Confira no Site Tudo sobre Fórmula 1 . https://www.tudosobreformula1.
A formação de um piloto de Fórmula 1 é um processo longo, altamente competitivo e caro, exigindo anos de dedicação desde a infância. A trajetória tradicional segue uma "escada" de categorias unificadas pela Federação Internacional do Automobilismo (FIA).1. O Início: Karting (Idade: 6 a 15 anos)O kart é a base fundamental de qualquer piloto de Fórmula 1. É onde se aprendem as técnicas essenciais de pilotagem, traçado de pista, ultrapassagens e controle do veículo sob pressão.Nível Local/Nacional: Competições em campeonatos estaduais e nacionais para ganhar experiência.Nível Internacional: Disputar o Campeonato Europeu de Kart ou o Campeonato Mundial de Kart da FIA é crucial para chamar a atenção de olheiros e academias de jovens pilotos de equipes da F1.2. A Transição para os Carros: Fórmulas de Entrada (Idade: 15 a 17 anos)Ao sair do kart, o piloto faz a transição para carros de corrida de verdade (monopostos com asas e aerodinâmica básica).Fórmula 4 (F4): Existem vários campeonatos nacionais certificados pela FIA (como a F4 Italiana, F4 Britânica ou F4 Brasileira). O foco é aprender a dinâmica de um carro de fórmula.Fórmula Regional: Categorias como a FRECA (Formula Regional European Championship by Alpine) servem como um passo intermediário de maior potência antes das categorias globais.3. As Categorias de Suporte Globais (Idade: 16 a 20+ anos)Essas categorias correm nos mesmos finais de semana e pistas da Fórmula 1, servindo como a vitrine máxima para os chefes de equipe.Fórmula 3 (F3): Grid global unificado com cerca de 30 carros idênticos. O piloto precisa se destacar pelo talento puro, já que os equipamentos são iguais.Fórmula 2 (F2): O último degrau antes da F1. Os carros da Fórmula 2 são extremamente velozes, possuem o sistema DRS (asa móvel) e pneus com comportamento similar aos da F1. Vencer ou ser um dos primeiros colocados na F2 é o passaporte principal para o topo.4
CONSTRUÇÃO DE IMAGEM DA FÓRMULA 1 NAS REDES SOCIAIS:
Estudo de caso da modalidade, equipes e seus pilotos.
Vitória Xavier de Medeiros1
Carolina Pedrosa Cardoso Itocazo2
Resumo
Por meio da análise das redes sociais dos pilotos, suas equipes e da própria categoria, este
artigo sugere estudar a importância das redes sociais na indústria da Fórmula 1. Reunindo
dados e materiais publicados na imprensa, iniciamos nossa pesquisa antes mesmo da gestão
da Liberty Media (responsável pelo investimento de conteúdo nas redes sociais). Também
estudamos o piloto Ayrton Senna, que construiu sua imagem de esportista e ídolo em um
período sem o alcance global das redes sociais. Ao final da pesquisa chegamos à conclusão de
que as redes sociais impactam não apenas a modalidade, como a imagem dos pilotos, além de
possibilitar a obtenção de dados a respeito da opinião do público.
Palavras-Chaves: Fórmula 1; Automobilismo; Marketing; Redes Sociais e Liberty Media.
1. Introdução
Este estudo tem como tema a construção de imagem nas redes sociais dos pilotos de
automobilismo, considerando o crescimento acelerado da comunicação nas redes sociais.
Assim como a análise da própria Fórmula 1 e suas equipes.
O desempenho esportivo, claro, geralmente acaba chamando a atenção do público,
sejam eles torcedores ou patrocinadores. Porém, como há casos de atletas ligados na internet
durante horas, dividindo sua rotina e interagindo com seguidores, abre-se espaço para o
engajamento nas redes sociais e aproximação com esse público. Consequentemente, isso pode
despertar o desejo dos usuários de acompanharem todo o conteúdo disponível sobre aquele
piloto, que compartilha sua vida fora das pistas.
Quais os impactos de um atleta que não constrói presença nas redes sociais?
Um estudo3 feito pela consultoria SportsValue — do especialista em marketing esportivo
Amir Sommogi —, em parceria com a Zeeng, apontou que as equipes e pilotos da F1 têm
uma enorme capacidade de engajamento e, consequentemente, de geração de receitas
adicionais pelas redes.
1 Vitória Xavier de Medeiros, Graduanda em Jornalismo pela Universidade São Judas. Contato:
Vihxavierm@gmail.com.
2 Carolina Pedrosa Cardoso Itocazo, Universidade São Judas, professora. Doutoranda em comunicação ECA/USP.
3 Dirigir para Engajar. Disponível em
<https://bigdatasports.media/wp-content/uploads/2021/03/EN-Digital-F1-24-mar-2021-Sports-Value-Zeeng.pdf> Acesso:
abr. 2022.
1
Observando o cenário atual do Brasil, o país conta com mais de 170 milhões de
usuários de redes sociais, segundo uma pesquisa4 feita pelas agências de marketing digital We
Are Social e Hootsuite, em 2022. Ademais, o mesmo estudo, realizado em 20215, apontou que
o Brasil é o terceiro país no mundo que mais utiliza as redes sociais.
Em vista desses dados apresentados, a hipótese deste trabalho aponta que é rentável
para um atleta investir no gerenciamento de sua imagem em suas redes sociais para obter
resultados positivos no crescimento de sua carreira. Os resultados acontecem tanto pelos
retornos financeiros, quanto pela construção de imagem perante o público-alvo:
patrocinadores e torcedores.
Portanto, o objeto escolhido para o estudo de caso desta pesquisa são as redes sociais
das equipes e dos atletas de fórmula 1, e da própria modalidade, que teve um aumento
considerável de público desde que passou a investir na comunicação através das redes sociais
em 2016.
A pesquisa tem como objetivos gerais:
Analisar como a comunicação no esporte mudou com o surgimento das redes sociais;--
Estudar se a utilização das redes sociais é eficaz na construção de imagem;
Verificar os impactos dessa comunicação com o público-alvo: patrocinadores e
torcedores;
Checar se, com o recurso das mídias sociais utilizadas, os pilotos se destacam entre
aqueles que não investem nesse recurso;
Logo, o artigo foca em analisar a importância da construção de imagem nas redes
sociais da Fórmula 1, seus pilotos e equipes, usando o método de pesquisa empírica indutiva,
quantitativa, com análise documental.
2. Metodologia
Para a análise de alcance, engajamento e crescimento nas redes sociais, usamos
ferramentas que informam dados das redes sociais selecionadas, como as notjustanalytics e
gramhir. Também são analisadas matérias publicadas na mídia, que registraram o
comportamento desses pilotos em suas redes sociais e as reações do público perante a ação
deles. Sendo assim, nosso estudo tem como ponto de partida o ano de 2016 — ano em que a
4 “Digital 2022: Global Overview Report”.. Disponível em: >https://wearesocial.com/uk/blog/2022/01/digital-2022/<
Acesso: abr. 2022.
5 “Digital 2021: Global Overview Report”. Disponível em: >https://wearesocial.com/uk/blog/2021/01/digital-2021-uk/<
Acesso: abr. 2022.
2
empresa Liberty Media assumiu a gestão da Fórmula 1 e passou a investir na produção de
conteúdo nas redes sociais.
Analisamos o Instagram, Facebook, Twitter, Youtube, Twitch e Tiktok, devido às
diferentes características de cada plataforma. Os pilotos escolhidos para a nossa análise são
Lewis Hamilton, Max Verstappen, Daniel Ricciardo, Charles Leclerc, Fernando Alonso e
Sérgio Pérez, pois estão entre os pilotos da temporada da Fórmula 1 2022 mais seguidos nas
redes sociais. Assim como as equipes Mercedes-AMG Petronas F1 Team, Red Bull Racing,
Scuderia Ferrari e McLaren Formula 1 Team. Também são estudados Zhou Guanyu, Nicholas
Latifi, Lance Stroll e Kevin Magnussen, pois são os pilotos da temporada 2022 com os
menores números de seguidores nas redes sociais. Por fim, entram no estudo as redes sociais
dos ex-pilotos de Fórmula 1 Nico Rosberg, Felipe Massa, Rubens Barrichello, que mesmo
aposentados na categoria, atualizam com frequência suas redes sociais.
Como base teórica, este artigo abrange conceitos de Andreas Kaplan e Michael
Haenlein (2010), a respeito do conceito de mídias sociais e redes sociais; do jornalista
Rodrigo França (2006), para abordar a relação do piloto Ayrton Senna com o jornalismo
brasileiro. Além do documentário Dirigir para Viver (2019), da Netflix, que apresenta os
bastidores do esporte fórmula 1.
3. Mídias Sociais e Redes Sociais
A história da internet começa no ápice da Guerra Fria,6 com os Estados Unidos
temendo um ataque de seus adversários, a URSS7. Esse conflito originou a ARPA (Advanced
Research Project Agency8), a qual o principal objetivo era desenvolver tecnologias para
superar a URSS. Como produto, foi criado a ARPANET, uma rede que permitia o
compartilhamento de informações entre computadores de variados locais.
Em 1986, essa rede passou a receber a denominação de internet e, anos mais tarde, na
década de 1990, iniciou-se o desenvolvimento da internet da forma como é conhecida hoje. A
Microsoft, juntamente com outras empresas, explorou a internet e desenvolveu navegadores
como: Internet Explorer, Netscape e Mozilla Firefox, permitindo então que usuários de todo o
planeta pudessem se comunicar. Dessa forma, adentramos no momento primordial para o
desenvolvimento do nosso estudo: a criação das mídias sociais e redes sociais, que afetaram
todos os estágios da comunicação.
6 A Guerra Fria foi responsável pela polarização mundial e, entre 1947 e 1991, desencadeou uma série de pequenos
conflitos como resultado da disputa entre EUA e URSS.
7 Chamada de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), era uma nação socialista que surgiu como
resultado direto da Revolução Russa de 1917.
8 “Agência de pesquisas em projetos avançados”, em português.
3
Andreas Kaplan e Michael Haenlein (2010, p. 59) definem mídia social como “parte
de um grupo de aplicações para internet construídas com base nos fundamentos ideológicos e
tecnológicos da WEB 2.0 e que permitem a criação e troca de Conteúdo Gerado pelo Usuário
(CGU).”. Ou seja, as mídias sociais são o ambiente online, em que podemos compartilhar
informações. Tendo como principal objetivo produção, divulgação e compartilhamento de
conteúdo. Essa permite a interação de seu público, porém as relações ficam em segundo
plano. São elas: fórum, blog, podcast, redes sociais, youtube, etc
Já nas redes sociais, podemos definir como plataformas da internet focadas no
relacionamento com outras pessoas, através de um perfil ou compartilhamento de conteúdo. A
proposta é a interação entre as pessoas. São elas: Facebook, Instagram, Twitter, Linkedin, etc.
4. Impactos de uma gestão que ignorou as redes sociais
Na década de 70, as corridas denominadas “Grande Prêmio” começaram a ser
transmitidas ao vivo nas televisões para o mundo todo. Como naquela época a comunicação
por satélite já era uma realidade, as empresas passaram a enxergar a Fórmula 1 como uma
vitrine para expor suas marcas e aos poucos as equipes foram ganhando patrocinadores —
sendo a maioria multinacionais prontas para investimentos.
Contando com inovações na cobertura televisiva, a Fórmula 1 esteve por anos no
pódio de audiência. Entretanto, demorou para driblar os impactos da digitalização do
entretenimento. O antigo sócio da empresa, que explora os direitos comerciais da
modalidade9, Bernie Ecclestone, não se preocupou em investir em redes sociais, como o
Twitter, Facebook ou YouTube, pelo lento retorno financeiro na época. Além disso, a
preocupação maior era proteger o valor dos direitos televisivos, que era a principal fonte de
renda. Sendo que, segundo Barbosa (2013), não há uma oposição entre as mídias, mas uma
complementaridade.
Por conseguinte, a insatisfação do público cresceu, visto que o problema estava tanto
na imagem, como no alcance da modalidade, que não se preocupava com o relacionamento
direto com os fãs. Uma pesquisa10 realizada em 2015 pela GPDA11 com 217.756 pessoas, de
194 países diferentes, revelou que 78% das pessoas acreditavam que a Fórmula 1 deveria
promover melhor a imagem e a reputação mundial da categoria.
9 Formula One Management (FOM).
10 Essa pesquisa não está mais disponível, mas alguns dados podem ser obtidos na matéria “Fãs apontam Senna como
melhor da história e pedem mais emoção na F-1” Disponível em
<http://ge.globo.com/motor/formula-1/noticia/2015/07/fas-apontam-senna-como-melhor-da-historia-e-pedem-mais-emocao-na-f
1.html>. Acesso: abr 2022.
11 Associação de Pilotos da Fórmula 1.
4
Outra conclusão da pesquisa foi que, comparado a 2010, a percepção da categoria
pelos fãs havia piorado. Em 2010, os três principais atributos apontados pelos torcedores para
descrever a categoria eram “tecnológica”, “competitiva” e “empolgante”. Mas, em 2015,
apenas “tecnológica” permaneceu no top 3, acompanhada agora dos adjetivos “cara” e
“chata”. Além disso, 85% afirmaram que a Fórmula 1 precisava “fazer mais para atrair e
manter novos fãs”.
Como tentativa de contornar a situação, a Fórmula 1 procurou envolver o público com
fotos, vídeos, enquetes e outros conteúdos nas redes sociais. Mas isso não chegou perto do
posicionamento que outros esportes passaram a adotar. Esportes americanos impulsionaram a
sua popularidade através do engajamento com os fãs, produzindo vídeos, promoções
patrocinadas, concursos para fãs, campanhas de hashtag, recursos e acessos exclusivos.
Em 2015 a conta oficial da fórmula 1 do Twitter contava com apenas 1,7 milhões de
seguidores, número baixo se levado em consideração que na mesma época a NASCAR12, que
não tinha o mesmo alcance global na televisão, possuía cerca de 2,1 milhões de seguidores.
Os números se tornam ainda mais baixos quando comparados a outros esportes: a NFL13 que
se preocupava em fornecer conteúdo nas plataformas, tinha 14,5 milhões de seguidores e a
NBA14 18,2 milhões. Isso que, naquele ano, o Twitter era a principal rede social dos fãs de
Fórmula 115.
Com o foco voltado somente nos ganhos com os direitos de mídia, eventos e
promoções tradicionais, a decadência bateu a porta da Fórmula 1 em 2016. No mesmo ano, a
modalidade chamou a atenção da empresa Liberty Media.
5. Como a Liberty Media alavancou a audiência
Em 2016, John Malone, sócio do grupo de comunicação de massa americano Liberty
Media, manifestou o interesse em saber mais sobre a Fórmula 1, conhecendo a organização,
contratos ativos com emissoras, promotores, investidores, etc. Tudo isso por um objetivo:
comprar os direitos comerciais.
Naquele ano, o faturamento estava em torno de 1,2 bilhões de dólares, isso sem
explorar plataformas digitais. Logo, Malone enxergou a oportunidade de um ambiente para
explorar a comunicação digital. Em janeiro de 201716 a Liberty Media comprou a empresa
12 Associação automobilística estadunidense que sanciona e controla múltiplos eventos de esporte a motor, em especial
competições de "stock cars".
13 Liga esportiva profissional de futebol americano dos Estados Unidos.
14 Principal liga de basquetebol profissional da América do Norte.
15 Segundo a pesquisa feita pela GPDA.
16 Apesar da compra ter sido concretizada em 2017, a Liberty Media passou a assumir as operações no final de 2016.
5
controladora da Fórmula 1, a Delta Topco, por 301 milhões de dólares e a maior parte da
aquisição de 4,6 bilhões foi financiada com dívida, oferta de ações e debêntures.
Ao assumir as operações em dezembro de 2016 a empresa Liberty Media passou a
tratar a modalidade como um produto de mídia e não mais de esportes. Ecclestone, que era o
diretor executivo dos ex-donos dos direitos comerciais, foi dispensado e, Chase Carey,
executivo veterano do setor de mídia, passou a para conduzir uma nova fase nas pistas e nas
áreas de marketing e comercialização de direitos da categoria.
Para Victor Martins (2016), jornalista especializado em automobilismo da Warm Up17,
citado por Luiz Gustavo (2016)18, a entrada da Liberty Media na Fórmula 1 era a
oportunidade do evento “sair da mesmice” e se tornar mais atrativo para o público jovem,
portanto “Nada mais válido que um grupo de comunicação entenda que não é possível manter
a barreira que a F1 sustenta até hoje nas redes sociais e veja que há receita a ser garimpada
com publicidade e TV”.
Com os fãs tendo outras maneiras de se envolverem com o esporte, além de assistir às
corridas ou irem aos autódromos, a Liberty Media teve um rápido retorno dos seus
investimentos. Em 2018 a Fórmula 1 embolsou 10 milhões de dólares em faturamento, apenas
com o âmbito digital. Em 2016, quando Bernie Ecclestone ainda estava no comando, o
faturamento foi de 6,1 milhões de dólares.
Em 2 anos a Liberty Media conseguiu faturar 65% mais que o conquistado em 2016.
Sendo que esse número representa apenas 0,6% da receita total gerada pela categoria, pois
não inclui ganhos com a F1TV e o e-Sports. Houve um enorme impulso na interação das
redes sociais, com 11,9 milhões de seguidores no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube —
representando um aumento de 54,9% em relação a 2016. Mas os resultados positivos não
foram apenas nas redes sociais, ao impulsionar as redes sociais, plataformas digitais e
disponibilizar conteúdos de vídeos, a Fórmula 1 também elevou sua audiência na televisão.
Ademais, o investimento nas redes sociais também levou ao expressivo crescimento
entre o público mais jovem. Um estudo da empresa The Insights Family19, especializada em
inteligência de mercado, revelou que o número de crianças que são fãs de Fórmula 1 cresceu
17% nos principais mercados europeus. De acordo com a pesquisa, são cerca de 2,85 milhões
17 Agência responsável pelo site Grande Prêmio.
18 Informação obtida em entrevista ao site Meio e Mensagem. Disponível em >
https://www.meioemensagem.com.br/home/marketing/2016/10/04/a-arrancada-do-liberty-media-no-segmento-de-corridas.html<
. Acesso: abr de 2022.
19 The insights family data drives formula 1 to help understand its future fans. Disponível em:
>https://theinsightsfamily.com/news/366< Acesso: Abr. 2022.
6
de crianças a mais se interessando ativamente pela categoria, o que elevou a base de fãs
juvenis da F1 para 20,1 milhões de crianças.
Além das redes sociais, outro fator que contribuiu para o crescimento expansivo de
novos públicos foi o lançamento da série F1: Dirigir Para Viver, na Netflix, que mostrou os
bastidores e as rivalidades entre pilotos e equipes. Além disso, a realização de corridas
virtuais (o Virtual Grand Prix) que ocorreram quando as corridas foram suspensas por conta
da pandemia da Covid-19, também contribuíram. No período, elas também foram
impulsionadas pelas presenças dos pilotos Lando Norris, Charles Leclerc, Alex Albon e
George Russell — todos utilizaram as plataformas Twitch e YouTube para se conectar com os
fãs. Aliás, é importante ressaltar que até 2017, equipes e pilotos não tinham permissão de
publicar vídeos nas redes sociais ou interagir com fãs.
De acordo com o chefe da Red Bull, Christian Horner (2017), citado por Jonathan
Noble (2017)20, “Dar personalidade aos pilotos e dar alguns bastidores só vai incentivar as
pessoas a ligarem a televisão e assistirem às corridas. Eu realmente vejo isso como um
benefício geral para o esporte".
Com a abertura das mídias sociais, os fãs passaram a ter um canal direto de
comunicação com os pilotos e equipes, ou seja, a possibilidade de aproximação do público.
Sob esse ponto, entramos na questão de que a abertura nas mídias é benéfica tanto para os
pilotos, como para as equipes.
6. A construção de imagem do piloto Ayrton Senna
Há 28 anos, no dia 1 de maio de 1994, o Brasil se chocou com o anúncio dado pelo
jornalista Roberto Cabrini, em plantão na "TV Globo", emissora que por muitos anos deteve
os direitos de transmissão da Fórmula 1 no Brasil21. Naquele domingo, o país recebeu a
notícia da morte prematura do piloto Ayrton Senna, que ao longo de sua carreira cativou uma
legião de fãs ao ponto de ser lembrado como "herói" e "ídolo". No dia seguinte ao acidente, os
principais jornais da época publicaram a tragédia em suas capas. "Acidente mata Ayrton
Senna", "Brasil perde Senna" estampou respectivamente a "Folha de S. Paulo" e o "O
Globo". Enquanto o "Estado de S. Paulo" utilizou a seguinte manchete “Morte de Senna abala
País e causa indignação com segurança na F-1".
20 Informação obtida em entrevista ao site motorsport. Disponível em >
https://motorsport.uol.com.br/f1/news/red-bull-tv-nao-deve-temer-liberdade-nas-midias-sociais-879572/879572/<. Acesso: abr
de 2022.
21 Em 2021 o Grupo Bandeirantes de Comunicação anunciou a compra dos direitos de transmissão da Fórmula 1.
7
O então presidente do Brasil, Itamar Franco, decretou luto de três dias, e o velório do
piloto ocorreu dentro da própria Assembleia Legislativa de São Paulo, acompanhado por 241
mil pessoas. O cortejo durou três horas e, estima-se, que um milhão de pessoas foram às ruas
para se despedirem do tricampeão da Fórmula 1.
Toda essa mobilização sobre a morte do atleta mostra a importância que Ayrton teve
na vida de muitos brasileiros. Novas gerações nunca nem chegaram perto de o verem
correndo ao vivo na televisão, mas conhecem o seu nome, assim como pilotos mirins falam
em entrevistas que querem ser como Senna. A construção de sua imagem reflete nos dias
atuais, tanto que, mesmo após anos de sua morte, seu nome é citado em assuntos sobre a
Fórmula 1.
Rodrigo França (2006) relembra em sua dissertação de mestrado que, ainda no início
dos anos 1980 — quando essa prática ainda não era comum — Senna trabalhava com a
assessoria de imprensa “Ayrton Senna Promoções”, que abastecia constantemente as redações
com notícias sobre ele. Dessa forma, França (2006, p. 82) afirma que “Senna, sim, soube
trabalhar com seus feitos para construir sua imagem de esportista e ídolo, algo que rivais
como Piquet, por exemplo, não fizeram”.
Aliás, Ayrton conseguiu se destacar como tricampeão, com as vitórias de 1988, 1990 e
1991, quando o Brasil já contava com os títulos de Emerson Fittipaldi, que ganhou os
mundiais em 1972 e 1974, e de Nelson Piquet, que foi tricampeão com as conquistas de 1981,
1983 e 1987. Ou seja, a legião de fãs de Senna era incomparável a desses pilotos e o título de
tricampeão dele refletiu como se fosse um ineditismo no nosso país — mesmo não sendo.
Praticamente, a mídia foi uma aliada para transformar Senna em um super-herói de
carne e osso. Segundo França (2006, p.77)
Piquet era definido como um personagem de interesse relativamente pequeno para a
mídia, já que celebrava suas vitórias como algo de conquista pessoal- algo bastante
comum em esportes individuais, como tênis e automobilismo. Seu interesse pela F-1
era sobretudo uma forma que gostava de trabalhar e ganhar muito dinheiro, mas não
era dominado pela preocupação de se tornar um ídolo.
Senna sabia que o apoio da mídia seria benéfico para sua carreira e tratou de cultivar
essa relação. Todavia, quando falamos dele, estamos falando de meados dos anos 1980 para
início dos anos 1990 (década marcada pela transição de jornalista do meio impresso para as
redações de televisão). Ou seja, uma realidade cada vez mais distante da nossa, que está
passando por transformações na comunicação em decorrência ao crescimento das redes
sociais.
8
Em nossa atual sociedade, Ayrton não contaria apenas com veículos de comunicação,
como jornais e revistas, para construírem sua imagem, pois o piloto também teria que se
atentar com a sua presença nas redes sociais. A pesquisa Digital 2022 — citada anteriormente
em nosso estudo — apontou que, só no Brasil, o número de usuários de mídia social equivale
a 79,9% da população total. Dessa forma, as últimas décadas viram a expansão da web e a
popularização de tecnologias digitais, móveis e em rede. A sociedade está cada vez mais
global, móvel e conectada (PAVLIK, 2014).
7. Covid-19 e a presença dos pilotos e equipes nas redes sociais
Em 11 de março de 2020, a Fórmula 1 preparava-se para o início da temporada, em
Melbourne, na Austrália. Nesta data, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a
situação da Covid-19 oficialmente como uma pandemia e a etapa acabou sendo cancelada,
assim como as corridas da China, Holanda, Mônaco, Azerbaijão, Canadá, França, Singapura,
Japão, Estados Unidos, México e Brasil. Quase todos os países que foram sede das provas
adotaram medidas de restrições para a realização dos grandes prêmios (GP), sendo a principal
a ausência do público.
Segundo o estudo da Sports Value e da Zeeng, as receitas Fórmula 1 bateram US$ 1,1
bilhão (R$ 6,2 bilhões) em 2020, sendo que em 2019 esse número chegou a US$ 2 bilhões
(R$ 11 bilhões). Um recuo de 44% de uma temporada para outra. E as escuderias enfrentaram
um prejuízo de US$ 386 milhões (R$ 2,1 bilhões), frente aos lucros de US$ 17 milhões (R$
95 milhões) em 2019.
Em contrapartida, a Fórmula 1 precisou adaptar uma comunicação voltada para ações
remotas no ambiente digital, como a elaboração de campeonatos virtuais, que na primeira
transmissão ao vivo obteve um pico de 175.008 espectadores no streaming e,
aproximadamente 2.180.58222 visualizações no canal oficial da Fórmula 1 no Youtube. Além
de uma parceria com a empresa Zoom23 (para criar um “Virtual Paddock Club", mostrando os
bastidores aos fãs).
Dessa forma, o engajamento da Fórmula 1 em 2020 cresceu 99% em 2020 em
comparação ao ano anterior. Deixando evidente o valor e potencial das redes sociais para a
modalidade. E, nos três primeiros meses de 2021, as dez24 equipes totalizaram 85 milhões de
seguidores (somando facebook, twitter, instagram e youtube). As equipes mais seguidas
22 Dado obtido no link https://www.youtube.com/watch?v=DYsySLIMOGA&ab_channel=FORMULA1 em maio de 2022.
23empresa responsável pelo app de videochamadas Zoom.
24 Mercedes-AMG Petronas F1 Team, Red Bull Racing, Scuderia Ferrari, McLaren Formula 1 Team, Aston Martin Cognizant F1,
Aston Martin Cognizant F1 Team, Alpha Tauri, Williams Racing, Alfa Romeo Racing Orlen, Hass F1 Team e Alpine F1 Team.
9
foram: Mercedes-AMG Petrona F1 Team, Red Bull Racing, Scuderia Ferrari e McLaren
Formula 1 Team, que atingiram sucessivamente 23 Milhões, 19 Milhões, 14 milhões e 14
milhões de seguidores. E, nesse período, as equipes produziram mais de 5 mil postagens e
geraram 57 milhões de interações com os fãs, 80% provenientes do Instagram.
Já os pilotos, somaram 82 milhões de seguidores nas redes sociais, com Lewis
Hamilton alcançando quase a soma dos seguidores da Mercedes e McLaren. Sendo assim os
mais seguidos foram: Lewis Hamilton, com mais de 30 milhões, Daniel Ricciardo, com mais
de 5 milhões, e Max Verstappen, também passando dos 5 milhões.
8. Análise e comparação de dados das redes sociais
Utilizando a plataforma Not Just Analytics25, obtemos os dados que Lewis Hamilton
(28.028.642 seguidores) tem como média o ganho de 21.557 seguidores por dia no Instagram.
Dessa forma, entre os dias 09 de abril e 09 de maio de 2022, o piloto ganhou 433.316
seguidores na rede social. E, entre 2018 e 2022, o período de mais ganho foi em agosto de
2020, com o crescimento de 1.258.866 — mês em que o piloto ganhou o grande prêmio (GP)
da Grã-Bretanha com um dos seus pneus furados na última volta.
Max Verstappen (8.5151.987) tem como média o ganho de 11.169 seguidores por dia.
O período de mais ganho foi quando celebrou sua vitória em Abu Dhabi, que lhe concedeu o
título mundial de Fórmula 1 (738.216 seguidores em dezembro de 2021).
Charles Leclerc (7.271.832 seguidores) tem como média o ganho de 11.863 seguidores
por dia. O período que mais ganhou seguidores foi no mês que venceu a primeira corrida da
temporada (343.402 seguidores em março de 2022).
Daniel Ricciardo (6.901.252 seguidores) tem como média o ganho de 9.620 seguidores
por dia. Quando venceu no circuito de Monza e conquistou a primeira vitória da equipe
McLaren desde 2012, recebeu 160.330 seguidores (setembro de 2021). Mesma corrida do
acidente26 entre Max Verstappen e Lewis Hamilton.
Fernando Alonso (4.234.738 seguidores) tem como média o ganho de 2.796
seguidores por dia. Analisando os gráficos de Alonso, encontramos 2 momentos de pico de
seguidores: agosto de 2021 (52.342 seguidores), quando publicou um anúncio cifrado no
Twitter insinuando “grande notícia”27, e em novembro de 2021 ( 50.420), quando esteve no
pódio após sete anos sem nenhuma vitória.
25 Dados obtidos em maio de 2022.
26 Lewis Hamilton voltou do pit stop e saiu na pista na mesma região em que Max Verstappen estava em alta velocidade. Os
dois, na primeira curva após a reta, entraram lado a lado e bateram.
27 O piloto deixou a Fórmula 1 em 2018, mas retornou em 2021.
10
Sérgio Pérez (3.879.578) tem como média o ganho de 12.605 seguidores por dia, em
novembro de 2021 ganhou 169.086 seguidores após ganhar em seu país natal e ficar no
terceiro pódio seguido.
Quando analisamos os pilotos da temporada com os menores números, chegamos aos
seguintes resultados: Zhou Guanyu (352.347 Seguidores) ganha 1.289 por dia. Em maio de
2022 recebeu 21.501 seguidores após anunciar a venda do mesmo modelo guiado por ele na
temporada. Nicholas Latifi (519.348) ganha 319 seguidores por dia. Em dezembro de 2021
ganhou 34.041 após bater o seu carro na final da Fórmula 1 (essa batida praticamente retirou o
título de Lewis Hamilton). Lance Stroll (758.254) ganha 174 seguidores por dia e em abril de
2021 recebeu 42.224 após ser punido por uma ultrapassagem ilegal. Por fim, o piloto Kevin
Magnussen (818.939) recebe 726 por dia e em março de 2022 ganhou 84.051 após retornar
como piloto titular da equipe Haas.
Enquanto isso, Nico Rosberg que recebe 146 seguidores por dia, tem como total
1.910.654. Esse ex-piloto, campeão mundial de Fórmula 1 em 2016, tem como pico de
ganhos quando revelou que abriu mão de R$ 500 milhões ao deixar a F1 (agosto de 2021
17.431 seguidores). Felipe Massa (1.301.280), que tem como média 150 seguidores por dia,
tem como pico mais recente o ganho de apenas 4.608 seguidores, em julho de 2019. Nesse
mês o ex-piloto de Fórmula 1 esteve presente no podcast TICARACATICAST. Já o ex-piloto
Rubens Barrichello (1.220.056) ganha 577 seguidores por dia e não houve nenhum período de
ganho em potencial.
9. Considerações finais
Tendo em vista o exposto, compreendemos a validação da nossa hipótese sobre a
importância da construção de presença nas redes sociais no universo da Fórmula 1. Em nossa
análise, observamos os impactos da gestão de Bernie Ecclestone — que não se preocupou em
investir em redes sociais —, e como a empresa Liberty Media mudou o cenário da Fórmula 1
tratando a modalidade como um produto de mídia e não apenas de esportes.
Visto a importância da produção de conteúdo em multiplataformas, a presença da
Liberty Media na Fórmula 1 não só elevou os ganhos, como conseguiu segmentar o público
alvo, levando ao expressivo crescimento entre os jovens. Aliás, a própria empresa passou a
incluir as equipes e pilotos nas redes sociais, relevando à indústria o poder de engajamento e
geração de receitas deles. Outro ponto estudado envolve a questão da possibilidade de inovar
ainda mais a comunicação no meio digital, como foi o caso da situação da Covid-19.
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Ademais, em nossa análise e comparação de dados, observamos o pico de crescimento
de seguidores nas redes sociais do pilotos, que revela o comportamento do público alvo em
momentos marcantes no esporte, sejam eles acidentes ou vitórias.
Esse ganho e perda de seguidores também mostra a opinião do público sobre
determinado piloto. Lewis Hamilton pode não está à frente da atual temporada, mas por anos
cativou uma legião de fãs, ou seja, por mais que esteja em 5° lugar, ele ganha cerca de 21.557
seguidores por dia no Instagram. E, quando mostrou o seu potencial como piloto, recebeu
1.258.866 seguidores. Também podemos citar o caso do ex-piloto Nico Rosberg, que mesmo
estando fora das pistas desde 2016, ainda é lembrado pelos torcedores, principalmente quando
relembra seus tempos na Fórmula 1.
O reflexo da reação do público fica ainda mais forte quando analisamos a situação do
piloto Kevin Magnussen (considerado um dos pilotos mais polêmicos da Fórmula), que
voltou para a Fórmula 1 por conta do seu patrocinador: Anders Holch Povlsen28. Além dele,
Lance Stroll, corre na equipe de seu pai e a equipe de Nicholas Latifi recebe dinheiro do pai
do piloto. Apesar de seus investimentos, esses três pilotos estão na lista dos menos seguidos
em suas redes sociais. Seus picos de seguidores não se comparam às situações dos outros
pilotos que estão acima deles, como o caso de Latifi, que foi ovacionado por comentários
acusando ele de ter sido pago pela Red Bull Racing para causar a batida de 2021.
Além disso, o piloto Lance Stroll (2020) declarou notar a sua imagem negativa em
suas redes sociais, “Quando vou bem, silêncio. O ódio desaparece. Aí vou mal e tudo começa
de novo”. Stroll também revelou que a situação existe desde a sua estreia na Williams “Já no
meu primeiro ano, na Williams, as pessoas começavam a me destruir quando eu cometia um
erro” (informação verbal).29
Esse estudo começou com a proposta de estudar a construção de imagem dos pilotos
na Fórmula 1, visto os impactos da construção de imagem do piloto Ayrton Senna. Entretanto,
em nosso percurso, analisamos que a internet impactou principalmente a Fórmula 1, que foi
resgatada pelas inovações da empresa Liberty Media. Além disso, nos deparamos com a
importância da análise de dados no quesito de compreender o posicionamento do público
perante aos acontecimentos no esporte.
Diante aos dados obtidos, enxergamos uma indústria com potencial no mundo digital,
através das redes sociais, filmes e séries, jogos, corridas virtuais, e até mesmo no investimento
de coberturas jornalísticas.
28 O homem mais rico da Dinamarca e dono da grife Jack & Jones.
29 Informação fornecida no podcast In the Pink, da jornalista Natalie Pinkham.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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AUTOMOBILISMO: A importância do marketing esportivo no processo de construção
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>https://theinsightsfamily.com/news/366< Acesso: Abril 2022. O artigo das autoras Vitória Xavier de Medeiros1 e Carolina Pedrosa Cardoso Itocazo2.
Uma corrida de Fórmula 1 é dividida em três fases estratégicas, onde o comportamento do carro muda drasticamente devido ao consumo de combustível e ao desgaste dos pneus.
1. O Começo (A Largada e Voltas Iniciais)
O Carro: Está em seu peso máximo (cerca de 900 kg) com 110 kg de combustível no tanque.
Comportamento: O carro fica extremamente pesado, lento nas reações e difícil de frear.
Pneus: Estão frios no primeiro minuto, gerando pouca aderência (grip) e alto risco de travamento de rodas.
Dinâmica: É a fase mais perigosa, com carros muito próximos disputando espaço com reações tardias de frenagem.
2. O Meio (A Fase de Gerenciamento)
O Carro: Perde peso progressivamente à medida que queima combustível (cerca de 1,5 kg a 2 kg por volta).
Comportamento: O equilíbrio melhora e o ritmo de corrida fica constante. O carro se torna mais ágil e previsível.
Pneus: Sofrem degradação térmica e desgaste da borracha. O comportamento muda dependendo da estratégia de paradas nos boxes (pit stops).
Dinâmica: É o momento dos "clones de ritmo", ultrapassagens por estratégia (undercut ou overcut) e gerenciamento de pneus para evitar o superaquecimento.
3. O Fim (As Voltas Finais)
O Carro: Está em seu peso mínimo, quase sem combustível no tanque.
Comportamento: O carro vira um "foguete". Fica extremamente leve, rápido e responsivo, registrando as voltas mais rápidas da prova.
Pneus: Geralmente estão novos (se o piloto fez uma parada recente) ou totalmente desgastados (se tentou ir até o fim sem parar).
Dinâmica: Pilotagem no limite da aderência. Se os pneus estiverem velhos, o carro perde a traseira facilmente e escorrega nas curvas.
Se você quiser entender melhor os bastidores e os regulamentos que moldam essa dinâmica, posso ajudar com mais detalhes:
Como funciona a estratégia de pit stop (undercut e overcut)?
Quais são as regras de combustível da Fórmula 1?
Como os diferentes compostos de pneus (macio, médio e duro) mudam o ritmo?
Um gênio ou génio é uma pessoa com grande capacidade mental. Ela pode se manifestar por um intelecto de primeira grandeza, ou um talento criativo fora do comum. Na primeira escala de classificação para níveis cognitivos, proposta por Lewis Markson Terman , em 1916, eram classificados como "gênios" as pessoas que obtivessem pontuação acima de 150, e "quase gênio" (near genius) entre 140 e 150, numa padronização com média = 100 e desvio-padrão = 16. Posteriormente, em 1928, essas classificações foram modificadas e passou-se a considerar "gênio" somente quem obtivesse pontuação acima de 180, também numa padronização com média = 100 e desvio-padrão = 16. Para David Weschler , o termo "gênio" poderia ser aplicado a quem obtivesse escore acima de 127, numa padronização com média = 100 e desvio-padrão = 15. Mais tarde, passou a classificar como "gênio" quem obtivesse pontuação acima de 150. Pela classificação mais recente do Stanford Birnet V (2003), o termo gênio é aplicado a quem obtém escore acima de 160, sendo reservado o termo superdotado para quem obtém pontuação entre 145 e 160.
O termo "gênio" também se aplica a alguém que seja um polimata ou alguém habilidoso em muitas áreas intelectuais. O termo se aplica com precisão a habilidades mentais, mais que físicas, embora seja também usado coloquialmente para indicar a posse de um talento superior em qualquer campo.
Deve-se ter em consideração que é perigoso tomar como referência as pontuações em testes de QI, quando se deseja fazer um diagnóstico razoavelmente correto de genialidade. Há que se levar em consideração que em todos as pontuações, e em todas as medidas, existe uma incerteza inerente, bem como os resultados obtidos nos testes representam a performance alcançada por uma pessoa em determinadas condições, não refletindo necessariamente a capacidade total ou ótima da pessoa em condições ideais. Fatores como sono, cansaço, estresse, desmotivação, ansiedade, entre outros, podem prejudicar os resultados nos testes, bem como fatores como a sorte podem inflacionar resultados em testes de múltipla escolha. E o mais importante: a grande maioria dos testes cognitivos usados em clínicas se baseia em questões demasiado elementares, inadequadas para estimar a capacidade intelectual em níveis muito altos. Isso gera muitas distorções quando se tenta diagnosticar "genialidade" com base num teste de QI. O ganhador do Nobel de Física Richard Feyeman por exemplo, obteve escore 125 num teste de QI, e foi considerado portador de uma das mentes mais brilhantes do século 20; ao passo que alguns professores medianos de Física frequentemente alcançam escores de 140 a 160, desde que tenham pensamento rápido, já que a rapidez para resolver problemas simples é um quesito para se obter bons resultados em testes de QI tradicionais. Outro exemplo é o campeão mundial de Xadrez Garry Kasaoarov, que obteve escores 123 e 135 em dois testes de QI, sendo que sua genialidade é indiscutível. Fatos como este, quando não são adequadamente analisados, podem colocar em dúvida a validade dos testes de QI e os diagnósticos baseados nos testes.
Por isso, quando se trata do conceito de "gênio", é mais recomendável que o "diagnóstico" seja baseado na produção intelectual.
Há uma fina linha entre genialidade e loucura. Eu apaguei essa linha."
- citado em "Frases Geniais" - Página 40, de Paulo BuchsbaumA partir desse tema, também não podemos desconsiderar a citação: "Nem que seja para fazer alfinetes, o entusiasmo é indispensável para sermos bons no nosso ofício."- Ne fit-on que des épingles, il faut être enthousiaste de son métier pour y exceller. - "Observations sur la Sculpture et sur Bouchardon" in: "Oeuvres de Denis Diderot", Volume 4 - Página 575, Denis Diderot - A. Belin, 1818é uma citação atribuída a Denis Diderot. Ela destaca a importância do entusiasmo como elemento fundamental para o bom desempenho em qualquer tipo de trabalho.
Em 1973, Kevin Langdon criou os primeiros testes de inteligência sem limite de tempo, e com nível de dificuldade muito mais alto que o dos testes de QI tradicionais. Entre 1982 e 1985, Ronald Hoeflin criou outros três testes difíceis e sem limite de tempo, seguindo a mesma linha. Nas primeiras normatizações, estimava-se que estes testes seriam capazes de medir corretamente o QI até cerca de 190, enquanto os testes de QI tradicionais, como WAIS, Stanford-Binet, Cattell, Raven etc., só podiam medir corretamente até cerca de 135. Em normatizações mais recentes (2003-2006) e mais rigorosas, verificou-se que os testes de Hoeflin possuem um teto de validade perto de 165, sendo questionável a validade dos escores obtidos nos testes de Hoeflin que superem o patamar de 170. No final dos anos 1990 e início do seculo 21 houve um surto de novos testes difíceis, criados por membros de sociedades de alto QI e atualmente existem dezenas de testes que pretendem medir adequadamente o QI até cerca de 180 ou mais, embora seja discutível se de fato os escores acima de 165 nestes testes são representações adequadas da capacidade intelectual. De qualquer modo, como são testes muito difíceis, complexos e demandam meses ou anos para serem solucionados, isso os torna mais semelhantes aos desafios intelectuais da vida acadêmica e faz com que representem melhor o nível de produção intelectual das pessoas examinadas. Empresas de alta tecnologia como IBM e Microsoft , desenvolvem seus próprios testes cognitivos para selecionar seus colaboradores, geralmente com nível de dificuldade intermediário entre os testes de QI tradicionais e os testes mais difíceis criados por Langdon, Hoeflin, Lygeros e outros.
Para uma distribuição normal de escores com média 100 e desvio-padrão 16, um QI 180 corresponde a 5 desvios-padrão acima da média. Isso representa um nível de raridade de 1 em 3.500.000. Ou seja, há atualmente no mundo cerca de 2.000 pessoas com Qi neste nível de raridade. Assim, o nível de raridade acaba sendo um parâmetro adequado para atribuir o predicado de "gênio". Segundo a Revista Espaços . Felipe Massa e Rubens Barrichello são pilotos muito bons . Que conhecem Formula 1 como poucos e merecem mais respeito.
Confira meu artigo .https:// leandroliveiraribeiroblo. blogspot.com/2025/06/uma- questao-historica-na-formula- 1.html. Confira meu artigo .https:// leandroliveiraribeiroblo. blogspot.com/2025/11/piloto- bom-piloto-muito-bom-piloto. html. Confira no Portal Terra o ranking das 161 corridas .https://www.terra.com.br/ parceiros/guia-do-carro/senna- so-perde-para-schumacher-no- ranking-de-161-corridas, 3f9160f6fe2181d1d9cfd98ac275d4 5agiaw1xie.html. Confira as estatísticas dos pilotos na Fórmula 1 .https://www.statsf1.com/pt/ statistiques/pilote.aspx.
Imagem do Site Tudo sobre Formula 1.
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