O fator econômico é o principal motor do sucesso e da sobrevivência dos clubes de futebol modernos, transformando o esporte de uma atividade recreativa em uma indústria global multibilionária. A saúde financeira de um clube dita diretamente sua capacidade de competir por títulos, contratar talentos e expandir sua marca.Abaixo está uma análise estruturada de como a economia molda o futebol atual: As Principais Fontes de ReceitaOs clubes de futebol geram receitas majoritariamente através de três pilares principais:Direitos de Transmissão (Broadcast): Cotas de TV e streaming costumam ser a maior fonte de renda. Ligas como a Premier League distribuem bilhões anualmente, criando uma abismo financeiro entre os clubes que dela participam e o restante da Europa.Matchday (Bilheteria e Estádio): Faturamento direto em dias de jogos. Inclui ingressos, planos de sócio-torcedor, alimentos, bebidas e experiências VIP dentro das arenas modernas.Comercial e Marketing: Contratos de patrocínio master (camisa), fornecedores de material esportivo, licenciamento de produtos e a venda de naming rights dos estádios.Além desses pilares, o mercado de transferências (trading de jogadores) é vital, especialmente para clubes da América do Sul e de ligas intermediárias da Europa, que dependem da venda de revelações para fechar as contas no azul.O Impacto Esportivo do Poder FinanceiroExiste uma correlação direta entre o faturamento de um clube e seu desempenho em campo:Folha Salarial vs. Títulos: Estudos de finanças aplicadas ao esporte mostram que o tamanho da folha salarial é o indicador mais preciso para prever a posição de um clube na tabela. Quem paga mais, geralmente ganha mais.Infraestrutura: Clubes ricos investem em centros de treinamento de última geração, tecnologia de análise de dados (scouting) e medicina esportiva avançada, reduzindo lesões e otimizando o desempenho.Poder de Barganha: A capacidade de pagar multas rescisórias astronômicas permite que superclubes monopolizem os melhores talentos jovens e treinadores do mercado.
A situação financeira do futebol brasileiro é marcada por receitas recordes que superam bilhões de reais, mas também por um endividamento crítico que atinge patamares bilionários em vários dos principais equipos do país. Pelo menos 11 clubes brasileiros possuem dívidas totais superiores a R$ 1 bilhão, com Corinthians e Atlético-MG liderando o ranking de maiores passivos financeiros.Panorama Geral das FinançasRecorde de Endividamento: Clubes como Corinthians, Atlético-MG, São Paulo e Botafogo acumulam dívidas totais (entre curto e longo prazo) que ultrapassam a faixa dos R$ 2 bilhões cada.Patrimônio Líquido: Equipes como Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro e Internacional mantêm um faturamento elevado e patrimônio líquido positivo (ativos superiores às dívidas), embora dependam fortemente de receitas variáveis, como a venda de jogadores.Impacto das SAFs: A chegada das Sociedades Anônimas do Futebol mudou o perfil de gestão e reestruturação de passivos em várias instituições, gerando debates sobre o equilíbrio entre investimento esportivo e sustentabilidade a longo prazo.
FUTEBOL BRASILEIRO: ANÁLISE
ECONÔMICO-FINANCEIRA
Adriano da Nobrega Silva
Consultor Legislativo da Área IV
Finanças Públicas
Antonio Marcos Silva Santos
Consultor Legislativo da Área III
Direito Tributário / Tributação
ESTUDO TÉCNICO
SETEMBRO DE 2019
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caracterizando-se, nos termos do art. 13, parágrafo único da Resolução nº 48,
de 1993, como produção de cunho pessoal do(a) consultor(a).
3
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SUMÁRIO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................................................. 4
PANORAMA ECONÔMICO-FINANCEIRO DOS CLUBES DE FUTEBOL ....... 4
CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 13
REFERÊNCIAS ................................................................................................ 14
4
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O Excelentíssimo Senhor Deputado Federal Pedro Paulo
solicitou um panorama econômico-financeiro dos clubes de futebol brasileiros. A
fim de se promover a análise solicitada, foram utilizados os demonstrativos
contábeis dos seguintes clubes: Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Botafogo,
Chapecoense, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Goiás,
Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo, Sport, Vasco da Gama e
Vitória. A seleção levou em conta o fato de que esses 19 clubes foram objeto de
análise tanto no relatório "Finanças dos clubes brasileiros em 2018" de autoria
da Sports Value, quanto no relatório "Análise Econômico-Financeira dos Clubes
de Futebol em 2018" de autoria do Itaú BBA1.
PANORAMA ECONÔMICO-FINANCEIRO DOS CLUBES DE FUTEBOL
O segmento econômico relacionado ao futebol, levando em
conta os 19 clubes analisados, gerou no Brasil, no ano de 2018, cerca de 5
bilhões de reais (Figura 1), com grande concentração dos clubes localizados no
Rio de Janeiro e em São Paulo (Figura 2). Esse resultado, por si só, indica que
o mercado do futebol se mostra promissor no país.
Figura 1 – Receita Líquida em 2018 (milhões de R$)
CHAPECOENSE
GOIÁS
VITÓRIA
CORITIBA
SPORT
BAHIA
ATLÉTICO-PR
BOTAFOGO
SANTOS
ATLÉTICO-MG
75
75
83
96
99
127
151
167
218
246
VASCO DA GAMA
INTERNACIONAL
FLUMINENSE
CRUZEIRO
GRÊMIO
SÃO PAULO
CORINTHIANS
FLAMENGO
PALMEIRAS
249
264
281
0
100
200
300
374
384
410
400
446
500
517
602
600
700
Fonte: Demonstrações financeiras dos 19 clubes relativas a 2018.
Elaboração: Autores.
1
Adicionalmente, os relatórios apontados trouxeram dados relativos ao Ceará Sporting Club. O mesmo,
contudo, não foi objeto do presente estudo tendo em vista que os demonstrativos contábeis relativos ao
ano de 2018 não discriminavam separadamente os gastos com pessoal.
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5
Figura 2 – Participação na Receita Líquida em 2018
BAHIA
3%
SPORT
2%
CORITIBA
2%
ATLÉTICO-PR
3%
BOTAFOGO
3%
SANTOS
4%
ATLÉTICO-MG
5%
VASCO DA GAMA
5%
INTERNACIONAL
5%
VITÓRIA
2%
GOIÁS
2%
CHAPECOENSE
2%
PALMEIRAS
12%
FLAMENGO
11%
CORINTHIANS
9%
SÃO PAULO
8%
FLUMINENSE
6%
CRUZEIRO
8%
GRÊMIO
8%
Fonte: Demonstrações financeiras dos 19 clubes relativas a 2018.
Elaboração: Autores.
Quando são analisados os resultados do ano, contudo, o cenário
mostra-se bem mais modesto. O superávit líquido dos 19 clubes em conjunto é
de apenas 32 milhões de reais, o que representa pouco mais de 0,66% de
rentabilidade (resultado / receita líquida).
Dos dezenove clubes analisados, onze apresentaram déficit no
ano de 2018. Considerando-se a rentabilidade apenas dos clubes restantes, ela
oscilou entre 2% (São Paulo) e 26% (Vasco da Gama), apresentando-se, em
média, no patamar de 11% (Figura 4). Um aspecto que deve ser considerado ao
se promover a análise da rentabilidade é o de que, em sua maioria, os clubes de
futebol brasileiros adotam a forma de associações e a legislação tributária exige
como requisito para gozo de isenção fiscal que as mesmas não apresentem
superávit ou, caso o apresentem, que o mesmo seja aplicado na manutenção
dos objetos institucionais. Assim, poder-se-ia considerar que os resultados
negativos da maioria dos clubes em 2018 foram devidos à realização de
investimentos pelos clubes nesse ano.
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Figura 3 – Resultado do Exercício em 2018 (milhões de R$)
Fonte: Demonstrações financeiras dos 19 clubes relativas a 2018.
Elaboração: Autores.
Figura 4 – Rentabilidade em 2018
Fonte: Demonstrações financeiras dos 19 clubes relativas a 2018.
Elaboração: Autores.
A fim de verificar essa possibilidade, apurou-se o montante do
patrimônio líquido dos clubes de futebol e constatou-se que onze dos dezenove
clubes apresentam passivo a descoberto (patrimônio líquido negativo) o que -77,39-38,66-27,24-21,85-18,77-17,21-14,38-9,57-3,98-2,61-1,48
4,48
7,24
9,33
16,47
45,89
53,51
63,72
64,93
Santos
Chapecoense
Cruzeiro
Atlético-MG
Corinthians
Botafogo
Sport
Internacional
Vitória
Coritiba
Fluminense
Bahia
São Paulo
Goiás
Atlético-PR
Flamengo
Grêmio
Palmeiras
Vasco da Gama
26%
14%
12%
11%
11%
9%
4%
2%-1%-3%-4%-4%-5%-7%-9%-10%-15%-36%-40%-30%-20%-10% 0% 10% 20% 30%
Vasco da Gama
Grêmio
Goiás
Atlético-PR
Palmeiras
Flamengo
Bahia
São Paulo
Fluminense
Coritiba
Internacional
Corinthians
Vitória
Cruzeiro
Atlético-MG
Botafogo
Sport
Santos
7
indica que os próprios aportes de recursos feitos pelos associados para a
composição do patrimônio dos clubes estão sendo comprometidos (Figura 5).
Figura 5 – Patrimônio Líquido em 2018
Atlético-PR
Internacional
Corinthians
Atlético-MG
São Paulo
133
107
Palmeiras
Sport
Flamengo
Goiás
Chapecoense
Vitória
Cruzeiro
Coritiba
Grêmio
Bahia
Fluminense
Santos
Vasco da Gama
Botafogo-654-700
60
20
1-12-23-24-46-55-60-108-257-302-358-500-300-100
100
Fonte: Demonstrações financeiras dos 19 clubes relativas a 2018.
Elaboração: Autores.
424
337
236
300
Entre os componentes dos custos dos clubes de futebol, os
gastos com pessoal variam entre 29% (vinte e nove por cento) e 75% (setenta e
cinco por cento), apresentando um patamar médio correspondente a 50%
(cinquenta por cento) das receitas líquidas (Figura 6).
Um indicador que tem sido utilizado para se estimar a
capacidade que os clubes têm para quitar suas dívidas e fazer novos
investimentos é o LAJIDA – Lucro Antes dos Juros, Impostos sobre Renda
incluindo Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Depreciação e Amortização
ou, em inglês, EBITDA (Earnings before interest, taxes, depreciation and
amortization). Nos termos da Instrução Normativa CVM nº 527, de 4 de outubro
de 2012, o LAJIDA é resultado líquido do período, acrescido dos tributos sobre
o lucro, das despesas financeiras líquidas, das receitas financeiras e das
depreciações, amortizações e exaustões e dele não se pode excluir quaisquer
itens não recorrentes, não operacionais ou de operações descontinuadas. Na
análise que promoveu dos clubes de futebol, o Itaú BBA utilizou a expressão
"geração de caixa" como equivalente ao Lajida (Itaú BBA, 2018). Embora o
conceito diga respeito, por se basear no resultado contábil ajustado, ao fluxo
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8
econômico e não ao fluxo financeiro, fez-se uso no presente estudo da mesma
expressão utilizada no estudo citado.
Figura 6 – Gastos com Pessoal sobre Receita em 2018
Sport
Chapecoense
Cruzeiro
Goiás
Santos
Bahia
Coritiba
Atlético-MG
Vitória
Vasco da Gama
Corinthians
Internacional
Flamengo
Atlético-PR
Botafogo
São Paulo
Fluminense
Grêmio
Palmeiras
0%
Fonte: Demonstrações financeiras dos 19 clubes relativas a 2018.
Elaboração: Autores.
69%
61%
58%
57%
55%
53%
53%
48%
48%
45%
44%
43%
42%
36%
36%
30%
29%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
75%
74%
80%
A capacidade de geração de caixa dos clubes foi bastante
assimétrica no ano objeto da análise2. O Palmeiras possui a capacidade de gerar
172 milhões de reais por ano ao passo que o Santos e o Chapecoense não
geram um único real. A geração de caixa média foi de 50 milhões de reais por
ano em 2018 (Figura 7).
Dividindo-se o montante da dívida pela geração de caixa no ano,
tem-se o número de anos necessário para a quitação dos débitos. Três clubes
apresentam-se totalmente fora da curva de análise. O Santos e o Chapecoense
apresentaram geração de caixa negativa, o que significa dizer que jamais
conseguirão pagar seus passivos, enquanto o Cruzeiro necessitará de mais de
2
Utilizou-se como indicativo da capacidade de geração de caixa o Lucro Antes dos Juros, Impostos sobre
Renda incluindo Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Depreciação e Amortização - LAJIDA (em
inglês EBITDA) conforme Instrução Normativa CVM nº 527, de 2012.
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9
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duzentos anos. Os demais clubes necessitam, em média dez anos para honrar
seus compromissos (Figura 8).
Figura 7 – Geração de Caixa (LAJIDA/EBITDA) em 2018
Fonte: Demonstrações financeiras dos 19 clubes relativas a 2018.
Elaboração: Autores.
Figura 8 – Anos necessários para quitar as Dívidas
Fonte: Demonstrações financeiras dos 19 clubes relativas a 2018.
Elaboração: Autores.
Um aspecto negativo da adoção do modelo associativo pela
maioria dos clubes de futebol diz respeito ao fato de que os recursos disponíveis
para o financiamento das atividades têm origens bastante restritas, sendo
provenientes ou dos associados, que já convivem com um cenário de passivo a
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
34
28
15
11
11
10
10
9
9
7
6
3
3
3
2
2
0 20 40 60 80 100
Santos
Chapecoense
Cruzeiro
Botafogo
Atlético-MG
Atlético-PR
Internacional
Coritiba
Sport
Vitória
Bahia
Fluminense
Corinthians
Vasco da Gama
Flamengo
Goiás
Palmeiras
Grêmio
São Paulo
10
descoberto, ou do Sistema Financeiro, que cobra uma remuneração maior pelos
empréstimos ou financiamentos nessas situações. Dos dezenove clubes,
dezesseis possuem despesas financeiras maiores que as receitas financeiras,
chegando a comprometer, em média, sete por cento da receita líquida a esse
título (Figura 9).
Figura 9 – Despesa Financeira Líquida sobre Receitas em 2018 (milhões
de R$)
Fluminense
Grêmio
Corinthians
Botafogo
Internacional
Santos
Palmeiras
Atlético-MG
Flamengo
Cruzeiro
Vasco da Gama
Coritiba
São Paulo
Sport
Bahia
Goiás
Vitória
Chapecoense
Atlético-PR
30
29
29
21
19
18
17
16
13
11
9
7
2
0
0
0
0
5
10
15
20
25
30
Fonte: Demonstrações financeiras dos 19 clubes relativas a 2018.
Elaboração: Autores.
47
47
45
35
40
45
50
Nesse cenário de escassez de recursos, os clubes de futebol
têm recorrido à prática de escolher quais os credores que serão pagos e, em
geral, as dívidas com o Fisco não são pagas. O montante dos débitos tributários
(R$ 2,5 bilhões) em relação aos demais débitos (R$ 7 bilhões) varia de 2%
(Chapecoense) a 86% (Flamengo), sendo, em média, de 36% (Figura 10).
Analisando-se mais detidamente o caso do Flamengo, uma vez que este
apresenta o maior montante de débitos fiscais, nota-se que a grande maioria
dessas dívidas é de longo prazo e seu patamar não tem se reduzido ao longo
dos anos, o que denota que a prática governamental da concessão de
sucessivos parcelamentos especiais tem sido infrutífera (Figura 11). A redução
no patamar da dívida do clube verificado deu-se pela redução de multas e juros
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11
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para a inclusão de débitos antigos no parcelamento especial da Lei nº
13.155/2015.
Figura 10 – Dívidas e Dívidas Fiscais em 2018
Fonte: Sports Value (2019).
Elaboração: Autores.
Figura 11 –Dívidas Fiscais do Flamengo em 2018 (milhões de R$)
Fonte: Demonstrações financeiras dos 19 clubes relativas a 2018.
Elaboração: Autores.
731
669
629
595
531
477
463
445
408
358
316
296
270
242
175
167
50
45
43
- 100 200 300 400 500 600 700 800
Botafogo
Internacional
Fluminense
Atlético-MG
Vasco da Gama
Corinthians
Palmeiras
Cruzeiro
Santos
Flamengo
Grêmio
Atlético-PR
São Paulo
Coritiba
Sport
Bahia
Vitória
Goiás
Chapecoense
Dívidas Fiscais Dívidas
50
100
150
200
250
300
350
400
450
jan/11 jan/12 jan/13 jan/14 jan/15 jan/16 jan/17 jan/18
Passivo Circulante Passivo Não-Circulante
12
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Para efeito de comparação, conforme recente matéria veiculada
no sítio da Forbes na Internet, dos vinte clubes de futebol com maior valor no
mundo, a dívida média equivale a apenas nove por cento do valor corrente,
apenas dois deles apresentam rentabilidade negativa e a rentabilidade média
gira em torno de quinze por cento (Tabela 1).
Tabela 1 – Vinte Maiores Clubes de Futebol do Mundo (milhões de US$)
Time Valor Dívidas Dívidas Receitas Resultado Rentabilidade
Corrente / Operacional
Valor
Real Madrid 4.239 42 1% 896 112 13%
Barcelona 4.021 - 0% 824 -37 -4%
Manchester United 3.808 724 19% 795 238 30%
Bayern Munich 3.024 - 0% 751 129 17%
Manchester City 2.688 - 0% 678 168 25%
Chelsea 2.576 - 0% 597 127 21%
Arsenal 2.268 249 11% 520 102 20%
Liverpool 2.183 65 3% 613 128 21%
Tottenham Hotspur 1.624 601 37% 511 212 41%
Juventus 1.512 136 9% 480 47 10%
Paris Saint-Germain 1.092 - 0% 646 53 8%
Atletico de Madrid 953 219 23% 363 38 10%
Borussia Dortmund 896 - 0% 379 14 4%
Schalke 04 683 82 12% 291 13 4%
Inter Milan 672 336 50% 335 73 22%
AS Roma 622 255 41% 298 25 8%
West Ham United 616 62 10% 236 49 21%
AC Milan 583 245 42% 248 -27 -11%
Everton 476 - 0% 254 -11 -4%
Newcastle United 381 - 0% 240 79 33%
Total 34.917 3.016 9% 9.955 1.532 15%
Fonte: OZANIAN (2019)
Elaboração: Autores.
Considerando que a rentabilidade média dos clubes brasileiros
que têm sido bem-sucedidos (Figura 4) não se encontra tão distante daquela
verificada no plano internacional (Tabela 1) e que a dívida total dos clubes
brasileiros de cerca de sete bilhões de reais cai para menos de dois bilhões de
dólares em virtude da cotação do dólar, pode-se concluir que há espaço para
investidores estrangeiros trazerem seus recursos para o futebol brasileiro.
13
Outro aspecto a considerar é o de que caso venham a adotar,
exemplificativamente, o modelo de sociedade anônima, os clubes de futebol,
além de recorrem aos recursos dos acionistas, poderiam emitir debêntures e
assim obter recursos a um custo mais acessível que o cobrado no Sistema
Financeiro, o que contribuiria para o aumento de sua rentabilidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Da análise das demonstrações financeiras dos 19 clubes de
futebol objeto do presente estudo, apresentam-se as seguintes observações:
a) apesar de apresentarem, em geral, elevadas receitas, a
rentabilidade da maioria dos clubes é baixa ou negativa;
b) os gastos com pessoal são um dos mais importantes
componentes de custo dos clubes de futebol, sendo responsáveis pelo dispêndio
de metade da receita líquida.
c) com o caixa gerado no ano de 2018 os clubes necessitariam,
em média, de 10 anos para quitar suas dívidas, exceção feita a três clubes que
necessitariam, no mínimo, de duzentos anos para realizar o pagamento.
d) déficits sucessivos têm feito com que muitos clubes
apresentem passivo a descoberto;
e) sem prejuízo do exposto nos itens anteriores, a rentabilidade
média dos clubes que apresentam superávit se mostra compatível com a
verificada internacionalmente, o que pode atrair investidores estrangeiros; e
f) o volume de dívidas (tributárias e não-tributárias), apesar de
elevado, pode atrair, dada a rentabilidade dos clubes bem-sucedidos e a cotação
do dólar, o interesse de investidores estrangeiros.
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14
REFERÊNCIAS
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da Controladora e Consolidado em conjunto com as notas explicativas
findas em 31/12/2018 e 31/12/2018. Disponível em:
https://chapecoense.com/images/uploads/noticias/relatorio_01.pdf
Acesso em 30 set 2019.
BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS. Relatório do auditor Independente;
Demonstração contábil em 31 de dezembro de 2018 e 2017. Disponível em:
http://www.botafogo.com.br/transparencia/2018_individual_BRF.pdf
Acesso em 30 set 2019.
CORITIBA FOOT BALL CLUB. Demonstrações financeiras em 31 de
dezembro de 2018 e 2017. Disponível em:
https://portal.coritiba.com.br/Content/Arquivos/pdfs/balanco_2018.pdf
Acesso em 30 set 2019.
CLUB ATHLETICO PARANAENSE. Demonstrações Contábeis relativas aos
exercícios sociais encerrados em 31 de dezembro de 2017 e 2018.
Disponível em:
https://static.athletico.com.br/wp
content/uploads/2019/04/29182547/BalancoAthletico2018.pdf?_ga=2.13138471
9.1042432005.1568912315-1639925805.1568912315
Acesso em 30 set 2019.
CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA. Demonstrações Financeiras em 31
de dezembro de 2018 e relatório dos auditores independentes. Disponível
em:
https://static.vasco.com.br/upload/downloads/20190430225333_981506.pdf
Acesso em 30 set 2019.
CLUBE ATLÉTICO MINEIRO. Demonstrações contábeis em 31 de dezembro
de 2018 e 2017. Disponível em:
http://jornal.iof.mg.gov.br/xmlui/handle/123456789/218609?paginaCorrente=01
&posicaoPagCorrente=218594&linkBase=http%3A%2F%2Fjornal.iof.mg.gov.br
%3A80%2Fxmlui%2Fhandle%2F123456789%2F&totalPaginas=42&paginaDest
ino=16&indice=0
Acesso em 30 set 2019.
CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO. Demonstrações Financeiras em 31
de dezembro de 2018 e relatório dos auditores independentes. Disponível
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https://www.flamengo.com.br/transparencia/demonstracoes-financeiras
Acesso em 30 set 2019.
CRUZEIRO ESPORTE CLUBE. Demonstrações Financeiras em 31 de
dezembro de 2018 e relatório dos auditores independentes. Disponível em:
https://cms.cruzeiro.com.br/ckfinder/userfiles/files/Balanco2017-2018.pdf
Acesso em 30 set 2019.
Adriano da Nobrega Silva / Antonio Marcos Silva Santos
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15
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ESPORTE CLUBE BAHIA. Demonstrações contábeis em 31 de dezembro de
2018.
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https://www.esporteclubebahia.com.br/wp
content/uploads/2019/03/ECB-RELAT%C3%93RIO-ADC-2018-Registro-BDO
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Acesso em 30 set 2019.
ESPORTE CLUBE VITÓRIA. Relatório do Auditor Independente;
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O conteúdo deste trabalho é de exclusiva responsabilidade de seu autor.
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2019-20539 . O artigo dos autores Adriano da Nobrega Silva
Consultor Legislativo da Área IV
Finanças Públicas e Antonio Marcos Silva Santos
Consultor Legislativo da Área III
Direito Tributário / Tributação
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