terça-feira, 1 de setembro de 2026

Lionel Messi.

Motriz, Rio Claro, v.17 n.1 p.01-10, jan./mar. 2011 

doi: http://dx.doi.org/10.5016/1980-6574.2011v17n1p1 

Artigo Original 

A construção do ídolo no fenômeno futebol 

Márcio Pereira Morato 1,2 

Sérgio Settani Giglio 1,2,3,4 

Mariana Simões Pimentel Gomes 1,5,6 

1Grupo de Estudos e Pesquisa em Atividade Motora Adaptada da Faculdade de 

Educação Física da UNICAMP, Campinas, SP, Brasil 

2 Grupo de Estudo e Pesquisa Educação Física e Cultura - Faculdade de Educação 

Física da UNICAMP, Campinas, SP, Brasil 

3Faculdade de Educação Física da Universidade Nove de Julho, São Paulo, SP, Brasil 

4Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Futebol da Faculdade de Educação Física da 

UNICAMP, Campinas, SP, Brasil 

5Faculdades Anhanguera de Campinas, SP, Brasil 

6Centro Universitário Padre Anchieta, Jundiaí, SP, Brasil 

Resumo: Este artigo objetivou investigar o papel do ídolo na construção do fenômeno futebol no Brasil. 

Foram entrevistados ex-jogadores de futebol, jogadores profissionais e jogadores de futebol para cegos. O 

tratamento dos dados destacou quatro categorias: Criação, Difusão, Idolatria e Papéis. Para tal 

categorização e inferência foi utilizada a Análise de Enunciação, uma das técnicas da Análise de Conteúdo. 

A construção de ídolos mostrou-se dependente da valorização de grandes feitos e da criação de vínculos. 

Os feitos são dependentes das categorias tempo e espaço, dando um “prazo de validade” para a idolatria e 

propiciando uma cíclica renovação de ídolos. Os vínculos serão maiores quanto maiores forem as relações 

da tríade jogador-clube-torcedor. Os feitos são “mostrados” na mídia e se os vínculos estiverem bem 

estabelecidos, a imagem do ídolo será exaltada e valorizada, alimentando e motivando a paixão dos 

torcedores e cultivando o sonho de ser jogador de futebol no imaginário social. 

Palavras-chave: Futebol. Pessoas com Deficiência. Ídolo. 

The construction of the idol in the football phenomenon  

Abstract: This paper objectives to investigate the idol role in the construction of the football phenomenon in 

Brazil. For that, ex-football players, professional football players and football 5-a-side players were 

interviewed. The data analysis emphasized four categories: Creation, Diffusion, Idolatry and Roles. To 

analyze and make inferences from the data, the Enunciation Analysis, one of the Contend Analysis 

technique was used. The construction of idols was dependent on the appreciation of great achievements 

and creating bonds. The achievements are dependent on the categories time and space, giving an 

"expiration date" to idolatry and providing a cyclic renewal of idols. The stronger the relationship of the triad 

player-club-fan, the deeper the bonds will be. The achievements are "shown" in the media and if the bonds 

are well established, the image of the idol will be exalted and valued, nurturing and motivating the passion of 

the fans and cultivating the dream of being a football player in the social imaginary. 

Key Words: Football. Disabled Persons. Idol. 

Introdução 

O futebol é um fenômeno tão complexo quanto 

à origem do universo, diriam os românticos 

apaixonados. Mas comparações à parte, os 

mistérios apresentados por sua complexidade 

tem encontrado na ciência algumas tentativas de 

elucidação. Muitos autores e pesquisadores vêm 

tentado compreender por diversos âmbitos, como 

essa modalidade consegue fascinar de forma 

impressionante tantas pessoas no Brasil e no 

mundo. 

Os inúmeros elementos que interagem para 

gerar seu contexto, tais como os clubes/equipes, 

as torcidas, a mídia, os jogadores, técnicos e um 

imensurável número de outros aspectos, criaram 

ao longo da existência do Futebol, um “sistema” 

capaz de marcar a história da humanidade e de 

se liquefazer a ela ao se difundir pelos quatros 

cantos do mundo. Difusão que tem na imagem do 

ídolo, 

um dos misteriosos elementos que 

contribuem de forma significativa para alimentar 

sonhos e o fascínio exercido pelo jogo.  

M. P. Morato, S. S. Giglio & M. S. P. Gomes 

Um fato ocorrido no mês de junho de 2009 

pode ilustrar a grandeza e o poder de fascínio 

exercido por ídolos da modalidade. Após investir 

R$ 177,5 milhões no brasileiro Kaká, o Real 

Madrid da Espanha contratou o português 

Cristiano Ronaldo por R$ 254 milhões1. Se os 

números assustam pela grandeza, não foi 

diferente com a apresentação dos novos atletas à 

torcida. Kaká levou cerca de 50 mil pessoas ao 

estádio Santiago Bernabéu e Cristiano Ronaldo 

fez com que quase 80 mil torcedores fossem 

prestigiá-lo 

na apresentação2. Ídolos que 

conseguiram encher o estádio sem que ao menos 

houvesse jogo nesses dias. 

Como eles foram capazes desses feitos? Que 

“forças” eles exercem nas pessoas que o 

admiram? O que eles têm de diferente dos outros 

jogadores? 

Norteado pelas questões expostas, este artigo 

objetiva investigar o papel do ídolo na construção 

e difusão do fenômeno Futebol em nosso país. 

Para tal, procurou-se identificar e compreender 

semelhanças e diferenças atribuídas à imagem 

do ídolo em diferentes contextos – futebol 

profissional e futebol para cegos. 

Materiais e métodos 

Com a delimitação do problema centrada no 

objetivo exposto anteriormente, as características 

dessa pesquisa requeriam uma investigação 

qualitativa de caráter descritivo e analítico. 

Buscou-se absorver ao máximo as informações a 

serem colhidas nos relatos orais dos sujeitos, 

discutindo e analisando seus conteúdos evidentes 

e latentes (THOMAS, NELSON, 2002

).    

Para tal, foi utilizada a entrevista semi

estruturada (TRIVIÑOS, 1987

) junto a nove 

jogadores e dois ex-jogadores de futebol 

profissional3 e mais seis jogadores de futebol para 

cegos4. 

1  Real abala o mundo da bola. O Estado de S. Paulo, 12 de 

junho de 2009, p. E1. 

2  Festa de C. Ronaldo supera a de Kaká. O Estado de S. 

Paulo, 7 de julho de 2009, p. E1. O público presente para ver 

Cristiano Ronaldo superou o recorde da apresentação de 

Maradona no Napoli, da Itália, em 1984. 

3Os entrevistados serão identificados da seguinte forma: ex

jogadores de futebol (Ex-Jog.), jogadores de futebol 

profissional (Jog. Prof.) e jogadores de futebol para cegos 

(Jog. Fut. Cego). 

4Pelo fato da modalidade de futebol para cegos ainda não 

poder ser considerada profissional optou-se por entrevistar os 

jogadores da seleção brasileira. Dois deles já foram artilheiros 

em competições internacionais (Mundial e Paraolimpíada) e 

também considerados os melhores jogadores do mundo. 

Todos praticam a modalidade a mais de 13 anos. Além dos 

jogadores integrantes da seleção brasileira bi-campeã 

Para o tratamento, análise e interpretação dos 

dados recorreu-se a uma das técnicas da Análise 

de Conteúdo: a Análise de Enunciação. Esse tipo 

de análise é complementar à análise temática, 

que recorta o conjunto das entrevistas através de 

uma grelha de categorias projetada sobre os 

conteúdos (BARDIN, 1977

). 

Após a verificação das temáticas recorrentes – 

CRIAÇÃO, DIFUSÃO, IDOLATRIA, PAPÉIS – 

cada discurso foi novamente analisado em sua 

singularidade dentro dos diferentes indicadores 

(temas) e do sentido atribuído a eles por cada 

interlocutor. Assim, as entrevistas entraram em 

diálogo com o referencial teórico para auxiliar o 

processo cíclico de dedução e indução de 

hipóteses elaboradas pelos pesquisadores.  

A criação de ídolos 

A palavra ídolo vem do grego eidôlon e 

significa imagem. Imagem estabelecida pela 

importância dos feitos de alguém. A importância 

ou relação desses feitos é estabelecida pelas 

categorias tempo e espaço. Tempo em relação à 

duração que a imagem permanece em evidência; 

espaço em relação ao “onde” cada imagem é 

construída – para quem ela é modelo e quais os 

limites alcançados por seus feitos (GIGLIO, 

2007

).  

É principalmente a primeira dessas categorias – o tempo – que diferencia o ídolo do herói. O 

ídolo está ligado ao tempo cotidiano, à construção 

da imagem no dia-a-dia, batalha após batalha, 

evento após evento, dentro de uma lógica de 

fatos que ocorrem de forma sequencial e 

gradativa. O herói vincula-se ao tempo sagrado, a 

um evento isolado, podendo diferentemente do 

ídolo, alterar sua condição em um curto espaço 

de tempo. Por isso, o ídolo pode assumir papel de 

herói ao realizar façanhas em momentos 

importantes, mas um herói pode não se tornar um 

ídolo, se seu feito não tiver continuidade, não tiver 

um período duradouro na linha do tempo. 

Segundo Campbell (1990)

o herói é aquele 

que concedeu a própria vida por algo maior que 

ele mesmo e que realizou algo ou passou por 

experiências pelas quais poucos passaram. 

Nesse sentido, são venerados como heróis 

aqueles que algum dia foram os responsáveis 

imediatos por realizar alguma façanha que vincule 

paraolímpica em Atenas/2004 e Pequim/2008, que recebem a 

bolsa atleta do Ministério dos Esportes, dificilmente 

encontram-se outros exemplos na modalidade em que os 

jogadores recebem para jogar (MORATO, 2007

).  

Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.01-10, jan./mar. 2011 

O ídolo no fenômeno futebol 

o seu nome ao momento da conquista. As finais 

esportivas, por pertencerem ao tempo sagrado, 

são ricas em criar heróis, os gols, os pontos ou as 

cestas decisivas são utilizadas como marco 

reservado aos heróis.  

Numa sociedade que valoriza o vencedor, a 

vitória, a ascensão, impondo um padrão de 

comportamento que reconhece o mais forte e o 

mais habilidoso, aquele que chegar ao topo 

servirá como exemplo para os demais (RUBIO, 

2001

). 

Assim, ambos são figuras tidas como 

modelos para aqueles que os admiram. Mas do 

herói admiram o feito e do ídolo admiram a vida 

ou a imagem que ele representa. 

Para se ter um ídolo, é preciso ter quem os 

idolatre. No futebol isso se estabelece na tríade 

ídolo-torcida-clube (GIGLIO, 2007

2005

MORATO, 

). Torcida e clube determinam o espaço de 

atuação da imagem de um jogador; e seu tempo 

de permanência na equipe, o vínculo necessário 

para o nascimento de uma admiração por seus 

feitos.  

A aproximação do clube com o torcedor é em 

grande parte estabelecida pelo papel do ídolo. É 

ele quem faz o elo, quem aproxima a massa do 

espetáculo. Como afirma Campbell 

(1990, p. 16), 

“Quando se torna um modelo para a vida dos 

outros, a pessoa se move para uma esfera tal que 

se torna possível de ser mitologizada”. 

Os jogadores que se destacam pelas vitórias e 

que realizaram feitos que poucos foram capazes 

passam a ser mais admirados, como o foram 

Pelé, Zico, Ronaldo e Romário. As vitórias e os 

feitos excepcionais são condições importantes 

para a identificação com algum personagem do 

meio futebolístico, pois os colocam em evidência 

abrem o caminho para que possam ser 

idolatrados pela torcida.  

Quando um jogador, além de realizar grandes 

feitos, 

demonstra fidelidade para com a 

identidade do clube, tende a aproximar-se mais 

ainda do torcedor, já que ambos compartilham da 

mesma ideologia. O torcedor por sua vez 

propende a admirar mais o jogador com tal 

postura. 

A admiração por esses jogadores acontece, de 

acordo com os entrevistados, pelo fato de terem 

atingido o auge de uma carreira como jogador 

profissional, terem conquistado vários títulos e por 

serem ídolos dos times que defenderam.  

Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.01-10, jan./mar. 2011 

Defender as cores de um mesmo time durante 

anos possibilita ao atleta atingir marcas até então 

nunca conseguidas. Bater o recorde de partidas 

disputadas, ser o maior artilheiro da história do 

clube ou do estádio do clube, geralmente são 

condições conseguidas por aqueles que criaram 

um vínculo duradouro com o clube. Isso faz com 

que o jogador se torne parte do patrimônio do 

clube.  

Em alguns casos esse vínculo se torna tão 

forte que a presença do ídolo pode transcender o 

clube e sua imagem passa a não depender mais 

dele5

. Tal fato acontece quando os torcedores vão 

aos jogos motivados não somente para ver o seu 

clube jogar, mas também para ver seu ídolo 

(GIGLIO, 2007

; MORATO, 2005

).  

Hoje no Brasil, esses vínculos estão cada vez 

mais escassos, pois os jogadores que se 

destacam migram cada vez mais rápido para os 

grandes centros futebolísticos6.  Como afirma Rial 

(2008

), a lógica estabelecida é a do rodar e os 

vínculos se tornam transitórios. É o que 

Florenzano (2009) 

denomina de “jogador

andarilho”. 

De modo geral, a referência do ídolo para o 

clube/torcida tem um tempo cada vez mais curto, 

salvo algumas raras exceções. Mas a imagem 

projetada, não só pelos jogadores, mas por todos 

aqueles que reproduzem e transformam o futebol 

em um fato social, é uma das responsáveis por 

alimentar o sonho de um dia ocupar o lugar que 

hoje é do ídolo.  

Com isso, a referência do ídolo alimenta o 

imaginário7 da geração que o substituirá, 

contribuindo para a reposição cíclica das figuras 

5  A situação pela qual passaram Kaká e Cristiano Ronaldo 

quando da apresentação à torcida do Real Madrid revela que 

o ídolo, ao se transferir de time, pode levar consigo o status 

construído em outro lugar e continuar a ser idolatrado. Porém, 

caso não construa o vínculo com o novo clube e com a 

torcida, rapidamente, esse status quo será transformado em 

contestação. O exemplo oposto que ilustra isso, é o momento 

pelo qual Ronaldinho Gaúcho passa no Milan. Ao ser 

transferido do Barcelona para o Milan, o jogador brasileiro 

carregou consigo todo o status conquistado na Espanha, mas 

uma série de fatores o levaram a ser contestado, a ficar na 

reserva e ver cada vez mais distante a condição de ídolo em 

Milão, na Itália. 

6Por ironia ao futebol-arte e ofensivo que se afirma sobre o 

estilo brasileiro, hoje são os goleiros que figuram entre os 

veteranos dos times no país. Rogério Ceni está no São Paulo 

desde 1990 e Marcos está no Palmeiras desde 1992, ambos 

esperaram alguns anos para conquistarem a condição de 

titular e desde então figuram como os grandes ídolos dessas 

duas equipes. 

7 Tomamos imaginário da forma como Castoriadis (1982)

definiu: imaginário e simbólico se relacionam, sendo que o 

imaginário utiliza o simbólico para existir. 

M. P. Morato, S. S. Giglio & M. S. P. Gomes 

idolatradas. Aqueles que ficaram para trás no 

tempo, permanecem restritos a lembranças, falas 

e fotos daqueles que um dia os viram jogar. As 

imagens tornam-se escassas e por isso eles são 

substituídos constantemente (GIGLIO, 2007

). Por 

esse motivo, Pelé foi lembrado como um grande 

jogador, mas não foi destacado como ídolo pelos 

entrevistados. Seria incoerente, que aquele 

considerado o maior jogador de futebol do mundo 

fosse o ídolo dos entrevistados8, se não fosse a 

ideia de reposição cíclica, que produz novos 

ídolos para atuar na lacuna dos que já saíram de 

cena.  

A difusão da imagem dos ídolos 

Dentre os diferentes setores influenciadores e 

influenciados pelo futebol, a mídia exerce um 

papel importante neste processo de construção 

do ídolo, estabelecendo grande parte da relação 

dos personagens que constroem o fenômeno 

(TOLEDO, 2002

). 

Atualmente, 

diante 

das 

facilidades 

tecnológicas, a imagem dos ídolos está cada vez 

mais presente para os torcedores. Mesmo os 

ídolos distantes, não mais vinculados aos clubes 

de coração, mas aos clubes do exterior, podem 

ser acompanhados com facilidade. O avanço 

tecnológico encurtou as distâncias geográficas. 

Basta ligar a televisão ou acessar a internet para 

acompanhar as ligas européias e os jogadores 

que lá atuam. Aproximar o público dos 

campeonatos realizados no exterior faz com que 

as imagens dos jogadores, muitas vezes dos 

próprios brasileiros – que devido às novas 

“dinâmicas do rodar” nunca atuaram no Brasil – 

passem a fazer parte do imaginário de muitas 

pessoas que acabam por ter os jogadores 

estrangeiros ou brasileiros-estrangeiros como 

seus ídolos.   

Porém, a utilização da imagem dos ídolos é 

extremamente manipulada pela mídia. A leitura do 

jogo pelos especialistas passa por uma seleção 

do olhar. Discutem-se algumas jogadas em 

detrimento de outras, sendo algumas imagens 

eleitas como as principais da partida. Por detrás 

disso está uma questão estética9, do gosto 

cultural, do olhar que filtra as informações que 

8 Com exceção dos dois ex-jogadores, os demais 

entrevistados não conheceram o Pelé enquanto jogador de 

futebol profissional. 

9Para essa discussão consultar: especialmente o capítulo 8 – 

Estética e Futebol – da tese de Damo (2005)

e o livro de 

Gumbrecht (2007)

mais interessam e que acabam sendo mais 

valorizadas pelos espectadores que as recebem. 

No período de consolidação do futebol como o 

principal esporte para os brasileiros o rádio foi um 

dos pilares de sua difusão. Principalmente os ex

jogadores ressaltaram que as pessoas escutavam 

o futebol pelo rádio porque a televisão não 

transmitia os jogos ao vivo10 e/ou pela dificuldade 

em ir ao estádio. Nesse período, devido às 

dificuldades em acompanhar de perto às partidas, 

os ídolos ficavam mais distantes. Assim, 

jogadores da seleção brasileira destacaram-se 

como ídolo somente após a conquista da primeira 

Copa do Mundo em 1958. 

[...] a gente naquela época não tinha televisão, 

você ouvia no rádio, era muito difícil a gente 

poder ir ao estádio. [...] depois que em 58 veio a 

Copa do Mundo que ainda era difícil a gente 

assistir na televisão, aí começou aparecer o 

Garrincha, aparecer o Didi, o Pelé começou 

aparecer, então a gente começou a ter esses 

jogadores como ídolo também (Ex-Jog. 6). 

Mesmo com a entrada da televisão, aqui no 

Brasil, o rádio não perdeu seu espaço. Ele ainda é 

muito utilizado para acompanhar os jogos, basta 

observar a quantidade de pessoas que levam 

seus radinhos à pilha para os estádios de futebol.  

Para os jogadores com deficiência visual a 

utilização do rádio é preferida em relação às 

mídias visuais, pois as informações oriundas dos 

rádios são mais detalhadas e completas, já que 

tentam codificar para os ouvintes, as imagens 

visuais que não são transmitidas (MORATO, 

2007

). 

Já para os jogadores e ex-jogadores 

profissionais a televisão foi apontada como um 

veículo de comunicação de destaque, pois é lá 

que os ídolos são vistos. 

As formas de idolatria 

A idolatria é uma das formas que pode 

assumir a aproximação torcedor-jogador-clube e 

mais especificamente do ídolo com aquele que o 

idolatra. A idolatria por algum jogador pode 

aparecer por meio de admiração ou imitação.  

Admirar é uma maneira de observar 

atentamente o que faz determinada pessoa e 

imitar é buscar realizar os seus feitos, mesmo que 

de forma simbólica. É uma forma de se aproximar 

10 A primeira transmissão ao vivo de uma partida de futebol no 

Brasil aconteceu no dia 10 de dezembro de 1950, pela TV 

Tupi Difusora, de um jogo do campeonato paulista do mesmo 

ano (FANUCCHI, 1996

). Se compararmos à Europa, a 

primeira transmissão ao vivo foi feita pela BBC da Inglaterra 

na final da Copa de 1938 (PRONI, 2000

), portanto, muito 

tempo antes da chegada da televisão ao Brasil. 

Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.01-10, jan./mar. 2011 

O ídolo no fenômeno futebol 

do ídolo e de se sentir em seu lugar (GIGLIO, 

2007

)11. A imitação só se faz presente quando já 

existe certa admiração. Não há sentido em imitar 

algo que não se admire ou que não seja 

significativo para quem imita (MARTINS, 2009

).  

Durante as brincadeiras infantis com bola 

podem-se notar as repetições de lances e gestos 

de seus ídolos e mesmo da mudança de 

identidade, ao dizer o nome de algum craque 

após a execução de uma jogada. O imaginário 

estabelece aproximação com o ídolo e faz com 

que aquele que o idolatra assuma seu lugar e seu 

nome. 

A presença do ídolo na infância representa e 

reforça a importância dessas figuras dentro do 

processo de formação do imaginário colocando o 

futebol em destaque para a nossa sociedade. 

Entre as inúmeras formas de se lidar com o ídolo 

na infância, destacamos o relato de Busso (2009

p. 95) sobre a relação entre um menino, o futebol 

e o seu ídolo: 

Um jogo se inicia na quadra do Centro 

Comunitário, na aula das turmas de 7ª séries. 

Tanto a bola que se direciona para o ataque, 

quanto aquela que se direciona para a defesa 

de uma das equipes sempre tocam os pés de 

um garoto. Com um olhar fixo, este mesmo 

garoto que havia ameaçado o gol adversário 

anteriormente, aproveita a reposição de bola do 

goleiro, recupera a posse da bola, realiza um 

giro por sobre a bola, chuta-a para o gol e 

marca seu segundo ponto no jogo. Em seguida, 

ele cobre a cabeça com sua camiseta, que era 

da Seleção Brasileira de Futebol, começa a 

correr pela quadra dizendo: eu sou Filho do 

Ronaldinho! (grifo nosso) 

Ao longo do trabalho Busso (2009)

explica que 

garoto que se autodenomina Filho do 

Ronaldinho o faz dessa forma por gostar do 

Ronaldinho Gaúcho. O menino afirma que gosta 

dele porque esse atleta sabe jogar e girar sobre a 

bola. Gostar daquilo que o ídolo faz o incentivou 

para que aprendesse a jogar e a imitar algo que 

valoriza nele – os giros sobre a bola.  

Esse fato reforça o pensamento de que existe 

uma qualidade genética como determinante do 

saber futebolístico e, dentro dessa lógica, ser filho 

do Ronaldinho seria o suficiente para saber jogar 

futebol, como se isso fosse um dom. Embora 

relate ter aprendido um pouco sobre futebol com 

11 Na final da Copa do Mundo de 2002, Ronaldo (“Fenômeno”) 

apareceu com um novo corte de cabelo. Somente manteve 

uma franja triangular, sendo o restante do cabelo cortado, 

deixando-o praticamente careca. Não tardou para que muitas 

pessoas fossem vistas com o novo corte. Exemplo similar 

Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.01-10, jan./mar. 2011 

o pai e que pratique futebol (treine os dribles) em 

diferentes contextos, ao se posicionar como filho 

do Ronaldinho corrobora com o pensamento de 

que o saber jogar seja algo hereditário e reforça a 

visão corrente de que futebol não se ensina, ou 

seja, é exclusividade dos agraciados pelo dom 

(DAMO, 2005

SCAGLIA, 1999

2007

). 

GIGLIO et al., 2008

Todos os entrevistados relataram que a 

admiração por algum jogador sempre esteve 

presente em sua vida. Alguns jogadores 

profissionais disseram que não tinham ídolo, 

embora mantivessem uma relação de admiração 

por 

alguns 

jogadores. 

Enquanto outros 

reconheceram que já estiveram na condição de 

torcedor/fã e idolatraram algum atleta. Os 

jogadores de futebol para cegos relataram que os 

ídolos do futebol mundial também os inspiraram 

em sua infância, no início de seu aprendizado.  

Os entrevistados que acompanharam desde 

cedo o futebol relatam a presença do ídolo 

quando ainda eram crianças. Eles afirmam que 

em suas brincadeiras sempre falavam os nomes 

de seus ídolos.  

Assim, independente da condição funcional 

(deficiência ou não), os entrevistados sonhavam 

em serem parecidos com os seus ídolos. O sonho 

de ser um jogador e ser parecido com o ídolo 

aparece como um elemento importante na 

formação dos atletas ainda quando criança, pois 

veem na figura dos ídolos uma motivação para 

tal.   

Eu acho que a gente tira exemplos de várias 

pessoas, de vários atletas assim, não só no 

futebol, mas na vida do esporte né. Eu acho 

que, tenho um ídolo sim, o Schummacher que 

era o goleiro seleção da Alemanha, isso em 78.  

Eu devia ter uns seis anos, já admirava. Não 

tinha nem, nem ia saber o que era ser jogar 

futebol ou ser goleiro. Então, e o Rodolfo 

Rodrigues né, são assim dois ídolos no meio do 

futebol, na bola mesmo que eu admiro muito. 

(Jog. Prof. 4). 

Boa parte dos entrevistados joga na mesma 

posição de seus ídolos. Isso demonstra a 

necessidade de tentar repetir os mesmos 

caminhos que seus ídolos traçaram. E seguir os 

mesmos caminhos não significa, para os 

entrevistados, ser igual ao ídolo, mas sim, buscar 

igualar ou ultrapassar os feitos deles. 

Têm algumas pessoas que a gente procura se 

espelhar, o próprio Careca, enfim, outras 

aconteceu com corte de cabelo “moicano” apresentado pelo 

jogador inglês Beckham. 

M. P. Morato, S. S. Giglio & M. S. P. Gomes 

pessoas aqui no Brasil. Têm grandes atacantes 

e a gente claro que se espelha sempre num 

jogador ali de ataque até pela posição ser igual 

a minha. [...] Igual não né. Igual é um pouco 

difícil, mas é claro que realizar os objetivos que 

ele realizava. Ele sempre fazia gols, sempre era 

artilheiro das equipes que ele passou e graças 

a Deus isso eu peguei um pouco dele. Hoje eu 

tenho uma história maravilhosa no meu time, 

como maior artilheiro na história do estádio e o 

terceiro na história do clube. Isso eu acho que 

foi o lado positivo (Jog. Prof. 7). 

A imitação dos ídolos também existe no 

mundo não visual, mas é feita por outros meios, 

que não os referenciais visuais. O contato com 

outros jogadores e a possibilidade de participar de 

eventos esportivos permitiu que o entrevistado 

abaixo construísse suas próprias estratégias de 

jogo a partir da captação das estratégias dos 

outros.  

Na verdade você vai..., você vai captando várias 

formas de jogar, várias técnicas, para você 

formar a sua. É igual opinião. Você vai 

coletando várias opiniões para você formar a 

sua. Você nunca... isso a gente nunca forma 

uma opinião sem conhecer as outras, né. E 

assim é o estilo de jogar também. Então eu vejo 

aquele jogador, como que ele conduz a bola? 

Rápido! Então peraí, eu também tenho que 

conduzir rápido, porque o dele, o jeito dele é 

eficiente... Como que ele faz para conduzir a 

bola? Entre os pés. A bola, ele tem a... ele 

conduz com muita técnica, ele gira, ele faz isso, 

faz aquilo. Então você vai pegando um 

pouquinho de cada um e montando, e 

montando o seu futebol. Foi assim que eu 

iniciei. Pegando um pouquinho de cada um, a 

experiência de cada um e montando meu 

próprio futebol que hoje as pessoas, alguns 

atletas pegam como exemplo, como eu peguei 

dos outros (Jog. Fut. Cego 2). 

A predileção por um clube, o 

acompanhamento dos jogos de sua equipe e de 

seus ídolos do futebol profissional expuseram os 

entrevistados aos símbolos valorizados pela 

cultura deste país, motivando a busca pela prática 

do esporte.  

Você sempre sonha né, quando criança assim, 

você tem aquele ídolo né e você sempre sonha 

em quando ser jogador né, procurar ser um 

pouco né parecido como foi né, esses ídolos da 

gente. Então, a gente sempre sonha sim né, 

sempre gostaria de ser igual, mas nem sempre 

a gente consegue, pois cada um tem uma 

característica (Jog. Prof. 2). 

Agora no esporte comum, como um bom 

corintiano sempre gostei muito de ver12 o 

12 Em nossa sociedade o verbo ver tornou-se sinônimo de 

conhecer. Mesmo as pessoas que não possuem o sentido 

visual utilizam “verbos visuais” como ver, assistir, observar 

etc. para demonstrar que acompanham à sua maneira 

(principalmente auditiva e sinestésica) as imagens da cultura 

ao qual estão inseridas (MORATO, 2007

).  

Sócrates jogar [risos]. Pela habilidade dele, pelo 

toque de bola. É uma coisa que eu gosto muito 

de fazer, toque de bola, me inspirei muito nele 

talvez (Jog. Fut. Cego 4). 

[...] no esporte normal, mundial aí, eu gosto 

muito do futebol e até..., não tento fazer como 

ele, mas a técnica, apurar minha técnica, a 

gente vê alguns craques, algumas pessoas que 

são lendas como dizem que foi Pelé, como 

dizem que foi Maradona, que eu não vi jogar, 

mas to assistindo o Zidane jogar, então... o 

Ronaldinho Gaúcho, o próprio Robinho, então 

quer dizer, são atletas que, que você tem como 

ídolo (Jog. Fut. Cego 2). 

Por mais que as pessoas cegas13 se incluam 

numa sociedade que preconiza tanto o sentido 

visual14 (e por isso, pode ser considerado o maior 

difusor do patrimônio existente entre os sentidos 

utilizados), elas não ficam imunes às influências 

dos fenômenos relevantes para suas culturas, 

como o futebol no Brasil, por exemplo. 

O tratamento diferenciado da mídia, quando o 

assunto é o paradesporto, dificulta a construção e 

difusão de ídolos no futebol para cegos, mas 

mesmo assim, tais figuras não deixam de existir. 

A participação das equipes em eventos 

paradesportivos gera histórias das próprias 

equipes e dos jogadores que passaram por elas. 

Essas histórias difundem-se pelos institutos e 

associações15, transformando esses jogadores 

em modelos para os alunos mais novos e 

enchendo-os de motivação para iniciar a prática 

ou para continuarem a praticá-la.  

É, na verdade quando eu comecei a jogar 

assim, eu gostava do futebol do menino que já 

faleceu, [...], foi o Marco Antônio e ele era 

conhecido como Plê... e saiu até numa revista 

dizendo que ele era... revista francesa, dizendo 

que ele era o Pelé dos cegos, então eu gostava 

muito do futebol do Plê, que era um futebol 

meio arte, um futebol meio brincalhão (Jog. Fut. 

Cego 3). 

13 Alguns já nascem cegos ou perdem a visão antes do quinto 

ano de vida (cegueira congênita), não se lembrando de 

qualquer informação visual. Outros perdem a visão 

posteriormente (cegueira adquirida) (MENESCAL, 2001

) e 

dizem se lembrar de algumas imagens, que vão se perdendo 

no decorrer da vida com o desuso da memória visual 

(SACKS, 1995

).  

14 Metade do córtex cerebral é dedicado a visão (SACKS, 

1995

) e 70% dos receptores dos sentidos do corpo humano 

estão localizados nos olhos (ACKERMAN, 1996

). 

15 Os institutos, entidades ou associações especialistas 

ao atendimento às pessoas com deficiência visual são os 

contextos primordiais para a prática esportiva e o 

desenvolvimento do futebol para cegos. Por ser um objeto 

social, construto humano e de relações humanas, o 

instituto/entidade não fica “imune ao vírus” do fenômeno 

futebol. Tanto os entrevistados que nasceram com a 

deficiência visual (deficiência congênita) quanto aqueles que 

a adquiriram (deficiência adquirida) encontraram no 

instituto/entidade um local propício para a prática do futebol 

(MORATO, 2007

). 

Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.01-10, jan./mar. 2011 

O ídolo no fenômeno futebol 

Olha! Ídolo, ídolo, ídolo no futebol de cinco 

[futebol para cegos] não... eu não tenho ídolo 

assim que eu pude... eu gosto muito, sempre 

gostei muito do Ivan da ADEVIBEL, um rapaz 

que jogava na ADEVIBEL, pela habilidade que 

ele tinha, pelo toque que ele tinha de bater na 

bola, os chutes cruzados muito bons. Foi o 

único cego que eu vi que fazia peteca 

[embaixadas] com a bola realmente, fazia 

bolinha (Jog. Fut. Cego 4). 

Tais modelos auxiliam a transmissão do 

patrimônio da modalidade. Porém, apesar do 

reconhecimento existente para com os jogadores 

contemporâneos de futebol para cegos, os 

entrevistados se negam a referenciá-los como 

ídolos, demonstrando uma inferioridade em 

relação ao tratamento dado aos ídolos do futebol 

profissional. Infere-se que a proximidade entre os 

jogadores, o contato freqüente, o pouco tempo de 

institucionalização da modalidade16 e a ainda 

pequena divulgação pelo restrito interesse 

midiático, podem justificar ou, pelo menos, 

amenizar esse comportamento. 

Os papéis dos ídolos 

Os ídolos passam a compor uma nova 

condição de vida. Eles se tornam figuras públicas 

e carregam a possibilidade imaginária de vitória 

de milhares de pessoas. A afirmação de Campbell 

(1990

p. 13) ao analisar os rituais importantes 

para as sociedades pode muito bem ser 

associada à condição de ídolo no futebol: “Você 

desiste de sua vida pessoal e aceita uma forma 

socialmente determinada de vida, a serviço da 

sociedade de que você é membro”. Os ídolos 

estão a serviço do clã que representam e seu 

sucesso ou decadência está intimamente ligado 

ao seu desempenho dentro de campo e aos “bons 

exemplos” que transmite em sua vida particular. 

16 A prática do futebol por pessoas com deficiência visual 

teve seu início em meados da década de 1920 na Espanha, 

nas escolas e institutos especializados ao atendimento desse 

público, como forma de recreação dos alunos (IBSA, 2008

). 

No Brasil, existem relatos da prática do futebol desde a 

década de 1950, também em escolas e institutos 

especializados (CBDC, 2007

). Segundo Fontes (2006)

, os 

primeiros institutos nacionais a praticar o futebol para cegos 

foram o Instituto Santa Luzia, em Porto Alegre; o Instituto 

Padre Chico, em São Paulo; e o Instituto Benjamim Constant, 

no Rio de Janeiro. Em alguns casos as crianças com 

deficiência visual começaram a praticar a modalidade em 

ambientes informais, pela convivência com outras crianças 

que não possuem deficiência (ITANI, 2004

). O futebol para 

cegos atual tem as regras baseadas no futsal, com algumas 

alterações. A International Blind Sports Federation (IBSA), 

criada em 1981 na Espanha, gerencia a modalidade e todas 

as outras modalidades esportivas para cegos em nível 

mundial e o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) em nível 

nacional.  

Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.01-10, jan./mar. 2011 

Por conta dos recortes e seleções de cenas 

relativas ao mundo esportivo, os jogadores que 

conquistam o status de ídolo têm a sua imagem 

associada a uma série de comodidades, ou 

melhor, aquele que chegou à condição de 

destaque possui uma vida privilegiada. Apenas 

treina para poder se apresentar no momento do 

jogo. Ora, quem não queria isso para sua vida? 

Esse pensamento é de que o atleta só faz aquilo 

freqüentemente vincula-se nos meios de 

comunicação que é muito mais sacrificante ficar 

oito horas sentado num escritório do que ser um 

jogador. Assim, a vida do atleta é vista “[...] como 

uma sucessão de regalias, facilidades, fama e 

sucesso financeiro” (RUBIO, 2001

, p. 175).  

Essa é a imagem que as pessoas recebem 

quando entram em contato com os ídolos. Assim, 

a profissão de jogador de futebol se estabelece 

no imaginário social brasileiro. É lá que o sonho 

de criança começa a ser cultivado. Os pais 

estimulam seus filhos a tentar a carreira, pois 

talvez essa seja a única maneira de mudar a 

situação financeira da família. É a estrutura social 

brasileira, 

marcada pela desigualdade que 

ressalta o sucesso do jogador, cantor ou artista, 

que saiu da infância pobre, da favela, da miséria e 

que hoje é uma pessoa bem sucedida. Não é de 

se 

estranhar que essas pessoas sejam 

referências como modelos, já que estão em 

evidência pela mídia.  

Para enfrentar os inúmeros obstáculos, os 

meninos que sonham em seguir a carreira de 

jogador de futebol, recorrem a uma série de 

estímulos, entre os quais destacamos: a 

possibilidade de mudança de vida e com ela 

adquirir bens materiais; as pseudo-regalias que 

os jogadores possuem; o desejo de jogar entre os 

craques e nos melhores estádios; jogar pelo time 

que torce; além da presença da figura do ídolo 

dentro do processo da construção da paixão pelo 

clube do coração. 

Ser ídolo é estabelecer uma relação com 

aquele que o idolatra. Ou seja, há um 

reconhecimento por parte do jogador que ele 

esteja na condição de ser idolatrado e por parte 

do admirador que o idolatra. Souto (2000

, p. 93) 

revela que  

[...] 

a auto-percepção de cada um muda 

aceleradamente quando passa a ter acesso à 

região de fundo do universo sagrado e começa 

a se enxergar como um dos membros dessa 

equipe e a conhecer seus códigos e valores. 

M. P. Morato, S. S. Giglio & M. S. P. Gomes 

Como se auto-percebem os jogadores que 

agora ocupam o lugar tão sonhado na infância, o 

de ser jogador de futebol e, além disso, assumem 

a condição de ídolo?  

[...] não me considero um ídolo não. [...] tô no 

grupo aqui e sou uma pessoa normal. Acho que 

esse negócio de ídolo, acho que seria um 

pouco um [...], bastante responsabilidade. 

Então, acho que vou fugir um pouco dessa 

responsabilidade que ídolo é para as pessoas 

aí que já conquistaram um espaço maior no 

futebol e eu tô começando agora e pretendo 

alcançar isso daí com trabalho e com dedicação 

(Jog. Prof. 5).  

Essa resposta revela que ser uma pessoa 

“normal” o distancia da condição de ídolo. Encara 

a condição de ídolo como uma responsabilidade 

extrema (vinculada à valores e referências que a 

sociedade espera que um ídolo transmita) e, por 

isso, o entrevistado prefere a situação de “certo 

anonimato”, mesmo sendo o artilheiro da equipe 

na época da entrevista.  

No caso dos jogadores de futebol para cegos, 

o histórico do preconceito para com as pessoas 

com deficiência determinou grande parte do 

contexto social ao qual eles estão inseridos e 

também a discriminação a eles direcionada. 

[...] a gente não tem o mesmo prestígio que 

eles, mas a gente tenta buscar nosso lugar ao 

sol né, então... na verdade a gente não quer ser 

ídolo de ninguém. A gente tem nossos ídolos, 

nós já temos nossos ídolos próprios, mas a 

gente quer nos manter, nos manter humildes 

como eles. Já é um bom passo para alcançar 

um pouco da glória que todo ser humano 

merece. [...] É, por exemplo, a gente não sonha 

ganhar um tanto que um Ronaldinho ganha, 

mas peraí, a gente pode ganhar pelo menos um 

pouquinho. Né, uma, um pouquinho do que, do 

que se paga para pessoa que enxerga, né, 

poderia se pagar um pouquinho para pessoa 

que não enxerga também, né. Não tem mal 

nisso, em se remunerar um deficiente, né. Ele 

também mostra futebol e... e é um bonito 

futebol (Jog. Fut. Cego 2). 

Pelo esporte a discriminação tem sido 

questionada, pois a deficiência dá lugar à 

eficiência; e a limitação à potencialidade. Os 

jogadores demonstram sua capacidade e isso 

influência o fenômeno e o contexto social, 

formando um ciclo que volta a influenciar as 

pessoas com deficiência a questionarem a 

discriminação e a demonstrarem sua eficiência. O 

fato de ser um bom jogador demanda 

reconhecimento social e financeiro e não piedade 

pela condição de deficiência. Aqueles que 

demonstram um bom futebol merecem usufruir da 

“glória” imersa na valorização do desempenho.  

A eficiência demonstrada nos resultados 

obtidos pela seleção nacional de futebol para 

cegos17 exemplifica o destaque que o país possui 

na modalidade. Fazer parte da seleção representa 

a possibilidade de reconhecimento pelo que faz e 

de tornar-se modelo para futuras gerações. O 

reconhecimento dificilmente sai da área do 

paradesporto, pela diminuta difusão na mídia, 

mas se apresenta com destaque dentro dela. 

E hoje eu fiquei muito alegre, antes de ontem 

eu fiquei muito alegre quando um menino de 

Campos [iniciante no futebol para cegos], ele 

chegou para mim falando que é meu fã. Então 

isso gratifica, isso te dá uma, uma alegria no 

trabalho que você faz, te dá uma força para o 

trabalho que você faz, né. (Jog. Fut. Cego 2). 

O preconceito que por muito tempo cerceou, e 

em alguns contextos ainda cerceia as 

possibilidades de convívio e de desenvolvimento 

dessas pessoas, deixou marcas e cicatrizes nos 

entrevistados, determinando certa repulsa à 

diferença de interesse, de investimento e de 

tratamento da mídia, dos órgãos gerenciadores e 

do público em geral para com a modalidade 

esportiva que praticam. Há neste momento uma 

inversão de paradigmas em relação ao papel da 

pessoa com deficiência no contexto esportivo, já 

que ela deixa de ser apenas um “cego que joga 

futebol” para tornar-se uma referência. 

Considerações finais 

Para ser ídolo é preciso ter quem idolatre, 

admirando ou imitando suas imagens. Para que a 

admiração aconteça é preciso estabelecer 

vínculos e no futebol profissional os vínculos 

serão maiores quanto forem maiores as relações 

dos jogadores com o seu clube e principalmente 

com sua torcida. 

Seus feitos serão “mostrados” pelos canais 

midiáticos e se os vínculos jogador-clube-torcedor 

estiverem bem estabelecidos, tais feitos serão 

exaltados e sua imagem cada vez mais 

valorizada. A valorização é destinada aos grandes 

vencedores e aos realizadores de feitos 

inimagináveis.  

A admiração pelos ídolos passa por duas 

fases. Ainda quando crianças veem aqueles seres 

humanos como um exemplo de motivação, já que 

um dia esperam gozar de todos os seus 

privilégios. Quando o sonho de ser jogador de 

17 No Futebol para Cegos, o Brasil é tricampeão mundial, em 

cinco edições disputadas e bi-campeão paraolímpico, em 

duas edições: em Atenas/2004 e Pequim/2008. 

Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.01-10, jan./mar. 2011 

O ídolo no fenômeno futebol 

futebol concretiza-se, eles passam a observar 

outros jogadores para aprender como jogam. 

A construção da idolatria entre o ídolo e seus 

admiradores, se faz pela relação direta entre os 

que acompanharam os passos do ídolo nos 

campos de futebol. Se o jogador ficar por muitos 

anos defendendo as mesmas cores poderá ser 

visto, numa visão romântica, como um jogador 

que tem amor ao clube. Se levar o time a disputar 

finais e a conquistar títulos, será sempre 

lembrado pela felicidade que proporcionou a 

torcida.  

Como as vitórias e os feitos são dependentes 

das categorias tempo e espaço, a idolatria pelos 

ídolos acaba tendo um “prazo de validade”. 

Assim, a construção da relação entre ídolo e 

admiradores é estabelecida, principalmente, por 

aqueles torcedores ou aprendizes que o viram 

jogar. É essa reposição cíclica que faz com que 

novos ídolos surjam em espaços e tempo 

delimitados, mantendo viva a paixão e o interesse 

pelo futebol e renovando o sonho de seguir seus 

passos.  

A grande diferença existente entre os dois 

contextos investigados repousa nos vínculos 

estabelecidos entre jogadores-torcedores-clubes. 

Como um dos tripés da tríade é inexistente ou 

bem reduzida no futebol para cegos (a torcida é 

formada somente pelos próprios associados ou 

alunos da instituição/associação/equipe), e o 

interesse da mídia para com a modalidade bem 

restrita, a construção das imagens quase não 

ocorre e quando ocorre recebe valoração inferior 

às imagens criadas e difundidas pelo futebol 

profissional. 

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Esse artigo é fruto de reflexões e diálogos 

construídos pelos autores durante a realização de 

suas dissertações de mestrado – Vide Giglio 

(2007) e Morato (2007) – ambas defendidas na 

Faculdade de Educação Física da Unicamp e 

financiadas 

pelo 

Desenvolvimento 

(CNPq). 

Conselho Nacional de 

Científico 

Endereço: 

Márcio Pereira Morato 

Rua do sol, 148 – Edifício Camélia 31 

Jardim do Sol 

Campinas  SP  Brasil 

13085-260 

Telefone: (19) 8838.1055 

e-mail: mpmorato@gmail.com 

Tecnológico 

Recebido em: 14 de setembro de 2009. 

Aceito em: 25 de maio de 2010. 

Motriz. Revista de Educação Física. UNESP, Rio Claro, 

SP, Brasil - eISSN: 1980-6574 - está licenciada sob 

Creative Commons - Atribuição 3.0

Motriz, Rio Claro, v.17, n.1, p.01-10, jan./mar. 2011. O artigo dos autores Márcio Pereira Morato Sérgio Settani Giglio  e Mariana Simões Pimentel Gomes 



Essa é a "hierarquia sagrada" do futebol. Cada nível separa o talento comum da imortalidade esportiva. Em 2026, com o futebol cada vez mais físico, essas distinções ficam ainda mais claras:


Bom Jogador: É o "carregador de piano" de luxo. Tem disciplina tática, técnica sólida e entrega constância. É o cara que todo treinador quer no elenco porque ele cumpre a função sem errar o básico. Exemplos atuais seriam nomes como Declan Rice ou Gündogan.


Craque: É quem decide o jogo quando a tática falha. Tem um recurso técnico acima da média (um drible, um passe milimétrico, uma finalização impecável). O craque chama a responsabilidade e resolve. Hoje, falamos de Vinícius Júnior, Mbappé e Haaland.


Super Gênio e Gênio: É quem vê o que ninguém mais vê. O gênio e o super gênio não apenas jogam ele dita o ritmo e subverte as leis da lógica em campo. É o jogador que antecipa o lance três segundos antes dele acontecer. Na história recente, Lionel Messi é o maior expoente, e muitos olhos se voltam agora para ver se Lamine Yamal atingirá esse patamar absoluto.


O talento natural no futebol é a combinação de predisposições genéticas e facilidades cognitivas que dão a um atleta uma vantagem inicial no esporte. No entanto, olheiros, cientistas e treinadores concordam que o "dom" sozinho não cria um jogador de elite. O talento bruto funciona apenas como uma porta de entrada, necessitando de lapidação contínua através de treino rigoroso, disciplina e forte estrutura mental.


Pilares do Talento Natural


O que as pessoas costumam chamar de "talento nato" pode ser dividido em três categorias principais:


Vantagem Genética: Fibras musculares de explosão rápida (velocidade), excelente capacidade cardiovascular, impulsão e flexibilidade.




Facilidade Técnica: Coordenação motora refinada que permite dominar, driblar e finalizar a bola com fluidez e menor esforço consciente.




Visão de Jogo Espontânea: Percepção espacial aguçada, capacidade de antecipar jogadas e tomada de decisão rápida sob pressão  



Muitos atletas altamente talentosos não alcançam o sucesso profissional devido à falta de fatores comportamentais. A evolução de um jogador exige equilíbrio entre o que nasce com ele e o que ele desenvolve:


Atributo Natos (Potencial)Atributos Adquiridos (Lapidação)Velocidade pura e agilidadeInteligência tática e posicionamentoSensibilidade e controle do toque de bolaForça física e resistência muscularCriatividade e improvisaçãoResiliência mental e gestão de estresseIntuição de posicionamentoRotina invisível (sono, nutrição, treino)


O Ambiente de Desenvolvimento


O talento precisa de um meio correto para florescer. Historicamente, o futebol de rua e a várzea no Brasil atuaram como ambientes de aprendizagem informal e espontânea, estimulando o drible e a criatividade em espaços reduzidos. Hoje, os clubes utilizam sistemas para identificar jovens promissores e inseri-los em metodologias científicas de treino o quanto antes.


Exemplos clássicos como o de Cristiano Ronaldo que a longevidade e a excelência máxima Cevolução, superando o conceito de dom inicial. Lionel Messi foi um genio no futebol . Um idolo mundial constrruido com tallento e aperfeiçoamento.

Confira a noticia no UOL                .https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2026/08/31/messi-anuncia-aposentadoria-da-argentina-doi-na-alma-chegou-a-hora.ghtm

Outro artigo para o seu contraditório leitor (a).Link: 

https://leandroliveiraribeiroblo.blogspot.com/2024/12/maradona-x-messi.html

 

Confira os gols oficiais    .https://docs.ufpr.br/~mmsabino/sstatistics/gol_oficial.htm




 
 







 

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