentação do poder 

jurídico encontra-se em normas de competência, mas a fundamentação última des

tas, afastada a hipótese kelseneana da norma fundamental pressuposta, só pode 

encontrar-se na efectividade de aplicação dessas normas, que, em última instância, 2 – A origem do poder político. 

A questão da origem do poder político pode ser reconduzida a interro

gações múltiplas, relativas ao surgimento histórico desse poder, às funções 

que desempenha, à sua legitimidade ou à determinação sociológica dos gru

pos que verdadeiramente o exercem. 

Referir-nos-emos a duas questões: a da legitimidade e legitimação do 

poder político, e a da função desse poder13. 

a) A legitimação e a legitimidade do poder político. 

Rigorosamente, nenhum regime político, ainda que não democrático, 

pode subsistir duradouramente sem a obediência e, portanto, aceitação, da 

maior parte da população14. A relação de poder é sempre, de algum modo, 

consentida15. Esse consentimento pode exprimir-se em eleições ou, simples

mente, na não revolta contra um regime autocrático. A origem do poder polí

tico está, assim, em última instância, no consentimento (expresso ou tácito) 

dos destinatários do poder em serem governados. 

A sociologia procura explicar as razões dessa aceitação investigando o 

modo de legitimação do poder, o que levou WEBER a distinguir o poder tradi

depende da existência de um poder social fáctico; (iii) finalmente, o exercício do 

poder jurídico, e nomeadamente o conteúdo das normas, pode ser determinado por 

poderes sociais de facto (v.g., lóbis) distintos dos titulares formais daquele poder. É 

quanto a este último ponto que a autora salienta o papel, desempenhado pela 

influência social, de «correia de transmissão» entre o poder social de facto e o poder 

jurídico. 

13 Quanto ao surgimento histórico do poder político, nomeadamente a sua diferen

ciação institucional relativamente ao exercício de outras funções, e bem assim 

quanto ao surgimento do Estado na Idade Moderna como resultado de um processo 

de centralização, concentração, territorialização e institucionalização do poder polí

tico, cf. PAULO RANGEL (2002). A questão de saber se a categoria «Estado» só pode 

ser aplicada ao sistema político que emerge das ruínas da Idade Média é, no entan

to, controvertida. Para uma análise que parte de uma resposta negativa a essa 

questão, cf. FREITAS DO AMARAL (1983: 1156-1162). Discutindo a questão, cf. NOR

BERTO BOBBIO (1989: 223-231). 

14 Neste sentido, cf. REINHOLD ZIPPELIUS (1997: 70-71). 

15 A antropologia parece ter chegado à mesma conclusão. É essa a conclusão que se 

retira, nomeadamente, do estudo que Claude Lévi-Strauss fez sobre os índios Nam

bikwara: «o consentimento é […] a origem e o limite do poder» – cf. JEAN-PIERRE 

COT/JEAN-PIERRE MOUNIER (1974: 232). Sobre o estudo de Lévi-Strauss, cf., ainda, 

JOSÉ GIL (1989: 76-77). 

cional, o poder legal-racional e o poder carismático16. Tais razões são apre

sentadas como meramente explicativas – trata-se de descobrir porque é que 

o poder é aceite. Essas razões não implicam, assim, uma fundamentação 

normativa, axiológica, ética, do poder vigente. O que não impede que tais 

razões possam ser encaradas desse ponto de vista, que é o da legitimidade 

do poder17. 

Aqueles que procuram avaliar da legitimidade do poder político 

entendem que este deve ser eticamente justificado. Na verdade, a questão da 

legitimidade do poder político é diversa da da sua eficácia (de outro modo, 

parafraseando S. AGOSTINHO, o que diferenciaria o poder estatal do poder 

das máfias?). A ideia de legitimidade concretiza-se na formulação de um 

padrão normativo que serve para avaliar o poder político vigente. A questão 

é, agora, esta: deve o poder político ser aceite? Ou: o que justifica a as impo

sições desse poder?18 Assim, ao longo da história, foram sendo propostos 

diversos princípios normativos de justificação do poder: legitimidade divina 

(Deus) ou democrática (povo), dinástica (tradição) ou revolucionária (pro

gresso), ou da natureza (força ou razão)19. É conhecida, a este propósito, a 

afirmação de Aristóteles que descreve o homem como um «animal político», 

com o que desde logo se inculca a ideia da natural participação do ser 

humano na sociedade política e, correlativamente, natural submissão do 

homem aos ditames do poder político. Esta concepção é acolhida depois por 

autores cristãos como S. Agostinho e S. Tomás de Aquino. Concepção dife

rente é proposta por autores como Thomas Hobbes, Bento Espinoza, John 

Locke, Immanuel Kant e Jean-Jacques Rousseau: a da origem contratual da 

16 Sobre esta concepção, cf. JEAN-PIERRE COT/JEAN-PIERRE MOUNIER (1974: 235

249). 

17 Cf. NORBERTO BOBBIO (1989: 243). Sobre a distinção entre o que chama de legi

timação ética (aquilo que referimos como legitimidade) e a legitimação sociológica, 

cf. REINHOLD ZIPPELIUS (1997: 70-71). 

18 Vejam-se, a este propósito, as palavras iniciais da obra Do Contrato Social, de 

Jean-Jacques Rousseau, em que o autor, de forma lapidar, apresenta como seu 

objectivo, não o de explicar o surgimento histórico do poder político, mas o de des

cobrir em que circunstâncias poderá o mesmo ser legítimo – JEAN-JACQUES ROUS

SEAU (1966: 41). 

19 Cf. NORBERTO BOBBIO (1989: 239-242). 

sociedade política, que radica a submissão dos indivíduos ao poder do Estado 

num consentimento originário20. 

Do conceito de legitimidade resultou uma certa concepção da obriga

ção política, do dever de obedecer ao comando do poder político: só existirá se 

o mesmo for legítimo21 (embora, para S. TOMÁS DE AQUINO, o acto de desobe

diência esteja ainda condicionado a um cálculo quanto às suas consequên

cias). 

Deste modo, e conjugando os conceitos de legitimação e legitimidade, 

pode acontecer que um poder esteja legitimado mas não seja legítimo. Ou 

vice-versa. Assim, para um partidário da legitimidade democrática, o facto 

de num certo país existir uma ditadura que parece gozar da tolerância da 

população será sinal da sua legitimação, mas não da sua legitimidade. Veri

fica-se, também por este exemplo, o carácter fáctico e verificável da legiti

mação e o carácter normativo e contestável da legitimidade. 

Não se deve confundir legitimação e legitimidade democrática: esta 

diz respeito aos processos formais de designação dos titulares do poder, 

aquela à obediência concreta e generalizada dos destinatários do poder. No 

entanto, é evidente que um poder legítimo do ponto de vista democrático é, 

com grande probabilidade, um poder legitimado. Tal resulta de, desde logo, 

em circunstâncias de sufrágio universal, o voto poder ser interpretado, não 

só como intenção de designar os titulares do poder, mas também como acei

tação do poder a ser exercido. Por outro lado, o povo aceitará tão mais o 

poder político vigente quão mais o considerar legítimo. Ora, nos Estados 

democráticos, a ideia de legitimidade dominante na população tende a ser a 

ideia da legitimidade democrática do poder político. Nesses Estados, a legi

timação é afirmada na sujeição periódica a eleições do grupo que conjuntu

ralmente ocupa o poder e ainda nas sondagens com que se expressa a solidez 

do apoio popular. 

Por outro lado, nos Estados ocidentais contemporâneos, a legitimida

de não depende apenas da consagração de um procedimento democrático, 

20 Para uma apreciação crítica das concepções expostas, cf. FREITAS DO AMARAL 

(1983: 1162-1170). 

21 Cf. NORBERTO BOBBIO (1989: 242). 

mas também do respeito de determinados princípios que asseguram o não 

abuso do poder e a protecção dos direitos dos cidadãos – daí que se fale em 

regimes liberais-democráticos. Estes princípios de legitimidade adquirem 

força jurídica vinculativa através da sua consagração em Constituições. 

b) A função do poder político 

Um ponto que não pode deixar de ser referido, a propósito da origem 

do poder político, é o do papel ou função desse poder22. Para que serve? O 

poder político existe, antes de mais, porque se verificou ser historicamente 

indispensável à imposição e manutenção da paz em sociedade. Um Estado 

que não consiga garantir um grau mínimo de segurança interna torna-se 

num «Estado falhado» e, portanto, deixa de existir como Estado. A garantia 

da paz é, assim, o primeiro fim do Estado23, no sentido de que é aquele fim 

cujo não cumprimento acarreta a própria destruição do Estado. 

Todos os Estado adoptaram, ainda, como fim a administração da jus

tiça em sociedade, provavelmente pela sua ligação estreita à manutenção da 

paz social. Na verdade, os tribunais e, depois, os tribunais do Estado, sur

gem historicamente como alternativa à realização da justiça «pelas próprias 

mãos». Não é difícil compreender como esta podia colocar em causa a ordem 

pública e, portanto, o fim primário do Estado. 

A garantia da paz interna e externa e a administração da justiça 

implicaram a instituição de serviços públicos policiais, militares, jurisdicio

nais e, ainda e compreensivelmente, fiscais. Ao longo da história os Estados 

não se ficaram por este «Estado mínimo», acabando por prosseguir fins adi

cionais diversos que se podem resumir na expressão «bem-estar»: os Estados 

tentam garantir o bem-estar dos governados24. É com a democratização do 

poder político, sobretudo, que esta tendência se acentua. 

Assim, uma das origens do poder político é esta: a existência de inte

resses públicos (ou «bens públicos») que exigem uma organização dotada do 

22 Não se confunda este sentido de função com aqueloutro em que se exprimem 

diversas formas de exercício do poder político (função legislativa, função executiva, 

função jurisdicional….). 

23 Neste sentido, cf. REINHOLD ZIPPELIUS (1997: 68). 

24 Cf. FREITAS DO AMARAL (1983: 1140-1143). 

monopólio da coerção legítima para poderem ser prosseguidos ou fornecidos. 

A legitimação dos Estados resulta, em parte, daqui: da capacidade demons

trada de proverem à satisfação desses interesses, ao fornecimento desses 

bens. Na verdade, tem de reconhecer-se que, em grande medida, a manuten

ção do apoio popular depende da eficácia da acção política na consecução dos 

interesses públicos ou, pelo menos, no convencimento da opinião pública 

desse facto. 

Deste modo, nos Estados ocidentais contemporâneos, a legitimação, 

em cada momento, do poder político em exercício depende, simultaneamen

te, da legitimidade e da eficácia do exercício do poder. O poder político legi

tima-se pela designação, directa ou indirecta, dos seus titulares através de 

eleições, pelo respeito dos princípios do Estado de Direito e pela garantia 

mínima da paz social, da administração da justiça e do bem-estar da popula

ção25 26. 

3 – O exercício do poder político 

Definimos poder político como o «poder exercido sobre os elementos de 

um grupo social, implicando a possibilidade de manipulação da sua esfera 

jurídica, bem como de execução pela força das obrigações assim impostas, de 

forma a condicionar o comportamento desses indivíduos e, portanto, produ

zir resultados desejados pelos titulares do poder». Dissemos que o Estado, 

para além do poder especificamente político, usa igualmente o poder econó

mico e o poder ideológico. Finalmente, afirmámos que «nos Estados ociden

tais contemporâneos, a legitimação, em cada momento, do poder político em 

exercício depende, simultaneamente, da legitimidade e da eficácia do exercí

cio do poder». 

As questões que se colocam seguidamente são as de saber quem exer

ce o poder politico e como é que o mesmo é exercido.  

25 Considerando que a justificação do Estado resulta da agregação de diferentes 

legitimidades (condição para o desenvolvimento da personalidade, ordem de protec

ção e paz, e legitimidade democrática), cf. REINHOLD ZIPPELIUS (1997: 150). 

26 Nos Estados federais e nas associações de Estados (como a União Europeia), a 

sua legitimidade depende, ainda, da representação dos interesses dos Estados fede

rados ou Estados-membros. 

a) Quem exerce o poder? 

O poder é exercido, naturalmente, pelos seus titulares. Mas quem são 

os titulares do poder político? A nossa Constituição afirma o princípio da 

soberania popular, do qual decorre que o povo é o detentor da soberania. 

Ora, a soberania é o poder político exercido com supremacia e independência 

sobre o povo contido num território. Assim, o povo é, ao mesmo tempo, sujei

to e súbdito do poder político, o que já tinha sido prognosticado por Rous

seau. Mesmo nos regimes não democráticos, o consentimento do povo é con

dição do exercício do poder. Isto se aceitarmos como boa a asserção de que, 

em geral, o poder político só é eficaz se obedecido e só é obedecido se for acei

te ou, pelo menos, tolerado, pelo povo. 

Mas a nossa Constituição afirma também o princípio da democracia 

representativa, com o que se quer significar que o poder é exercido, não 

directamente pelo povo (democracia directa), mas por seus representantes27. 

No nosso sistema, e reportando-nos agora apenas ao Estado, os representan

tes do povo exercem apenas parte do poder político. O povo só elege os depu

tados da Assembleia da República e o Presidente da República, sendo que os 

titulares dos outros órgãos de soberania (Governo e Tribunais) são nomea

dos. Os titulares dos órgãos de soberania são os políticos. Isto com a excep

ção dos titulares da maior parte dos tribunais, que exercem a magistratura 

no regime de carreira, e que podem ser assimilados, para este efeito, a fun

cionários públicos. Adicionalmente, como a função judicial é, normalmente, 

uma função de declaração da lei na resolução de litígios, de carácter executi

vo, é suficientemente diferente das funções exercidas (nomeadamente a fun

ção política, seja ela governativa ou legislativa) pelos outros órgãos de sobe

rania para legitimar um tratamento diferente. 

Este tratamento diferente não implica a conclusão de que os juízes 

não exercem o poder político. Os órgãos jurisdicionais e os órgãos adminis

trativos asseguram aquela parte fundamental do poder político que se con

27 É certo que os referendos (locais, regionais ou nacionais) estão previstos constitu

cionalmente, mas constituem a excepção, e não a regra, no exercício do poder. O 

mesmo se diga da hipótese em que, nas freguesias com pouca população, todos elei

tores são automaticamente membros da Assembleia de Freguesia.substancia na imposição pela força das determinações contidas em actos com 

valor jurídico. Ao fazerem-no, não efectuam nenhuma escolha política fun

damental, limitando-se normalmente a executar escolhas anteriores conti

das em actos legislativos ou em actos políticos. Por isso, para efeitos da aná

lise que empreendermos de seguida, vamos agrupá-los na categoria dos 

burocratas. Assim, enquanto os políticos exercem o poder político através 

do desempenho da função política (governativa ou legislativa), os burocratas 

exercem-no por intermédio da prática da função executiva (jurisdicional ou 

administrativa). 

Desta forma, o povo (nomeadamente os eleitores), os políticos e os 

burocratas participam no exercício do poder político. Questão diferente, e 

que não aprofundaremos para já, é a de saber quem é que possui poder eco

nómico ou ideológico, que possa ser exercido sobre os detentores do poder 

político, sejam eles os eleitores, os políticos ou os burocratas, e, dessa forma, 

possa condicionar o exercício do poder político. Pensamos em indivíduos ou 

grupos que pela sua influência social (científica, religiosa, artística, despor

tiva) conseguem modificar a mundividência dos detentores do poder político 

e, portanto, alterar a forma como agem, inclusive no exercício das suas fun

ções. Pensamos igualmente em grupos que, pelo seu poder económico, conse

guem produzir os mesmos efeitos. Assim, a titularidade jurídico-formal do 

poder político não corresponde necessariamente à sua detenção real. 

b) Como é o poder exercido? 

A questão relativa ao modo do exercício do poder pode ser objecto de 

uma resposta que faça o elenco dos actos nos quais o mesmo se concretiza: 

actos jurídicos e não jurídicos; e, quanto aos primeiros: leis constitucionais, 

convenções internacionais (tratados, acordos), leis ordinárias (lei, decreto

lei, decreto legislativo regional), regulamentos (decretos regulamentares, 

portarias), actos jurisdicionais (sentenças, acórdãos), actos administrativos 

(licenças, autorizações, subvenções), contratos administrativos, etc.. 

Mas a questão que nos parece mais interessante de abordar nesta 

sede é outra: quando os eleitores, os políticos e os burocratas exercem o 

10 

poder político, fazem-no tendo em vista o bem comum, ou o bem próprio? 

Este problema está ligado ao da legitimidade, mas também ao da legitima

ção do poder. Normalmente, entende-se que só é legítimo o poder exercido 

em prol do bem comum. Esta é concepção que remonta, pelo menos, a Platão 

e Aristóteles, na sua taxonomia das formas de governo, em que as corrompi

das são aquelas em que os governantes prosseguem o interesse próprio 

(tirania, oligarquia, democracia), e as virtuosas aquelas em que os mesmos 

prosseguem o interesse público (monarquia, aristocracia, república). 

Já por esse exemplo da antiguidade se percebe o simplismo de um 

entendimento da actuação das autoridades públicas que se bastasse com a 

asserção de que, sendo o fundamento filosófico e jurídico-positivo (constitu

cional) da sua existência a prossecução de interesses públicos, tais autorida

des, e nomeadamente os titulares de cargos públicos, efectivamente prosse

guem ou visam prosseguir esses interesses. Desse ponto de vista, pouco res

taria a acrescentar a uma análise que identificasse as formas mais adequa

das, em cada circunstância, de prossecução dos interesses públicos, e que 

permitiria preencher de conteúdo os actos jurídico-públicos formais atrás 

assinalados28. 

Um entendimento interessante e alternativo destas questões é forne

cido pela análise económica da actividade política. Iniciada pela escola da 

Public Choice29e continuada pela chamada Political Economy, trata-se de 

entender a actuação dos votantes, dos políticos e dos burocratas à luz dos 

mesmos pressupostos com que se procura compreender a actuação dos pro

dutores e consumidores no mercado. Nos diversos casos, os agentes são con

frontados com escolhas e actuam de forma a maximizar o interesse pró

prio30, respondendo a incentivos resultantes, nomeadamente, do contexto 

28 «Antes da entrada da escolha pública na arena, os economistas estava habituados 

a prescrever as acções que um ditador benevolente deveria adoptar quando […] 

encontrasse uma falha de mercado devida a externalidades, assimetrias de infor

mação, e coisas semelhantes» (t.n.) – cf. SUSANNE LOHMANN (2008). 

29 Sobre a relevância histórica desta escola, cf. EKELUND/HÉBERT (1997: 531-554). 

30 Cf. GORDON TULLOCK (2008). 

11 

legal-institucional31 32. Trata-se de pressupostos realistas, e que evitam, 

inclusivamente, assumir o carácter esquizofrénico da personalidade desses 

agentes: que, quando actuam no mercado, prosseguem «egoisticamente» o 

seu interesse próprio e, quando actuam politicamente, prosseguem «altruis

ticamente» o interesse público33. 

No que diz respeito aos eleitores, a presunção de que procuram maxi

mizar o interesse próprio quando votam, adicionada à consciência de que 

cada voto individual não é decisivo na determinação dos resultados eleito

rais, leva à conclusão de que os votantes não vão procurar estar muito bem 

informados quanto às questões que estão em jogo e que podem receber res

postas alternativas, consoante o sentido do voto popular no seu conjunto. 

Como diz ANTHONY DOWNS «[e]m geral, é irracional estar bem informado 

sobre a política porque os baixos rendimentos resultantes da informação 

simplesmente não justificam o seu custo em termos de tempo e outros recur

sos escassos» (t. n.)34.  

Ao mesmo tempo, os votantes estarão um pouco melhor (mas não mui

to) informados em duas circunstâncias: no que diz respeito a questões políti

cas relativas à sua ocupação profissional (ex.: política de justiça, no caso de 

advogados, juízes, etc.)35 e relativamente a questões em que estão envolvidos 

grupos de interesses (lóbis) que promovem propaganda sobre as mesmas. O 

mesmo efeito, algo atenuado, parece aplicável aos políticos quando actuam 

como votantes (o que sucede, por exemplo, com os membros de assembleias 

parlamentares) 36. 

31 Cf. BESLEY/PERSSON (2008). A Political Economy distingue-se da escola da Public 

Choice por recorrer, adicionalmente, à teoria macroeconómica das expectativas 

racionais e à teoria dos jogos. Sobre as raízes da Political Economy, cf. PERS

SON/TABELLINI (2000: 1-4). Note-se que a expressão Political Economy (que tradu

ziremos por Economia da Política) não pode ser confundida com o antigo termo 

Economia Política, relativo à ciência económica em geral, e que parece ter sido 

substituído no século XX pelo termo mais abrangente Economia (Economics) – cf. 

GROENEWEGEN (2008). 

32 Sobre a racionalidade e outros pressupostos da actuação dos agentes no “merca

do” político, cf. JAMES BUCHANAN/GORDON TULLOCK (1962: 13, 18, 20, 30-39). 

33 Cf. JAMES BUCHANAN/GORDON TULLOCK (1962: 20). 

34 ANTHONY DOWNS (1958: 258-259). 

35 Cf. ANTHONY DOWNS (1958: 258-259). 

36 Cf. GORDON TULLOCK (2008).

Quanto aos partidos em que os políticos estão agregados, parte-se do 

pressuposto que funcionam como empresas. De forma a atingir os seus fins 

privados, propõe as políticas necessárias à obtenção de mais votos, pois ape

nas dessa forma chegarão ao poder. Os políticos, como procuram ser eleitos, 

ou reeleitos, apresentam as respectivas propostas políticas ou votam num 

determinado sentido no parlamento tendo em conta aquilo que pensam que 

os eleitores vão recompensar, e não aquilo que efectivamente consideram 

mais adequado. Na medida em que os eleitores não estão bem informados 

quanto às questões em jogo, resultam daí políticas menos adequadas. De 

todo o modo, se entendermos que uma política democrática é aquela corres

pondente aos desejos dos eleitores, as políticas resultantes podem ser assim 

qualificadas37. 

Por outro lado, prosseguindo o seu interesse próprio, os políticos pro

curarão apropriar-se de rendimentos em detrimento dos eleitores (por 

exemplo, aumentando os seus vencimentos, incrementando o financiamento 

dos partidos, aceitando subornos, etc.), gerando o que a literatura económica 

apelida de agency problem38. A investigação teórica mais recente parece 

apontar no sentido de que a competição eleitoral introduz algum efeito dis

ciplinador sobre essa apropriação de rendimentos39. Ainda assim, tal inves

tigação, com algum apoio experimental, apoia a ideia de que as regras elei

torais vigentes condicionam a amplitude da apropriação do rendimento: ela 

é menor quanto maiores forem os círculos eleitorais (no sentido de serem 

eleitos mais representantes), e quando os eleitores podem escolher, a partir 

da lista de candidatos de um partido, aquele que preferem. Uma outra hipó

tese que encontra alguma corroboração empírica é a de que a separação de 

poderes, nomeadamente a separação entre o poder de aprovar impostos e o 

poder de decidir a realização de despesas (vigente nos regimes presidenciais, 

37 Cf. GORDON TULLOCK (2008). 

38 Este problema pode impedir, por exemplo, a adopção de políticas reformadoras, 

na medida em que as mesmas ponham em causa a apropriação de rendimentos 

pelos políticos que ocupam o poder – cf. SHARUN MUKAND (2008). 

39 Cf. PERSSON/TABELLINI (2000: 69). 

13 

por contraposição com os regimes parlamentares), diminui a apropriação de 

rendimentos, por criar conflitos de interesses entre políticos40. 

A Escola da Escolha Pública analisou de acordo com o mesmo método 

a actuação dos burocratas, mas por motivos de tempo não nos vamos referir 

a essa investigação. 

Uma das conclusões que se pode retirar do que se disse é a seguinte: é 

mais realista (no sentido de ser mais explicativa) a visão da política que par

te do princípio de que os seus intervenientes prosseguem interesses pró

prios, e não o interesse geral. Ao mesmo tempo, a moldura institucional em 

que esses intervenientes agem condiciona o seu comportamento, e pode pro

piciar que a prossecução do interesse próprio se faça, simultaneamente, em 

benefício do interesse geral. Nas palavras de TORSTEN PERSSON e GUIDO 

TABELLINI, «um desenho constitucional apropriado pode ajudar a alinhar os 

interesses de políticos oportunistas com os dos votantes»41. 

Colocámos há pouco a questão de saber quem é que possui poder eco

nómico ou ideológico, que possa ser exercido sobre os detentores do poder 

político, sejam eles os eleitores, os políticos ou os burocratas, e que, dessa 

forma, possa condicionar o exercício do poder político. Uma resposta clássica 

consiste na identificação dos grupos de pressão ou lóbis como detentores de 

influência e, logo, poder ideológico, e como detentores de poder económico. 

Ora, uma parte muito interessante da análise económica debruçou-se 

sobre a lógica da acção colectiva, em moldes a permitir perceber em que 

medida é que os lóbis são criados. MANCUR OLSON42 questionou a asserção 

intuitiva de que grupos de pessoas com interesses comuns se associam para 

prosseguir esses interesses. Nomeadamente, questionou se isso se verifica 

sempre, ou se é possível estabelecer diferenças entre grupos, de tal modo 

que se conclua que, nalguns casos, as pessoas se associam e procuram em 

40 Cf. BESLEY/PERSSON (2008), PERSSON/TABELLINI (2000: 226). 

41 Cf. PERSSON/TABELLINI (2000: 226). Era já esse o objectivo original dos cultores 

da Escolha Pública: a de descobrir «a constituição sob a qual as actividades do mer

cador político podem ser […] reconciliadas com os interesses de todos os membros 

do grupo social» – JAMES BUCHANAN/GORDON TULLOCK (1962: 23 e, ainda, 27). 

42 Cf. MANCUR OLSON (1971). Veja-se, ainda, MANCUR OLSON (2008). 

14 

grupo prosseguir o seu interesse colectivo e, noutros casos, tal não sucede. O 

problema, como se adivinha, é que quando um grupo se associa, pode consti

tuir-se em grupo de pressão, em lóbi. Os grupos que não se associam não 

exercem qualquer pressão, enquanto grupo, sobre o poder político. Natural

mente, resulta que os interesses dos grupos activos serão objecto de uma 

atenção superior do poder político e, até, da opinião pública (em virtude de 

actos de propaganda por parte do lóbis), e os interesses dos grupos passivos 

serão deixados para segundo plano43. Não se verifica, portanto, um equilí

brio entre grupos de interesses que permita a conclusão de que, no fim, 

ouvidos todos os interesses em presença, os políticos adoptam uma decisão 

ponderada, mais próxima do interesse público44. Por outro lado, o problema 

é agravado pelo facto de os grupos passivos ou desorganizados serem aque

les que agrupam mais pessoas. Na verdade, os lóbis são grupos constituídos, 

tendencialmente, por poucos elementos (p. ex.: associações industriais secto

riais45). Os grupos desorganizados incluem, nos exemplos de OLSON, os tra

balhadores rurais migrantes, os que executam trabalho intelectual («white

collar»), os contribuintes, os consumidores…46. 

Porque é que isto sucede? Porque é que os grandes grupos não se 

organizam e deixam, dessa forma, que os seus interesses sejam preteridos 

em favor dos interesses dos pequenos grupos? Porque é que estas minorias 

suplantam frequentemente essas maiorias? 47 

OLSON parte do princípio de que a decisão de cada indivíduo se asso

ciar com outros que façam parte do mesmo grupo é uma decisão racional, 

baseada num cálculo quanto às vantagens e inconvenientes dos dois termos 

43 OLSON fala dos «grupos esquecidos», que «sofrem em silêncio» – MANCUR OLSON 

(1971: 165). 

44 Referindo-se, por isso, ao resultado da luta política dos grupos sociais como assi

métrico, cf. MANCUR OLSON (1971: 127). 

45 OLSON realça o facto de a comunidade de negócios no seu conjunto não se encon

trar bem organizada, o que coincide com a sua teoria, visto que se trata de um gru

po muito grande. Esse facto permitiria explicar, p. ex., a existência de isenções fis

cais variadas e outros benefícios dirigidos a indústrias particulares, e o insucesso 

na adopção de medidas que beneficiam as empresas no seu conjunto – cf. MANCUR 

OLSON (1971: 141-148). 

46 Cf. MANCUR OLSON (1971: 166). 

47 Cf. MANCUR OLSON (1971: 128). 

15 

da alternativa: aderir ou não aderir à associação. O indivíduo aderirá se 

concluir que as vantagens superam os custos da participação48. Adicional

mente, o grupo organizado prossegue interesses do grupo no seu conjunto, 

objectivos comuns, e não interesses de apenas algum ou alguns membros. 

Utilizando o jargão económico, OLSON considera que a função de qualquer 

organização, maxime do Estado, é o fornecimento de bens públicos49. O pro

blema é que, quando o grupo organizado em associação (ex.: sindicato) forne

ce o bem público (ex.: a garantia de melhores condições de segurança no pos

to de trabalho), todos os elementos do grupo (os trabalhadores daquela 

empresa ou daquele sector de actividade) vão usufruir do mesmo, sejam ou 

não membros activos da associação (trabalhadores sindicalizados). Ora, se 

todos têm interesse no bem público, não há um interesse comum em pagar 

os custos do fornecimento desse bem (ex.: quotas do sindicato)50. Se está em 

causa um grupo pequeno, sucede muitas vezes que o custo em que tem de 

incorrer um elemento desse grupo é inferior ao benefício que resulta, para 

ele, do fornecimento do bem público. Assim, pode-se presumir que o bem 

público há-de ser fornecido, sem que o grupo se tenha sequer de organizar. 

Em grupos intermédios, em que nenhum indivíduo pode suportar a totalida

de do custo desse fornecimento, mas em que a contribuição de cada um para 

os custos não é negligenciável, o resultado é indeterminável, sendo que o 

fornecimento depende da constituição do grupo em organização. Mas quando 

48 OLSON (1971: 64-65) argumenta que as conclusões a que chega, pelo menos quan

to aos grupos grandes, se mantêm mesmo que não se assuma que os indivíduos 

prosseguem o seu interesse próprio. Basta assumir-se a racionalidade de compor

tamento dos indivíduos quando efectuam escolhas: a «teoria é geral, no sentido de 

que […] pode ser aplicada sempre que haja indivíduos racionais interessados num 

objectivo comum» – cf. MANCUR OLSON (1971: 159). No entanto, o próprio autor 

admite que a sua teoria pode não ser suficientemente explicativa quanto a grupos 

filantrópicos e grupos religiosos. 

49 Cf. MANCUR OLSON (1971: 7, 15). Os bens públicos caracterizam-se pela sua não 

exclusividade – é impossível restringir o respectivo uso àqueles dispostos a pagar 

para o efeito –, e não rivalidade – o respectivo uso por alguém não diminui a quan

tidade disponível para os restantes. Tais características impossibilitam o seu regu

lar fornecimento no mercado. Por isso, é indispensável o seu fornecimento por gru

pos organizados. Exemplos clássicos são os da defesa nacional, da radiodifusão ou 

da instalação de faróis na costa marítima. DAVID MYATT (2008) argumenta que a 

teoria de Olson não é válida para bens públicos puros, mas apenas para bens públi

cos em que haja alguma rivalidade. 

50 Cf. MANCUR OLSON (1971: 21). 

estão em causa grupos grandes, constituídos por muitos elementos, a contri

buição que pode ser dada por cada elemento é negligenciável, face à totali

dade do custo a suportar pelo grupo organizado, pelo que a sua saída não 

terá um efeito notável, nem provocará qualquer reacção. Assim, um indiví

duo que racionalmente maximize o interesse próprio, preferirá não partici

par activamente na organização do grupo, visto que deixa de ter o custo 

associado a essa participação, continuando a ter os benefícios que resultam 

do fornecimento do bem público. Só que daí resulta que o grupo não se vai 

organizar e, portanto, o bem público não vai ser fornecido51. 

A única forma de grupos grandes conseguirem organizar-se, para for

necer o bem público aos seus elementos, consiste em fornecer incentivos 

(negativos ou positivos) aos indivíduos para que se associem. Por exemplo, a 

existência de uma lei que imponha a inscrição na associação (e o respectivo 

pagamento de quotas) por todos os membros do grupo (como sucede com cer

tas classes profissionais). Ou a concessão pela associação de benefícios aos 

seus membros, de que os restantes elementos do grupo não possam benefi

ciar (ex.: os seguros de saúde oferecidos por certos sindicatos)52. Portanto, a 

explicação para a existência de grupos grandes efectivamente organizados 

está no facto de existirem estes incentivos adicionais. 

Mais uma vez, a aplicação do método da ciência económica a um 

fenómeno social demonstrou ter poder explicativo (as conclusões a que chega 

coincidem aproximadamente com a realidade existente). Ao mesmo tempo, 

alerta para formas de se ultrapassar desvantagens da situação existente, do 

ponto de vista democrático e da prossecução do interesse público, permitindo 

a formulação de recomendações, quer aos grupos grandes (para que se cons

tituam em organização, devem oferecer incentivos individuais aos seus 

membros), quer ao próprio Estado (se está interessado em que os grupos 

51 Cf. MANCUR OLSON (1971: 33-50). 

52 Cf. MANCUR OLSON (1971: 51). De notar que esses incentivos podem ser de natu

reza não económica: a pressão social, a moral individual. No entanto, deve também 

assinalar-se que esse tipo de incentivos, e sobretudo o primeiro, funcionam sobre

tudo nos pequenos grupos, o que constitui mais uma razão que permite compreen

der porque é que os mesmos se organizam e prosseguem os seus interesses, ao 

invés do grande grupo – cf. MANCUR OLSON (1971: 60-63).grandes se organizem, deve impor a inscrição obrigatória dos seus elementos 

como membros). 

Em geral, penso que podemos chegar a uma conclusão: o entendimen

to de que a política não obedece a determinados padrões éticos deve levar

nos a procurar as razões desse facto e, sobretudo, os remédios para o mesmo, 

não exclusivamente na consciência individual dos intervenientes, mas tam

bém nas estruturas constitucionais e legais que enformam a actuação dos 

mesmos. Acontece o mesmo com outros fenómenos sociais. Assim, podemos 

procurar a razão das mortes na estrada na falta de consciência cívica dos 

condutores. Mas verificamos que alterações efectuadas na infra-estrutura 

rodoviária resultam, por vezes, em acentuados decréscimos dos sinistros. O 

desafio é, assim, o de descobrir que alterações da estrutura político

institucional resultam no decréscimo da sinistralidade ética. 

18 

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Politica pode ser definida pela capacidade de influenciar ou controlar o comportamento de outros, e o exercício do poder a manifestação dessa capacidade. Essa relação abrange desde a gestão de instituições do Estado, como em democracias, até as dinâmicas de negociação e decisão em contextos mais amplos, como as relações sociais e familiares. O exercício do poder pode envolver diferentes formas de domínio e influência, variando a sua natureza e os seus objetivos, sendo a política o campo de disputa e administração desses poderes. 

pode ser entendida como o processo de tomada de decisões em sociedade, gestão e administração de estados, e a própria busca e exercício do pode

refere-se à capacidade de influenciar, controlar ou forçar outros a agir ou deixar de agir de determinada maneira, muitas vezes através do uso da força ou do domínio. 

O exercício do poder não se restringe a políticos ou ao Estado, mas ocorre em qualquer espaço onde há disputa por influência, como em uma casa, um parque ou no cenário internacional, onde os estados exercem a política de poder (Machtpolitik). 

A política se manifesta no ato de postular, influenciar ou determinar condutas de outros indivíduos e grupos, seja pela negociação, persuasão, ou coerção. 

Em regimes democráticos, o poder é legitimado pela população, o que confere à participação cidadã uma importância crucial nas decisões políticas. 

A política, ao mesmo tempo que pode ser a forma de alcançar o bem-estar social, também carrega as contradições da vida em sociedade e a disputa por poder, que envolve uma relação de mando e comando. 

O estilo de mando e a forma de exercer o poder influenciam diretamente a liberdade dos indivíduos e o tipo de igualdade que se pretende construir no Estado. 

 O fator económico nos clubes de futebol engloba diversas fontes de receita, como direitos de transmissão (TV), patrocínios, vendas de jogadores, e receitas de bilheteira, que financiam as operações e o investimento desportivo, gerando um impacto económico significativo na sociedade, incluindo o emprego e a contribuição para o PIB. Contudo, o setor enfrenta desafios financeiros, como altos níveis de endividamento, e problemas como a sonegação de impostos e a má gestão de receitas, que podem levar a dificuldades financeiras e a um impacto negativo na economia do esporte. 

Fontes de Receita

Direitos de Transmissão (TV):

A principal fonte de receita da maioria dos clubes, proveniente da venda dos direitos de transmissão de jogos e premiações por desempenho em competições. 

Patrocínios e Publicidade:

Contratos com empresas de patrocínio e publicidade que rendem valores significativos aos clubes, como o patrocínio do Palmeiras com a Sportingbet, mencionado na Poder360. 

Venda de Jogadores:

Transações milionárias de jogadores entre clubes geram uma receita expressiva para os clubes. 

Receitas de Bilheteira:

Dinheiro arrecadado com a venda de ingressos para os jogos, que é uma receita relevante, embora não seja a maior do mercado. 

Ações de Marketing:

Venda de produtos licenciados, merchandising e outras ações de marketing também geram receita para os clubes. 

Défices e Endividamento 

Muitos clubes brasileiros enfrentam altos níveis de endividamento, com dívidas fiscais significativas, muitas vezes motivadas pela apropriação indébita de valores destinados aos impostos.

A má gestão financeira e a falta de recolhimento dos impostos sobre os salários dos atletas são causas importantes de endividamento e problemas fiscais.

Impacto Económico Geral

O futebol é um grande negócio que movimenta bilhões globalmente, atraindo a atenção de diversos estudos acadêmicos. 

Representa uma parcela significativa da economia de países como o Brasil, contribuindo para o Produto Interno Bruto (PIB) e sendo uma importante fonte de emprego. 

O setor de transferências e a atração de turistas pelo esporte também impulsionam as economias locais.  Segundo especialistas nos veiculos de imprensa no Brasil.

Exemplos no Brasil

Clubes como Corinthians, Atlético Mineiro, Cruzeiro, e Vasco da Gama figuram entre os mais endividados do Brasil, de acordo com a CNN Brasil. 

O Flamengo foi o clube com maior receita em 2024, segundo a Sports Value. 

O financiamento dos clubes na Europa assenta principalmente na receita de receitas geradas através de direitos de transmissão, patrocínios, venda de bilhetes e merchandising, complementado por investimentos de acionistas e proprietários. O sistema é regulado pela UEFA, que impõe o seu modelo de Fair Play Financeiro (FPF) para garantir a sustentabilidade financeira dos clubes, limitando o endividamento e os prejuízos, com a recente implementação da regra de custos com o plantel, que restringe gastos com salários, transferências e agentes a 70% das receitas a partir da época 2025/26. 

Principais fontes de financiamento:

Receitas comerciais:

Venda de direitos televisivos, acordos de patrocínio, merchandising e bilhética. 

Investimento de proprietários e acionistas:

Capital injetado pelos donos dos clubes para cobrir défices ou financiar investimentos em infraestruturas. 

Pagamentos de solidariedade da UEFA:

Uma percentagem das receitas da UEFA é redistribuída para clubes que não participam nas suas competições, destinados a programas de desenvolvimento juvenil ou comunitário. 

Regulação e controlo:

Fair Play Financeiro (FPF):

Conjunto de regras da UEFA para garantir a saúde financeira dos clubes. 

Os clubes não podem gastar mais do que arrecadam nem acumular dívidas insustentáveis.

Existem limites para os prejuízos acumulados ao longo de um período de três anos. 

Desde a época 2025/26, os clubes estão limitados a gastar 70% das suas receitas em salários, transferências e honorários de agentes. 

O não cumprimento das regras pode resultar em sanções financeiras e medidas desportivas, como a exclusão de competições. 

Impacto do FPF:

Promove a sustentabilidade: Ajuda a criar clubes financeiramente saudáveis a longo prazo, capazes de honrar os seus compromissos. 

Evita a acumulação de dívidas: Controla a dívida e a dependência de gastos excessivos. 

Melhora a equidade: Cria um ambiente mais equilibrado, impedindo que clubes mais ricos simplesmente gastem mais para ter sucesso.  Segundo especialistas nos veiculos de imprensa no Brasil.

European Journal of Applied Business Management, 9(4), 2023, pp. 53-70 

ISSN 2183-5594 

Research Paper 

O impacto do desempenho desportivo e financeiro dos clubes de futebol 

europeus no preço das suas ações 

The impact of the sports and financial performance of European 

football clubs on their share prices 

Submitted in 15 th, November 2023 

Accepted in 13 th, December 2023  

Evaluated by a double-blind review system 

LUÍS FERNANDES1* 

LUÍS COSTA2* 

RESUMO 

Objetivo: A presente investigação tem como objetivo a análise das ações dos clubes de 

futebol europeus cotados em bolsa de valores. 

Desenho/metodologia/abordagem: Este trabalho examina de modo empírico a relação 

entre indicadores de desempenho desportivo e de desempenho financeiro e a 

determinação do preço de mercado de um conjunto de 9 clubes de futebol europeus, no 

período entre 2016 e 2022. A metodologia empírica selecionada foi a de dados em painel. 

Resultados: Os resultados indicam que o desempenho desportivo dos clubes de futebol 

desempenha um papel crucial na determinação dos preços de mercado das suas ações. 

Adicionalmente, as variáveis de desempenho financeiro tais como a dimensão, o 

endividamento e a rendibilidade líquida das vendas também exercem uma influência 

estatisticamente significativa na determinação do preço das ações dos clubes de futebol 

europeus. 

Originalidade/valor: Este trabalho pretende contribuir para o desenvolvimento da 

literatura que aborda os fatores determinantes do preço das ações dos clubes de futebol 

negociados no mercado de capitais e pode ser uma ferramenta muito útil para os 

potenciais investidores de clubes de futebol. 

Palavras-Chave: Preço das ações, clubes de futebol, desempenho desportivo, 

desempenho financeiro, rácio de solvabilidade. 

1  ISCTE, Portugal. E-mail: ljfss@iscte-iul.pt  

53 

2* Corresponding autor. Universidade de Aveiro. E-mail: miguelveloso-7@hotmail.com  

European Journal of Applied Business Management, 9(4), 2023, pp. 53-70 

ISSN 2183-5594 

ABSTRACT 

Purpose: The aim of this research is to analyse the shares of European football clubs 

listed on the stock exchange. 

Methodology: This paper empirically examines the relationship between sports 

performance and financial performance indicators and the determination of the market 

price of a group of 9 European football clubs between 2016 and 2022. The empirical 

methodology selected was panel data. 

Findings: The results indicate that the sports performance of football clubs plays a crucial 

role in determining the market prices of their shares. In addition, financial performance 

variables such as size, indebtedness and net return on sales also have a statistically 

significant influence on determining the share price of European football clubs. 

Originality: This work aims to contribute to the development of the literature on the 

determinants of the share price of football clubs traded on the capital market and can be 

a very useful tool for potential investors in football clubs. 

Keywords: Share price, football clubs, sports performance, financial performance, 

solvency ratio. 

1. Introdução 

O futebol profissional deu os seus primeiros passos na Inglaterra durante a revolução 

industrial, quando as pessoas começaram a ter mais dinheiro e tempo de lazer suficiente 

para assistirem aos jogos (Gerrard, 1999). Trata-se de um dos desportos mais populares 

em todo o mundo e que tem a capacidade de interligar as pessoas, independentemente da 

sua cultura, religião, preferência política ou estrato socioeconómico (Ahtiainen, 2018). 

O futebol é simultaneamente um desporto e uma indústria que mudou de forma 

considerável nos últimos anos, sendo que para além do espetáculo desportivo e da paixão 

que gera entre os adeptos, tem vindo a movimentar uma quantidade crescente de recursos 

financeiros (Findikçi & Tapsin, 2015). Desta forma, o aumento da profissionalização dos 

clubes de futebol fez com que muitos deles passassem a ser empresas cotadas com as suas 

ações admitidas em negociação na bolsa de valores. Este facto fez com que eles passassem 

a ser avaliados em duas dimensões: i) desempenho desportivo e ii) desempenho financeiro 

(Duque & Ferreira, 2005). 

Estas mudanças estruturais criaram uma forma diferente de compreender o futebol, tanto 

para os adeptos como para os gestores e acionistas dos clubes. Por um lado, os adeptos 

precisam de ter uma perceção mais realista da responsabilidade financeira e da gestão. 

Por outro lado, os acionistas e gestores precisam de descobrir a fórmula para equilibrar 

um bom desempenho desportivo e um bom desempenho financeiro (Urdaneta-Camacho 

et al., 2022). A literatura sobre o desempenho dos clubes de futebol parece sugerir que 

para garantir a viabilidade a médio e longo prazo dos clubes, estes devem ser geridos de 

modo profissional e eficiente e devem tentar alcançar o alinhamento necessário entre os 

resultados desportivos e os resultados financeiros (Abbas, 2022). 

54 

European Journal of Applied Business Management, 9(4), 2023, pp. 53-70 

ISSN 2183-5594 

Plumley et al. (2017) indicam que os clubes de futebol cotados não apresentam uma 

conduta diferente das outras empresas cotadas, na medida em que a maioria das 

estratégias concebidas e implementadas pela sua gestão, tanto a curto como a longo prazo, 

visam maximizar o preço das suas ações. Johnson e Soenen (2003) indicam que os preços 

das ações são o principal indicador quando se pretende analisar o desempenho de uma 

empresa.  

Neste contexto, é importante estudar as variáveis que influenciam o preço das ações dos 

clubes de futebol na bolsa de valores. A análise dessas variáveis pode ajudar a gestão dos 

clubes a identificar pontos de melhoria e a tomar decisões estratégicas de modo a 

maximizarem os seus resultados. Além disso, esta investigação pode ajudar investidores 

e analistas presentes no mercado a tomarem decisões informadas sobre a compra ou venda 

de ações de clubes de futebol.  

A análise do preço das ações dos clubes de futebol ainda não foi completamente explorada 

pela literatura. Nessa medida, este estudo tem como objetivo investigar a influência do 

desempenho desportivo dos clubes europeus de futebol cotados no preço das suas ações. 

Adicionalmente, esta investigação tem também como objetivo completar a literatura 

quanto à análise entre o desempenho financeiro dos clubes europeus e o preço das suas 

ações. O estudo analisa 9 ações de clubes europeus durante o período entre 2016 e 2022 

e é utilizada a metodologia de dados em painel.  

Este trabalho pretende contribuir para a literatura a vários níveis. Em primeiro lugar, a 

relevância deste estudo cifra-se no facto de existir um número muito reduzido de estudos 

que combinam indicadores desportivos e indicadores financeiros na determinação do 

preço das ações dos clubes de futebol. De igual modo, existe ainda um número ainda mais 

reduzido de estudos que utilizam a metodologia de dados em painel, pelo que este trabalho 

enriquece a literatura a esse nível. Em segundo lugar, a taxa de câmbio pode ter um 

impacto significativo nas decisões de investimento em ações, com consequência no seu 

preço (Wu, 2000). Desta forma, e ao contrário de todos os estudos que foram realizados 

até então, este estudo irá desconsiderar as ações que não foram transacionadas em Euros. 

Esta abordagem foi aplicada por Costa (2022a) e Costa (2022b) nos seus estudos para 

empresas não financeiras europeias. Este estudo permite a inclusão e análise de clubes 

que têm sido pouco estudados nesta literatura, como por exemplo o clube Sporting Clube 

de Braga, no caso português. Este trabalho também é diferente dos demais porque utiliza 

um indicador de endividamento que nunca foi utilizado nos estudos sobre clubes de 

futebol. Trata-se do rácio de solvabilidade, que é obtido através do rácio entre o capital 

próprio e o passivo dos clubes e foi um indicador utilizado por Ribeiro e Quesado (2017). 

Por fim, este trabalho também é pioneiro no sentido em que considera o período desde 

que a tecnologia do videoárbitro começou a ser utilizada na Europa. A utilização desta 

tecnologia na Europa teve início em agosto de 2016, num jogo amigável entre a seleção 

italiana e a seleção francesa e, desde então, o seu uso foi gradualmente expandido para 

todas as outras ligas e competições europeias sendo reconhecida a sua utilidade para a 

verdade desportiva (Spitz et al., 2021). 

Este trabalho está organizado da seguinte forma: a secção 2 faz uma breve revisão da 

literatura sobre as variáveis que influenciam o preço das ações dos clubes de futebol. 

Posteriormente, a secção 3 descreve os dados e a metodologia a utilizar na estimação do 

modelo. A secção 4 discute os resultados empíricos. Por último, são apresentadas as 

principais conclusões deste trabalho. 

55 

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ISSN 2183-5594 

2. Revisão de Literatura e Hipóteses 

2.1 Enquadramento 

Os clubes de futebol profissionais são organizações desportivas que participam em 

competições profissionais e possuem jogadores que são pagos para jogar em competições 

profissionais (Kringstad et al., 2018). Estes clubes podem ter outro tipo de modalidades 

e podem obter rendimentos financeiros de várias formas. Neste sentido, é importante 

realçar que as vendas de bilhetes representam uma parte significativa das suas receitas, 

especialmente para aqueles que possuem estádios próprios. Os preços dos ingressos 

podem variar de acordo com a liga, a equipa e o jogo específico. Outra importante fonte 

de receitas para estes clubes são os direitos de transmissão, especialmente para aqueles 

que participam nas principais ligas e competições europeias. As transmissões dos jogos 

podem ser vendidas para canais de televisão locais e internacionais, com valores que 

variam de acordo com a dimensão da audiência e o interesse na liga ou competição em 

questão (Schreyer & Ansari, 2022).  

Zoccali (2011) indicam que para além das vendas de bilhetes e dos direitos de 

transmissão, os clubes de futebol podem também obter receitas através dos patrocínios, 

da venda de jogadores, do merchandising e do aluguer dos seus espaços para os mais 

variados tipos de eventos. Contudo, a literatura sugere que a afluência dos adeptos e 

simpatizantes aos estádios está positivamente correlacionada com todas as outras fontes 

de rendimento (Késenne, 2014).   

O desempenho desportivo dos clubes possui um papel fundamental nos seus resultados 

financeiros, uma vez que os bons desempenhos em campo geralmente desencadeiam um 

aumento das receitas dos clubes nas fontes de rendimento mencionadas. Além disso, um 

forte desempenho desportivo ao longo da temporada provavelmente garantirá o título da 

liga nacional ou, pelo menos, um lugar nas primeiras posições da tabela. Isto permitirá 

não só receber o prémio pelo título da liga, mas também garantir uma verba financeira 

pelo acesso às competições europeias do próximo ano, quer da UEFA Europa League 

quer da UEFA Champions League (Ahtiainen, 2018). 

As ações dos clubes de futebol são instrumentos financeiros que representam uma parte 

do capital social das sociedades anónimas desportivas (Maci et al., 2020). Numa fase 

inicial, os clubes emitem ações no mercado primário geralmente com auxílio de um 

intermediário financeiro. Este procedimento tem como finalidade captar recursos 

financeiros sob a forma de capital de risco. Depois da sua emissão, estes ativos tendem a 

ser negociados no mercado secundário mais precisamente nas bolsas de valores, sendo 

que o seu preço evolui segundo as forças da procura e da oferta (Prigge & Tegtmeier, 

2019; Pinho et al., 2019). Os acionistas têm somente duas formas de remuneração nos 

investimentos em ações, que são os dividendos e os ganhos de capital (Prigge & 

Tegtmeier, 2019). Os dividendos são uma parte dos lucros das empresas que são 

distribuídos aos seus acionistas (Neves et al., 2020). Já os ganhos de capital acontecem 

quando o preço de venda da ação é superior ao seu preço de compra (Pinho et al., 2019). 

Nos mercados financeiros e mais precisamente na formação dos preços das ações 

coabitam as expectativas de curto prazo e as expectativas de longo prazo dos investidores. 

Estas expectativas são sequência do processo de tomada de decisão que, muitas das vezes, 

56 

European Journal of Applied Business Management, 9(4), 2023, pp. 53-70 

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não são totalmente racionais (Costa 2022a). A literatura indica que os investidores em 

ações podem ter uma conduta muito distinta entre si. Por um lado, existem investidores 

que têm um interesse meramente financeiro, ou seja, são investidores que têm muito 

pouco ou nenhum interesse no negócio específico da empresa na qual investem e que só 

procuram obter o máximo de retorno possível, seja via dividendos seja via ganhos de 

capital (Prigge & Tegtmeier, 2019). Por outro lado, existem investidores que colocam em 

segundo plano o desempenho financeiro sendo que esta estratégia de investimento está 

muito presente no caso dos clubes de futebol (Morrow, 2013). Alguns investidores 

decidem investir em ações de clubes de futebol por razões extra financeiras mais voltadas 

para os benefícios sociais ou para satisfazer as suas próprias necessidades pessoais 

(Buchholz & Lopatta, 2017). Samagaio et al. (2009) relembram Fama (1970) e indicam 

que num mercado de ações regulamentado, para ser considerado eficiente, o preço das 

ações negociadas deverá refletir todas as informações disponíveis relevantes sobre os 

emitentes. Assim, se o preço das ações refletir toda a informação relevante, espera-se que 

os preços das ações só mudem quando forem conhecidas novas informações sobre os 

clubes de futebol. 

Demir e Danis (2011) estudaram a relação entre os preços das ações dos clubes de futebol 

da Turquia tendo em consideração os resultados dos jogos, o seu local (em casa ou fora) 

e o tipo de competição (nacional ou internacional). As conclusões do estudo indicam que 

as vitórias causam um efeito positivo no preço das ações, enquanto que os empates e as 

derrotas um efeito negativo. Adicionalmente, os resultados indicam que uma vitória numa 

competição europeia não influencia o retorno das ações dos clubes e que o efeito de uma 

vitória no campeonato nacional é expressivamente maior do que um efeito de uma vitória 

numa competição europeia. 

Neste sentido, a literatura sugere que as ações dos clubes de futebol são influenciadas 

pelo desempenho desportivo dos clubes e pelo seu desempenho financeiro (Abbas, 2022). 

De seguida são apresentados estudos que se debruçaram sobre o desempenho desportivo 

no preço das ações dos clubes. Posteriormente são apresentados estudos que se debruçam 

sobre o impacto que o desempenho financeiro exerce no preço das ações dos clubes. 

2.2 Estudos que abordaram o desempenho desportivo no preço das ações dos clubes de 

futebol 

Vários estudos têm analisado o impacto que o desempenho desportivo exerce no preço 

das ações, sendo que da revisão da literatura de futebol realizada, um dos estudos que se 

considera pioneiro nesta área é o de Renneboog e Vanbrabant (2000). Estes autores 

pretendiam saber se os preços das ações dos clubes de futebol cotados na bolsa de valores 

de Londres e no mercado de investimentos alternativos eram influenciados pelo 

desempenho desportivo semanal de dezassete equipas de futebol que competiam na 

Premier League. Durante o período de estudo, entre 1995 e 1998, e tendo em conta uma 

amostra de 840 jogos, foi descoberto que uma magnitude de retorno anormal positivo 

seguido de uma vitória é menor do que o retorno anormal negativo depois de uma derrota. 

Na investigação financeira sobre clubes de futebol, destaca-se também o estudo de Ashton 

et al. (2003) que retrata a forte relação dos resultados em competições internacionais e os 

retornos do mercado de ações. Este estudo afirma que bons desempenhos desportivos da 

equipa de futebol são seguidos de bons retornos de ações. Sendo que o contrário também 

se verifica, isto é, maus desempenhos desportivos de um clube são seguidos de maus 

57 

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ISSN 2183-5594 

retornos das ações no mercado. Adicionalmente, uma caraterística que se salienta desta 

relação é a influência dos jogos. Na verdade, quanto mais importantes são os jogos, como 

por exemplo, jogos do campeonato, maiores os movimentos no preço das ações, tendo 

como ponto de comparação os jogos menos importantes, como por exemplo, os jogos 

amigáveis. 

Bernile e Lyandres (2011) examinaram se o desempenho desportivo dos clubes europeus 

cotados em bolsa afeta o preço das suas ações. Os resultados sugerem que os 

desempenhos desportivos são determinantes do comportamento do preço das ações dos 

clubes, sendo que as vitórias muitas vezes levam a uma variação positiva no preço das 

ações, enquanto que um empate ou uma derrota tem o efeito oposto. 

O objetivo do estudo de Findikçi e Tapsin (2015) era investigar a relação entre os 

resultados desportivos e o preço das ações das sociedades anónimas desportivas 

pertencentes aos clubes de futebol que eram negociadas na Bolsa de Valores de Istambul. 

A amostra foi constituída pelos clubes Besiktaş, Galatasaray, Fenerbahçe e Trabzonspor 

e foram utilizados como indicadores desportivos, os resultados dos jogos bem como a 

diferença entre o número de golos marcados e sofridos em cada jogo. Adicionalmente, 

foram incluídos no modelo os índices bolsistas Istanbul Stock Exchange 100 (BIST 100) 

e o BIST Sports Index, entre 2010 e 2015, sendo utilizada a metodologia de análise de 

dados em painel. Os resultados sugerem que as vitórias e o comportamento dos índices 

bolsistas exercem um efeito positivo e estatisticamente significativo no preço das ações 

dos clubes. Por outro lado, os empates e as derrotas, exercem uma influência negativa e 

estatisticamente significativa no preço das ações. 

Mais recentemente, existe uma maior consciência acerca do impacto que a análise 

financeira pode ter na previsão dos preços das ações. Neste sentido, os estudos mais 

recentes têm feito uma análise conjunta onde são incluídos indicadores desportivos e 

indicadores financeiros na determinação do preço das ações dos clubes de futebol. 

Noonan e Silicaro (2019) tinham como objetivo investigar os fatores críticos de sucesso 

para os investidores de clubes de futebol. Para tal analisaram 23 clubes de futebol 

europeus cotados entre os anos de 2009 e 2019, estudando a relação entre o rácio market 

to book e seis variáveis explicativas nomeadamente as vendas, a rendibilidade líquida das 

vendas, o rácio de liquidez geral, o rácio de endividamento, a posição no campeonato e o 

desempenho na UEFA Champions League. Um dos principais resultados do artigo sugere 

que a redução do endividamento tem um efeito positivo no preço das ações dos clubes. 

Um resultado surpreendente é que a rendibilidade medida através da rendibilidade líquida 

das vendas exerce um impacto negativo e estatisticamente significativo no preço das 

ações dos clubes de futebol. 

Maci et al. (2020) no seu estudo investigaram os impactos do desempenho desportivo e 

financeiro dos clubes de futebol no preço das suas ações. A amostra abrangeu todas as 

empresas europeias de futebol cotadas na Bolsa de Valores durante o período de 2012

2017. O processo de formação do preço das ações das empresas de futebol cotadas foi 

investigado através de um modelo econométrico que incluiu como variáveis 

independentes o histórico dos clubes nas competições da UEFA, o valor das vendas, o 

valor do ativo, o endividamento, o retorno sobre o capital próprio, o índice de 

diversificação das receitas e o resultado líquido. Os testes realizados ao modelo indicaram 

que o modelo de regressão de efeitos fixos com erros padrão robustos é o mais adequado. 

Os resultados sugerem que existe uma causalidade positiva e estatisticamente 

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significativa entre os resultados desportivos e o preço das ações. Os indicadores 

financeiros dos clubes como a dimensão, o retorno sobre o capital próprio e o resultado 

líquido também apresentam uma influência positiva e estatisticamente significativa no 

preço das ações. Os autores sugerem que os gestores dos clubes de futebol devem ter 

simultaneamente atenção aos resultados desportivos e ao desempenho financeiro. 

Prayoga et al. (2022) no seu estudo analisaram o efeito do desempenho desportivo e do 

desempenho financeiro no preço dos clubes de futebol europeus. A variável dependente 

utilizada foi o preço das ações na data de reporte dos clubes, sendo a moeda Euro utilizada 

para uniformizar a base de dados. Os clubes de futebol que não eram transacionados em 

Euros foram convertidos para a moeda de acordo com a taxa de câmbio no dia em questão. 

Os dados da pesquisa incidiram sobre o período compreendido entre o ano de 2016 e 2021 

e a metodologia utilizada foi a de regressão linear simples. Os resultados empíricos 

mostram que o desempenho desportivo tem um efeito positivo e estatisticamente 

significativo no preço das ações dos clubes de futebol. De igual modo, o rácio de liquidez 

geral tem um efeito positivo e estatisticamente significativo no preço das ações dos clubes 

de futebol. O rácio de endividamento tem um efeito negativo e estatisticamente 

significativo no preço das ações dos clubes de futebol. Por último, a rendibilidade líquida 

das vendas não apresentou um efeito significativo no preço das ações dos clubes. 

Abbas (2022) procurou determinar se existe uma relação entre o desempenho desportivo 

e o desempenho financeiro no preço das ações da Juventus, Borussia Dortmund e Lyon. 

Para tal reuniu uma amostra com dados trimestrais entre 2007 e 2016 e utilizou a 

metodologia de dados em painel. O desempenho desportivo foi representado através da 

diferença entre golos marcados e sofridos e através da percentagem de vitórias face ao 

total de jogos realizados. Por outro lado, o desempenho financeiro foi representado pelo 

rácio de liquidez geral, rácio de endividamento e pelo resultado líquido por ação. Os 

resultados sugerem que os indicadores financeiros são mais importantes na determinação 

do preço das ações do que os resultados desportivos, sendo que o rácio de liquidez geral 

e o resultado líquido exercem um efeito positivo e estatisticamente significativo. Por outro 

lado, o rácio de endividamento apresenta um valor negativo e estatisticamente 

significativo na determinação do preço das ações. A percentagem de vitórias apresenta 

um efeito positivo, mas com um nível de significância estatística de apenas 10%.   

Face ao exposto, propomos a primeira hipótese de investigação: 

H1: Existe uma causalidade positiva entre o desempenho desportivo e o preço das ações 

dos clubes de futebol europeus cotados em bolsa. 

2.3 Estudos que abordaram o desempenho financeiro no preço das ações dos clubes de 

futebol 

A literatura refere que a dimensão das empresas é um dos principais determinantes do 

desempenho de qualquer ação (Olaoye et al., 2016). Um clube de maior dimensão tem 

geralmente uma maior experiência acumulada por parte dos seus gestores, é mais 

propenso a registar aumentos de produtividade e a exibir um nível inferior de risco para 

os acionistas. De igual modo, a dimensão fornece a informação para os investidores de 

que o clube pode gerir bem as suas atividades de negócio (Ha & Minh, 2020; Pertiwi & 

Wiagustini, 2020). Face ao exposto, propomos a segunda hipótese de investigação: 

59 

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H2: Existe uma causalidade positiva entre a dimensão e o preço das ações dos clubes de 

futebol. 

Costa (2022a) indica que é relevante neste tipo de estudo monitorizar o indicador de 

liquidez dos clubes com vista a certificar a sua estabilidade de curto prazo. Noonan e 

Silicaro (2019) indicam que o risco dos clubes pode aumentar se os seus passivos de curto 

prazo aumentarem, uma vez que isso irá pressionar a sua capacidade para cumprir com 

as suas obrigações financeiras a curto prazo. Estas dificuldades poderão levar os clubes a 

aumentarem a sua dívida, o que poderá restringir a capacidade de crescimento dos 

mesmos no longo prazo, com consequências negativas no seu preço de mercado. Face ao 

exposto, propomos a terceira hipótese de investigação: 

H3: Existe uma causalidade positiva entre a liquidez e o preço das ações dos clubes de 

futebol. 

Apesar de a indústria europeia do futebol ter sido encarada como fortemente 

regulamentada e organizada, os clubes e ligas de futebol europeus têm-se caracterizado 

por uma instabilidade financeira crónica derivada, em parte, da priorização dos resultados 

desportivos em detrimento dos financeiros (Urdaneta-Camacho et al., 2022).   

Com a intenção de melhorar a saúde financeira dos clubes, os órgãos dirigentes das 

comissões decidiram estabelecer medidas para o seu controlo financeiro (Dimitropoulos, 

2011). Estes regulamentos tentam evitar possíveis adulterações no resultado das 

competições devido a uma diferença entre as despesas de algumas equipas e as receitas 

que geram.  Assim, em 2010, a UEFA adotou o regulamento conhecido como "financial 

fair play (FFP)", que monitoriza a informação financeira publicada nas contas anuais dos 

clubes que participam nas competições europeias e impõe limites às dívidas, despesas e 

responsabilidades. Desde então os clubes que se desviam da disciplina financeira exigida 

pela UEFA estão sujeitos a sanções que podem mesmo resultar na sua exclusão das 

competições europeias. Contudo e tal como refere Dimitropoulos et al. (2016), a 

introdução do FFP é um elemento que pode levar à introdução de práticas contabilísticas 

criativas por parte dos clubes para acomodar a informação financeira apresentada nas suas 

demonstrações financeiras aos requisitos da UEFA. Contudo, a literatura parece unânime 

a referir que a introdução do FFP levou a melhorias significativas da situação financeira 

dos clubes nos últimos anos (Calahorro-López et al. 2022; Ahtiainen & Jarva, 2022). 

Para Costa et al. (2022a), é importante analisar o endividamento de cada empresa de modo 

a aferir a sua robustez ao nível do capital, sendo que uma empresa será mais endividada 

quanto maior for a percentagem de capital alheio face ao seu capital próprio. 

Face ao exposto, propomos a quarta hipótese de investigação: 

H4: Existe uma causalidade negativa entre o endividamento e o preço das ações dos 

clubes de futebol. 

O aumento das receitas pode não se traduzir necessariamente num aumento dos resultados 

líquidos por causa do aumento dos gastos, e, por isso, é muito importante estar atento à 

rendibilidade líquida das vendas. Quando um clube gera uma maior rendibilidade líquida 

das vendas, mostra aos investidores que tem uma grande eficiência na gestão dos seus 

custos e, por isso, consegue converter uma maior percentagem das vendas em resultado 

líquido (Fernandes et al., 2019). Neste sentido propomos a quinta hipótese de 

investigação:  European Journal of Applied Business Management, 9(4), 2023, pp. 53-70 

ISSN 2183-5594 

H5: Existe uma causalidade positiva entre a rendibilidade líquida das vendas e o preço 

das ações dos clubes de futebol. 

3. Dados, Variáveis, Metodologia 

3.1 Amostra 

Este trabalho incidiu no período compreendido entre o ano de 2016 e 2022. Tal como fora 

realizado no estudo de Prayoga et al. (2022), o valor das cotações das ações foi obtido 

junto do site investing. Por outro lado, os dados financeiros dos clubes de futebol foram 

provenientes dos seus relatórios e contas anuais e os resultados financeiros foram 

extraídos do site zerozero. Tal como fora referido na introdução deste trabalho, e tendo 

por base os estudos de Costa (2022a) e Costa (2022b) apenas foram introduzidas na 

amostra os clubes de futebol com ações que são negociadas em Euros.  

A Tabela 1 exibe os nove clubes europeus que fazem parte da amostra final.  

Tabela 1 - Lista dos clubes que constituem a amostra 

Ajax 

Braga 

Dortmund 

FC Porto 

Juventus 

Lazio 

Lyon 

SL Benfica 

Sporting CP 

Fonte: Elaboração própria 

De seguida, a tabela 2 identifica as variáveis usadas nesta investigação bem como a sua 

fórmula de cálculo. 

Tabela 2: Variáveis utilizadas na análise 

Dimensão 

Indicador 

Abreviatura 

Fórmula 

Variável 

dependente -  

Valor da 

cotação 

dos 

clubes no dia 

30 de junho do 

ano t 

Cot 

ln(Pt) 

61 

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Desempenho 

desportivo - Percentagem 

de vitórias no 

campeonato 

nacional 

Vit 

 

 º 𝑑𝑒 𝑣𝑖𝑡ó𝑟𝑖𝑎𝑠 𝑛𝑜 𝑐𝑎𝑚𝑝𝑒𝑜𝑛𝑎𝑡𝑜

 𝑁º 𝑑𝑒 𝑗𝑜𝑔𝑜𝑠

 Dimensão - 

Valor do 

Ativo 

Tam 

Logaritmo natural do ativo 

Liquidez - 

Rácio 

de 

liquidez geral 

LG 

 

 𝑡𝑖𝑣𝑜 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒

 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒

 Endividamento - 

Rácio 

de 

Solvabilidade 

Sol 

 

 𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑝𝑟ó𝑝𝑟𝑖𝑜

 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜

 Rendibilidade - 

Rendibilidade 

líquida 

das 

vendas 

RLV 

 

 𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜 𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜

 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠

 Fonte: Elaboração própria 

3.2 Metodologia 

Tal como recomendam Anwaar (2016), Findikçi e Tapsin (2015), Maci et al. (2020), 

Costa et al. (2021), Pessoa et al. (2021) e Abbas (2022), a metodologia mais adequada 

para este estudo empírico é a de dados em painel, pelo que de seguida é exposto o modelo 

estocástico: 

 

 𝑜𝑡𝑖𝑡 = 𝛽0 + 𝛽1𝑉𝑖𝑡𝑖𝑡 + 𝛽2𝑇𝑎𝑚𝑖𝑡 + 𝛽3𝐿𝐺𝑖𝑡 + 𝛽4𝑆𝑜𝑙𝑖𝑡 + + 𝛽5𝑅𝐿𝑉𝑖𝑡 +ε𝑖𝑡 

Sendo que os coeficientes β são os parâmetros a calcular. 𝛽0 é o valor da constante e ε𝑖𝑡 

o erro do modelo. O software estatístico utilizado foi o R.  

4. Resultados empíricos 

4.1 Estatísticas descritivas 

A tabela 3 evidencia as estatísticas descritivas das variáveis analisadas na revisão de 

literatura e implementadas no presente estudo. 

Tabela 3: Estatísticas descritivas 

Média 

Mediana 

Desvio 

Padrão 

Mínimo 

Máximo 

Cot 

0,62 

0,37 

1,08 -1,45 

2,92 

62 

63 

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Vit 

0,65 

0,68 

0,13 

0,29 

Tam 

19,60 

19,80 

0,74 

0,85 

63 

17,20 

LG 

0,71 

0,58 

0,43 

20,90 

63 

0,17 

Sol 

0,26 

0,22 

0,35 

2,30 

63 -0,48 

1,27 

63 

RLV -0,05 

0,01 

0,47 -2,28 

Fonte: Elaboração própria 

1,92 

63 

A tabela 3 deixa claro que em média os clubes de futebol têm uma percentagem de vitórias 

no seu campeonato nacional de 65%. 

O rácio de liquidez geral apresenta um valor médio de 0,71 e o rácio de solvabilidade 

apresenta um valor médio de 0,26. Segundo Fernandes et al. (2019), estes valores deviam 

ser superiores a 1,3 e 0,5, respetivamente. Estes dados indicam que em média, os clubes 

europeus de futebol desta amostra apresentaram dificuldades em cumprir com as suas 

responsabilidades de curto, médio e longo prazo. Por último, estes resultados também 

indicam que em média os clubes apresentaram uma rendibilidade líquida negativa, o que 

significa dizer que em média, por cada 100€ de vendas, os clubes registavam um prejuízo 

de 5€. 

4.2 Sumário dos resultados 

O primeiro procedimento realizado foi o teste de raiz unitária para dados em painel 

recomendado por Levin et al. (2002). Através da consulta da tabela A, em apêndice, 

podemos indicar que à exceção da rendibilidade líquida das vendas, não é possível dizer 

que rejeitamos a hipótese nula para as variáveis utilizadas no estudo e, por isso, 

concluímos que essas variáveis são estacionárias. Deste modo, neste estudo iremos 

utilizar as primeiras diferenças para a variável da rendibilidade líquida das vendas. De 

seguida, as tabelas B e C em apêndice permitem concluir que o modelo de efeitos fixos 

com erros padrão robustos é o tipo de regressão mais adequada. A tabela 4 exibe os 

principais resultados. 

Tabela 4: Resultados da estimação 

Coeficiente 

Erro Padrão 

const -14,260 

rácio-t 

valor p 

6,250 

Vit 

1,122 -2,282 

0,052* 

0,420 

Tam 

0,7184 

2,668 

0,028** 

0,316 

LG -0,193 

2,274 

0,053* 

0,300 

Sol 

0,847 -0,644 

0,537 

0,310 

2,729 

0,026** 

63 

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ΔRLV -0,156 

0,083 

Nº de observações = 54 -1,887 

0,096* 

Nº de clubes = 9 

 

 2 (Overall) = 0,098 

Fonte: Elaboração própria 

Nota: Estatísticas t; *** nível de significância de 1%, ** nível de significância de 5%, * 

nível de significância de 10%. 

Os resultados revelam que os preços das ações dos clubes de futebol europeus são 

influenciados de forma positiva e estatisticamente significativa pelo desempenho 

desportivo e pela sua dimensão. Por outro lado, o endividamento e a rendibilidade líquida 

das vendas exercem um efeito negativo e estatisticamente significativo no preço de 

mercado das ações dos clubes de futebol. 

De acordo com Maci et al. (2020), o impacto positivo do desempenho desportivo medido 

através da percentagem de vitórias em função dos jogos realizados no campeonato, pode 

ser justificado por vários fatores. O primeiro prende-se com uma componente pouco 

racional, mais precisamente pelo lado emocional que impulsiona as escolhas dos 

investidores, que muitas vezes são também adeptos dos clubes e, portanto, extremamente 

sensíveis no curto prazo aos desempenhos desportivos. Um segundo fator para este 

resultado prende-se já com uma vertente mais racional, uma vez que melhores resultados 

desportivos tendem a ter um impacto significativo na valorização de mercado dos ativos 

dos clubes, tais como os valores de mercado dos jogadores de futebol. De igual modo, 

uma melhoria dos resultados desportivos também pode contribuir para um aumento dos 

valores apresentados na demonstração de resultados graças ao presumível aumento das 

vendas relativamente a patrocinadores, publicidade e direitos televisivos. Neste sentido, 

os clubes que aumentam a sua percentagem de vitórias têm uma maior probabilidade de 

serem campeões nos campeonatos nacionais e, por isso, de manterem os seus adeptos 

envolvidos e entusiasmados, o que pode levar a um aumento das vendas de bilhetes e 

merchandising. 

Além disso, os clubes de futebol também podem beneficiar do aumento do valor das suas 

marcas, caso tenham sucesso em campo, o que pode ser refletido no preço de mercado 

das suas ações. Outro fator que o sucesso desportivo pode promover é a participação em 

competições importantes, como a UEFA Europa League ou a UEFA Champions League. 

A participação nestas competições não só atrai mais adeptos como também possibilita aos 

clubes a oportunidade de ganharem mais dinheiro através de obtenção de prémios 

monetários, da distribuição de direitos televisivos e da contratualização de contratos com 

novos patrocinadores (Ahtiainen, 2018). 

Este estudo empírico demonstra, no entanto, que obter bons resultados desportivos é uma 

condição necessária, mas não suficiente para alcançar o sucesso no investimento em ações 

de clubes de futebol. Assim, e para além do impacto dos resultados desportivos, os 

resultados também estão alinhados com o estudo de Pertiwi e Wiagustini (2020) uma vez 

que a dimensão dos clubes de futebol medida através do ativo parece exercer um efeito 

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positivo e estatisticamente significativo no preço das suas ações negociadas em mercado 

de capitais. Estes resultados podem ser explicados porque quanto maiores forem os 

clubes, maior será a probabilidade de terem uma base de adeptos maior, o que pode ser 

um garante de uma maior quantidade de vendas. Uma outra possível explicação para estes 

resultados prende-se com a perceção de que clubes de maior dimensão são mais propensos 

a gerirem bem as suas atividades de negócio e a serem entendidos como menos arriscados 

para os investidores (Pertiwi & Wiagustini, 2020).  

Os resultados também estão em linha com o estudo de Ribeiro e Quesado (2017) na 

medida em que o rácio de solvabilidade apresenta um efeito positivo e estatisticamente 

significativo com o preço de mercado dos clubes. Uma das principais razões pelas quais 

o rácio de solvabilidade pode afetar o preço das ações é centrado no facto de ser um 

indicador que avalia a capacidade que os clubes apresentam para cumprirem com as suas 

obrigações financeiras a médio e longo prazo. Estes resultados sugerem que os 

investidores consideram os clubes que apresentam maiores níveis de solvabilidade menos 

arriscados, e por isso, estão dispostos a pagar mais por ações de clubes financeiramente 

estáveis, e isso é particularmente verdadeiro para clubes de futebol que operam num 

ambiente altamente competitivo. Se um clube de futebol estiver com dificuldades 

financeiras, poderá ter dificuldades em atrair patrocinadores, jogadores e em envolver os 

adeptos, o que pode afetar negativamente o preço das suas ações. Adicionalmente, o rácio 

de solvabilidade também pode ser um indicador da capacidade dos clubes para investirem 

em jogadores e infraestruturas, o que pode afetar a sua competitividade desportiva no 

futuro.  

Já rendibilidade líquida das vendas apresenta um efeito negativo e estatisticamente 

significativo no preço das ações dos clubes. Assim, e apesar de os resultados não estarem 

em linha com esperado, os mesmos corroboram com o estudo de Noonan e Silicaro 

(2019). 

Desta forma o estudo sugere suporte das hipóteses de investigação H1, H2 e H4. Por outro 

lado, não apresenta suporte para as hipóteses H3 e H5, uma vez que os resultados sugerem 

que não existe uma influência estatisticamente significativa do rácio de liquidez geral, 

bem como que não há suporte de que a rendibilidade líquida das vendas tem um efeito 

positivo no preço das ações dos clubes de futebol europeus, visto que o efeito obtido é 

negativo. 

5. Conclusões  

Este trabalho incidiu sobre o mercado acionista, mais precisamente sobre as ações dos 

clubes da zona euro e procurou analisar o impacto que o desempenho desportivo e o 

desempenho financeiro exerce no preço das ações dos clubes de futebol europeus. A 

análise incidiu no período entre 2016 e 2022. A metodologia empírica usada foi a de 

dados em painel, com a regressão de efeitos fixos com estimação robusta de erros-padrão. 

Os resultados sugerem que os preços das ações na amostra dos nove clubes de futebol 

europeus são influenciados de forma estatisticamente significativa pelo desempenho 

desportivo e pelo desempenho financeiro. 

Parece existir uma causalidade entre a percentagem de vitórias e o preço das ações dos 

clubes analisados, o que significa que os investidores parecem preferir os clubes que 

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melhoram os resultados desportivos, uma vez que esta melhoria está muitas vezes 

associada a um aumento das vendas relativamente a patrocinadores, publicidade, direitos 

televisivos, vendas de bilhetes e merchandising. Adicionalmente esta melhoria pode 

garantir o título de campeão da liga nacional e uma participação nas competições 

internacionais como é o caso da UEFA Europa League ou a UEFA Champions League. 

Os resultados também sugerem que existe uma causalidade entre a dimensão destes 

clubes e o preço das suas ações. Estes resultados sugerem que os clubes maiores da 

amostra tendem a administrar melhor as suas atividades de negócio e a serem entendidos 

pelos investidores como menos arriscados. 

Por último, estes resultados sugerem que o endividamento dos clubes exerce um efeito 

negativo no preço das suas ações. Este resultado indica que os gestores devem estar 

atentos ao nível de endividamento dos clubes uma vez que os investidores tendem a 

preferir alocar o seu capital em clubes que melhoram a sua capacidade para cumprir com 

as suas obrigações financeiras de médio e longo prazo em detrimento dos clubes mais 

endividados. 

Esta investigação pode ser útil para orientar a conduta dos gestores dos clubes de futebol, 

dos investidores e de outros stakeholders no contexto específico analisado. A perceção 

do modo como o desempenho desportivo e financeiro afeta o preço das ações dos clubes 

de futebol pode ajudar na tomada de decisões e a implementação de estratégias que 

maximizam o valor das ações dos clubes de futebol.  

A realização deste estudo não esgota esta temática, neste sentido é importante ressalvar 

que este trabalho não analisou a política de dividendos dos clubes (Salman, 2019). De 

forma a colmatar a limitação identificada, seria interessante numa investigação futura, 

incluir a política de dividendos dos clubes na análise econométrica. 

De igual modo, esta investigação tem uma limitação relativamente à sua dimensão, facto 

que limita a generalização dos resultados para as ações de futebol. Estudos futuros podem 

tentar minimizar esta limitação por exemplo utilizando informação financeira mais 

desagregada como por exemplo semestral, em vez da utilização dos relatórios e contas 

anuais. 

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Apêndice 

Variáveis 

Tabela A: Teste de Levin-Lin-Chu 

Níveis 

Primeiras diferenças 

Estatística 

valor p 

Estatística 

Cot -13,9004 

0,0000   

valor p 

Vit -6,9167 

0,0000   

Tam -4.0356 

0,0000   

LG -25,0166 

0,0000   

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ISSN 2183-5594 

Sol -2,4186 

0,0078   

RLV -1,2458 

0,1064 -14,0269 

Fonte: Elaboração própria 

Tabela B: Resultados dos testes F e Hausman 

Teste 

0,0000 

Resultado 

Teste F 

F ((8,40)) = 15,913 com p = (0,00) 

Hausman: H 

H = 69,906 com valor p = (0,00) 

Fonte: Elaboração própria 

Tabela C: Resultados do teste de Wooldridge (Wooldridge, 2010) 

Teste 

Resultado 

Wooldridge 

 

 (1,8) = 17,969 com p = (0,00) 

Fonte: Elaboração própria 

Confira os arquivos do Palmeiras no Site Campeões do futebol https://www.campeoesdofutebol.com.br/palmeiras_capa.html A Lei Bosman (1995) transformou o futebol global, eliminando o limite de jogadores estrangeiros europeus na Europa e o valor do passe pós-contrato, o que alargou drasticamente o abismo financeiro entre clubes sul-americanos e europeus. Antes da lei, o futebol sul-americano competia em nível de igualdade técnica e econômica; após ela, tornou-se um polo exportador de talentos para as ligas mais ricas do mundo. O impacto econômico e estrutural dessa transição divide-se claramente em dois períodos: O Cenário Antes da Lei Bosman (Até 1995) Antes da regulamentação, as barreiras de mercado mantinham o equilíbrio de forças econômicas e competitivas: Retenção de Talentos: Os clubes europeus tinham um limite rígido de estrangeiros em campo (geralmente três por equipe). Isso forçava os craques sul-americanos a permanecerem em seus países de origem por muito mais tempo. Equilíbrio Financeiro: Os salários e receitas de TV na Europa ainda não haviam explodido. Clubes do Brasil e da Argentina conseguiam pagar salários competitivos o suficiente para manter atletas do nível de seleção. Competitividade Esportiva: O reflexo financeiro se via no antigo Mundial de Clubes (Copa Intercontinental). O confronto era equilibrado, e os sul-americanos frequentemente superavam as potências europeias em campo. O Cenário Após a Lei Bosman (Pós-1995) A abertura total das fronteiras europeias para jogadores comunitários gerou um efeito cascata devastador na economia do futebol sul-americano: Êxodo Massivo e Precoce: Como jogadores com dupla cidadania europeia deixaram de ocupar vagas de estrangeiros, a demanda por jovens sul-americanos disparou. Os atletas começaram a migrar cada vez mais jovens. A Explosão da Desigualdade de Receitas: Enquanto a Europa centralizou os direitos de transmissão globais da UEFA Champions League e atraiu bilionários, os clubes sul-americanos ficaram restritos a mercados locais de TV desvalorizados. Mudança no Modelo de Negócios: Os clubes sul-americanos foram forçados a adotar um modelo de clube exportador. A venda de direitos econômicos de atletas passou a ser o principal recurso para equilibrar o caixa e cobrir deficits operacionais.Comparação Direta das Estruturas Econômicas O impacto direto nos pilares de faturamento reflete o tamanho do abismo atual: Pilar Econômico Antes da Lei Bosman (Até 1995)Após da Lei Bosman (Pós-1995)Principais Fontes de ReceitaBilheteria local e patrocínios regionais focados no mercado interno.Direitos globais de TV e patrocínios internacionais na Europa; venda de jogadores na América do Sul.Poder de Compra no MercadoEquivalente. Clubes sul-americanos compravam e mantinham astros mundiais.Unilateral. A Europa dita os preços, e a América do Sul apenas vende ou repatria atletas em fim de carreira.Destino dos LucrosReinvestimento imediato na manutenção do elenco principal e infraestrutura local.Na Europa: Expansão global da marca e contratações astronômicas. Na América do Sul: Quitação de dívidas operacionais. Não ha como fugir da nova geopolítica. Mesmo para clubes mais vencedores  

Confira os campeões de todos os campeonatos de futebol no Brasil e no mundo. No Site campeões do futebol.   https://www.campeoesdofutebol.com.br/competicoes.html

Confira os canais do site campeões do futebol.https://www.campeoesdofutebol.com.br/canais.html..imagem do Site oficial do Palmeiras .