A história da Fórmula 1 é moldada por pilotos excepcionais que redefiniram os limites da velocidade. Cada um desses "gênios" dominou as pistas com características técnicas e psicológicas únicas.
A FABRICAÇÃO DOS ÍDOLOS ESPORTIVOS
Fátima Maria Pilotto (Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul).
O fenômeno do estrelato consiste em tudo o que é
publicamente disponível sobre astros.(...) As imagens
dos astros são sempre extensivas, multimídias e
intertextuais. (Dyer apud Simpson, 1994)
Em uma fotografia1, que ocupa a maior parte da capa do jornal, a camiseta brasileira
paira sobre a cabeça de Ronaldinho2 como se ele estivesse sendo coroado. No mesmo dia,
na capa de abertura das páginas esportivas do jornal, novamente ocupando quase toda a
folha, surge o rosto sorridente de Ronaldinho pela abertura da gola da camiseta. Ele surge
na moldura do Brasil, ao vestir esse símbolo que é a camiseta brasileira. Ao virar a página,
ocupando exatamente sua metade, mais uma vez está lá o garoto sorridente, agora já vestido
com a camiseta brasileira. Leio essa sequência de fotografias (que descrevo brevemente)
iniciada com Ronaldinho sem camisa, passando pelo processo de vesti-la e, finalmente, com
ele já vestido com a camiseta brasileira, como uma narrativa que participa da constituição
desse sujeito como um ídolo. Segundo Fairclough (1989) “Nem todas as fotografias são
iguais: qualquer fotografia retrata a imagem de uma cena ou de uma pessoa, de uma forma
entre várias possíveis imagens. A escolha é muito importante porque diferentes imagens
atribuem diferentes sentidos”. (p.8)
As cores verde e amarelo predominam nestas imagens, porém, o fundo azul anil,
(terceira cor na ordem de importância da bandeira brasileira), provoca um contraste especial
na representação deste ídolo. O texto escrito, que acompanha a primeira imagem, indica as
glórias do ídolo que é duplamente ganhador, não apenas de um título regional, mas
sobretudo nacional. Em letras maiores, sua coroação é confirmada ao receber a benção da
seleção. A manchete do terceiro texto, ao indicar a coincidência de dois jogadores de
mesmo apelido estarem disputando a mesma copa, novamente remete à idéia de um ídolo
nacional. O “outro” Ronaldinho (atualmente jogador do time europeu Inter, de Milão) e o
“novo” Ronaldinho, ao mesmo tempo que ganham prestígio nacional e internacional, são
1 Jornal Zero Hora, 22.07.99.
2 Jogador de futebol do clube gaúcho Grêmio Futebol Portoalegrense.
1
elevados a figuras de representantes nacionais e isso está materializado, não apenas na
manchete - Mais um Ronaldinho para o Brasil -; mas no conjunto todo, nos três textos.
A fabricação dos ídolos esportivos (como de outros ídolos) ocorre em um processo
que envolve publicação sistemática de artigos, textos publicitários, narração de jogos,
comentários de especialistas, etc que põe em destaque qualidades e atributos distintos
desses sujeitos e que os configuram como especiais. Tal processo de fabricação ocorre em
todas essas instâncias da mídia, e nele não se criam apenas sujeitos-ídolos, mas, também, se
constroem “eras” que passam a identificar o período em que eles se encontram em seu
apogeu. Na constituição da “era” de um ídolo intervém muitos processos, um deles inclui a
própria desconstrução dos ídolos3. É sobre esse processo, de produção de ídolos, que esse
texto trata, fazendo uso da noção dos modos de sujeição de Foucault e explorando o modo
como se dá a constituição dos ídolos como mercadorias.
O trabalho é parte de minha dissertação de mestrado (já concluída) na qual busquei
examinar representações de práticas corporais e esportivas em textos de dois jornais de
publicação diária editados em Porto Alegre/RS - Correio do Povo e Zero Hora. Na escolha
dos textos, a partir dos quais, analisei a fabricação dos ídolos esportivos dei prioridade para
aqueles que se referiam aos jogadores Dunga4 e Ronaldinho, atletas dos dois maiores clubes
de futebol do Rio Grande do Sul - Internacional e Grêmio. Tal prioridade deve-se ao fato
destes dois jogadores terem assumido a condição de ídolos no período em que empreendi a
coleta do material que examinei na pesquisa.
As análises dos textos desenvolveram-se sobre a inspiração dos Estudos Culturais,
notadamente das vertentes que assumem as chamadas “viradas” cultural e lingüística, sendo
que tomei o jornal como um produto cultural que não apenas veicula compreensões
fabricadas nas práticas sociais, mas que participa dos processos constitutivos das
significações e dos sujeitos.
1. Eras Esportivas
3A desconstrução ocorre não somente pelas críticas feitas aos ídolos (ver por exemplo os textos do final do ano
de 1999 que se referiam ao Ronalidnho da Inter de Milão, ídolo consagrado na última copa do mundo) mas até
mesmo pela não publicação de textos.
4 Ex jogador de futebol do clube gaúcho Internacional.
2
Como os textos dos jornais anunciam, existem diferentes “eras” onde um pequeno
número de atletas, são consagrados/as por serem destaques em determinadas modalidades
esportivas. Os textos falam, por exemplo, da Era Dunga, da Era Ronaldinho e da Era
Arílson5. As “eras” vão e vêm, iniciam e terminam, sendo às vezes retomadas e outras
esquecidas para sempre. Sua principal característica é a velocidade, a rapidez e a eficiência
com que os sujeitos se tornam conhecidos em um curto espaço de tempo e em vários
locais.
Ao contrário da idéia das quatro eras geológicas, que se supõe terem durado milhões
e até bilhões de anos, as “eras esportivas” duram pouco. A palavra era, usada normalmente
para designar a divisão básica do tempo (uma época notável, um período importante, uma
data especial, um grande acontecimento histórico), ganha nos textos esportivos dos jornais
novos sentidos. A velocidade e a eficiência com que essas “eras” se constituem e se
propagam estão ligadas ao alcance que os meios de comunicação possuem e exercem nesse
processo em que se dá a fabricação dos ídolos.
Logo que aparece um talento esportivo, os jornais se empenham em transformá-lo
num ídolo, publicando diariamente reportagens que, como já vimos, tratam não apenas de
seu desempenho nas competições, mas que falam também sobre a sua vida privada, as/os
seus/suas namorados/as, seu corte de cabelo, a marca de seu carro, suas roupas, seu lazer.
Assim, somos “obrigados/as” e convencidos/as de que isso nos interessa e diz respeito e
passamos a saber via mídia qual o prato preferido dos ídolos, o que eles vestem, se vão
colocar aparelho nos dentes ou não, como se divertem, como e quais são suas relações
familiares, amorosas. Essas considerações mostram que na construção de um ídolos não
interfere apenas o seu talento6específico. Quando os textos dos jornais falam de seus
gostos, de seus bens materiais, de seu saber, de sua intimidade, outras dimensões desses
sujeitos são igualmente postas em destaque para associá-las ao seu talento e é tudo isto que
interfere na sua fabricação como ídolo.
Nos textos dos jornais aparecem muitas denominações para referir esses sujeitos
que se destacam em uma determinada era: astros, estrelas, ídolos, heróis, craques, entre
5Zero Hora, 22.06.1999 e Correio do Povo, 17.08.99.
6 Ao admitir que existe o talento não estou me filiando às correntes que enfatizam os aspectos biológicos para
3
outras. No entanto tais denominações não apresentam diferenciações significativas.
Todos/as os/as atletas de alto rendimento são de certa forma destaques, devido ao elitismo
que existe nesta forma de prática corporal, pois para ser atleta do esporte de alto
rendimento, deve-se ser muito talentoso, caso contrário não se chega às grandes
competições.
Ainda, assim, existem diversos tipos de ídolos. Pelé e Senna, por exemplo, são
figuras emblemáticas que apresentam um diferencial em relação aos ídolos Ronaldinho e
Dunga. Essa diferenciação, que apenas marco em meu texto, despertou-me muita
curiosidade, pricipalmente pela quantidade de vezes que apareciam textos nos jornais
falando sobre esses “Ídolos” (aqui usado com “I” maiúsculo, para me referir aos ídolos que
possuem maior prestígio - Senna e Pelé). Sabendo que é diferente ser ídolo do
Internacional, da Seleção Brasileira; ídolo local, regional, nacional, internacional; ser ídolo
do tênis, do basquete, da ginástica, surgem questões como: como se constróem os ídolos
esportivos? Por que são o Ronaldinho, o Dunga, o Senna e o Pelé, e não outros os ídolos?
Onde se é ídolo? Em que condições?
As representações dos ídolos esportivos provocam amor e ódio; eles são cultuados e
negados, elogiados e criticados, eles ganham e perdem a fama rapidamente. Essa
ambigüidade que caracteriza as “eras esportivas” esteve presente nos textos publicados pelo
Correio do Povo e Zero Hora, tanto na fabricação de Dunga7 como de Ronaldinho8como
ídolos. Apresento, a seguir, algumas das manchetes que foram anunciadas pelos jornais no
início de 1999, quando Dunga foi contratado pelo Internacional, e durante os meses de
julho e de agosto do mesmo ano, quando Ronaldinho foi convocado para jogar na Seleção
Brasileira:
* INTER RECEBE HOJE SEU MAIOR REFORÇO9
* COLORADOS CELEBRAM NOVO ÍDOLO10
justificar determinados processos. A própria biologia se constitui como um processo histórico e cultural.
7Dunga foi contratado como volante do Internacional no mês de janeiro de 1999. Os textos nos jornais
começam a ganhar visibilidade já em dezembo de 1998, quando se referem às especulações relacionadas às
negociações de seu passe. Seu auge ocorre no final de janeiro e início de fevereiro de 1999.
8Ronaldinho teve seu auge no final de junho, durante todo o mês de julho e início de agosto de 1999. Ele foi
peça chave no campeonato gaúcho e convocado para substituir Edílson, do Corinthians (que foi suspenso por
ter feito uma brincadeira durante um jogo contra o Palmeiras pelo Campeonato Paulista), nos jogos da Seleção
Brasileira pela Copa América.
4
5
* A ALEGRIA DO INTER ATENDE POR DUNGA11
* DUNGA JÁ É ATRAÇÃO DA PRÉ-TEMPORADA12
* DUNGA LEVA A TORCIDA À LOUCURA13
* É DIA DE VER O CAPITÃO DO TETRA NO BEIRA-RIO14
* DUNGA É O DONO DA FESTA NO BEIRA-RIO15
* SELEÇÃO AOS PÉS DE RONALDINHO16
* DESEJADO PELO MUNDO17
* LUZES EM RONALDINHO18
* SÓ SE FALA EM RONALDINHO19
* GOLEADA COM UM LANCE DE GÊNIO DE RONALDINHO20
* CAPITAL RECEBE SEU NOVO ÍDOLO21
* RONALDINHO É CELEBRIDADE NACIONAL22
Manchetes como essas aparecem nos textos jornalísticos durante o período de auge
dos atletas que se transformam em ídolos do momento. Em uma fotografia23, em que estão
presentes jogadores de futebol do time colorado24 sentados, um ao lado do outro, com o
tronco inclinado para frente e atando o cordão de suas chuteiras, também é possível
perceber como a mídia vai construindo determinados atletas como ídolos. No canto direito
da fotografia, o único jogador que aparece nitidamente é Dunga. Porém, o caminho
evolutivo da nitidez da imagem pode também indicar o percurso para os demais jogadores,
ou seja, cria-se através desta representação uma idéia de que todos poderão se tornar
9Zero Hora, 11.01.99, Pg. 03, Caderno de Esportes.
10Ibid., 12.01.99, capa.
11Ibid., 12.01.99 Pg. 58.
12Ibid., 13.01.99 Pg. 58.
13Zero Hora, 21.01.99 Pg.67
14Ibid., 26.01.99 Pg. 58
15Ibid., 27.01.99 Pg. 50
16Ibid., 02.07.99 Pg. 62
17Ibid., 06.07.99 Pg. 66
18Ibid., 22.07.99 Pg. 68
19Ibid., 01.08.99 Pg. 64
20Ibid., 02.08.99 Pg. 20
21Correio do Povo, 06.08.99 - Contracapa
22Ibid., 16.08.99 - Contracapa
23Zero Hora, 26.01.99 Capa
24Outra denominação dada ao clube Internacional de Porto Alegre - RS.
ídolos25. Através dessa fotografia percebe-se também como a mídia vai guiando o olhar
do/a leitor/a em direção ao ídolo.
Destaco agora algumas manchets que foram divulgadas nos meses seguintes quando
esses dois atletas foram responsabilizados pelos resultados negativos dos jogos de seus
clubes:
O INTER CANSOU? Preparo físico do time de Dunga é questionado.26
O INTER ESTÁ MORDIDO27
O CAPITÃO VAI PARA A RESERVA28
RONALDINHO NÃO BRILHA E O GRÊMIO SÓ EMPATA29
A ESTRELA NÃO BRILHOU TANTO30
A ambigüidade apresentada nesses textos dos jornais perde-se, na maioria das vezes,
na memória dos/as leitores/as. Marco-a aqui para mostrar que ela também integra esse
processo de construção de ídolos esportivos, posto que naturaliza peculiaridades do “pós
era”, quando esses ídolos começam a ser deixados de lado e esse espaço (a era) passa a ser
preenchidos por outros sujeitos. Esta é uma das formas como os textos vão inventando,
moralizando e desmoralizando atletas. O lugar ocupado nas eras esportivas, não é particular,
nem específico a Dunga ou a Ronaldinho; ela também não é peculiaridade a jogadores de
futebol. Segundo Ernst Van Aphen (1997):
os modelos retratados são também despojados de sua interioridade. São exibidos como
substitutos universais da subjetividade. Nós, observadores não vemos na imagem da
estrela um eu ímpar, mas um sujeito totalmente modelado nesta fantasia universal do
estrelato. (p.09)
25Embora saibamos que os outros jogadores, na maioria das vezes, são apenas coadjuvantes desse processo que
acaba desfazendo inclusive o espírito de equipe do time, ao atribuir todos os méritos a uma única pessoa.
“A gente joga para o Ronaldinho. Nós marcamos e o resto ele faz - resumiu Sheidt, assumindo a condição de
operário diante de seu rei” (Zero Hora, 21.06.99).
“Se Ronaldinho não fizer não há quem faça pelo Grêmio”. (Zero Hora, 18.10.99 p. 10-11)
“Dunga que depende de Dunga” (Zero Hora, 20.03.99 p.59)
“É Ronaldinho contra Chilavert” (Zero Hora, 24.08.99 p. 62)
“Mas e o que seria do Grêmio se não fosse o Ronaldinho” (Zero Hora, 26.08.99 p. 08)
26Zero Hora, 26.03.99, p.51.
27Ibid, 18.06.99, p. 84.
28Ibid., 08.10.99, capa.
29Ibid., 19.08.99, p. 70.
30Correio do Povo, 19.08.99, p.23.
6
2. Ídolos esportivos: gentes & coisas
Muitas vezes, o ídolo é apresentado ao público como alguém que tem um dom
individual: tudo decorre de um mérito e de uma competência que lhes são próprias, como se
não existissem relações de poder, como se houvesse uma disposição genética que só
permitisse que se torne ídolo quem é dotado de um atributo especial para sê-lo. Marco aqui,
que nesse processo intervém relações de poder que se estabelecem em diferentes níveis.
Seguidamente os textos da mídia divulgam falas de atletas que são instigados a falar acerca
de si:
* Meu passado me acusa. Qualquer coisa que eu faça acaba repercutindo.
Vou ter que começar tudo de novo, serei o primeiro a chegar, até no café
da manhã. Claro que as coisas não irão mudar de uma hora para outra,
mas vou me esforçar.31
* Faz muito tempo que eu não saio à noite.32
* A gente só sai quando há um churrasco de confraternização do grupo e
dos dirigentes.33
* Eu morri e nasci de novo. Estava no fundo do poço e consegui retornar.
Era como se tivesse dado um mergulho profundo e só agora voltei para
respirar.34
Essas são falas de atletas considerados indisciplinados e com problemas extra
campo. Nelas eles se confessam, falam de suas “falhas” e daquilo que não pode fazer parte
do comportamento de um ídolo. Em tais depoimentos (não vou mais sair à noite, vou
entrar para a igreja, preciso me esforçar) esses atletas produzem verdades sobre como
deve ser o “verdadeiro” ídolo.
Em contrapartida, o ídolo Dunga é um conhecedor dos preceitos morais de sua
época, ele sabe como se portar e o que dizer. Ele exerce as “práticas de si” adequadas para
31 Correio do Povo, 06.04.99, contracapa.
32 Ibid. 21.09.99, contracapa.
33 Zero Hora, 11.07.99, p. 57.
34 Ibid, 09.06.99, p.77. Essa fala se refere à experiência do atleta que entrou para a Igreja Evangélica.
7
se transformar no tipo certo de atleta, ao mesmo tempo que se submete às normas que a
sociedade e a instituição esportiva lhe exigem para ser ídolo. Em um texto35publicado na
revista de economia Exame ele nos dá algumas lições práticas de liderança.
Na fotografia aparece apenas a face de Dunga, o restante do corpo não é necessário
quando se trata de aconselhar. Seu jeito pensativo, com uma das mãos apoiando o queixo,
seu olhar profundo e as marcas do tempo nas rugas de sua face completam o quadro de
uma pessoa experiente, bem sucedida no futebol, vencedora de desafios. Isso lhe autoriza a
falar, a dar conselhos, a servir de exemplo para aqueles outros atletas que precisam se
submeter a essas lições, à disciplina que Dunga também se impôs para ser um grande ídolo.
Valorizar os colegas, falar na hora certa, escutar mais do que falar, ser honesto,
nunca ser desleal, ter objetivos, não lamentar as derrotas e ser esforçado e alegre são
características expressas por Dunga de como devem ser os grandes craques. Essas lições
não reproduzem particularidades da identidade de Dunga, enquanto um sujeito único que
pode falar por si. Elas também acabam reproduzindo valores das diferentes instituições que
ele representa e assume como suas. Esses “segredos” revelados por um grande craque,
junto com a expressão apresentada na fotografia, criam idéias para definir um ídolo,
representam o ídolo e, também, preservam determinados valores que estão naturalizados
em nossa sociedade de consumo como os melhores, mais adequados...
Corazza (1999) coloca, a partir de compreensões de Michel Foucault, que em “nossa
história contemporânea, o indivíduo ético é constituído por dois modos de assujeitamento:
1) Sujeito aos outros, pelo controle e pela dependência, com todos os procedimentos de
individualização e de modulação que o poder instaura; 2) sujeito a si mesmo, onde o
indivíduo se apega à sua própria identidade, mediante a consciência e o conhecimento de si,
com todas as técnicas das ciências morais e humanas que formam nosso saber de sujeitos
ocidentais”.
Os textos que retratam falas do ídolo Dunga demonstram o nível do “cuidado de si”,
ou do “relacionamento consigo próprio”, em que o sujeito realiza um determinado modo de
sujeição, efetuando trabalhos sobre si mesmo, realizando determinadas “práticas de si” que
o levam a tornar-se um “sujeito moral”(Idem).
35 Zero Hora, 31.10.99, p. 69.
8
As “práticas de si” que Dunga exerce sobre seu corpo, seus atos, seus
comportamentos para tornar-se o exemplo (o ídolo), estão sempre implicadas em uma
relação com os outros, pois ele exerce determinado controle sobre si mesmo, tomando
como referência princípios dos outros. Só assim, escutando as lições do técnico, da família,
do clube ele poderá realmente se tornar um ídolo.
Como diz Foucault (1994, p. 116), “cuidar de si implica relações complexas com os
outros”. Trata-se de uma forma de cuidado de si que, em que preocupando-se consigo
mesmo, se pensa também nos outros. Cuidar de si até saber exatamente quais são seus
deveres como ídolo, para manter suas obrigações com os fãs, com o clube, com o país, com
a sociedade. Tento exemplificar, dessa forma, a submissão ao outro e o apego à própria
identidade que fazem parte dos modos de sujeição que parecem materializar-se na
instituição esportiva e, especificamente, no processo de fabricação dos ídolos.
Foucault (1995) faz a análise da genealogia do sujeito nas sociedades ocidentais e
leva em consideração não apenas as técnicas de dominação mas também as tecnologias do
eu e as interações entre esses dois tipos de técnica. Para ele, as técnicas de dominação e as
tecnologias do eu são dois aspectos da arte de governar pessoas. Ele estuda, num primeiro
momento, o campo do governo a partir das técnicas de dominação, para depois examiná-lo
através das tecnologias do eu. Ele mostra que existem diferentes formas de poder que estão
presentes constantemente nas sociedades como, por exemplo, as formas de exploração do
século XIX, que separam os indivíduos daquilo que eles produzem; as formas de
dominação da sociedade feudal e os mecanismos de sujeição presentes atualmente (e que
ele também considera presente no Renascimento).
Os mecanismos de sujeição não são simplesmente resultado das formas de
exploração e dominação, são lutas de poder que fazem dos indivíduos sujeitos, e que
“sugerem uma forma de poder que subjuga e que torna sujeito a”. (Foucault, Dreyfus e
Rabinow, 1995, p. 235). Essas três diferentes lutas de poder possuem diferentes forças em
diferentes momentos históricos.
Foucault enfatizou a necessidade de lutarmos contra qualquer forma de
assujeitamento, contra “a submissão da subjetividade”. Pergunto então: Será que a
individualidade dos fãs, dos não-ídolos, das pessoas comuns, não fica subordinada às
9
individualidades dos ídolos? Não seria essa uma forma de sujeição que Foucault identifica
em nossa “sociedade disciplinar”? Para o autor:
O Estado ocidental moderno alcançou algo jamais visto na história das sociedades
humanas - uma combinação complexa entre técnicas de individualização e
procedimentos totalizantes. Ou seja, em nossos dias estaria prevalecendo aquele tipo
de poder que atinge prioritariamente o cotidiano imediato das pessoas, que se ocupa de
saber o que se passa nas cabeças e consciências individuais, explorando almas e
segredos, produzindo verdades nas quais todos devem reconhecer-se e pelas quais são
reconhecidos. (Fischer, 1996 p.71)
O fenômeno esportivo, através de seus feitos heróicos, mostra um dos diferentes
modos pelos quais, em nossa cultura, os seres humanos tornam-se sujeitos. Faz com que
assumamos um determinado tipo de subjetividade:
Os astros detêm um importante controle sobre a representação das pessoas em
sociedade e a forma como eles são representadas nos meios de comunicação de massa
irá exercer algum tipo de influência (mesmo que apenas de reforço) sobre o seu modo
de ser em sociedade. Os astros ocupam uma posição privilegiada na definição dos
papéis e tipos sociais, e isso acarreta conseqüências reais em termos de como as
pessoas acham que podem e devem se comportar. (King, apud Simpson, 1994, p.21)
Uma fotografia publicada no Zero Hora no dia 14.01.99 representa os “mecanismos
de sujeição” que precisam ser estudados quando se trata das lutas de poder dos ídolos em
relação aos sujeitos comuns. Lutas de poder que ignoram quem são as crianças que na
fotografia aparecem aos pés do ídolo. Os valores atribuídos às pernas de Dunga, que ocupa
o centro da imagem, e as crianças curvadas aos seus pés com olhar atento e admirado,
estabelecem formas de poder. São as batalhas contra o governo das individualidades que
devem fazer parte de nossas necessárias revoltas diárias ao olhar fotografias como esta.
Esses sujeitos, em seu processo de assujeitamento e ao exercer sujeições acabam
também se confundindo com coisas - mercadorias. Ainda com relação à fotografia, parece
que a estratégia de marketing, que em um primeiro momento parece apenas focalizar as
pernas do jogador, destaca também a adoração à sua chuteira. A fascinação das crianças
pelo colorido cria, através dessa fotografia, uma estratégia para vender a marca Reebok.
Como coloca Silva (1999):
10
Nossa relação com as coisas é muito mais complicada e confusa do que parece. Entre
nós e as coisas se interpõem o desejo, o sonho, a imaginação, a fantasia, a
irracionalidade (...) Não são apenas as diferentes metamorfoses das coisas que, como a
pintura surrealista, se confundem e se misturam: somos nós mesmos que com as coisas
estamos misturados e confundidos. (Silva, 1999, p.91-2)
Olhar para os/as atletas como ídolos significa atribuir-lhes uma essência que está
diretamente ligada ao mundo das paixões, ao mundo da alma, a algo que não estaria num
plano material, mas sim num plano espiritual. O ídolo, “que se sustenta por si próprio”
(Stallybrass, 1999, p.59), seria uma figura representativa de uma divindade a quem se presta
culto, algo para quem se professa uma ternura apaixonada. Mas não é apenas esse ser
mítico, esse ídolo à maneira religiosa ou espiritual, que os textos dos jornais veiculam,
auxiliando assim em sua fabricação, eles são ao mesmo tempo sujeito e objeto, espírito e
matéria, gente e coisa.
3. Ídolos na vitrine
Consumir atletas como mercadorias tornou-se uma prática freqüente, e amplamente
divulgada pela mídia. Pode-se comparar alguns textos que tratam dos ídolos esportivos com
vitrines que expõem mercadorias caras e raras. Essas mercadorias, além de aparecerem com
as marcas que estão vendendo, muitas vezes estão inclusive etiquetadas com seu devido
valor comercial.
Recentemente foi publicado no jornal uma fotografia de Ronaldinho fazendo um
sinal de ligação telefônica com uma das mãos36. Esse simples fato foi suficiente para o
jornal estimular a Embratel a contratá-lo como garoto propaganda para “fazer um 21”37. É
assim que o estrelato funciona na perspectiva da indústria esportiva, não só relacionada ao
clube mas a diversos outros produtos. O marketing logo transforma os ídolos em garotos
propaganda.
A compra, a venda, o empréstimo, a devolução e os salários de atletas, são assuntos
presentes nos textos dos jornais na atualidade. Eles são freqüentemente associados aos
objetivos das grandes empresas, que acabam assim, produzindo e legitimando seus
36Zero Hora, 11.07.99, p.74.
37 “Fazer um 21” é uma expressão publicitária que quer dizer: utilizar o código de serviço (021) da empresa
11
interesses econômicos e políticos. Em dois textos que passo a analisar, os jogadores são
vistos como mercadorias comercializáveis.
O presidente do Internacional (Amoretty) vai às compras38, e o presidente do
Grêmio (Guerreiro) fecha as portas da loja39. Trata-se de uma loja de “requinte”, ao mesmo
tempo diferente, e igual, às lojas comuns que a maioria de nós freqüenta (supermercados,
padaria, açougue, posto de gasolina, rodoviária, farmácia etc.). Diferente, pois pode optar
por abrir ou não às suas portas, fato não muito comum nas disputas, nas promoções, nas
concorrências que o mercado consumidor apresenta hoje. Igual, porque o dizer da faixa -
Não vendemos craques. Favor não insistir - faz lembrar cartazes que encontramos nos
espaços comerciais que percorremos. Desde o recado mais antigo – “Não vendemos fiado,
favor não insistir” (que podia ser encontrado nas paredes dos “armazéns” do interior, bem
como nos botecos das esquinas) até os mais recentes lembretes que envolvem cheques e
cartões de crédito – “ não aceitamos cartão de crédito”, “cheques somente com identidade”,
“não aceitamos cheques de terceiros”.
No caso do texto do jornal, que transcreve a fala do presidente do Grêmio, a
mercadoria (os jogadores do Grêmio) é tão cara e rara, que não tem proposta que cubra o
valor da mesma. A faixa que aparece na fotografia foi colocada no estádio do Grêmio a
mando do presidente, após a consagração do jogador Ronaldinho como ídolo nacional
daquele período. A tradução em inglês - We don’t sell our best soccer players. Don’t you
dare insist - manda o recado para os que são mais interessados nas mercadorias brasileiras
quando se trata de jogadores de futebol: os empresários estrangeiros.
Como já referi, os dois textos tratam os atletas como produtos, como mercadorias.
Não seria problemático misturar gente com coisa, como nos ensina Stalibrass (1999). Este
autor, ao fazer um estudo sobre nossa relação com as roupas, faz uma diferenciação entre as
coisas vistas como mercadorias (que possuem apenas valor econômico) e as coisas vistas
como objetos que guardam nossa memória, nossas marcas (que possuem valor simbólico).
Stalibrass (1999) rompe com o constrangimento que muitas vezes temos de amar as coisas,
de acumular coisas, ao afirmar que tal constrangimento se deve ao fato de tratarmos as
citada nas ligações telefônicas, e não os da concorrência.
38Zero Hora, 14.07.99, p. 65
12
coisas como meras coisas: “É porque as coisas não são fetichisadas que elas continuam sem
vida”. (p.20) Esse autor destaca o caráter produtivo que tem o fetiche.
Uma das implicações desses textos que estou analisando, ao tratarem os atletas
como mercadoria, é que a própria gente, representada como coisa, está desfetichisada de
suas marcas, de sua estória40 e de seus sentimentos. Ou seja, o que conta na hora da
negociação, é apenas o valor de troca da mercadoria. Deste modo, os atletas aparecem
despojados de suas memórias pessoais. Ronaldinho41, por exemplo: o filho de Dona
Miguelina, o Irmão de Assis, o Moleque, tudo isso que lhe dá valor simbólico, e que acaba
particularizando seu processo de fabricação como ídolo nacional, tem um valor que não
pode ser pago pelos clubes que desejam comprá-lo e, portanto, não é considerado no
momento de venda do atleta-coisa.
Cada mudança de clube, de país, de time, significa desnudar o atleta, entendido
enquanto mercadoria - de sua estória, de seus afetos e de seus amores. Através da sua
circulação e manipulação como mercadoria, estas dimensões perdem o seu caráter
simbólico e, desta forma eles se transformam, mais uma vez, em simples mercadoria de
outro clube, de outro dono. As escolhas são feitas em função da quantidade de dinheiro que
está em jogo; por isso, pode-se dizer que conforme as representações contidas nesses
textos, gente é mercadoria e não objeto/coisa que possui marcas, que guarda estórias etc.
Pode-se analisar tais textos e muitos outros, sobre o prisma da mercadoria. Para
Willis (1987) na sociedade de consumo avançada consumimos até mesmo com os olhos,
não tendo necessariamente que efetivar a troca econômica da mercadoria. Ela afirma:
“absorvemos produtos com o olhar cada vez que empurramos um carrinho pelos
corredores de um supermercado, assistimos televisão ou dirigimos ao longo de uma
rodovia pontuada por logotipos. O consumo visual é de tal forma parte de nosso
panorama cotidiano que não nos damos conta dos significados inscritos em tais
procedimentos”. (p.44)
39Ibid. 07.07.99 contracapa.
40 Estou ciente das polêmicas que envolvem a grafia dessa palavra, porém resolvi utilizar estória e não história
pois o autor que estou me baseando a usa dessa forma.
41Em vários dos textos selecionados, a referência a Dona Miguelina, mãe de Ronaldinho, e ao Assis (irmão de
Ronaldinho que se chama Roberto, mas que ficou conhecido como Assis. Atualmente é jogador no Sapporo,
clube japones, e também iniciou sua carreira no Grêmio na década de 80, quando jogou na Copa do Brasil,
primeira vez conquistada pelo Grêmio em 1989, tendo também jogado da Seleção) é uma constante.
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Hoje, o próprio esporte já está se constituindo como uma empresa, os clubes têm
suas marcas, os ídolos têm suas grifes enfim, o esporte pode ser visto ele próprio como uma
mercadoria que vende ao mesmo tempo outras mercadorias. Nos próximos textos42
podemos ver como dois ídolos recentes foram comercializados:
O primeiro texto refere-se à campanha “Sócio Colorado”, lançada logo após a
contratação de Dunga. Na propaganda aparece o ídolo sentado, vestido com o unifome do
time e segurando sua chuteira nas mãos, ao mesmo tempo em que coloca nela o cordão
(recorrentemente o ídolo do futebol aparece, ele próprio, preparando seu calçado - material
simbólico imprescindível em sua arte). Ele está sendo contemplado por algumas pessoas
(fãs, equipe técnica, colegas, torcedores) que aparecem ao fundo e que só podem ser vistos
pela presença de suas pernas. A reconstituição dessa fotografia somente foi possível através
de uma outra fotografia43publicada no Jornal Correio do Povo no dia do lançamento da
campanha colorada.
Nessa imagem aparece também um colega de Dunga, porém na apropriação que é
feita da fotografia para a campanha, recorta-se apenas o ídolo. As feições de Dunga são
fortes, simbolizam aquilo que outros textos escritos apontam como suas características de
herói. Ele é responsável, experiente, líder e sobretudo capitão do tetra. Sua imagem é assim
explorada para a próxima contratação desse time, que não é nenhum grande jogador, mas
você.
No segundo texto44, a manchete anuncia o “uso” de Ronaldinho, o maior ídolo de
sucesso no momento, como garoto propaganda. Os planos do presidente do clube também
são para atrair novos sócios, como na campanha dos colorados. O texto escrito fala sobre os
benefícios tanto do clube quanto do jogador, dizendo: Como Ronaldinho se tornou
celebridade internacional, o Grêmio vai explorar sua imagem. E ainda: sua presença no
time colocará o Grêmio na vitrine internacional e tornará as cotas de amistosos bem
mais valiosas (essa frase ganha destaque). Diz também que Ronaldinho será
recompensado por tudo o que vem fazendo. Curioso é que, ao comentar o cartão do
43 Correio do Povo, 24.01.99, contracapa.
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“Grêmio Prêmio”, o texto diz que Ronaldinho ganhou uma série própria no bilhete,
parecendo que somente o jogador “ganha” algo, e não o clube.
Isso evidencia como o marketing cria, preserva ou transforma as imagens dos
grandes jogadores segundo interesses de mercado. Eles são aproveitados não apenas pelos
interesses do clube, mas também por diferentes empresas, partidos políticos, instituições
assistenciais. Os ídolos aparecem vestindo marcas das grandes indústrias, fazendo
campanhas de novos sócios para o clube que estão representando, divulgando campanhas
governamentais etc.
Esses textos publicitários ressaltam a idéia de que o sucesso do ídolo foi
conquistado individualmente, que tal sucesso é produto do trabalho e da garra dos sujeitos,
enfim, que é merecido. Esses discursos são criados pelos meios de comunicação para
vender produtos e desejos. Desejos quase sempre associados ao dinheiro, à “beleza”, ao
sucesso, à “boa vida” de pessoas ricas.
Enfim...
Acompanhando a era Dunga e a era Ronaldinho, pude perceber como os/as atletas
são construídos como ídolos e tratados ao mesmo tempo como sujeitos e mercadorias. É
preciso considerar que cada uma das eras tem suas peculiaridades, os textos dos jornais não
cansaram de representar o “velho Dunga”(capitão do tetra) como um sujeito exemplar,
símbolo de seriedade e responsabilidade no trabalho; e o “moleque Ronaldinho” como o
garoto que teve todo o respaldo da família (da mãe Dona Miguelina e do irmão Assis),
características essas que impuseram à era Ronaldinho, que ainda se mantém nos textos da
mídia, uma especificidade de garoto que deu certo, que tem futuro. As eras são momentos
de glória para alguns atletas, criadas pelas mídias. Elas têm duração efêmera, mas tem
efeitos constitutivos nas identidades dos sujeitos.
44Zero Hora, 27.07.99, p. 64.
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:A genialidade de fernando alosno genialidade de fernando alosnoA genialidade de Fernando Alonso na Fórmula 1 é amplamente reconhecida devido à sua extraordinária capacidade de extrair o desempenho máximo de carros competitivos ou limitados, combinando velocidade pura com uma leitura de corrida impecável.Aqui estão os pilares que sustentam a reputação do piloto espanhol como um dos maiores gênios do esporte: Engenharia mental e leitura de corridaVisualização global: Alonso consegue guiar no limite absoluto enquanto monitora as telas de TV ao redor da pista para acompanhar a estratégia dos rivais.Cálculo em tempo real: Ele frequentemente dita o ritmo ideal e sugere estratégias pelo rádio, agindo praticamente como um engenheiro de pista de dentro do cockpit.Gestão de pneus: Domina a arte de poupar os compostos sem perder ritmo de corrida, estendendo stints de forma impressionante. Habilidade em combate e ultrapassagensLargadas avassaladoras: Conhecido por ganhar várias posições logo na primeira volta, encontrando brechas onde outros pilotos veem apenas riscos.Defesa implacável: Sua capacidade de posicionar o carro para bloquear adversários mais rápidos é lendária, como demonstrado na icônica defesa contra Michael Schumacher em Ímola (2005) ou contra Sergio Pérez no Brasil (2023).Adaptação imediata: Ajusta seu estilo de pilotagem curva a curva para compensar qualquer problema mecânico ou falta de aderência do carro Longevidade e versatilidade únicaConsistência histórica: Mantém o nível de elite por mais de duas décadas, desafiando a idade e continuando competitivo na era moderna da F1 (atualmente correndo pela Aston Martin).Sucesso fora da F1: Provou sua genialidade universal ao vencer as 24 Horas de Le Mans e o Mundial de Endurance (WEC), além de brilhar nas 500 Milhas de Indianápolis e no Rally Dakar.
O fascínio global dos fãs pela Fórmula 1 é impulsionado por uma mistura única de alta tecnologia, perigo controlado, rivalidades intensas e entretenimento de massa. O esporte transcendeu o nicho automobilístico para se tornar um fenômeno da cultura pop mundial.
Auge da Engenharia: Carros que são os laboratórios sobre rodas mais rápidos do mundo.
Velocidade Extrema: Forças G brutais e reflexos humanos levados ao limite absoluto.
Narrativas de Bastidores: Intrigas políticas, contratos secretos e rivalidades entre equipes.
Efeito "Drive to Survive": Série da Netflix que humanizou os pilotos e atraiu o público jovem.
Estilo de Vida: O glamour de Mônaco, Las Vegas e Miami misturado ao esporte de elite.
Acesso Digital: Conteúdo constante nas redes sociais aproximando fãs da rotina dos pilotos.
Equilíbrio de Gênero: Crescimento massivo do público feminino nos últimos anos.
Fórmula 1 como Novela: Foco nas personalidades dos atletas, não apenas nos carros.
Engajamento Jovem: Domínio de discussões diárias em plataformas como TikTok e X.
O impacto econômico dos novos circuitos urbanos (como Las Vegas e Madrid).
Como as mudanças de regulamento técnico afetam a competitividade atual.
As maiores rivalidades históricas que moldaram a categoria até hoje .
O fascínio dos fãs pelo conhecimento técnico da Fórmula 1 desde 1950 reside na combinação única de engenharia extrema, segredos industriais e a busca incessante por frações de segundo. Diferente de outros esportes onde o foco é puramente humano, a F1 transformou o público em entusiastas da aerodinâmica, da mecânica e da telemetria, tornando o carro tão protagonista quanto o piloto.
A evolução desse interesse técnico ao longo das décadas reflete a própria transformação da categoria:
A Linha do Tempo do Interesse Técnico
Anos 1950-1960: A era mecânica. O foco dos fãs era a engenharia mecânica pura. Discutia-se a transição dos motores dianteiros para os motores traseiros (revolução da Cooper) e a engenharia de garreiros como Colin Chapman.
Anos 1970-1980: Aerodinâmica e Turbo. A introdução do "efeito solo" e das asas móveis rudimentares mudou o entendimento do público. Na década de 1980, a "Era Turbo" trouxe o fascínio por cavalaria extrema e pressões de sobrealimentação.
Anos 1990: Eletrônica embarcada. A suspensão ativa, o controle de tração e o câmbio semiautomático da Williams de 1992 e 1993 mudaram o foco para os computadores e sistemas integrados.
Anos 2000-2010: Telemetria e Era Híbrida. Os dados de telemetria começaram a ser abertos nas transmissões. Em 2014, as Unidades de Potência híbridas (motores V6 turbo + sistemas de recuperação MGU-K e MGU-H) forçaram os fãs a entenderem sobre eficiência térmica e gerenciamento de energia.
Anos 2020: Análise de dados e simulações. Com o teto orçamentário e restrições de CFD (Dinâmica de Fluidos Computacional), o público agora debate o desenvolvimento através de atualizações visuais microscópicas em sidepods e assoalhos.
Pilares do Fascínio Técnico
O Carro como Protagonista: O torcedor de F1 sabe que o melhor piloto no pior carro raramente vence. Isso gera um desejo profundo de entender por que o carro dominante é mais rápido.
Guerra de Bastidores e Espionagem: Casos históricos de cópias de projetos, "comparações de assoalhos" por fotos de fotógrafos de pista e interpretações criativas do regulamento inflamam debates técnicos nas comunidades.
Acesso à Informação: Gráficos de TV em tempo real mostrando frenagem, aceleração, uso de DRS e desgaste de pneus transformaram o espectador comum em um "engenheiro de poltrona".
Se você quiser, posso detalhar um aspecto específico dessa evolução:
Você prefere analisar a revolução do efeito solo nos anos 1970 e seu retorno recente?
Quer entender o impacto da telemetria moderna nas transmissões atuais?
Ou gostaria de explorar as polêmicas técnicas históricas mais famosas de interpretação de regulamento?
A Fórmula 1 mudou o jogo! Deixou de focar apenas no "técnico" para contar histórias reais no Drive to Survive. Resultado? O público feminino saltou de 7% para 37% em Interlagos e a idade média caiu! Reposicionamento é tud
Nas pistas, cada detalhe imp asO automobilismo sempre foi um ambiente de experimentação, onde equipes buscam constantemente novas soluções para melhorar desempenho, eficiência e controle dos veículos. Esse ritmo acelerado de testes e evolução transforma as corridas em um verdadeiro laboratório de inovação. Muitas tecnologias que hoje fazem parte da mobilidade começaram exatamente ali: sendo desenvolvidas, ajustadas e aprimoradas em competições. No fim, quando a inovação nasce no esporte, ela acaba chegando também às ruas
A Fórmula 1 parece mais lenta na TV por causa da técnica de filmagem. As transmissões usam lentes teleobjetivas, que comprimem a profundidade, e câmeras de acompanhamento que mantêm o carro centralizado no quadro. Isso reduz a variação de referência visual e, consequentemente, a percepção de velocidade. Além disso, planos abertos e a falta de objetos próximos no enquadramento diminuem a noção de escala. Em contraste, câmeras fixas e ângulos mais baixos aumentam a percepção de velocidade, pois o carro atravessa rapidamente o campo de visão com referências claras ao redor. Ao vivo, na pista, a leitura é diferente. A presença de pontos fixos próximos (muros, zebras, placas) e o tempo extremamente curto de passagem, muitas vezes em frações de segundo, evidenciam velocidades superiores a 300 km/h de forma mais fiel. Por isso, imagens onboard e circuitos de rua costumam transmitir melhor a real velocidade do que tomadas aéreas ou abertas. Nesses casos, a proximidade com barreiras e a maior variação de direção tornam a aceleração e a frenagem mais perceptíveis, além de evidenciar irregularidades do traçado e mudanças rápidas de trajetória, fato. Segundo li na revista Autoracing .
Desde 1950, a Fórmula 1 passou por transformações profundas para tornar a competição mais equilibrada e emocionante. As mudanças mais significativas ocorreram na expansão da zona de pontuação e na modernização do formato de classificação (qualifying).
Evolução do Sistema de Pontuação
O sistema de pontos cresceu em escala para recompensar mais pilotos e equipes ao longo das décadas.
Período Pontuação para o VencedorPilotos que PontuamPonto por Volta Mais Rápida1950 – 19598 pontosTop 5Sim (1 ponto)1960 – 19909 pontosTop 6Não1991 – 200210 pontosTop 6Não2003 – 200910 pontosTop 8Não2010 – 201825 pontosTop 10Não2019 – 202425 pontosTop 10Sim (desde que no Top 10)2025 – Atual25 pontosTop 10Removido
Notas Importantes:
Melhores resultados: Até 1990, nem todos os resultados da temporada contavam para o título; apenas os melhores (ex: os 11 melhores de 16 corridas) eram computados.
Corridas Sprint: Introduzidas em 2021, oferecem pontos extras para os primeiros colocados (atualmente do 1º ao 8º lugar) em finais de semana selecionados.
Meio ponto: Pontos pela metade são atribuídos se uma corrida for interrompida por bandeira vermelha antes de completar uma distância mínima (geralmente 75%).
Mudanças no Formato de Classificação
O treino que define o grid de largada também evoluiu drasticamente de sessões de tempo simples para o atual sistema de eliminação.
1950 – 1996 (Sessões Tradicionais): Dois treinos de uma hora cada (um na sexta e outro no sábado). O melhor tempo de qualquer sessão garantia a pole.
1996 – 2002 (12 Voltas): Uma única sessão de uma hora no sábado, onde cada piloto tinha um limite de 12 voltas.
2003 – 2005 (Volta Única): Tentativa de aumentar o suspense com cada piloto entrando na pista sozinho para uma única volta lançada.
2006 – Atual (Sistema de Nocaute): Introdução das sessões eliminatórias Q1, Q2 e Q3. Atualmente, os 5 mais lentos caem no Q1, outros 5 no Q2, e os 10 restantes disputam a pole position no Q3.
A evolução dos padrões de acerto (balanceamento) na Fórmula 1 reflete as mudanças drásticas na engenharia, desde motores dianteiros até a aerodinâmica moderna. Embora pilotos individuais tenham preferências distintas, as eras técnicas impuseram tendências gerais de comportamento.
Resumo da Evolução dos Acertos (1950 - Presente)
Era Padrão de Acerto DominanteCaracterísticas do Comportamento1950 - 1959Sobresterçante (Traseiro)Motores dianteiros e pneus finos; os carros eram "guiados com o acelerador" em derrapagens controladas das rodas traseiras.1960 - 1976Tendência NeutraA transição para o motor central melhorou o equilíbrio; o foco era a agilidade mecânica antes do domínio das asas.1977 - 1982Substerçante (Dianteiro)A era do "Efeito Solo" gerava tanta pressão na traseira que a frente muitas vezes perdia aderência (frente "pregada", mas pesada).1983 - 2008Sobresterçante / ÁgilAerodinâmica refinada permitiu frentes muito diretas; pilotos como Senna e Schumacher preferiam carros que "apontassem" rápido, mesmo com traseira instável.2009 - HojeEquilibrado / NeutroRegulamentos restritivos e pneus Pirelli focam na estabilidade; o acerto busca o equilíbrio perfeito para evitar o desgaste excessivo de pneus.
Detalhes das Eras Técnicas
Primórdios (Anos 50): Os carros tinham motor dianteiro e eram inerentemente instáveis. O acerto era focado em lidar com a falta de aderência lateral, resultando em um estilo de pilotagem que favorecia o sobresterço (traseira solta) para ajudar o carro a girar nas curvas.
Revolução Aerodinâmica (Anos 70/80): Com a introdução de asas e o efeito solo, o balanço aerodinâmico tornou-se tão crucial quanto o mecânico. Equipes começaram a usar o balanço de freio e barras estabilizadoras para ajustar se o carro sairia de frente ou de traseira em diferentes partes da curva.
Preferência de Pilotos Modernos:
Max Verstappen e Lewis Hamilton: Tendem a preferir carros com uma frente extremamente forte (tendência sobresterçante), permitindo entradas de curva mais agressivas.
Fernando Alonso: Historicamente adaptou-se bem a carros com substerço (dianteira saindo), usando uma técnica de entrada de curva mais "quadrada" para carregar velocidade.
O Papel do Peso e Suspensão
O equilíbrio de peso é essencial, mas cargas de combustível e desgaste de pneus alteram a distribuição ao longo da prova. Suspensões mais rígidas na frente tendem a causar substerço, enquanto rigidez na traseira promove o sobresterço. Segundo o Site Motorsport .
Um gênio ou génio é uma pessoa com grande capacidade mental. Ela pode se manifestar por um intelecto de primeira grandeza, ou um talento criativo fora do comum. Na primeira escala de classificação para níveis cognitivos, proposta por Lewis Markson Terman , em 1916, eram classificados como "gênios" as pessoas que obtivessem pontuação acima de 150, e "quase gênio" (near genius) entre 140 e 150, numa padronização com média = 100 e desvio-padrão = 16. Posteriormente, em 1928, essas classificações foram modificadas e passou-se a considerar "gênio" somente quem obtivesse pontuação acima de 180, também numa padronização com média = 100 e desvio-padrão = 16. Para David Weschler , o termo "gênio" poderia ser aplicado a quem obtivesse escore acima de 127, numa padronização com média = 100 e desvio-padrão = 15. Mais tarde, passou a classificar como "gênio" quem obtivesse pontuação acima de 150. Pela classificação mais recente do Stanford Birnet V (2003), o termo gênio é aplicado a quem obtém escore acima de 160, sendo reservado o termo superdotado para quem obtém pontuação entre 145 e 160.
O termo "gênio" também se aplica a alguém que seja um polimata ou alguém habilidoso em muitas áreas intelectuais. O termo se aplica com precisão a habilidades mentais, mais que físicas, embora seja também usado coloquialmente para indicar a posse de um talento superior em qualquer campo.
Deve-se ter em consideração que é perigoso tomar como referência as pontuações em testes de QI, quando se deseja fazer um diagnóstico razoavelmente correto de genialidade. Há que se levar em consideração que em todos as pontuações, e em todas as medidas, existe uma incerteza inerente, bem como os resultados obtidos nos testes representam a performance alcançada por uma pessoa em determinadas condições, não refletindo necessariamente a capacidade total ou ótima da pessoa em condições ideais. Fatores como sono, cansaço, estresse, desmotivação, ansiedade, entre outros, podem prejudicar os resultados nos testes, bem como fatores como a sorte podem inflacionar resultados em testes de múltipla escolha. E o mais importante: a grande maioria dos testes cognitivos usados em clínicas se baseia em questões demasiado elementares, inadequadas para estimar a capacidade intelectual em níveis muito altos. Isso gera muitas distorções quando se tenta diagnosticar "genialidade" com base num teste de QI. O ganhador do Nobel de Física Richard Feyeman por exemplo, obteve escore 125 num teste de QI, e foi considerado portador de uma das mentes mais brilhantes do século 20; ao passo que alguns professores medianos de Física frequentemente alcançam escores de 140 a 160, desde que tenham pensamento rápido, já que a rapidez para resolver problemas simples é um quesito para se obter bons resultados em testes de QI tradicionais. Outro exemplo é o campeão mundial de Xadrez Garry Kasaoarov, que obteve escores 123 e 135 em dois testes de QI, sendo que sua genialidade é indiscutível. Fatos como este, quando não são adequadamente analisados, podem colocar em dúvida a validade dos testes de QI e os diagnósticos baseados nos testes.
Por isso, quando se trata do conceito de "gênio", é mais recomendável que o "diagnóstico" seja baseado na produção intelectual.
Há uma fina linha entre genialidade e loucura. Eu apaguei essa linha."
- citado em "Frases Geniais" - Página 40, de Paulo BuchsbaumA partir desse tema, também não podemos desconsiderar a citação: "Nem que seja para fazer alfinetes, o entusiasmo é indispensável para sermos bons no nosso ofício."- Ne fit-on que des épingles, il faut être enthousiaste de son métier pour y exceller. - "Observations sur la Sculpture et sur Bouchardon" in: "Oeuvres de Denis Diderot", Volume 4 - Página 575, Denis Diderot - A. Belin, 1818é uma citação atribuída a Denis Diderot. Ela destaca a importância do entusiasmo como elemento fundamental para o bom desempenho em qualquer tipo de trabalho.
Em 1973, Kevin Langdon criou os primeiros testes de inteligência sem limite de tempo, e com nível de dificuldade muito mais alto que o dos testes de QI tradicionais. Entre 1982 e 1985, Ronald Hoeflin criou outros três testes difíceis e sem limite de tempo, seguindo a mesma linha. Nas primeiras normatizações, estimava-se que estes testes seriam capazes de medir corretamente o QI até cerca de 190, enquanto os testes de QI tradicionais, como WAIS, Stanford-Binet, Cattell, Raven etc., só podiam medir corretamente até cerca de 135. Em normatizações mais recentes (2003-2006) e mais rigorosas, verificou-se que os testes de Hoeflin possuem um teto de validade perto de 165, sendo questionável a validade dos escores obtidos nos testes de Hoeflin que superem o patamar de 170. No final dos anos 1990 e início do seculo 21 houve um surto de novos testes difíceis, criados por membros de sociedades de alto QI e atualmente existem dezenas de testes que pretendem medir adequadamente o QI até cerca de 180 ou mais, embora seja discutível se de fato os escores acima de 165 nestes testes são representações adequadas da capacidade intelectual. De qualquer modo, como são testes muito difíceis, complexos e demandam meses ou anos para serem solucionados, isso os torna mais semelhantes aos desafios intelectuais da vida acadêmica e faz com que representem melhor o nível de produção intelectual das pessoas examinadas. Empresas de alta tecnologia como IBM e Microsoft , desenvolvem seus próprios testes cognitivos para selecionar seus colaboradores, geralmente com nível de dificuldade intermediário entre os testes de QI tradicionais e os testes mais difíceis criados por Langdon, Hoeflin, Lygeros e outros.
Para uma distribuição normal de escores com média 100 e desvio-padrão 16, um QI 180 corresponde a 5 desvios-padrão acima da média. Isso representa um nível de raridade de 1 em 3.500.000. Ou seja, há atualmente no mundo cerca de 2.000 pessoas com Qi neste nível de raridade. Assim, o nível de raridade acaba sendo um parâmetro adequado para atribuir o predicado de "gênio". Segundo a Revista Espaços
Um gênio na Formula 1 moderna.
Imagem do Site Tudo sobre Formula 1.
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